Um post (bem comprido) de ano novo

janeiro 7th, 2010

Hoje me deu vontade de escrever um post de ano novo. Aproveitei para ler o texto de janeiro passado, e fiquei bem feliz com ele. É lógico que não fiz tudo que estava lá, mas fiquei com a sensação que que estou indo. Para a frente, na maior parte das vezes.

A principal mudança de rota é que eu queria conseguir fazer mais coisas e ser mais disciplinada e organizada. E para 2010 eu quero é ser mais sensata e não enlouquecer. Passei o ano todo no mesmo emprego, e descobri uma coisa importantíssima: que não consigo servir a dois mestres. Não consegui trabalhar full time e fazer frilas. Não escrevi quase nada do meu livro, não fiz documentários. Não rolou. Também não fiz o alemão tão bem quanto gostaria.

Então é isso, eu tenho essa limitação, vamos dar um jeito. Aquela coisa de fazer milhões de coisas ao mesmo tempo que algumas pessoas conseguem não funciona para mim. (engraçado que o comentário do Maron no post, se dizendo mais velho e experiente, era justamente dizendo para eu ir com calma. Um ano depois, tou eu pensando igual. Será que fiquei mais velha e experiente?).

Descobri que não adianta ficar cansada demais, me exigir demais. Acho que percebi que tenho limites, e que respeitá-los e dar a volta e tentar lidar com eles (ou enrolá-los) é mais inteligente do que bater de frente.

Para esse ano, mudanças se aproximam, e eu acho que o mais importante vai ser aprender a manter a calma. Não me estressar. Dificuldades vão aparecer de tempos em tempos, sempre, e manter a calma e ser estável está se mostrando o skill mais importante que eu posso desenvolver.

Como eu tinha planejado, fomos fazer o Caminho de Santiago. Fomos, mas não terminamos. Aprendi várias lições muito úteis, o que prova que fazer o caminho é uma experiência enriquecedora mesmo quando você tem que parar no quinto dia, hehehehe. Aprendi que não posso planejar tudo na vida, aprendi que não adianta me chatear com as coisas, aprendi que somos, eu e Marido, mais bacanas do que pensávamos (porque em vez de voltar pra Londres com cara de cu nós fomos passear de cadeira de rodas em Bilbao), e aprendi também que concentração é uma coisa essencial na vida (e que quando eu desconcentro acontecem coisas idiotas como um pé quebrado – olha o tema dos limites, do cansaço e da calma se repetindo).

E sobre o controle de pensamentos inúteis, que também mencionei ano passado? Acho que melhorei, sabe? Um pouquinho, bem pouquinho, mas isso é trabalho pra vida inteira. Hábitos levam tempo para ser mudados, e um ano é bem pouco.

Para esse ano eu quero colocar em prática algumas das coisas que andei percebendo na análise (eu tou sempre fazendo análise, já deu para notar?). Uma das coisas mais complexas é que eu quero parar de racionalizar tudo. Minha terapeuta diz que “I don’t trust my feelings.” Eu concordo, mas vou mais além: o problema é que eu não sei operar no nível de feelings. Eu só sei operar no nível de pensamentos, de racionalizações. De palavras, frases, coisas concretas. Talvez seja por isso que eu escreva desde sempre, e nunca tenha me interessado muito por música, por exemplo. Porque música, ou pintura, funcionam em outro nível, um nível onde eu não transito lá muito bem. Então taí, uma tarefa e tanto para esse ano.

Outras coisas:

Profissionalmente, preciso aprender “framing,” que é a arte de saber quando parar a pesquisa de uma matéria, quando não fazer alguma coisa, qual o recorte que me interessa de um assunto (e deixar todo o resto de fora). Quando eu penso em uma feature para escrever, me empolgo no world building e me atrapalho na parte do plot. (e sim, as palavras estão saindo metade em cada língua, é cafona, peço desculpas mas é assim que vai ficar). Isso também inclui aprender que nem toda revista comprada tem que ser lida, nem toda notícia tem que ser sabida, e nem todo livro ou filme deve ser terminado. Deixar coisas de fora é uma parte essencial dessa história de “framing.”

