Meu lado criança (como assim, “lado”?)

maio 11th, 2012

Sabe aquele papo de se manter em contato com seu lado criança, de se colocar no lugar do filho para compreendê-lo, bla bla bla? No meu caso, estou em contato com esse lado até demais para ser uma mãe de família responsável.

Visualize: Jonas brincando com um recipiente de água no meio do carpete, lavando os trilhos do trenzinho de madeira e passando-os no vidro da porta da varanda. O que fiz eu? Deixei. Até que obviamente ele derrubou o recipiente sobre si mesmo e sobre o carpete, molhando tudo. E eu, rindo da situação absurda tento secar a cagada enquanto ele me ajuda sacudindo o papel toalha que pinga por todo lado.

E aí me dei conta. Acho que deixo ele fazer essas coisas absurdas para rir da bagunça mais absurda ainda que fica depois. Porque essa vida de correr atrás de criança é meio chata, ficar arrumando as coisas atrás dele é um saco, e impedi-lo de fazer merda é mais chato ainda. Sinceramente, eu não tenho a menor condição de fazer o papel de adulta!

So para completar o raciocínio…

maio 2nd, 2012

…do post anterior.

Sim, eu tenho que aprender a deixar esses discursos de gente louca passar. Mas eu tinha que aprender como lidar com eles na hora.

Barbara, quando alguém começar um discurso maluco desses, não faça afirmações. Não diga que discorda. Faça perguntas. Tá ouvindo? Pergunte: “por que?” “quem disse?” “baseado em que?” “Como isso funciona?”

Assim, o ônus de justificar e embasar o discurso vai para a outra pessoa e não para mim.

Uma vez uma conhecida me disse, com a cara mais lavada do mundo, que seu médico era muito a favor da amamentação, e disse que depois dos seis meses de idade o leite artificial era MELHOR do que o leite materno. Eu posso pensar em trocentas razões pelas quais isso é impossível de ser verdade (uma comida processada e em pó não pode ser melhor do que a versão natural e fresca a qual ela IMITA, para começo de conversa. Fórmula nunca vai ter os anticorpos e células tronco e o diabo que existe no leite materno - tem coisa no leite de peito que a gente nem sabe que tem, mas que o bebê aproveita. Leite de gente TEM QUE ser melhor para gente do que uma parada artificial feita a base de leite de outro bicho, nao? E por aí vai. Isso sem contar o estresse de desmamar uma crianca com essa idade, e todos os benefícios psicológicos da amamentação, etc.)

Mas a burralda aqui respondeu: “Eu discordo.”
A conhecida, com mais bom senso que eu, falou “Ah tá.”

E voltei pra casa pensando “Por que raios eu não perguntei quais eram os argumentos do médico??? Talvez, quem sabe, isso fizesse ela questionar o absurdo que o médico estava falando. Na pior das hipóteses teria soado bem menos grosseiro.”

Mas eu sou grosseira, né? Principalmente quando é um assunto desses, sobre o qual eu tenho opiniões muito fortes.

PS: O disclaimer é desnecessário, mas vou incluir. Leite em pó/fórmula é uma parada ótima que salva vidas quando a mãe não pode amamentar, e é uma opção decente quando a mãe não quer amamentar. Ainda bem que existe, bla bla bla.

Agora, não me venha dizer que, em qualquer situação no universo, é melhor do que leite de gente. É uma parada que imita e tenta se aproximar do leite de gente. E chega perto, pelo que dizem. Mas nós ainda não temos tecnologia para produzir coisas MELHORES que a natureza, principalmente coisas tão complexas quanto leite de gente. Oquei?

PS2: Aqui nesse país existe uma idéia de que bebês só precisam ser amamentados até os seis meses. É um país de analfabetos funcionais!!!! A OMS recomenda amamentação exclusiva até os seis meses, e amamentação junto com comida até os dois anos ou mais.

Mas todo mundo faltou a aula de interpretação de texto da Tia Marocas, e vem com esse papinho que leite materno é só por seis meses. Inclusive muitos médicos, que ficam me olhando com cara de cu quando eu digo “Mas a OMS não diz que é até os dois anos?”

