The flow
(Ou “fluir” - eu sei que a tradução de “flow” é “fluxo,” mas essa palavra me lembra anúncio de absorvente com sangue azul…)
Dia desses fui na peça de fim de curso de uma amiga: um musical inédito, escrito pelo professor do curso. O cara escreve musicais todo ano (ou algo próximo disso) para os formandos apresentarem.
Tem uma série infantil na Tv em que todo final de episódio os personagens cantam uma música, inédita, inteira, sobre alguma coisa que aconteceu naquele episódio, usando algum instrumento musical que foi apresentado naquele dia.
E aí fiquei pensando sobre produtividade. É preciso criar um fluxo. Uma linha de produção. Não importa se você trabalha com arte ou com criação, ou mesmo se é um hobbie. Arte não é punheta - é criação e produção. Você começa uma coisa, termina, começa outra, segue em frente.
Às vezes as pessoas ficam punhetando demais um livro, uma música, uma pintura, sem nunca terminar. Às vezes essas pessoas comparam sua produção a um filho. Como se isso justificasse o eterno retoque e re-retoque, mexe daqui e mexe dali. Aquele perfeccionismo que não chega a lugar nenhum, aquela coisa que nunca acaba. Como disse uma amiga minha, certas coisas você não acaba - abandona.
E aí que está, com filho é assim também. Você não tempo para retocar e mexer e ajeitar. Às vezes me pego pensando em coisas que devia ter feito um pouco diferentes com o Jonas quando ele era recem nascido. Paciência. Ele deixou de ser recém nascido há tempos, e agora se eu quiser use essas coisas com o/a próximo/a. Jonas passou para a próxima etapa, eu fiz algumas coisas assim e outras assado e aí, vejam só outra etapa de novo.
O Jonas é um riozinho. Ele flui, a vida vai fluindo, e a produção devia fluir igual. A gente só fica boa com a prática, e a prática só vem do fluxo - não retocar e remexer e repunhetar a mesma idéia, mas começar, terminar, começar de novo, ter outra idéia e depois mais outra.
E eu tou escrevendo isso aqui mais para organizar as minhas idéias. Esse blog aqui já virou um diário, né não? Tenho escrito mais para mim mesma do que para vocês, admito. Perdão.
fevereiro 20th, 2011 at 11:55 am
Em Engenharia mecânica e aeronáutica, “flow” é “escoamento”. :-)
fevereiro 20th, 2011 at 1:32 pm
Mas essa óptica eu também tenho. Se você for no meu Flickr (Marido tem o linque; está identificado como “amigo” no Flickr), vai ver que os nomes das fotos seguem um padrão, assim como a seleção das tags e toda a informação que as circunda; mas que as primeiras subiram sem nenhum desses critérios. Foi um trabalho que evoluiu. Eu poderia dar marcha-a-ré e padronizar as fotos que subi há mais tempo, mas não pretendo fazer isso: a vida segue para a frente, não pode ser um eterno retrabalho.
Ubaldo certa vez escreveu uma crônica onde comentava isso. Que, quando ele trabalhava em jornal, tinha prazo para tudo; quando a matéria TINHA que ser fechada, pronto, estava fechada, in whatever state it was. E que, já no caso dos livros, o livro nunca está pronto: agora que é editado no computador em vez de na máquina de escrever, a qualquer tempo ele vai lá e edita, reescreve, suprime, acrescenta. Não fica pronto nunca. Tem que arbitràriamente chegar um dia e dizer: chega, está pronto, vai pro prelo como estiver. Que a vantagem de um livro com contrato e editor cobrando por prazo está nisso.
março 4th, 2011 at 2:21 am
Não tenho nada contra retocar, aperfeiçoar e modificar. Nenhum produto de qualidade sai de cara. O que não se pode é cair no outro extremo, a “repunhetagem” eterna…