Voltando ao assunto da calma e da estabilidade (que na verdade era a palavra “steady” que eu queria usar), eu tenho que deixar de acreditar nas minhas próprias idéias pré-concebidas sobre mim mesma. E nas idéias que os outros têm de mim. (sim, isso também é coisa da terapeuta. Eu não formularia esse tipo de pensamento dessa forma). E entender que eu posso ser várias coisas, e que na verdade a gente está sempre sendo uma coisa nova, e todo dia isso muda. E que é claro que a gente forma idéias e recorta as coisas para entender o mundo e nós mesmos melhor, mas o ponto é que a gente talvez não precise entender o mundo melhor sempre. O que leva de volta ao ponto sobre operar em um nível menos racional, e me leva adiante ao ponto seguinte:

Mais uma das coisas que entendi esse ano: que eu não sou as minhas idéias, os meus sonhos, o que eu penso de mim, a pessoa que eu posso ser. Que na verdade, as coisas que eu quero, que acho que vou fazer, que penso, que acredito, as minhas opiniões, tudo isso no qual eu me baseei a vida inteira, não são nada. Passei muitos anos me achando isso e aquilo, me achando um monte de coisas, porque eu tinha isso e aquilo na minha cabeça. Mas a verdade demorei para entender que essas coisas todas, that I used to hold so dear (experimenta traduzir “hold so dear” pro português!) não existem, não têm importância, não significam nadica de nada.

O que interessa é o que eu conseguir fazer. Só isso. Dia após dia, aos pouquinhos. O livro na minha cabeça, as minhas idéias e opiniões, meus filmes, minha peça vão passar a ter alguma existência real o dia que… elas passarem a ter existência real. E que colocar essas coisas no mundo é trabalho duro. É por isso que tem tanta gente que acha que pode escrever um livro por aí, mas tão menos gente que de fato faz o trabalho de formiguinha de parir o livro. E esse trabalho de formiguinha merece respeito, porque é o que valida o livro que antes existia dentro da dentro da cabeça.

Esse post ficou uma coisa viajandona, quase que nem o vídeo da menina da Malhação no Youtube (e eu que comentei: “no meu tempo um monte de gente tinha esse mesmo tipo de viagem, mas tudo ficava escrito numa agenda e a agenda, guardada na gaveta, poupando os autores do escrutínio e da galhofa universal”). Mas vou publicar assim mesmo por duas razões: fica mais fácil para eu mesma ler ano que vem (afinal, esse post claramente foi escrito para mim mesma), e porque é capaz de alguém ler isso tudo (porque ficou comprido para caramba) e aproveitar algo de útil no meio de tanta coisa, vai saber.

Em Bilbao

Em Bilbao

A felicidade deveria ser o caminho, não o destino. Mas as coisas não funcionam assim.

janeiro 5th, 2010

Se você não tomar cuidado, vão roubar os melhores anos da sua vida, as melhores horas do seu dia, a sua saúde e a sua energia. Tudo isso em troca de dinheiro para comprar o que você não precisa, cumprir com as expectativas dos outros, ou porque é “assim que todo mundo faz.” Ou simplesmente vão te sugar e te deixar um trapo só porque você deixou. É assim que o mundo funciona,e é isso que o sistema faz com você. E eu digo “sistema”, que é uma palavra boba, mas podia dizer “a vida”, a “sociedade,” os “outros,” o mundo.

Estou morta de cansaço, desde que cheguei do Brasil não consegui descansar direito, nem arrumar as coisas, nem parar para pensar. Fazia um calor insuportável no Rio, fazem menos 2 graus de manhã aqui. E hoje eu acordo, puta da vida, ainda cansada e muito mais atrasada do que deveria, pensando em todas as coisas que devia/queria fazer, mas não posso, porque tenho que sair pro escritório, passar o dia fazendo coisas irrelevantes, voltar para a casa que está uma zona quando já estou cansada demais para resolver o que preciso, lavar e guardar as roupas, fazer comida, responder os emails, ou fazer qualquer coisa minimamente importante. Perceba que não estou falando de flanar, passear e me divertir, mas só de conseguir atender às minhas necessidades e obrigações, as coisas que são importantes para mim, e não para a empresa onde eu trabalho, onde o lucro nunca é suficiente mas os salários das pessoas tem que ser.

