Diquinhas

(Meninos: se algum de vocês ainda vem aqui, desculpe. Tá impossível escrever sobre assuntos não mulherzinha. Virei mãe, né, sabe como é. Mas continuo me interessando por outras coisas, eu juro. Um dia desses, se vocês ainda vierem aqui, verão posts sobre outros assuntos)

1) Para as meninas que amamentam em público, dia desses descobri que a solução dos nossos problemas é a técnica simplérrima das duas blusas. Você coloca uma blusinha de alça, daquelas bem vagabundas por baixo da blusa que estiver usando. Na hora de amamentar, você deixa só o peito de fora abaixando a blusa que está por baixo e levantando a de cima. Acopla a criança ao peito e voilá! Não dá para ver nada, é bem tranquilo, e não precisa comprar nenhuma roupa especial (eu continuo usando minhas blusas de amamentação, mas elas são 4 ou 5, e não dá para viver usando sempre as mesmas roupas…). Tudo bem que não rola de usar duas blusas no verão mega quente do Rio, mas nos outros meses é uma boa.

Existe também a técnica de amamentar no sling, o que é discreto e permite que você faça isso andando (uma ótima, já que é chato ter que parar para comer/tomar um café só para poder sentar em algum lugar amamentável toda vez que a criança precisar mamar). Mas admito que essa eu ainda não dominei.

2) Exercícios de assoalho pélvico. Como não fiquei grávida no Brasil, não faço idéia se os médicos recomendam isso para as grávidas daí. Aqui todas as midwives, prenatal classes, todo mundo repete ad nauseam que a gente tem que fazer os exercícios para “pelvic floor” antes e depois do parto. É tipo uma obssessão.

O ponto é que eles são úteis sim para evitar aquela incontinência básica de grávida, para garantir o funcionamento normal das coisas depois do parto, etc. Mas resolvi escrever sobre isso porque mesmo quem não faz parto normal corre o risco de “afrouxar” esses músculos durante a gravidez, então os exercícios são importantíssimos. Eles também servem para segurar as partes no caso de prolapso (que, descobri, não acontece só com quem teve parto normal).

E aí minha fisioterapeuta me explicou que mesmo quem nunca ficou grávida precisa fazer esses exercícios para evitar problemas na época da menopausa, e também para evitar estragos causados quando você levanta peso, e para ajudar na postura e na estrutura dos músculos em geral (quando você exercita o assoalho pélvico acaba fortalecendo também os músculos de sustentação da região abdominal, que evitam dores de coluna, etc etc – e acredite em mim: como regra geral seus músculos de sustentação podem te poupar de grandes aporrinhações na vida).

E agora que já falei das razões de saúde, motivos sérios e tudo mais, acho que tenho que mencionar uma outra razão, mais imediata, que é o fato de que fortalecer o assoalho pélvico tem um grande valor recreacional. Não vou entrar em detalhes porque sou moça pudica, mas recomendo enfaticamente. Vai lá, faz seus exercícios e depois me conta se não foi uma boa dica.

Os medos e os medos dos medos.

Jonas está fazendo natação e eu tenho pensado muito na questão de forçar a barra das pessoas para supostamente fazer com que elas “consigam ir mais além” – ou respeitar demais os medos e receios dos outros e não ir nada “além”, fomentando aquela paralisia que todo mundo conhece, que é a paralisia das pessoas cagonas.

Porque as aulas de natação são um pouco mais rápidas do que eu gostaria, colocando a criança para mergulhar, e depois para um mergulho mais longo, e depois vários mergulhos, e eu fico receosa de forçar a barra e e obrigar o Jonas a fazer mais do que ele tá preparado. Ou, sendo bem sincera, de forçar a MINHA barra e fazer mais do que EU estou preparada.

Porque ele não fica nem de longe tão desconfortável quanto eu. Chorou no primeiro mergulho sim, mas logo esqueceu e voltou a rir e fazer bagunça. Já eu não esqueci e fiquei sofrendo. Se eu não tomar muito cuidado, vou acabar passando meus medos e receios para ele, o que é uma imbecilidade completa – na vida dele, bastam os medos dele.

