Os bugs no software do sono
Ando muito encucada ultimamente com essa história do sono dos bebês. Sabe como é, tenho passado muito tempo carregando o Jonas de um lado pro outro no colo, ou conversando com ele tentando descobrir o que ele quer, e fico maquinando várias teorias na minha cabeça. Uma vez me disseram que bebês às vezes ficam com sono ou cansados mas não dormem, então a gente precisa ajudá-los.
É verdade, eles ficam chatinhos e sofridos mas não fecham os olhos e dormem automaticamente.
Mas peraí. E como eles faziam há, digamos, 10 mil anos? Porque é lógico que o bebê que tivesse dificuldade para dormir naquela época ia simplesmente levar a breca antes de chegar a idade de se reproduzir. Um bebê que não dorme direito não faz sentido evolucionariamente falando!
(Parêntese: nosso corpo e nosso cérebro não mudaram praticamente nada desde o tempo das cavernas, e por isso eu acho mais inteligente tentar descobrir como nós fomos programados para funcionar do que tentar forçar um certo comportamento. Em um bebezinho isso fica muito mais claro, já que nele, diferente da gente, os instintos ainda mandam muito mais do que as convenções culturais que dominam a nós, os so-called adultos. Em outras palavras, nosso hardware é do Neolítico e nós estamos tentando fazê-lo rodar programas do Antropoceno, o que tem um belo potencial para bugs. Tendo isso em mente, digamos que eu estou tentando fazer uma engenharia reversa. Fim do parêntese)
Então como será que as pessoas faziam na época que nós, humanos, deixamos de ser macacos e passamos a ser isso que somos agora? Imagino que os bebês passassem boa parte do dia pendurados nas mães, amarrados em slings Neolíticos. Então eles passavam o dia inteiro semi cochilando até terem idade para andar? Eles eram colocados em um canto quieto e dormiam por conta própria? (a idéia de um bebê num canto protegido parece meio sem sentido, mas sei lá… Tanto bicho faz isso).
Porque o Jonas dorme bem, mas em alguns momentos tem sido meio difícil convencê-lo a dormir. Ele fica horas cansado, com os olhinhos vermelhos, mas não dorme nem mesmo andando para lá e para cá no meu colo. Aí de uma hora pra outra se anima, começa a se mexer e falar e sorrir, e depois fica amuado de novo. E assim até finalmente capotar.
Além disso, essa história de tentar ativamente forçar uma criança a dormir me parece muito artificial (além de irritante para o adulto). A pulga atrás da orelha me diz que tentar resolver o problema ou simplesmente mudar os padrões de sono dele - sem entender a razão para os padrões serem como são - não é a solução mais inteligente (meio como ir tomar remédio para uma dor sem tentar entender a razão para a dor em primeiro lugar). No fundo no fundo acho que isso tudo deveria ser fácil e smooth, e quando não é, é porque estamos fazendo alguma coisa errada. A questão é saber o que raios eu deveria estar fazendo diferente.
agosto 6th, 2010 at 3:40 pm
Você já tentou anotar o dia-a-dia dele para analisar? Às vezes ele fica cansadinho assim depois de ser superestimulado, ou depois de ficar muito tempo acordado, ou depois de um dia inteiro sem tirar sonecas.
agosto 6th, 2010 at 4:23 pm
Os bebês eram carregados o tempo todo mesmo, em todas as culturas….Recomendo muito a leitura do livro “O bebê mais feliz do pedaço” (”The happiest baby on the block”) do Dr. Karp. Ele justifica tudo partindo justamente de como os bebês viviam no tempos da cavernas e que pra eles nada mudou. Ele fala também da tribo “Kung San” da Africa que ficou isolada e vive como os humanos há milhares de anos atrás (foto: http://www.purplecrying.info/userfiles/image/!Kung%20San.JPG)
A ideia não é “fazer os bebês dormirem” e sim propiciar o sono dos bebês e pra isso nada melhor do que aconchego e balanço, pode ser no carrinho, no sling. E apesar de acreditar na tabela de sono dos bebês (http://solucoes.multiply.com/journal/item/1), acredito que cada indivíduo tem um padrão de sono diferente, e se eles estão bem não precisa forçar nada.
