Guia
Guia para brasileiros chegando em Londres
Depois de mandar diversos emails para uma penca de gente que está chegando em Londres agora, resolvi tentar juntar as informacoes aqui num lugar só, para poder ajudar mais gente. O guia por enquanto esta pela metade - estou sem tempo de escrever o resto, falando de tranporte, documentos, supermercados e coisas assim. Achei melhor publicar logo o que ja este pronto e completar depois. Espero que seja util. Se voce quiser perguntar coisa, fazer comentarios, etc, mande um email para mim: barbaraaxt no gemeio.
Se você está vindo para cá agora, provavelmente é porque vai começar um mestrado ou doutorado. Afinal de contas, essa é uma época em que a cidade fica cheia de gente chegando e procurando apartamento, e o inverno já está quase aí, o que afasta pessoas de bom senso, especialmente brasileiros viciados em sol (redundância). Mas se você está vindo e não é para estudar, seja bem vindo também, e aproveite!
O clima:
Já que eu mencionei o inverno, vamos lá. O inverno é ruim para burro, os dias são curtos e às 3 e meia da tarde já está anoitecendo. É péssimo? É sim, mas a gente sobrevive. Dizem que se você continuar gostando da cidade depois do inverno é porque você realmente gosta de Londres. Eu continuei gostando de Londres DURANTE o inverno. É possível, acredite.
O frio pelo menos não é muito frio (ano passado nevou umas duas vezes, as temperaturas ficavam por volta de 5 graus, o que é muito civilizado). Para mim a falta de luz era a pior parte, bem pior do que a temperatura.
Sobre as roupas de frio falo mais na frente, na parte de roupas ou de malas. Basta saber que não precisa trazer.
Mas quando você chegar aqui os dias ainda vão ser compridos (em setembro anoitece por volta das oito da noite, o que é bem razoável) e quentes às vezes. Ano passado setembro e início de outubro fez um calor animal. Esse ano parece que a temperatura está mais amena, mas se tratando de Londres tudo pode mudar.
Ah sim, ponto importante. O tempo é instável. Muito. É por isso que todo mundo anda sempre com guarda chuva na bolsa. Eu costumo dizer que a meteorologia sempre acerta a previsão, pelo simples fato de que todo dia faz chuva, tempo nublado e sol. Tudo isso em sequencias de meia hora cada um. É meio irritante às vezes. Mas tem dias de sol firme em que todo mundo vai pro parque.
Gastos:
A cidade é cara. A primeira regra é não converter os valores para reais. Simplesmente porque se você fizer isso você não vai conseguir comprar nada nunca (”quem converte nao se diverte”, diz um amigo meu). As promoções de roupas e sapatos são boas, pode aproveitar. Provavelmente o seu maior gasto vai ser com aluguel, que nessa terra atinge valores alucinados. A comida é médio. A carne é cara, restaurantes são caros. De resto dá para comer barato. Comida vai ser explicado em um item próprio também.
Dinheiro, conta de banco, transferência:
Abrir uma conta aqui pode ser fácil ou difícil. Se tiver um banco dentro da sua faculdade, você pode usar os documentos de lá. Eu fiz isso, usei minha papelada de matrícula e pronto, abri a conta de estudante no Natwest. Meu marido teve que abrir num HSBC e paga 5 pounds por mês (é uma conta para estudantes estrangeiros, e aqui estudante estrangeiro pode ser lido como “imigrante sujo” – tudo é um pouco mais difícil).
O sistema bancário não cobra taxas extorsivas de tudo, nem tem CPMF (eba!) mas em compensação o serviço não evoluiu desde a Revolução Industrial. Pagar contas na boca do caixa é normal, código de barras nas contas é algo que eles nem sabem o que é. Já paguei conta pelo telefone, foi tranquilo, mas acho muito esquisito. Os internet banking são decentes, apesar de algumas coisas bizarras como mandarem um número de 10 dígitos necessário para você criar sua conta - para a sua casa no Brasil! Levava dias para chegar lá, para depois meus pais abrirem o envelope e me passarem os números pelo telefone. Bizarro.
Atenção: os bancos costumam pedir comprovante de residência para você abrir a conta. E alguns landlords pedem conta bancária para alugar o apartamento! É sério! Cada pessoa arruma um jeito de sair dessa situação ridícula. Comprovante de matrícula do seu curso e um comprovante de bolsa ajudam muito. Eles adoram comprovante de bolsa, porque em teoria significa que você tem onde cair morto. O nosso landlord não pediu conta bancária, pagamos o primeiro mês em dinheiro vivo e foi isso.