Acho sim que eu tenho que respeitar os MEUS medos, mas a questão é que tenho também que aprender a observar quando ELE não está com medo, e tentar ser mais leve – como ele, que cai, levanta e esquece (é metafórico, o garoto tem menos de 5 meses, ele não cai nem levanta ainda).

E nessa fiquei mais uma vez maquinando se o meu papel é empurrar ele para tentar superar seus limites ou, no extremo oposto, respeitar totalmente os seus medos (arriscando criar um cagão). Minha psicóloga uma vez disse que essa idéia de “empurrar a pessoa” às vezes significa encurralar a pessoa, colocá-la contra a parede, (e que isso não é algo que você queira que seus pais façam com você). Na época, achei um exagero, mas depois de ter sido encurralada no meu parto, depois de ter “superado meus limites” na marra e ter ficado muito puta com isso (lembro que as midwives falaram que eu tinha sido muito “brave” e eu, que estava uma fera, só conseguia pensar que teria sido brave se EU tivesse decidido não tomar a anestesia!), concluí que meu papel nessa história toda é um tantinho mais sofisticado.

Eu tenho que convencer o Jonas a querer superar os limites dele.

(E dar apoio a ele e respeitar as decisões que ele tomar). Não sou eu que vou forçar o garoto, colocá-lo contra a parede, que nem uma treinadora sanguinária (eu já falei que tenho ganas de torturar quase todos os treinadores do mundo?) – como certas pessoas por aí acham que eu deveria fazer. Nem devo só dar colo e deixar o garoto confortável (atenção para o “só”). É certamente uma proposta muito mais complexa do que simplesmente jogar o garoto aos leões, como certos pais por aí fazem, achando que estão abafando.

Enquanto isso, vou aprendendo a (tentar) identificar o que é o meu medo e o que é medo dele, e não projetar aqueles nestes.

Ai ai, quanta coisa para aprender.

Respondendo

Olha pessoas, você são fofos, e cuti cutis e uns amores mesmo. Muito obrigada pelos comentários, e isso me lembra (mais uma vez, mas é que eu vivo esquecendo) que eu devia era tomar tenência na vida e deixar de me aporrinhar com que certas pessoas falam, mesmo que essas pessoas sejam importantes. A pessoa que falou as tais atrocidades que me incomodaram sabe quem é, então não se preocupe se você acha que é você, caro leitor. Não é.

E na verdade, independente de quem seja, eu devia era ser mais absoluta e mais arrogante e deixar de me abalar. Mas não sou, né? Eu sou essa coisa aqui, meio barro, meio tijolo e cem por cento mole. Mas a gente vai crescendo. E chega desse assunto porque assim ninguém aguenta. Gente choraminguenta é um pé no saco,

Um desabafo escrito de qualquer jeito

Tem horas que eu entendo porque certas pessoas entram numas de querer ser o próximo Diogo Mainardi ou o próximo Paulo Francis (ou Nelson Rodrigues, sei lá). Porque se você vai ser assolada por trolls que não entendem porra nenhuma de coisa alguma, é mais jogo já zoar o troll de saída, antes mesmo de ele chegar perto de você. Então é melhor já começar dizendo que “o número de instrumentos de percussão de uma cultura é inversamente proporcional ao desenvolvimento dessa cultura” ou “nem toda mulher gosta de apanhar – só as normais.” E pronto, você automaticamente já mandou um calaboca pros malas que vão dizer “veja bem, não é assim, olha o país tal, cheio de percussionistas e muito rico.” Caceta, tem que ser muito burro para ler essa frase literalmente.

