Mordendo a língua (pero no mucho) - amamentação
Minha experiência de amamentação, até agora, foi assim: facílima, sem complicação, uma beleza. Isso do ponto de vista do Jonas. Ele pegou o peito logo que nasceu, fez a pega direito (já que meu mamilo não caiu nem ele ficou com fome, concluo que a pega estava razoavelmente certa), e tem mamado feliz e contente desde então.
Já do meu lado foi um pouco mais complexo. Os primeiros dias doeram MUITO. Aí nego da Leche League e etc diz que se estiver doendo a pega está errada. Aí eu fico maluca achando que ele não está pegando certo, mas não é possível, está direitinho de acordo com o que todas as fotos e vídeos mostram! A midwife veio aqui em casa uns 2 dias depois do parto, analisou tudo e disse que estava como tem que ser! Minha mãe jurando para mim que era assim mesmo, que o peito tinha que acostumar, e eu achando que ela estava errada, não não pode ser assim!
Bom, senhoras e senhores, é assim mesmo. Doeu para burro nos primeiros dias e depois passou (ou eu acostumei, não sei bem). Nesses dias eu fiquei desesperada e comecei a entender o povo que interrompe amamentação. Porque não é só uma dor: é pânico de 3 em 3 horas quando o bebê chora para mamar.
Mas depois eu desmordi a língua porque foram só alguns dias. Não é assim por seis meses, então dá para aguentar (no meu caso deu, já que eu tinha mãe ajudando - mas não julgo ninguém). Então a coisa passou a ficar bacana, que lindo, bebezinho mamando no peito, coisa idílica, la la la.
E aí veio a cândida. Aqui se chama thrush, e nada mais é do que aquele fungo safado que mora nos nossos intestinos e de vez em quando se descontrola (normalmente a cândida é vaginal). Aí o peito voltou a doer horrores, e depois de cada mamada os mamilos queimavam por mais um hora. É que o mocinho, logo que nasceu, tomou 15 dias de antibiótico para prevenir uma infecção urinária, já que as ultrassonografias na gravidez indicaram que um rim estava meio dilatadinho. E uma consequência comum do antibiótico é matar a flora intestinal e facilitar infecções por fungos. Bacana, né? Eu até tinha ouvido falar de gente que dá iogurte pros bebês para evitar isso mas eu não dei. Burra.
Então tratei a cândida, ela voltou, tratei mais (vamos pular a novela “médico se recusa a dar remédio que funcione, eu compro por conta própria e nem isso resolve, o que resolveu foi paciência, caldo de galinha, vinagre e umas pomadas”).
E depois de algumas semanas desse imbróglio parece que as coisas estão bem de novo (mas agora eu passo pomada uma vez por dia e continuo usando vinagre para limpar os mamilos de vez em quando). Com exceção de umas vezes que eu achei que estava com pouco leite porque Jonas estava puto (ele tem um jeito específico de reclamar que pode significar duas coisas: 1) está precisando arrotar no meio da mamada 2) o peito está vazio mas o estômago dele ainda não está cheio). Porque você sabe, nada deixa uma mãe histérica de primeira viagem mais histérica do que a possibilidade de estar deixando seu filho com fome. Solução: beber mais água e tomar chá de erva doce. Funcionou. Veja bem que eu nunca fui dessas mulheres de peitos espirrando, explodindo de cheios, fábricas de leite que são na verdade uma ode à femilidade e ao papel de mãe na natureza. Nada disso, meus peitos são bem mais comedidos - produzem o suficiente pro moço ficar parrudinho e com belas bochechas.
Posso dizer que agora eu acho que acostumei com essa disponibilidade gigante, com essa história de ficar umas 7 horas por dia plantada como um entreposto alimentar (veja bem, no começo eram umas 7 ou 8 mamadas diárias, que levavam no mínimo 40 minutos. Atualmente são umas 6, mas ele está mamando por uma hora inteira de cada vez. É literalmente um full time job). Depois dessas emoções (e olha que nem foram tantas assim, já que não incluíram mamilos rachados, sangramentos, mastites e coisas assim. E tive um episódio de empedramento, só um para eu saber como é).
Agora sim, finalmente, posso dizer que amamentar é muito bacana. Mas acho que muitas campanhas pró amamentação atrapalham mais do que ajudam! Elas deveriam informar sobre as possíveis complicações para que a gente fique a atenta, se prepare e reconheça os problemas logo no começo. Conheci uma moça aqui que teve uma cândida super forte, lá pra dentro dos dutos, e depois uma mastite galopante. Ela estava revoltada porque ninguém tinha dito para ela que isso podia acontecer, e não prestou atenção aos sintomas até que eles ficaram muito graves.