Sobre a conta no Brasil, eu deixei uma procuração com a minha mãe para ela mandar o meu dinheiro depois que eu estivesse aqui. É bom colocar alguem na sua conta (transformando em conta conjunta), aí a pessoa vai poder mandar o dinheiro para cá quando vc abrir uma conta nessa terra.
De qualquer maneira, se a sua conta tiver Maestro ou Cirrus (procure pelos selinhos no cartão do banco), você pode sacar dinheiro aqui em qualquer caixa eletrônico. No maximo 250 pounds por dia, e tem uma taxa de uns 4 dolares por saque. A gente usou bastante esse esquema no começo, tirando 250 de cada vez. A taxa de conversão é razoável.
Fazer a transferencia para conta internacional é meio chato e caro (acho que uns 200 reais, então é melhor transferir tudo de uma vez). Eu lembro que meus pais tiveram que transferir o meu dinheiro para a conta do meu pai e aí para a conta inglesa (lá no Brasil eles fazem um certo jogo duro para evitar a evasão de divisas). Por alguma burocracia louca eles não puderam mandar o meu dinheiro todo para a Inlgaterra direto, mas puderam “limpar” a conta mandando para a do meu pai. Muito logico, né?
Vale perguntar no seu banco brasileiro sobre essas coisas antes de viajar. O meu é o Itaú.
Acomodação:
Provavelmente esse é o maior pavor de quem está chegando. O preço que você vai gastar depende muito do seu nível de exigência e de frescura. Eu moro num micro studio num bairro ótimo. Quem é menos anti-social pode alugar um quarto num flat share, o que é muito comum por aqui.
Os principais sites para procurar acomodação são:
www.gumtree.com
www.loot.com (que tem também um jornal impresso que é distribuído, acho, de graça)
www.findaproperty.com
Antes de viajar você pode se divertir um pouco vendo os anúncios com foto para ter uma idéia das coisas que são oferecidas. Nessa época agora (por volta de setembro) a procura por aptos pequenos é gigante. A gente chegou no final do mês e a coisa estava animadissima. Os aptos eram anunciados e alugados em poucas horas. Mas não se apavore com isso não, os corretores vão tentar fazer você acreditar que a situação é pior do que é, e que o budget que vc tem é irrisório. Não é bem assim, com calma e teimosia encontram-se coisas decentes em bairros bons. Você provavelmente vai ter que andar para caramba nesses primeiros dias. No nosso caso, vi 18 apartamentos antes de fechar.
Uma dica importante: passe longe de imobiliárias que cobram antes de mostrar o apartamento! Provavelmente vc vai esbarrar com algumas assim e vai achar que é normal. Não é não, é picaretagem. Normalmente eles cobram, mostram um apartamento pior do que o anuncio ou dizem que o apto do anúncio já foi alugado. E vc se ferra. Os corretores sérios te dão a facada DEPOIS que vc fechar o contrato. Pergunte várias vezes, se fazendo de burro mesmo, quanto vc vai ter que pagar para se mudar. Normalmente eles cobram um inventário, uma taxa de serviço e coisas assim. Pergunte de novo - é só isso? X pounds? Não tem mais nada? É sempre bom se fazer de burro para não deixar mal entendidos.
Uma coisa complicada é definir o que é uma área boa e uma área ruim. Os bairros aqui mudam de um quarteirão pro outro, e portanto na maior parte das vezes você tem que ir até lá para ver o lugar. Toda rua que fica perto de um Council House (a Cohab deles) é mais barata e mais bagunçada, com criança berrando na rua e móveis quebrados nos jardins. Você vai entender isso rapidinho. É sempre bom ficar perto da estação de metrô, e existem linhas melhores (Jubilee, Victoria) e piores (Northern, Circle).
Mas aqui anda-se muito, portanto um apê a 4 quadras de uma estação de metrô é perto. Meus pais acharam a minha casa muito longe do metrô porque eles são cariocas e só andam de carro. Para quem mora em Londres, a gente mora pertíssimo. Os preços são calculados por semana. Entre 150 e 200 por semana dá para alugar coisas boas.
A gente paga 200 por micro studio reformadinho em Kensington. Tem gente que paga 180 por um dois quartos com jardim (reformado também) na área 4. Acho que com 150, pouco mais ou pouco menos, dá para ser feliz.
Por toda a cidade tem muitos apartamentos com carpete no banheiro e na cozinha, ou sujos ou com mofo. Não se desespere, no meio das todqueiras vc vai achar coisas boas. Palavras chave para quem é fresco como eu: refurbished, wodden floor, bright. Procure por essas palavras nos anuncios.