Eu fico chateada não por causa de certos zé manés que comentam aqui. Mas porque às vezes um comentário vem de alguém por quem eu tenho um pouco mais de consideração e eu fico pensando se eu tou errada mesmo (às vezes os comentários não vêm pelo blogue, então não dá para vocês lerem). Veja bem, é complicado analisar as coisas objetivamente. Sempre. Eu nunca sei quando eu tou sendo teimosa e irrazoável e quando eu estou simplesmente defendendo um ponto de vista. Estou falando em geral. Na minha vida.

Eu sou insegura (rá! ninguém nunca tinha desconfiado, né?). Eu sei que não sou burra e que escrevo razoavelmente, tá bom, isso eu sei. Mas sinceramente não sei se sou inteligente o suficiente. Não sei se escrevo bem o suficiente para o que eu quero. Não sei se tenho talento. Racionalmente eu sei que isso não importa. Se eu tenho talento ou não é totalmente irrelevante – não existe maneira de aumentar o talento, portanto bora focar em outras coisas que é mais últil. Mas às vezes dói, sabe, achar que a gente não é tão boa quanto gostaria. E é péssimo não saber se eu deveria dar ouvidos a certas coisas ou não.

Tendo dito isso, eu queria realmente saber se ando me explicando tão mal ou se as pessoas é que não sabem ler.

Porque aí vem um cabra e diz “você disse que a moda é comida natureba mas os ingleses estão cada dia mais gordos.” Hello, eu disse mo-da. Jamie Oliver está na moda, Jamie Oliver diz que nós devemos cozinhar nossa própria comida, ele se mete nas refeições das escolas. E Jamie Oliver faz um sucesso danado (Em 2008 ele vendeu £11.5 milhões só de livros – para quem gosta de dados). Então eu posso dizer que ele está na moda, patrulha? Ou não posso, já que certas estratas sociais não gostam dele? Então olha, com permissão da patrulha eu vou dizer que Jamie Oliver está na moda. Isso não significa que as pessoas de fato comam do jeito que ele prega. (afinal de contas, a moda praticamente no planeta inteiro é ser magro, e cada vez menos pessoas são magras – o que prova o ponto de que moda não é exatamente o que o povo faz – é, na verdade, o que o povo quer – “aspiracional,” anyone?)

Aí eu vou e digo que tem um açougue com carcaças penduradas na vitrine em plena Hampstead High Street, uma rua carérrima. “Ah, mas você está generalizando.” Generalizando o que, caceta? Que tem um açougue aqui do lado de casa? Sim, eu considero esse açougue uma indicação de uma tendência. “Ah, mas os pobres não acham bacana um açougue.” Ah, então eu não posso dizer que açougue é tendência? E se daqui a 30 anos os bairros pobres estiverem cheios de açougues chiques, aí eu posso dizer que é tendência? Mas aí, caro patrulhador, não vai ser mais ten-den-cia. Vai ser um fato consumado. Ter galinha no quintal é tendência porque só uns poucos têm (se todo mundo tivesse deixava de ser tendência). Aí veio a Luciana e confirmou que ela tem amigos da Microsoft com galinhas no quintal. Mas aí, sei lá, segundo a patrulha isso não vale, né? Anedoctal evidence não vale prum blog. Eu preciso de dados, tipo “quantas pessoas têm galinhas no quintal em Londres, em quais bairros, qual a renda dessas pessoas e se elas são vistas como formadoras de opinião ou são pessoas públicas.” Sem todos esses dados pra cruzar a gente não pode apontar um tendência baseada em observações pessoais.

Sério, eu tou errada? Porque eu não acho que estou.

E ainda tem a patrulha do “você disse que as pessoas comem melhor na Inglaterra, e isso não é verdade.” Eu disse isso? Sério? Ou eu disse que aqui tem leis e massa crítica para que certos produtos (como glutamato monossódico ou BPA) parem de ser usados? É mentira? É generalização?