E fico mastigando pensamentos inúteis, no meu mau humor: “imagina se alguém me tirasse de casa e da minha família aos, digamos, 15 anos, me levasse para algum lugar horroroso, para fazer um trabalho insuportável, cansativo, estressante, sem nenhum prazer, e eu tivesse que viver assim até mais ou menos uns 60 anos, quando me trariam de volta, já quando meu corpo estivesse fraco e cheio de dores, e minha cabeça não fosse mais tão ágil, para aproveitar a esmola do restinho da vida?” É esse o meu ciclo, a diferença é que ele é diário, e não no tempo de uma vida.

Hmm, mas não era exatamente isso que se fazia antigamente? Os guerreiros, os exploradores, sei lá mais quem? Imagino perfeitamente um cidadão britânico que passasse os melhores anos de sua vida pegando malária e suando em bicas em algum cafundó quente e cheio de mosquitos, para voltar pra casa já velho e podre, com um rabicho de vida para tentar ser feliz. Não é isso que as pessoas fazem até hoje, achando que vão ser felizes depois de se aposentarem? Nossa sociedade é totalmente baseada na idéia de felicidade, mas ela não é feita para que ninguém seja feliz. As engrenagens são feitas para que você passe 10 horas por dia fazendo alguma coisa chata, mais umas 2 horas no trânsito, mais 8 dormindo (se tiver sorte), e depois disso, tentar ser feliz no restinho de dia, com a esmola de vida que te deram. E todo mundo acha normal.

A própria idéia de aposentadoria é insana: se o trabalho fosse bom, porque eu não poderia trabalhar e descansar, alternadamente, até morrer? Não quero o prêmio duvidoso de ficar de papo pro ar quando estiver já muito cansada para aproveitar (até porque a gente nunca sabe se vai chegar na idade da posentadoria). Não quero que o prazer e as minhas necessidades sejam a cenoura na frente do cavalo no final da vida, no final do dia, no final de semana.

E sim, estou mal humorada, estou cansada, estrou de bode pós férias, e sei perfeitamente que só pude passar 15 dias no Rio com a família porque tenho um emprego do qual estou reclamando, mas não é por isso que eu tenho que concordar com a forma como as coisas funcionam. Se alguém ainda não percebeu, eu não me vendo por tão pouco.

A minha existência de férias

dezembro 24th, 2009

Estou tentando descobrir como levar a pessoa que eu sou de férias para a minha vida sem férias. Não que eu esteja pensando lá muito no assunto, afinal, estou de férias e com preguiça de fazer qualquer coisa muito cansativa, mas bem que gostaria de descobrir.

No dia que cheguei (estou no Rio) eu ainda era a pessoa não-férias (a pessoa normal): estava me sentindo meio desconfortável, meio irritada, me incomodando com as coisas. Trouxe todas as minhas manias comigo de Londres, e hábitos, e a rotina, e tudo. E principalmente a vontade de fazer tudo do meu jeito. Agora já estou mais tranquila, menos irritada. Se não der para fazer tudo que eu quero fazer por aqui, azar. A minha persona normal ia ter um completo sensory overload e infinitos chiliques nessa terra onde tem muito cheiro, muita luz, muito sol, muito barulho, muito trânsito, muito calor, muita umidade, muita pobreza. E muita gente também, afinal lá em Londres moramos numa casa pequenininha só eu e o Marido, enquanto aqui as casas são grandes, cheias de coisas, cheias de gente.

A gente vai ficando velha e cheia de manias, e é por isso que temos que ter filhos (digo, aqueles que querem ter filhos - existem pessoas que não querem, e eu sempre apóio que essas pessoas não se sintam obrigadas a reprodozir porque o mundo já tem gente demais). Os filhos fazem bagunça e nos impedem de nos apegar a tantas manias.

Agora, como eu faço para voltar para Londres, em plena nevasca, naquela cinzitude, tendo tanta coisa pra fazer e decidir e tomar conta, levando um pouquinho dessa preguiça tropical nagô de vida com paparicos e empregada e piscina e praia e sol? Acreditem, pode não parecer mas eu gostaria de ser um pouco menos chata (não muito, um pouco de chatice é util, mas só um pouco, né?) Acho que vou ali na piscina pensar um pouquinho nisso.