Olha, eu ando cada dia com menos paciência para esse tipo de burrice, viu? (e aí vema Nestle e demais companhias malignas e reforçam a mensagem, para vender mais fórmula. Mas deixa isso pra lá. Lentamente algumas pessoas estão começando a entender isso.)

Uma coisa que eu preciso aprender

abril 27th, 2012

Ignorar e/ou cortar pessoas loucas no começo de seus discursos.

Não, não estou falando dos doidos de rua, dos malucos beleza, dos velhos que te alugam na rua para falar alguma coisa sem pé nem cabeça. Tou falando daquelas pessoas que do alto das suas agendas (seus traumas ou problemas pessoais ou sei lá o quê) se acham no direito de cagar regra e julgar você e fazer discursos de como você deveria viver a própria vida.

Hoje eu fui numa sessão de couselling para falar sobre um assunto específico que anda me preocupando e fui obrigada a gastar boa parte do tempo justificando minhas decisções na criação do Jonas. Oi? Por quê mesmo? Eu pedi opinião? Então por que isso aconteceu?

Por que fui pega desprevinida. Porque baixei a guarda (era uma sessão de counselling, lembra?). Porque, ao invés de tantas outras vezes, não tive a lucidez de dizer “Não, eu não faço isso com meu filho” seguido de uma cara de ponto final que não deixa espaço para réplica. (Essa é a minha resposta padrão para todas as sugestões de deixar ele chorar até dormir, de que eu tenho que desmamar, e de basicamente qualquer doida que leia Gina Ford. Normalmente a outra pessoa imediatamente percebe qual o seu lugar e cala a boca).

Mas hoje dei mole.

Foi mais ou menos como naquela vez que a amiga maluca do Marido veio me atacar num espasmo de fúria dizendo que eu estava errada em querer viver fora do Brasil. Que eu tenho raízes! Que isso era um absurdo! Bla bla bla!! A louca pegou todos os problemas pessoais da vida dela e transformou num discurso peçonhento contra MIM. E eu não consegui sequer responder, de tão surpreendente que foi o ataque. Para piorar, eu estava na casa dela.

Em que país morar é uma decisão absolutamente pessoal, cada um sente as coisas de um jeito e todos esses jeitos são válidos e legítimos e devem ser respeitados. Tem gente que acha ótimo sair da Holanda para morar no Rio Comprido, e esse camarada tem que ser respeitado, não? Mas vai conseguir pensar numa resposta qualquer no meio de um ataque-metralhadora-giratória de uma mulher enfurecida com sei lá o quê.

E para completar teve aquela conhecida que teve uma infância difícil, mãe com problemas sérios que precisava ser cuidada pelos filhos em vez de cuidar deles, veio me fazer um discurso de como a minha relação com a minha mãe superprotetora não era saudável. On and on and on, como se ter uma mãe superprotetora fosse a pior coisa do mundo.

“Oi? Bacana mesmo é ter uma mãe que nem a sua, ne? Que inveja da sua infância e da sua mãe autocentrada, incapaz de botar os filhos em primeiro lugar. As merdas que a minha mãe fez foram feitas tentando acertar. Não podemos dizer o mesmo da sua.” Foi aquela resposta que ficou rodando na minha cabeça por muito tempo depois.

Não, eu não consigo sublimar. Não consigo pensar “Elas têm os problemas delas e estão jogando suas frustrações em cima de mim porque são infelizes, coitadas. Vou ser superior.” Na verdade, devo conseguir, às vezes. Mas essas vezes provavelmente ficaram para trás, esquecidas.

Então posso tentar ficar mais atenta ainda para não ser pega desprevenida nesse tipo de de situação. Talvez fazer uma lista de palavras-chave relacionadas aos asssuntos com mais potencial de dar merda. Ou identificando rapidamente o tipo de mulher maluca capaz de fazer esse tipo de discurso cagador de regra (porque eh sempre mulher?).