E aí o clássico “você diz que a vida é melhor aí, blá blá blá.” É foda. Eu gosto de viver aqui. A vida não é melhor aqui ou no diabo que me carregue. Mas eu gosto de viver aqui. Mas aparentemente eu não posso, sabe? Se eu falo bem daqui eu sou uma deslumbrada. Se eu tou aqui, sem empregada, sem carro, ralando numa língua que não é a minha, é porque eu acho que tem alguma vantagem, né? Mas aí tem a patrulha do povo que acha que eu não tenho o direito de achar isso.

Cara, que cansaço. Eu adoro comentários no blog, eu não quero que todo mundo concorde comigo. Mas é chato viver patrulhada. Eu não ligo que você entenda o que eu digo e discorde. Alguém disse “os EUA são um país super rico e não se faz tanto parto em casa. Isso é uma mania européia.” Hm, é verdade. Então o que eu falei não fazia tanto sentido assim. Oquei. Eu sei mudar de opinião. Tinha outros comentários aqui que não concordavam comigo. Ótimo – ás vezes as pessoas falam coisas muito mais inteligentes do que o que eu escrevi.

Mas enfim, esquece o blog: existe patrulha até na vida real. Gente que não aceita uma opinião. Sabe aquelas pessoas que acham que discordam, mas na verdade nem entenderam o que você estava dizendo? Eu fico realmente sem saber se essas pessoas são burras ou se burra sou eu. Porque sério, não é possível.

Pois é.

Entao aparentemente a questão é que eu não sei escrever, tá? Eu não me faço entender. Eu escrevo no meu blog sobre o meu umbigo mas, tipo assim, é um blog mas não devia ser sobre meu umbigo. Não devia ser sobre o meu quintal. Tá errado. Eu não sei me explicar. Eu devia estar fazendo tudo diferente, porque do jeito que é não devia ser. Eu sou chata mas descobri que não tenho o direito de ser chata. Eu generalizo, mas eu não posso generalizar. Eu tenho que fazer as coisas diferente do que eu faço, quem sabe morrer e nascer de novo, não sei. Eu vivia de escrever, mas pelo visto estive fazendo tudo errado até agora. descobri que nao sei e nucna soube fazer isso, ta? Acho que vou começar um curso para ser contadora.

Boa noite.

As pessoas mal informadas

E desde que li um comentário equivocado no post anterior me pus a matutar sobre uma tangente do assunto que o comentarista queria comentar. É mais ou menos assim: disse o moço “A luta dos britânicos atualmente é em educar seus jovens, que estão totalmente alienados e sem perspectivas, que não têm conhecimento do resto do mundo e que se alimentam pobremente.”

Todos nós sabemos que tem muita gente por aí que é obesa porque come mal (nem todo obeso come mal, eu sei, don t get me started…), que tem doenças porque não se cuida, incluindo doenças sexualmente transmissíveis, etc. Gente que toma decisões erradas e se prejudica porque não tem informação suficiente para tomar decisões melhores.

E aí eu tou pensando com meus botões. Por que raios esse povo não tem informação? Será que é porque não buscam a informação? Ou porque não prestam atenção? E se for, por que fazem isso?

Não, não é porque são pobres/idiotas/não comeram proteína na infância. Essa é a resposta fácil, mas não acredito que seja verdade.

As pessoas fazem as coisas por alguma razão, e considerar que elas são só idiotas é só uma maneira de a gente, a juventude dourada e bem informada do Leblon se sentir melhor. É mais ou menos como aquele papo de que as meninas que ficam grávidas na adolescência fazem isso por falta de informação. Graças a deus hoje em dia ninguém mais diz isso – as pessoas já se ligaram de que elas ficam grávidas porque querem, porque não têm outras perspectivas na vida, porque não têm razão nenhuma para adiar a vontade de ser mães, porque todas as amigas têm filhos, porque as mães tiveram elas com 15 anos, etc etc. Não é ignorância nem falta de informação. Elas saberiam evitar a gravidez se quisessem, pelo menos a maioria delas.

Enfim, vocês ainda estão me seguindo? Isso deve estar meio confuso.