PS: Acho que não preciso explicar, mas não custa: não é que a vida no Rio seja essa moleza. A vida normal de gente trabalhadora aqui é mais complicada que em Londres, na minha opinião (deve ter gente que discorda, mas se eu não achasse isso não ia querer ficar por lá, né?). Mas a vida de férias aqui, no Natal, na casa dos pais ou dos sogros, sem ter que trabalhar nem fazer nada, e sendo paparicada por todo mundo, é outra história.

PS2: Hoje é Natal. Feliz Natal às pessoas que lêem esse blog. Que você (e eu também) comam muito, tenham paciência com os outros, aproveitem a família, tentem não surtar com o consumismo da época (agora é meio tarde para desejar isso, mas enfim), e para quem é religioso, celebrem o nascimento de Jesus e tudo mais. Para quem não é, pensem que estamos no solstício de inverno (que, como nós sabemos, é a festa original que foi “repurposed” pela igreja), e celebrem por nós, pessoas que moram no hemisfério norte, o fato de que o dia mais curto do ano já passou e de agora em diante a coisa vai ficando menos pior e menos escura e menos fria, até ficar boa, lá na primavera.

Custo Brasil: moveis

dezembro 11th, 2009

Preco de movel no Brasil eh uma coisa que pode ser compreendida como piada ou afronta. Mais ou menos como preco de roupa. Basicamente nego tem mao de obra abundante e pateticamente barata, materias primas, imagino, tambem baratas, e por pura falta de concorrencia, cobra o que dah na telha (o que eh sempre muito mais do que o produto vale). Dia desses vi os precos das estantes da Tok & Stok, umas coisinhas vagabundas tipo uma Billy da Ikea ou uma qualquer-coisa da Argos, e dah vontade de chorar.

Hoje Marido me mostrou no site da Etna um sofazinho de tecido, safado, de dois lugares, pela bagatela de 2.200 reais.

Sofa, Etna

Sofa, Etna

Observe a semelhanca entre ele e o nosso sofa, um Ektorp de dois lugares da Ikea:

Ektorp, Ikea

Ektorp, Ikea

A diferenca, pelo que eu entendi, eh que aqui na Inglaterra (um pais caro, como algumas pessoas tem a petulancia de dizer) o sofa custa 220 pounds, e nao a fortuna que se cobra no Brasil! (ainda que voce faca a conversao, o preco aqui seria uns 660 reais)!

E isso porque o Ektorp esta longe de ser o modelo mais barato. O baratex de lah custa 90 pounds (e nao eh horripilante), mas com uns 150 dah para comprar varios modelos bem simpaticos.

Eh serio, eu fico revoltada com isso. Nego cobra esse absurdo porque sabe que o povo nao tem alternativa. Nos montamos uma casa no Rio antes de vir para ca, e eh revoltante: tudo custa uma fabula, sem razao nenhuma. Simplesmente os caras sabem que voce nao tem outra alternativa e vai acabar pagando muito mais do que o produto vale. Idem para todos os eletrodomesticos, as roupas, os sapatos. Ate uma arara de roupas safada custava os olhos da cara. Isso nao eh coisa de uma pais competitivo, que quer ser grande, serio e respeitado, ne? Isso eh coisa de pais fuleiro, de fundo de quintal.

O personal capataz e a loja organizada por problemas

dezembro 10th, 2009

Essa menina aqui as vezes eh genia.

Smoke and mirrors e arenques vermelhos

dezembro 10th, 2009

Olha, eu estou sem condicao de escrever um post decente. Estou cansada, com dor de barriga, louca para ir para casa. Ultimamente nao rola de concatenar duas ideias, e so consigo pensar em twiteres - mas meus pensamentos nao sao bons o suficiente para serem publicados no twiter, para voce ter uma ideia de como a coisa ta feia.

Acabei de ler um post da moca que, num processo de se tornar feminista, resolveu que nao vai mais usar maquiagem nem se deixar escravizar por _______ (insira discurso sobre industria da beleza e cobrancas da sociedade aqui). Eu pessoalmente nao gosto de associar feminismo a nao-peruagem. Na verdade eu acho que o ideal seria desassociar as duas coisas de verdade. Tipo poder ser perua ou nao, feminista ou nao, e tudo ser interdependente. Mas isso sou eu.