Bairros que eu gosto: Kensington, Notting Hill, Ladbroke Grove, Lancaster Gate, Bayswater, Earls Court, Fulham, Camden (bom para quem vive na night), Belsize Park (mais longe), Hampstead, etc. Alguns desses são caros demais (tipo Notting Hill). O South Bank do rio também é chique – e caro. Os bairros trendy e arty ficam pelos lados de Angel and Islington, ou perto da estação de Old Street e pelos lados de Shoreditch. São áreas bem perto da City, que atualmente são cheias de estúdios, galerias de arte, bares cool. Uma coisa “up and coming”, uma vibe meio Vila Madalena ou Santa Teresa sem o verde.
Bom custo benefício: Shepherds Bush e Hammersmith, por exemplo. Dizem que os bairros ao sul do rio também, mas eu não conheço bem a área para indicar. Vale uma pesquisa.
Bairros que eu não gosto: Willesden (cheio de brasileiros, mas meio esquisito. Prefiro o enclave brazuca de Bayswater), Hackney (em geral, dizem que tudo no East, depois da City, é meio mais ou menos), qualquer coisa no borough de Brent (implicância minha e do Marido). Dizem que Brixton é perigoso, mas eu nunca fui lá.
Aí cabe a você decidir se prefere morar num lugar micro num bairro bom, uma casa boa num bairro mais barato ou até mesmo, por que não? Pode ter alguém rico lendo isso aqui, ou vindo trabalhar com uma oferta boa. Nesse caso, se jogue nos bairros bacanas e seja feliz!
Atenção: vários bairros ficaram de fora dessa lista, como Highgate, Paddington, etc etc etc. Se você quiser alguma dica, mande um mail ou um comentário.
Uma vez me perguntaram sobre apartamentos de dois quartos. Meu conselho é: se você não está vindo com filhos, alugue um quarto e sala mesmo. Afinal aqui não tem empregada, faxineira é bem cara, então provavelmente é você mesmo que vai limpar seu apê. Quanto menos superfície e quartos melhor!
Comida:
A comida aqui, pelo menos na minha opinião, é ruim. Se você gosta de comidas chinesas e tailandesas muito safadas, com um monte de arroz e carnes indecifráveis fritas no meio de um monte de pimenta, você vai adorar. Eu detesto e prefiro comer em casa.
Os restaurantes são caros, portanto tivemos que abandonar nosso hábito carioca de comer fora várias vezes por semana. E aprendemos a cozinhar!
Transporte (update abril 2008):
O transporte coletivo daqui funciona muito bem. Muitos brasileiros ficam com banzo da vida motorizada que tinham no Brasil e acabam comprando carro, para usar só no fim de semana. Fique sabendo que isso é um luxo, então recomendo deixar para pensar nisso mais tarde, com calma, depois que você tiver superado a estranheza brazuca de andar de transporte público.
A primeira coisa a fazer quando chegar aqui é pegar um mapinha das linhas de metrô (todas as estações têm) e deixar ele morar na sua bolsa. O marido baixou uma application pro celular com o mapinha, assim ele não precisa carregar o mapa de papel. Não tenho idéia onde ele arrumou isso. A segunda coisa a fazer é ficar amigo do site da Transport for London, ou Tfl. Explico alguns serviços desse site mais adiante.
O metrô leva para tudo quanto é canto, custa caro mas nada demais. Hoje, abril de 2008, uma passagem de metrô com o Oyster custa 1,50 em média (um pouco mais se você andar além da zona 1 nos horários de pico.)
Parênteses: Oyester é o Riocard daqui. A diferença é que usar qualquer coisa que não seja Oyster sai uma fortuna e às vezes o povo nem aceita. Então todo mundo usa o Oyster. Dá para fazer top-up pay as you go (coloca uns 5, ou 10 ou 20 pounds nele e vai usando) ou comprar passes de uma semana, de um mês, etc. O passo de mês inteiro, uso ilimitado de metrô (área 1 e 2) e ônibus (todas as áreas) sai por uns 90 pounds. É caro, mas não é nenhuma fortuna. Se comprar com um carro, esse valor é uma lindeza, porque não precisa gastar com imposto, seguro, combustível, estacionamento e eventuais consertos. E a congestion charge, que é uma taxa que custa a bagatela de 8 uns 8 pounds para andar de carro na área do centro (zona 1) durante o horário comercial.
Mas para ir apenas ao trabalho e passear de vez em quando no fim de semana, vale mais a pena usar top up. Mesmo trabalhando full time eu nunca cheguei a gastar 90 por mês (ficava sempre uns 10 ou 20 pounds abaixo disso no final do mês), então valia mais à pena ir recarregando o Oyster.