(Mas veja bem: eu tenho amigas que criam seus filhos de maneira ABSOLUTAMENTE diferentes, discordo de tudo que elas fazem (e vice versa) e a gente não estressa. Tenho até amigos religiosos (de verdade) e a gente consegue se dar bem. O problema não são as pessoas com opiniões diferentes, mas sim as criaturas frustradas, infelizes e sem respeito.)

A terceira opção é simplesmente aceitar que de tempos em tempos isso vai acontecer. Eu vou baixar a guarda, vou dar mais conversa do que deveria e vou ter que ouvir um discurso desses, e ter mais uma história pra contar. Aí vou me lembrar, me esquivar de outras tantas loucas, e assim sucessivamente.

PS: Eu estou numa daquelas fases da vida que eu quero que me deixem em paz. Quero ficar quieta na minha. E ando também meio ultra sensível.

Isso explica os desabafos sem pé nem cabeça dos últimos dias?

Sobre grandezas e pequenezas (mais destas, menos daquelas).

abril 23rd, 2012

Isso nunca tinha acontecido antes: esqueci a senha desse blog. Mas como se pode ver, lembrei. Um dia esqueço de novo.

Estava a fim de escrever um post numa vibe meio Clarice Lispector, mas acho importante esclarecer que estou falando da Clarice Lispector que vive na terra das minhas opiniões, aquela mulher confusa que escreve textos que começam do nada e acabam em lugar nenhum passando por algumas questões filosóficas e muitas pequenezas cotidianas. Aquela que escreveu o livro da barata que eu detestei mas li até o final.

Que na verdade, talvez eu devesse até ler de novo, agora que sou mulher doméstica e mãe e cheia de pequenezas, quem sabe eu até entenderia ela? Porque é justamente sobre isso que eu tou pensando furiosamente hoje. Sobre aquele processo pelo qual a gente tem o mundo pela frente e idéias grandiosas quando tem 15 anos, e aos poucos sem que você perceba tudo isso é soterrado por fazer comida, pendurar roupa, dar comida pra filho, limpar a sujeira, colocar roupa na máquina, já ta hora de outra refeição, de tirar a roupa da máquina, limpar mancha de lápis de cera do carpete, fazer contas, pagar contas, se preocupar com dinheiro, trocar roupa na loja, fazer o registro de self employed junto à Receita Federal da rainha, essas coisas.

E onde ficaram as idéias grandes? Os sonhos grandes? Eles vão sendo lavados e carregados, ficam para depois de passar o paninho para tirar os farelos da mesa, dar atenção pro filho que te puxa do computador para você brincar com o trenzinho ou para pular na cama. Sempre depois.

E fico pensando que esse é o trabalho mais importante que eu já tive na minha vida, mas às vezes é fácil perder isso de vista. Morro de inveja daquelas pessoas que sabem realmente viver a beleza da rotina, dos pequenos momentos, que sabem que brincar com o trenzinho e servir comida feita em casa pruma criança é o que importa. Ter um emprego aleatório fazendo planilhas ou apresentações ou escrevendo notícias que serão esquecidas daqui a dois dias - não, isso não importa. Eu tenho a sorte de não precisar fazer malabarismos mentais para tentar me convencer do contrário todos os dias, ao sair de manhã e voltar à noite para casa.

Mas esse trabalho tão importante é feito de pequenezas. Pequenezas irritantes e que isoladamente são, de fato, desimportantes. Mas que se acumulam e se agigantam de uma forma que um milhão de notícias irrelevantes acumuladas ao longo de uma carreira jamais se agigantarão.

E a recompensa é muito diferente. No meu emprego bunda eu todo mês recebia na minha conta um dinheirinho que servia para entorpecer a frustração. Aí eu saía e comia num restaurante ou comprava alguma coisa e entorpecia mais um pouco. Nos meus frilas, o pagamento é pior ainda. Mas eu escrevo sobre o que eu gosto, e tenho desculpa para ir a lugares e fazer perguntas a pessoas. Isso é parte do pagamento também.

Porém, na função de mãe a recompensa é um sorriso, é dormir abraçada (o que inclui as acordadas de madrugada…), é ver que o Jonas é um garoto feliz, seguro e tranquilo, que passa o dia fazendo bagunça e rindo. E na função de dona de casa a recompensa é… praticamente nenhuma, porque por mais que eu faça a casa tá sempre uma zona.