O ponto é que eu estou querendo escrever uma história sobre algumas dessas pessoas que tomam algumas dessas decisões “erradas.” Mas não posso partir do princípio de que elas são simplesmente idiotas. Ninguém é. Além disso, se eu achar meus próprios personagens idiotas é melhor nem começar a escrever.

Por que uma pessoa dá comida do Mac Donalds pro filho todos os dias? Por que uma pessoa deixa a criança comer Fandangos no lugar do almoço, mesmo vendo que essa criança está gorda e com colesterol alto? Não é por que ela é idiota. A pessoa tem alguma razão para isso, só que eu não sei qual é. Alguma sugestão?

(essas perguntas fazem algum sentido ou eu surtei?)

ps: Marcio, eu sei que vc vai achar que eu surtei. Você sempre acha. Alguém além do Marcio acha que eu tou pirando e escrevendo posts que não fazem qualquer sentido?

ps2: ao comentarista do trecho que eu citei lá em cima. Você tem alguma sugestão de por que os jovens daqui andam alienados e sem perspectivas e se alimentam tão mal? Deve ter uma razão, né?

ps3: Bueller? Bueller?

O passado do futuro em Londres

Em vez de responder os comentários da Lia e da Fernanda nos comentários, resolvi fazer um post sobre isso.

Meninas, é claro que existe feira em Londres, elas se chamam farmers markets e as coisas são vendidas pelos próprios fazendeiros. E tem comida orgânica. E açougue com carcaças penduradas na vitrine em plena Hampstead High Street. E no supermercado vende-se farinha para fazer pão em casa. E as pessoas fazem parto normal e são orientadas a usar óleo de amêndoa ou azeite na pele dos bebês (e a orientação é evitar qualquer coisa industrializada, como creminho Johnsons no primeiro mes). As mães são orientadas a deixar os bebês no quarto dos pais até os seis meses. Fraldas de pano são cool, assim como andar com a criança pendurada num sling. Plantar sua própria comida é o cúmulo do chique e as pessoas fazem filas por um allotment, que é um terreno onde você vai e faz sua hortinha. Dizem também que ter galinhas no quintal é a última moda, mas admito que não conheço ninguém que faça isso. Mesmo assim um vizinho meu tem um galo que canta de madrugada, e tenho um amigo que tem criação de abelhas.

Enfim, tou citando tudo isso para mostrar que chique e moderno é viver como as nossas avós! Ser moderna é passé, queridas!

Eu pessoalmente acho tudo isso ótimo. Por aqui é fácil comprar comida sem conservantes, sem corantes, sem nada. (Fernanda, a Nestlé é uó! Não me surpreende que use corantes do mal nos iogurtes). Produtos sem perfume para bebê e coisas do tipo. A única coisa que me irrita é ver que o produto X da Johnsons aqui, por exemplo, já é livre de parabenos, de isso e de aquilo, mas no Brasil eles continuam vendendo a fórmula velha, com substâncias que fazem mal (é o mesmo produto, mesmo rótulo, tudo igual – só dá para perceber a diferença na lista de ingredientes). Se já sabem produzir a coisa sem os componentes nocivos à saúde, por que não fazer a alteração no mundo inteiro, cacete? “Ah, lá no Brasil ninguém liga não, manda a comida com glutamato monossódico pra lá, junto com o creminho com parabeno e a mamadeira com BPA. Na Europa ninguém vai querer, mas os brasileiros são uns coitados, nem sabem o que é isso.” Deve ser isso que o seu CEO pensa…

Mas voltando ao assunto das velharias, é engraçado como o mundo anda em ciclos. Por aqui a medicina já passou pelo momento ultra intervencionista e agora está numa vibe mais natureba, enquanto o Brasil ainda está passando pela fase anterior. É mais ou menos como a história dos partos normais/naturais. Aqui o povo anda reduzindo as intervenções (o que no geral é uma coisa boa, apesar de o processo ter seus percalços).