Para saber os preços, vá no site da Transport for London
A coisa parece meio complicada – preço off peak, preço peak hour, preço se você quiser fazer uma coisa mas não outra, preço para fazer a outra mas não a uma, cap price (é o seguinte: se você estiver usando pay as you go, existe um cap price, digamos, 6 por dia. Se você passar o dia inteiro correndo de um lado pro outro, na hora que as passagens somarem este valor, o Oyster não te cobra mais nada pelo resto do dia.) Tem milhões de variáveis mas não se apavore. Depois de ler pela segunda vez essa mixórdia de opções vai fazer sentido, eu garanto. E você vai ver que o sistema é bacaninha, apesar de meio complicado.
Fim de parênteses.
Ô preço da passagem de metrô é contado pelas áreas. Dá uma olhada no mapa para entender como elas funcionam. São como círculos concêntricos, o centro é a área 1, e dali para fora vai aumentando, até chegar na área 9, ou até as áreas começarem a ser chamadas por letras. Mas não se renda à conclusão óbvia de que as áreas longe são uma merda. Existem lugares bons e ruins em todas as áreas. Muita gente resolve morar lá longe porque é mais barato, dá para ter uma casa bacana (principalmente ingleses com filhos tomam essa decisão) e o transporte para o centro funciona bem. Por exemplo Amersham, que fica lá em deus me livre da Zona 9, fica a mais ou menos 50 minutos de metrô (metropolitan line) do centro. Ou menos, eu não cronometrei.
O preço da passagem de ônibus é 90 pence (fala-se pí) para qualquer rota. Paga-se de novo ao mudar de ônibus. O ônibus serve basicamente para andar pequenas distâncias. Eles são muito lentos e dão milhões de voltas. São muito bons para passear e ver a paisagem ou para quando você está com preguiça de andar e quer saltar na porta do seu destino. Estando com pressa, pegue o metrô.
Nos sábados e sextas, a partir do final da tarde, o metrô se transforma numa passarela com todo mundo desfilando suas produças para a night. É divertido. O lado negativo disso é que os metrôs e ônibus ficam abarrotados de bêbados (um dia desses eu faço um tópico sobre a drinking culture dessa terra). Relaxe, não reclame, porque é assim que as coisas funcionam aqui. Existem casos de bêbados que ficam violentos, principalmente nos segundos andares dos night buses. São casos isolados, nada que vá assustar um carioca ou qualquer morador de cidade grande do Brasil. Não venha alugar meus ouvidos dizendo que Londres é uma cidade muito violenta, como os ingleses ou europeus de cidades de 100 mil habitantes gostam de fazer. Quase todo brasileiro que eu conheço se sente seguro aqui, e se você não gosta, não venha para uma cidade gigantesca como essa. Estocolmo é logo ali, calminha, calminha.
Night buses. Mencionei mas não expliquei o que são. O metrô pára de funcionar a partir da meia noite (os últimos trens saem da estação final à meia noite, portanto tem sempre uma lambuja – normalmente têm avisos na estação com o último horário – nas estações de central London isso é por volta de meia noite e meia, pouco mais ou menos). Os ônibus normais param de circular por volta de uma hora da manhã. A partir daí têm os night buses, que circulam a noite inteira para carregar os bêbados para casa. As pessoas realmente usam esses ônibus, então a quantidade de gente dirigindo bêbada aqui é infinitamente menor do que em outras cidades. Dizem que os imigrantes poloneses gostam de dirigir bêbados, mas eu não tenho opinião formada sobre o assunto.
Esses ônibus noturnos funcionam assim: o centrão, ou seja, Trafalgar Square, Totenham Court Road e Oxford Circus funcionam como hubs. Os ônibus levam as pessoas de qualquer lugar para esse centro, e depois desse centro para casa. Na maior parte das vezes, em qualquer lugar da cidade, pega-se um ônibus para Trafalgar e de lá pega-se outro para casa. Demora, porque eles vão dando milhares de voltas para alcançar o maior número de áreas possível. Mas funciona lindamente.
Às vezes os ônibus ficam cheios de bêbados berrando e fazendo bagunça. Às vezes não. A minha única concessão à suposta violência dessa cidade é evitar andar no segundo andar nos night buses, que podem ser mais perigosos (esse “pode” é muito relativo, porque o motorista tá de olho em tudo pelas câmeras, e eu nunca vi acontecer nada). Mas existe um motivo mais objetivo: o segundo andar normalmente fica imundo, cheio de latas de cerveja, papéis de comida, e restos de kebab e os bêbados ficam fazendo festa, gritando e enchendo o saco. Por isso eu prefiro ficar no relativo silêncio do primeiro andar mesmo.