Mas o ponto é que aquela pessoa de 15 anos que ficava ouvindo Milton Nascimento e Chico Buarque e se vestia de hippie e tinha sonhos gigantes ainda tá aqui dentro (o cabelo despenteado dela continua na minha cabeça). Ela ia para a escola todo dia e estudava matérias que ela achava irrelevantes na época e passava o dia jogando conversa fora e rindo e achando que tinha a vida pela frente e que tudo ia ser ótimo e grandioso - e hoje em dia eu tenho a vida pelo meio, e ela é boa, mas de uma forma suave para a qual, falando a verdade, eu não tava preparada.

Aquela menina continua aqui dentro, gritando, querendo aquela vida que ela esperava, felicidades gigantes, conquistas imensas, e não entende que um acúmulo de mini conquistas é uma imensidão (experimenta explicar isso para alguém de 15 anos).

E de tempos em tempos ela grita mais alto, e eu sou obrigada a ouvir, e tento dar uma satisfação, mas não sei se um dia ela vai crescer (ou envelhecer, não sei bem). Acho que tem gente que nunca entende e nunca vive de verdade essa tal da beleza da rotina (que é bela, é sim, eu sei. Tem dias que vejo essa beleza muita clara na minha frente). Essas pessoas terminam de duas formas: soterradas em frustração ou finalmente alcançando essa tal grandeza dos sonhos de antanho. E aí, depois que elas alcançam essa grandeza - será que ela é grande vista de dentro?

(e por que de tempos em tempos eu escrevo esse mesmo post, com leves diferenças, e nunca consigo superar essas questões?)

The flow

fevereiro 19th, 2011

(Ou “fluir” - eu sei que a tradução de “flow” é “fluxo,” mas essa palavra me lembra anúncio de absorvente com sangue azul…)

Dia desses fui na peça de fim de curso de uma amiga: um musical inédito, escrito pelo professor do curso. O cara escreve musicais todo ano (ou algo próximo disso) para os formandos apresentarem.

Tem uma série infantil na Tv em que todo final de episódio os personagens cantam uma música, inédita, inteira, sobre alguma coisa que aconteceu naquele episódio, usando algum instrumento musical que foi apresentado naquele dia.

E aí fiquei pensando sobre produtividade. É preciso criar um fluxo. Uma linha de produção. Não importa se você trabalha com arte ou com criação, ou mesmo se é um hobbie. Arte não é punheta - é criação e produção. Você começa uma coisa, termina, começa outra, segue em frente.

Às vezes as pessoas ficam punhetando demais um livro, uma música, uma pintura, sem nunca terminar. Às vezes essas pessoas comparam sua produção a um filho. Como se isso justificasse o eterno retoque e re-retoque, mexe daqui e mexe dali. Aquele perfeccionismo que não chega a lugar nenhum, aquela coisa que nunca acaba. Como disse uma amiga minha, certas coisas você não acaba - abandona.

E aí que está, com filho é assim também. Você não tempo para retocar e mexer e ajeitar. Às vezes me pego pensando em coisas que devia ter feito um pouco diferentes com o Jonas quando ele era recem nascido. Paciência. Ele deixou de ser recém nascido há tempos, e agora se eu quiser use essas coisas com o/a próximo/a. Jonas passou para a próxima etapa, eu fiz algumas coisas assim e outras assado e aí, vejam só outra etapa de novo.

O Jonas é um riozinho. Ele flui, a vida vai fluindo, e a produção devia fluir igual. A gente só fica boa com a prática, e a prática só vem do fluxo - não retocar e remexer e repunhetar a mesma idéia, mas começar, terminar, começar de novo, ter outra idéia e depois mais outra.

E eu tou escrevendo isso aqui mais para organizar as minhas idéias. Esse blog aqui já virou um diário, né não? Tenho escrito mais para mim mesma do que para vocês, admito. Perdão.