Bjs.
agosto 6th, 2010 at 5:26 pm
Nossa, eu não consigo linkar o seu blog no seu “blogroll”, sei lá porque. Daí que você ficou um tempo sem postar, eu parei de vir, depois esqueci de vir, e acho que foi a Rita que comentou algo lá no meu blog e eu lembrei. Cheguei e levei um susto! Vamos lá:
1) O Jonas é lindo! Parabéns!
2) Adorei todos os post sobre a sua experiência. Não tenho filhos ainda, mas tenho essa sensação mesmo, de que não dá pra ficar cheia de certezas, que cada família é única. No meu blog eu acabei de postar sobre isso, essa pressão pelo ideal materno perfeito.
3) Eu amei de paixão o post sobre a escolha por parar de trabalhar um tempo. Tem uma comentarista de alguns blogs que eu leio que é super intolerante e mal-educada, fica espinafrando quem opta por ficar com os filhos e tal. E eu acho que esse patrulhamento é nocivo demais.
Bjo e tudo de bom!
agosto 6th, 2010 at 9:17 pm
Reflexões interessantes, Barbara. Talvez não seja o momento da sua vida pra te indicar leituras, mas anote aí em algum canto pra quando voltar a ter tempo pra isso: estou lendo ‘The Shallows’, lançamento recente do Nicholas Carr. O livro discute como a internet está mudando nossa forma de ler e escrever. E traz argumentos muito interessantes sobre como nosso cérebro está mudando, sim, muito rapidamente junto com nosso estilo de vida. Extrapolando a visão dele, daria pra contestar seu argumento alegando que o cérebro seria, mais do que um hardware estático, uma plataforma aberta com alto grau de retroalimentação pelo tipo de software que a gente roda nele. Tem inspirado muitas ideias interessantes.
Um beijo aos três!
agosto 6th, 2010 at 9:53 pm
Oi, Baxt. Olha, meus bebês dormiam a noite inteira, desde sempre, uma tranquilidade. O meu filho mais velho, no entanto, passou por uma fase difícil por volta dos dois anos, quando o hábito de fazê-lo dormir gerou certa dependência de nossa presença: ele passou a dormir muito mal, um sono superficial, que se interrompia várias vezes à noite, gerando mau humor, perda de apetitie e irritabilidade. E cansaço gigantesco na família inteira. Precisei readaptar a rotina e tudo voltou ao normal depois de dois meses de muito sufoco. Agora isso pode parecer algo muito distante pra você, mas lembre-se que seu filho vai se acostumar a dormir da forma que vocês ensinarem. E logo ele vai ficar grande, pesado… bom, esse é um assunto pra la´de controverso. O post que fiz sobre isso outro dia rendeu bons comentários, mas praticamente todos seguiram mais ou menos na mesma linha do meu argumento. Sei que, na real, muitos pais seguem o caminho inverso do que contei por la´. Mesmo assim, se quiser trocar uma ideia, anota aí pra quando você tiver a fim, ta? O nome do post é Boa noite, filho. Depois podemos conversar mais, se você quiser. Tô te seguindo no twitter, by the way.
Beijo!
Rita
agosto 7th, 2010 at 9:50 am
Oi Thais,
Eu anoto tudo sim, o horario das mamadas, as dormidas, etc. Mas nessa idade as coisas mudam muito rapido, entao de um dia pro outro ja fica tudo diferente. Talvez ele tenha ficado assim por causa das vacinas, que tomou na quinta. Talvez ele precise de mais sonecas, sei la… Estou observando :)
Bianca,
Obrigada pela dica, vou comprar o livro sim. Eu quero eh arrumar uma maneira inteligente de lidar com o sono dele, em vez de ficar forcando isso ou aquilo. Eu quero interferir o minimo possivel no ritmo natural dele -o diacho eh entender como funciona esse ritmo natural, se quase sempre eu estou interferindo :P
Iara,
Muito obrigada! Como eu ja disse la no seu blog, detesto “feminismo burro” - o feminismo inteligente (ou deveria chamar “humanismo”, ja que nao interessa so as mulheres?) deveria pregar as OPCOES, e nao o patrulhamento em busca desse ou daquele ideal (ninguem deveria ser obrigada a ter uma carreira, da mesma forma que nao deveria ser obrigada a ficar em casa… Alem disso, os homens sao tao capazes de cuidar dos filhos quanto as mulheres. Mas parece que certas pessoas nao entendem isso…).