Mais uma coisa: no que se refere a transporte, o povo aqui é obcecado por informação. Tudo é muitíssimo bem sinalizado, cada ponto de ônibus tem um mapa das linhas que passam ali, por onde elas vão, qual o tempo estimado para chegar a cada lugar, etc etc etc. Nos metrôs têm infinitos mapas, eles avisam o tempo todo quais linhas estão com atraso, quanto tempo vai levar para chegar o trem, se tem alguma estação fechada. É meio difícil entender os avisos de áudio nos primeiros meses (o som é ruim, eles falam meio embolado). Mas só com os avisos escritos dá para se virar.
Eu costumo dizer que o metrô de Londres não é para amadores. Achei as linhas meio confusas no começo, como por exemplo as várias opções para se pegar a Northern. Você pode pegar a Northern via Bank e terminando em Edgware ou via Bank terminando em High Barnett. Ou via Charing Cross terminando em Edware. Ou em High Barnett. Existem várias combinatórias possíveis. Um lado da linha pára em Kennington, o outro vai até lá embaixo (Não sei qual é qual). Então se você está em um lado do meio da linha, precisa fazer uma baldeação. Mas se for horário de pico, aí a linha vai direto. Mas se você estiver saindo de alguma estação em cima de Candem, não faz diferença qual o branch que você vai pegar pelo meio. Agora faça uma rápida análise combinatória e veja quantas opções são possíveis, em uma linha só. Agora inclua as outras linhas.
Depois que você entende tudo faz total sentido. É só não entrar em pânico no período que precede essa epifania.
Ah sim, o povo reclama muito do metrô daqui. Ele realmente atrasa e dá uns problemas quase diariamente. Eu sou otimista e penso que para um sistema que foi projetado para carregar 1 milhões de pessoas por dia, e leva 3 milhões, ele faz milagre. É claro que operando no limite, qualquer mini problema causa uma bagunça total.
No horário de pico às vezes a experiência é desumana. Por um tempo eu morei em Notting Hill Gate e pegava a Central Line todos os dias para ir para Liverpool Street, que fica do lado da City, o centro financeiro e comercial da cidade (do mundo?). Inacreditável. Era uma coisa tão espremida que certos dias eu não conseguia segurar a revista na frente da minha cara a uma distância que desse para ler. Não estou exagerando.
Aí você fica se perguntando como as pessoas se submetem a isso. Não sei. E o mais intrigante para um brasileiro é ver que aquele povo ali está bem vestido, com roupas caras, muitos ganham para lá de 60 mil por ano trabalhando com finanças. Não são os pobres ferrados, como nos transportes coletivos do Rio.
Para saber como chegar a algum lugar, use o Journey planner, um serviço batuta da Tfl. Digite onde você está e onde quer chegar e ele calcula qual a melhor rota, quanto tempo vai levar, essas coisas. Nas opções avançadas você pode escolher só ônibus, por exemplo, ou colocar um horário no meio da madrugada para saber qual o transporte noturno (muito útil fazer isso antes de ir para alguma festa e já sair com os ônibus da volta anotadinhos).
Dica: quando o site der as opções de transporte, clique na opção wizard para ver um bonequinho fazendo o caminho. Ele vai andando, depois pega o onibuzinho, o metrô.
Além de lúdico e fofolete, o wizard ajuda também a entender o caminho.
Outra dica: para pessoa perdidas como eu, que se confundem com o belo mapa do metrô, todo em ângulos retos, estilizado e com distâncias que não correspondem à realidade – que meu marido designer acha lin-do – nesse link você encontra o mapa do metrô com distâncias reais (clique na imagem para ampliar). Uma mão na roda para gente sem senso de direção e que não sabe ler mapas.
PS: Não falei dos trens porque eu raramente pego trens. São bons, mas não dá para usar com o Top up do Oyster. Como eu acho um saco ficar comprando o ticket, quando vou para algum lugar como East Dulwich eu simplesmente desço na estação de metrô mais próxima e pego um ônibus. Quando vou para Croydon (tenho um amigo que mora lá) não tem jeito. Mas quem usa trem sempre compra o passe semanal ou mensal (ou anual!) e é feliz. Lá na Tfl você encontra informações sobre trens, trams (que são tipo uns bondes), barcos pelo Tâmisa e teleféricos (mentira, isso não tem. Mas barco e bonde tem sim).
Acho que cobri os pontos mais importantes do transporte. Se eu tiver esquecido alguma coisa, perguntem!