Enfim. O que eu achei hilario no post dela foi o comentario que, como agora ela nao fica mais olhando todos os micro detalhes da cara no espelho todo dia, ela passou a se achar muito mais bonita! Eu jah tinha reparado nisso: se voce se cuida demais, passa a observar mais defeitos, e a ficar mais insatisfeita, e querendo consertar detalhes que ate dois meses atras voce nem tinha conhecimento.

E a maluquice nao acaba nunca! E como a gente faz para saber quando foi longe demais? Eu lembro que quando era adolescente eu o-di-a-va minhas marcas de catapora! Obcecava em como eu poderia tira-las e tal. Ate que um dia, muito tempo depois, me dei conta que fazia uns dois anos que eu nem lembrava delas, porque estava ocupada com outras coisas.

Deu para entender a mensagem? “Outras coisas” = coisas mais importantes. Precisamente as coisas mais importantes que certas mulheres nao se permitem pensar porque estao obcecadas com micro varizes, um pouquinho de celulite ou com as cuticulas. (alias, que obssessao eh essa das brasileiras com unha feita, hein? Parece que nao eh possivel passar um dia sem esmalte na unha! Eu nao consigo ver uma foto no facebook de alguma mulher que nao esteja com as unhas coloridinhas! Alguem ja parou para pensar quantas horas da vida sao perdidas para se fazer a unha toda semana? Tou comecando a achar que sao as manicures que dominam o pais, que elas tem poderes de controle da mente e na verdade usam todas essas horas que roubam de todas as mulheres do pais para manipula-las a fazer alguma coisa demoniaca que eu ainda nao sei o que eh!)

E eu acho sinceramente que a maneira mais eficiente de impedir um grupo ou uma pessoa de se preocupar com as coisas serias e importantes (ou incomodas) eh fazer com que eles se preocupem demais com coisas menores, ou de curto prazo. Tipo assim, muita gente no Brasil esta ocupada demais sobrevivendo, pensando como vai pagar as contas no final do mes para, por exemplo, participar de politica, para mandar cartinha pra deputado, para reclamar de alguma coisa. E certas mulheres estao ocupadas demais em fazer a maratona de beleza semanal para se preocupar com coisas mais importantes.

Porque na boa, ne? depois de passar 4 horas no salao cortando o cabelo e fazendo luzes eu quero morrer, e nao pensar no que esta sendo decidido (ou nao) em Copenhagen, ou se estou separando direito o lixo reciclavel.

Bom, eu tenho certeza que jah tinha dito isso antes aqui nesse blog. Eu tou me repetindo, ne? Ou nao? A hora que minha barriga parar de doer talvez eu consiga pensar com mais clareza.

Welcome to my mind

novembro 18th, 2009

É assim: eu tenho uma coisa para fazer, e preciso me concentrar nela. Ou pelo menos preciso fazer o que tenho que fazer, tipo assim, começo, meio, fim. Escrever um texto, fazer uma pesquisa, mandar um email mais complicadinho. Mas minha cabeça fica pensando em outras coisas, meus pensamentos passam longe da coisa que eu tenho que fazer, eu fico arrumando distrações, tornando o processo mais longo e penoso do que o necessário.

Por outro lado, tem uma coisa que eu preciso fazer. E eu fico pensando nessa coisa, me irritando com a quantidade de coisas chatas e irrelevantes que ocupam meu dia todo, como marcar médico, mandar um email pra mulher que administra o apartamento, fazer inscrição na academia. E fico pensando que inferno é ter que perder tanto tempo com essas coisinhas, ou pensando se o médico vai me mandar fazer o exame que eu quero fazer, ou se o chefe vai reclamar de eu ter que sair mais cedo (invariavelmente esse caminho leva ao seguinte território: eu tenho coisa demais para fazer, eu não consigo fazer tudo que eu quero, eu não consigo fazer nada direito.) Em vez de me preocupar com a coisa só na hora de fazer a coisa (e em vez de fazer a maldita coisa EM VEZ de ficar pensando nela), eu gasto uma energia danada durante todo o processo, que se torna mais longo e penoso do que o necessário.

Agora imagine que o segundo processo se auto-inicia, a todo vapor, durante a hora que eu devia estar fazendo o primeiro processo. Pronto. Essa é a minha vida.