Há algumas décadas as pessoas achavam que comidas high tech eram a salvação do mundo – hoje já se sabe que não é bem assim. Aqui na Inglaterra na geração anterior à minha quase ninguém amamentou os filhos – achava-se que formula era melhor do que leite materno (!). Já essa geração é muito mais estimulada a amamentar. E o mais interessante é que amamentação virou coisa de classe média/gente rica, enquanto amamentar com fórmula e mamadeira por escolha (não estou falando do povo que não conseguiu amamentar, lógico) é visto meio como coisa de pobre.

É mais ou menos como os partos no Brasil. Só faz parto normal gente pobre de verdade ou as ricas que se informam e pagam médicos por fora (já que é quase impossível fazer parto normal pelo convênio). O povo na Holanda tem seus partos em casa, assim como as mulheres da Tanzânia (minha amiga alemã que morou lá disse que elas ficaram intrigadíssimas ao saber disso “- Mas elas têm hospital à disposição e não vão? Se eu pudesse parir no hospital não teria meu filho em casa, eu hein!”).

No que se refere tanto a países quanto a pessoas, os extremos (muito ricos, muito pobres) costumam agir da mesma forma (por razões diferentes). Curioso.

Gut feeling

Eu sempre achei muito estranha essa onda nos últimos anos de crianças com alergias alimentares, crianças que não podem comer amendoim, são intolerantes a lactose, etc etc. Não lembro de existir nada disso quando eu era pequena, como foi que a humanidade (e o sistema imunológico das pessoas) mudou tanto em tão pouco tempo?

…mas fiquei com essa opinião pra mim, já que não sei xongas de saúde pública e isso era, logicamente só uma impressão sem nenhuma base científica.

Aí há algumas semanas saiu uma pesquisa de um camarada indicando que a causa desses processos inflamatórios e over-reações do organismo (em bom português: alergias) pode ser a dieta das crianças nos países ricos! Ele comparou a flora intestinal de crianças da Itália e de uma aldeia nos cafundós de Burkina Faso, que fica nos cafundóes da África, e descobriu que, enquanto todas eram amamentadas (ou seja, tinham mais ou menos a mesma dieta na Europa e na África), a flora intestinal de todo mundo era parecida. Quando começavam a comer comida, porém, a coisa mudava de figura, e a flora intestinal das crianças européias passava ser muito mais pobre do que a das africanas, que comiam uma dieta muito mais cheia de vegetais e fibras. A hipótese dos cientistas é que “a dieta cheia de fibras protege as crianças de inflamações e outras doenças.” [matéria da New Scientist aqui, pesquisa completa aqui]

Ah, então eu não estava tão maluca, e minha impressão não era assim tão descabida!!!

Tudo bem, é uma pesquisa só, com uma amostra pequena e coisa e tal. Mas me parece muito lógico. E o pior é que ele fez a comparação usando crianças italianas, que como regra geral comem muito direitinho, milhões de vezes melhor do que brasileiras e americanas (em média! Isso é uma generalização!).

Então, cambada, mais uma vez eu concluo que não dá para sair por aí comendo o que dá na telha. Eu tou ficando meio obcecada com o assunto, mas o que eu posso fazer? Nos últimos meses tenho restringido minha alimentação a níveis quase paleolíticos, quase que só carne, vegetais, cereais, grãos, castanhas e frutas (além dos eventuais biscoitos amanteigados e pizzas que ninguém é de ferro). Na verdade, já faz alguns anos que eu ando nessa vibe cheia de frescura, mas agora a coisa está mais radical. O resultado é que tudo no meu corpo está funcionando melhor, e Jonas não tem gases, nem dor de barriga, não tem problema nenhum.

Cada vez mais me convenço que quase todos os problemas de saúde das pessoas são causados pela nossa alimentação horrível (e acredite, qualquer fissura de comer açúcar, pão, refrigerante e chocolate somem quando você pára de comer essas coisas).

Em compensação, 75% das prateleiras do supermercado estão fora do meu alcance, é impossível comer qualquer coisa na rua e, convenhamos, às vezes bate um saco cheio.