Pelo direito de ser chata / Natal

dezembro 27th, 2010

Dia desses me peguei pensando: “Barbara, você devia ser menos uptight, menos estressada. Em vez de ficar o tempo todo pensando no que deveria fazer, você deveria aprender a relaxar, deixar as coisas rolarem um pouco, sabe? Você fica o tempo todo tensa, correndo de um lado pro outro que nem o urso do Picapau, mude isso, mulé. Coitado de quem está por perto, assim você é insuportável.”

Mas aí logo em seguinda uma pergunta me ocorreu: “Por quê, mesmo?”

Pois é, não sei. Pensa comigo. Eu passo o tempo todo estressada, pensando no que devo fazer, tentando fazer coisas em todos os intervalinhos que tenho. No meio dessa maluquice até que consigo fazer um tantinho das coisas que quero. Poderia correr de um lado pro outro um pouco menos, mas estou melhorando. Mas veja bem, mesmo assim não consigo dar conta de tudo. E ainda vou relaxar? Ser mais tranquila? Macomo, meudeusdoceu? E depois? Começar a jogar world of warcraft? Comprar a caixa com todas as temporadas de Friends?

Então às vezes penso que eu relaxasse eu seria menos chata. Uma pessoa menos uptight é uma companhia mais agradável, naturalmente.

Mas aí de novo: para que mesmo?

Mas admito. Eu devia levar as coisas menos a sério. Esse post aqui, por exemplo. É se levar a sério demais, né não? Defender o próprio direito de ser uma pessoa insuportável? E estressada? Céus, que tipo de pessoa faz isso?

Deve bem haver no mundo alguém que seja relax, interessantérrima e bacanérrima e produtivérrima ao mesmo tempo. Mas eu não tenho a manha, sabe? Minhas amigas mais produtivas que fazem infinitas coisas bacanas não são relax e tranquilonas. Elas não jogam jogos nem vêem séries. Elas não têm blogs, uma nem tem twitter (elas jamais perderiam tempo escrevendo sobre o fato de serem uptight, por exemplo. Sequer pensando no assunto. Elas estariam fazendo coisas). Elas são aquele tipo de pessoa que você chama no gtalk e elas estão, adivinhe só, fazendo alguma coisa e normalmente não podem jogar conversa fora por mais de 10 minutos.

Elas são moças focadas. Eu queria ser focada. Talvez focada sem ser uptight. Mas essa coisa bonita de ser tranquilona e relax e deixar as coisas rolarem acho que só funciona se você morar em Mônaco, vier de uma família centenária e tiver gente para se preocupar com as pequenezas por você. Ou tiver um cônjuge ou PA (personal assistant, um dos piores empregos do mundo na minha opinião) que seja uptight e estressada para que você possa ficar com a parte charmosa da coisa.

Se alguém tiver alguma dica de como ser produtiva sem ser estressada e chata, eu aceito de bom grado.

(pensar menos nas coisas? Fazer em vez de ficar pensando? Nhé, já tentei. Tento sempre. Também não tenho a manha.)

PS: O Natal foi ótimo, thanks for asking. Espero que vocês também tenham tido um Natal fantástico - apesar da aleatoriedade da data para quem não é católico, é sempre bom ter um dia para reunir a família e comer comidas bacanas.

Sabe, eu já pensei em instituir aqui em casa um jantar de Thanksgiving, pelo simples fato de que acho bacana fazer um evento para agradecer as coisas. É bonito, né não? Em vez de pedir, agradecer tudo que a gente tem. Mas Marido não se emocionou, achou meio sem pé nem cabeça adotar uma tradição aleatória de um país que não tem nada a ver com a gente, de pilgrims que não nos dizem respeito. No que, convenhamos, ele tem razão. Mas tergiverso. O que eu queria era dizer que Natal para mim é tão aleatório quanto, mas que eu curto datas e rituais e celebrações.

(e se a gente parar para pensar, nem é tão aleatório agora que estamos aqui. A festa originalmente celebra o solstício do inverno e para quem está na Inglaterra com o dia terminando às 3 e meia da tarde, passar pelo dia mais curto do ano e saber que agora só vai melhorar é razão suficiente para comemorar)

Instintos distintos

dezembro 6th, 2010

Era uma vez (quando eu era pequena) uma época em que os bebês eram colocados para dormir de barriga para baixo, por alguma razão que eu desconheço mas que era recomendada por todos os médicos.