Eu tou “briu” pra moda!

novembro 5th, 2009

Esse video dah uma vergonha alheia inacreditavel, mas vale a pena. Eh hilario ver a reporter sendo esculachada e ficando putinha, principalmente confrontada com a infinita sabedoria de que cada uma deve usar o que gosta, ne?

PS: para quem mora fora do Brasil, eh engracado tambem ver como as duas se “seguram” o tempo todo, encostam, seguram a mao uma da outra…

PS2: tem gente dizendo que o video eh fake. Olha, eu acredito que existam reporteres tao sem nocao quanto essa, viu? E tambem achei natural a reacao da moca que foi “analisada” (depois de ser esculachada com argumentos tao idiotas, nada mais normal do que revidar). Mas serah que alguem tem alguma informacao sobre essa reporter ou esse programa?

Sobre o ultimo post

novembro 3rd, 2009

Eu escrevi o ultimo post assim, de bobeira, e o post ficou lah um tempao sem comentario nenhum. E eu pensei “acho que ficou confuso e ninguem entendeu nada.” Ate por que eu nao podia dar nome aos bois e explicar em que tipo de gente estava pensando quando escrevi. Aih marido leu o texto e nao entendeu nada tambem, e quando o Marido da gente, que ouve a gente falando dos mesmos assuntos entra dia e sai dia, nao entende o texto, eh porque realmente ficou confuso. Entao desculpa ae, deixa pra la, dia desses escrevo alguma coisa mais clara sobre o assunto. Ou nao.

Pensamentos que nao cabem no twitter

outubro 30th, 2009

Tou aqui pensando com meus botoes em pessoas que eu conheco que sao inteligentes e sao (ou dizem ser) seguras de suas capacidades intelectuais. E supostamente por causa dessa seguranca, se dao ao direito de parecer bem menos inteligentes ou capazes do que sao. Ficam escrevendo sobre celebridades e maquiagens e futilidades em geral muito mais do que qualquer pessoa minimamente preocupada com sua imagem de intelectual (e muito mais do que eu acho saudavel, mas essa eh a minha opiniao - eu sou defensora da futilidade e das bobagens, mas com parcimonia e equilibrio).

E ai penso em pessoas, tambem inteligentes, que fazem uma forca danada para mostrar essa inteligencia, cultura e erudicao. E as vezes essa forca fica bem obvia, saltando aos olhos muito mais do que a prorpia erudicao. A primeira vista, parece obvio que as primeiras estao em vantagem, sao tranquilas e absolutas.

Mas por outro lado, ao criarem personas mais debiloides do que elas sao na verdade, sera que nao estao perdendo a oportunidade de aumentar o leque de assuntos? Porque na boa, ne, existe um numero limitado de coisas inteligentes que vc pode falar sobre assuntos como, sei la, os filhos africanos da Madonna, a Angelina Jolie ou os peitos novos da Amy Winehouse. Depois disso, fica tudo meio chato, vazio, meio Cherry Blossom Girl.

Enquanto isso, os inseguros que estao fazendo forca para soar espertos, estao correndo atras de… bom, de soar espertos. Mas por um lado eles estao tentando desenvolver alguma coisa, saber mais coisas, ter opinioes. Serah que com isso eles nao acabam ficando mesmo mais interessantes do que o outro time, que ficou falando de bolsa e sapato?

Na verdade, ja me perdi aqui. Acho que os dois extremos sao incrivelmente chatonildos e cansativos, e acabam com a minha paciencia muito rapido. Mas eh que, sei la, eu entendo o camarada fazendo forca para parecer mais culto e mais esperto. Acho que apesar de ser bobo, tem uma certa dignidade aih. Nao muita, mas um pouco. (nao estou falando daquela categoria que quer se mostrar melhor que os outros. Essa eh a arrogancia ridicula e sem dignidade)

Jah a pessoa que diz “inteligente eu jah sou” e descamba a falar besteira, sei la, essa me parece que ta desperdicando potencial. Podia estar usando essa inteligencia-nao-arrogante (que eh um tipo raro de inteligencia) para falar coisas bacanas, ne? (Ou nao, e o importante na vida eh ter sapatos fofos e um telefone vintage?)

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