E, claro, estou virando uma pessoa cada vez mais chata.

As modas bebezísticas

Todo mundo que já teve filho sabe que o mundo bebezal é tipo um universo paralelo, cheio de regras e coisas que passam totalmente fora do radar dos seres humanos não parideiros. Funciona da mesma forma que o universo paralelo dos casamentos, movimentando milhões. (eu lembro quando casei, que foi uma coisa super transgressora não ter bem-casados na festa. Ora vejam, que transgressão! Imagino que se eu tivesse parido no Brasil, teria sido um escândalo também não ter um enfeite de porta pra maternidade, e lembrancinhas para as visitas! Como se eu, às vesperas de parir, não tivesse mais com que me preocupar!)

Existem modas e símbolos de status que passam absolutamente batidos para a maioria dos mortais, mas que podem significar o mundo para uma recém-mãe. Como por exemplo os carrinhos de bebê. Quando a gente comprou o carrinho do Jonas, pagamos um preço super amigável (na medida do possível, claro) porque nosso carrinho é da coleção 2009, e tinha acabado de sair a coleção 2010. Que é igualzinha, mas tem outras cores. Então toda vez que alguém vir o nosso carrinho verde vai saber que é da coleção antiga, vejam como nós somos outdated – e nós pagamos algumas centenas de pounds a menos por isso.

E eu que achava que Londres era uma terra super cheia de diversidade, fui descobrir que no final das contas não é bem assim. Todos os bebês daqui da área, por exemplo, andam em carrinhos Bugaboo. O Jonas tem um Stokke, que é outro que a gente vê bastante pela rua. Todos têm rigorosamente os mesmos brinquedos da Lamaze ou da Jelly Kitten. O Macaco Azul, o Sapo Psicodélico e a Centoargola do Jonas são os mesmos que eu vejo pendurados em todos os carrinhos pela rua! E a chupeta é sempre a mesma Avent transparente, com centro laranja.

Outras modas (que ainda não sei se já chegaram ao Brasil ou chegarão em breve): 1) cranial osteopathy, que é uma sessão com um osteopata que “ajeita” as placas cranianas do bebê, supostamente bagunçadas pelo parto. Faz melhorar o sono da criança e coisas assim. Me perdoem a descrição mequetrefe, mas não sei os detalhes, nem se funciona ou não. 2) Baby led weaning. Um nome bonito para quando a mãe introduz alimentos sólidos em pedaços que a própria criança pega e coloca na boca, em vez de papinhas. Eu já estava pensando em fazer isso, dar uma banana e deixar ele brincar, por exemplo. Aí descobri que a parada tinha nome e tudo.

E no Brasil/onde você mora? Quais as modas?

Update sonístico

Olha, eu até queria vir aqui e postar um update dos dramas sonísticos de Jonas, mas acabei nunca fazendo isso. Sigo no meu objetivo de ser uma mãe neolítica-pero-no-mucho. Tipo equilibrando as necessidades pré históricas do rapaz com as minha necessidades antropocênicas.

O update é que Jonas está adormecendo um pouco mais fácil. Não fácil de verdade, mas pelo menos não tenho mais que andar com ele pela casa por 40 minutos 4 vezes por dia. Se foi ele quem melhorou, ou se fui que peguei o jeito, não faço idéia.

Dizem que não se deve deixar a criança ficar “overtired,” (ou seja, colocar pra dormir aos primeiros sinais de sono) mas com o Jonas é o contrário. Já percebi que quando ele começava a dar sinais de sono, o melhor a fazer era ignorar por um tempo, continuar brincando, e só tentar colocá-lo pra dormir quando ele estivesse realmente cansado.

Como tudo no unioverso bebezístico, isso que eu descrevi no parágrafo anterior (conclusão de 2 semanas atrás) talvez não se aplique mais. Tudo que você descobre ou aprende só vale por uma semana, duas no máximo. Depois disso o bebê muda e dá-lhe aprender de novo. Mas enfim, o post era só pra dar um update.