Alguns anos depois, fica decidido que botar bebê de bruços para dormir é pior que bater na mãe. É um risco de vida, bla bla bla. Então a gente deve colocar a criança de barrigão pra cima, dizem todos os profissionais competentes e instituições de saúde.

Mais alguns anos depois, descobre-se que as crianças que dormem de barrigão para cima morrem menos, de fato. Mas engatinham menos, andam mais tarde, etc etc. No longo prazo, isso leva a um atraso generalizado no desenvolvimento (aos 8 anos elas têm QI mais baixo, veja só!).

Então, na verdade, é bom deixar a criança de barriga para cima, mas só quando estiver dormindo. Quando estiver acordada, tem que deixar muito tempo de barriga para baixo.

E isso é o que se diz hoje, em dezembro de 2010 (essa matéria da Salon conta a história melhor que eu). E eu fico aqui pensando que os filhos do Jonas provavelmente vão dormir de barriga para baixo de novo - ou de ponta cabeça.

É por essas e outras que em assuntos de saúde eu cada vez mais ignoro orientações médicas, pesquisas científicas, etc e, depois de uma pesquisa básica, faço o que me parece certo. Porque quando se trata de algum assunto um pouquinho mais complicado é impossível existir consenso. E eu prefiro errar seguindo meus instintos do que obedecendo pitaco de um médico aleatório ou de uma orientação da OMS ou do NHS, feita na lógica “one size fits all” e que não necessariamente é o melhor para o meu caso específico (ando com uma birra incrível desses guidelines mundiais/nacionais).

Ter estudado história da ciência e filosofia da ciência na (cientifissíssima) Imperial College só contribuíram para eu chegar a essa conclusão, assim como todas as pesquisas sobre parto que fiz quando estava grávida [concluí que ninguém sabe nada direito mesmo e meu próximo filho vou parir no Hampstead Heath, no meio do mato (quando digo isso marido sempre comenta que vou ser eu parindo numa moita e o George Michael fazendo dogging na outra - a área é famosa para dogging à noite - prefiro não imaginar a cena)].

Talento

dezembro 4th, 2010

Ah, vocês nem ligam que eu não atualizo isso aqui, né não? Os pouquíssimos leitores que sobraram lêem os meus raríssimos posts pelo rss que eu sei. Então nem me apoquento mais e nem me preocupo que tenha alguém vindo aqui e dando com os costados n’água (se tem, mil perdões, eu sei o quanto isso é irritante - e meus parabéns pela insistência, você deve ser uma pessoa muito persistente e vai se dar muito bem na vida).

E no meio da minha vida de full time mama estou escrevendo o tal do livro que já falei aqui. Três parágrafos por dia, coisa assim, escrevendo qualquer coisa desde que a história ande para a frente, e repetindo para mim mesma que depois posso reescrever tudo porque é lógico que a primeira versão vai ficar ruim.

Uma coisa que - quase - não me preocupa é a questão do talento. Já que não tenho controle nenhum sobre isso, costumo ignorar essa variável. E para me animar, leio histórias de escritores que chegaram lá à custa de esforço, insistência, teimosia. É bom ler os livros que esse povo escreve e pensar o bom e velho “eu faço melhor” ou mesmo “eu sou capaz de fazer uma coisa desse nível. Se esse livro bombou então eu ainda tenho esperança.” Porque eu acredito, mesmo, no fundo do meu coração, na persistência sem talento.

Mas tenho que ter em mente que se eu quiser terminar a bodega do livro é bom me ater ao povo do meu nível. Porque esqueci e comecei a ler V de Vingança hoje (nunca tinha lido) e aí comecei a minhocar que meu futuro distópico não era tão bacana, que eu queria saber fazer personagens tão legais, que minha história não tem um pingo da intensidade do que eu estava lendo.

Pombas, Barbara, é o Alan Moore! Deixa o cara para lá. Pega alguma coisa dos seus role models (sem citar nomes, mas aquele povo que vende horrores mesmo não sendo genial) e manda bala.