Bernardo,
No momento eu ando lendo basicamente livros sobre bebes, mas a sugestao esta anotada para quando eu der uma folga nas leituras maternais… :)
Rita,
Li seu post e tenho infitos comentarios a fazer. Eu ainda tenho muitas duvidas sobre o melhor caminho nessa questao do sono, porque as vezes acho essa historia de “comece como quer continuar” meio sofrer por antecipacao, sabe? Porque a crianca muda de uma fase para outra, as vezes me parece meio errado estabelecer agora regras que seriam totalmente razoaveis para uma crianca de 1 ano, mas nao para uma de 3 meses. Acho que quanto mais velho ele estiver, melhor ele vai entender que, por exemplo, precisa dormir sozinho e nao no colo. Mas sei la, eu so tenho 3 meses de experiencia, estou, como se diz em ingles, “making up as I go along,” ou “deixando a vida me levar.” Se estou fazendo certo ou errado eu nao faco ideia!!!
agosto 10th, 2010 at 9:51 pm
A Laura é um pé no saco pra dormir às vezes. A bichinha quando está cansada grita tanto que chega a engasgar. Mas cá entre nós e mais ninguém: de vez em quando eu imploro pra ela dormir e me dar uma folga - imploro e ajudo, canto, danço, pulo, balanço, faço qualque negócio!
agosto 11th, 2010 at 12:07 am
Baxt, como falei por lá, não acredito em certos ou errados absolutos nessa questão. Funciona com uma família, não funciona com outra. A gente olha pro filho e vê que ele não tá bem e tenta ajudar. E depois usa a experiência para diminuir os conflitos do próximo. É por aí. Bj! Vou lá ler sobre seu parto.
Rita
agosto 11th, 2010 at 12:38 pm
Barbara, eu penso nas mesmas coisas com o Oliver. Ele na verdade, dorme super bem - principalmente a noite o que é uma sorte danada! Mas a tal rotina E.A.S.Y. nem sempre segue conforme planejado… Esta semana por exemplo, ele esta a 2 dias sem querer dormir muito durante o dia. Fica cansado, ate dorme no meu colo mas e encostar no berco e acordar. Nem acho que ele esteja “mal acostumado” com colo. Só parece que ele não ta afins de ficar la, sozinho.
Ontem fiz minha primeira experiencia com o sling. Ele dormiu quase o tempo todo. Assim como no passeio na praia do domingo. E fiquei pensando nisso: indias provavelmente carregavam o filho pra la e pra ca o tempo todo… e duvido que os indioszinhos tivessem problemas para dormir. Por outro lado, nossa realidade de hoje é diferente da das indias. Entao acho que precisamos achar um meio termo entre os costumes “antigos”, as necessidades modernas e o temperamento do bebê. Suuuuper facil neh? :p Mas acho que sua teoria da “engenharia reversa” faz todo sentido :)
Beijos!
agosto 17th, 2010 at 1:18 am
Baxt;
Tenta levar na boa, as vezes o que mais atrapalha no sono do bebe é a mãe :). Qualquer coisa passa para o pai. Eu fazia isso e quase sempre dava certo porque o Tiago é mais tranquilo que eu. E, se planeja ter outros, já vou avisando que um é diferente do outro, temos que ir nos adaptando…
agosto 30th, 2010 at 1:20 pm
NAda como ter outro filhos para pensar sobre como podia ter feito diferente no primeiro tstststs to brincando, nem sei se vc quer ter outro filho e se passa pela tua cabeça esta ideia, neste momento. Mas fica tranquilo, nao sei se existe certo ou errado. Existe você e ele.
Fica tranquila! beijos
Pati
http://coisasademae.wordpress.com