Escritores deprimentes

outubro 7th, 2010

Sabe, eu nutro um certo desprezo por escritores amadores. Aquele camarada que nunca teve nada publicado, mas tem uma idéia na cabeça, e está lá, escrevendo ou tentando escrever um livro que provavelmente vai ficar medíocre (porque a maioria de qualquer coisa no universo é medíocre, é justamente isso que a palavra significa), que provavelmente não vai ser publicado, e que quase que certamente vai ter jeito e cheiro de amadorismo (até porque eu acredito na importância fundamental de um editor, e a maior parte dos livros escritos no mundo não são editados nunca porque 1 - nenhum editor se interessa por fazer isso 2 - o escritor amador é arrogante e burrinho o suficiente para achar que não precisa de editor. Normalmente são as duas coisas).

Aí o escritor amador fica às voltar com seu plot, seus personagens, tentando fazer a história encaixar e dar certo,tentando desenvolver uma cena ou achar o final certo para sua trama, aquela trama pela qual ninguém no universo se interessa além dele mesmo. E sofre com isso, e esse sofrimento todo tem uma camada trágica extra que é a provável ruindade da coisa. E mesmo que a não seja ruim, a não-publicação é mais provável do que a publicação. Então o processo toda é meio triste e deprimente, apesar de ter um quê de heróico. Bom, mas nada impede heróis de serem tristes e deprimentes e no final das contas darem com os burros nágua.

E eu tou contando isso agora porque nos últimos meses eu saí do time das “pessoas que têm um livro na cabeça e nunca escrevem” para o time dos “escritores amadores sutilmente deprimentes.” Acho que estou fazendo progresso. Mas não deixo de me sentir um tanto self conscious da ridiculidade do processo todas as vezes que me pergunto, afinal, qual a motivação desse personagem? O que ele quer? Qual o conflito da história?

Me sinto ridícula, patética, igualzinha ao camarada que descrevi ali em cima. Com um medo horrível de escrever uma história constrangedora como a maioria das histórias escritas no planeta são. Porque eu sei que a idéia é boa. O mundo que eu criei tem potencial. E potencial é o assassinador de idéias. Eu tou justamente naquele ponto em que um pouco de falta de senso de ridículo me ajudaria a escrever o raio da coisa. Mas ele não me larga.

(hm, escrever sobre isso está me fazendo sentir menos ridícula. Eu tenho que vestir a carapuça do herói deprimente e ir em frente. Ninguém nunca morreu por ser um pouco ridículo - ou, em última análise, por escrever um livro constrangedor. E se é assim, constrangê-los-ei, pois)

O primeiro resfriado de Jonas

outubro 3rd, 2010

Ontem Jonas teve o primeiro resfriado. Passou o dia com coriza, o olho esquerdo meio inchado e lacrimejando (só o esquerdo, vai entender), com olheiras, mas de resto animadíssimo e pulante como sempre. E eu preocupadíssima com a noite - como que eu ia dormir se toda vez que ele deitava, em 5 minutos o nariz entupia e ele acordava desesperado?

No final das contas a coisa se resolveu bem satisfatoriamente: coloquei o mocinho no baby carrier e dormi sentada na cadeira Poang da sala (assim ele fica praticamente de pé), com algumas horas na cama (onde ele conseguiu dormir deitado um pouco). Parece que o mocinho passou a noite muito bem, e eu dormi razoavelmente (a parte da cadeira parecia noite em avião, quando você acorda desconfortável mas volta a dormir toda torta, sabe?).

E então por enquanto é isso, primeiro resfriadinho e sobrevivemos bem (eu estava prevendo uma longa noite de choro. lágrimas e ranger de dentes, principalmente da minha parte)! Agora vamos para a segunda noite. Estou escrevendo isso com ele pendurado em mim, já dormidíssimo.

(e bora torcer para demorar muito até ele ter alguma doencinha de verdade, já que essa pelo visto está sendo só treinamento - aliás, não dizem que criança mamante não fica doente? Quero meu dinheiro de volta!)