Além disso, tem toda a questão da dor. Poxa vida, dizer que não dói a menos que a pega esteja errada é de uma irresponsabilidade atroz! Porque eu fiquei achando que estava fazendo alguma coisa errada, quando na verdade tudo o que eu tinha que fazer era segurar as pontas, tomar um paracetamol e esperar passar - como passou!
julho 19th, 2010 at 10:04 am
Aff, Jonas também estava com o rim dilatado?! Laura teve os dois rins dilatados - ganhei 3 scans extras por conta do “problema” - tomou antibiótico por 6 semanas e agora tá fazendo ultra pra checar se os rins voltaram ao normal. Só não entendi direito como você pegou cândida por conta dele - ele te passou pela boca? Desculpe se a pergunta é idiota, mas como você disse, ninguém aqui fala nada e quero ficar atenta caso aconteça comigo. Minha queimação nos mamilos melhorou com Lasinoh, então acho que foi bico rachado mesmo.
julho 19th, 2010 at 1:14 pm
Bom, a questão da dor acho que é altamente subjetiva né. Eu não senti dor nenhuma, zero, nada. E a maioria das pessoas que eu conheço que tinha dor realmente tinha problema de pega, ou mamilo rachado, ou empedramento, mastite, etc. Nunca conheci uma pessoa que tivesse dor e não tivesse um problema de pega como você. Pelo menos passou logo!
Não sei como são as campanhas de amamentação aí, mas eu fiz uma aula de amamentação aqui e eles explicaram todas essas possíveis complicações e o que fazer, e também li o The Breastfeeding Book da Martha Sears que também fala de todos esses problemas. Eu tive um princípio de thrust mas corri na loja de amamentação do hospital e comprei logo uns soothies que são uns pads medicados que resolveram o problema rapidinho, nem chegou a incomodar.
Eu pessoalmente esperava que a amamentação fosse super complicada porque a minha mãe teve problemas, mas pra mim foi super fácil. Acho que como eu esperava que fosse difícil, procurei muita informação com antecedência sobre tudo que poderia dar errado. Justamente as minhas amigas que tiveram mais problemas foram as que pensaram que ia ser fácil (logicamente teve gente que pensou que ia ser fácil e foi, mas as que achavam que ia ser fácil e encontraram problemas acabaram entrando em desespero e pararam, entendo perfeitamente o pânico).
julho 19th, 2010 at 2:50 pm
essa da cândida foi novidade pra mim, nunca ouvi dizer, bom saber pra divulgar, sabe o que penso dessas campanhas de amamentação? que deixam a mulher meio bitolada, reconheço a importância e sei o quanto resolve, mas existem casos e casos, tenho uma amiga que o bb passou fome o 1º mês de vida, ele não tinha forças pra chupar, consquentemente tava sempre com fome e sem forças pra mamar, circulo vicioso, teve um dia que ela coitada ficou com o filho 6h no peito, até que ela viu que não ia dar pra continuar assim e introduziu complemento, o menino desenvolveu, ganhou peso e ela conseguiu dar o peito normalmente, mas sempre com o complemento, meus sobrinhos os dois secavam os 2 peitos da mãe e 1h depois berravam de fome e o peito seco, fazer o que então? é preciso saber orientar e informar que os bebês são diferentes, que nem tudo que vai ser ótimo pra um vai ser pra todos, e nisso ficam mães e filhos sofrendo. bj e boa semana!
julho 20th, 2010 at 2:50 pm
Também não sabia sobre a candidíase nas mamas. Eu sofri MUITO no início. Rachou, sangrou, eu via estrelas, mas a pomada de lanolina + protetor de mamilo, amenizaram bastante o sofrimento. Ela mamou por um ano até que eu tive uma mastite tardia. Depois disso, deixei de amamentar e convenhamos que 1 ano tava bem bom.
Vários médicos falam sobre preparação dos seios para amamentação, mas eu não fiz. Minha médica só falava pra eu pegar sol. Mas aonde eu ia pegar sol com os peitos pra fora, gente?
julho 20th, 2010 at 10:52 pm
Oi, Baxt, tava louca pra comentar aqui, mas só pude agora. Minhas duas amamentações foram sagas, roteiro de filme, com final feliz. Mas com muito sufoco, drama, dor, pouco leite, bomba, o que viesse. Compartilho da sua opinião quanto às campanhas de amamentação. Com exceção de alguns trabalhos mais pontuais, no geral aqui no Brasil são ridículas: mães com caras de anjo feliz, bebês que sugam enquanto acariciam o seio - e só. E você é a bruxa das sete quedas se não amamentar seu filho por dois anos. Não dá, é um desfavor. Porque com os primeiros obstáculos vem a certeza de que você é uma incompetente e aí a culpa seca o leite em dois dias. Registrei minhas experiências la no Estrada (Amamentar Se Der, partes I e II) e houve uma troca bem boa de historinhas de amamentação por lá (como está acontecendo aqui). Parabéns pelo sucesso na amamentação do pequeno, parabéns mesmo. Estou adorando a sequência de posts sobre o essa fase de sua vida - relembro um monte de coisa boa… :o)
Beijos, que bom que voltou a escrever.
Rita
julho 21st, 2010 at 9:24 am
Chris,
O que eu sei é que o antibiótico pode prejudicar a flora intestinal, e a flora intestinal é responsável por manter a cândidas em níveis baixos no organismo (ela sempre está lá, o problema é quando ela começa a ficar muito forte/descontrolada/solta a franga). Então ela pode ter passado pela boca dele pro meu peito sim. Aparentemente ele não teve cândida na boca, mas é super normal (acho que no Brasil se chama sapinho), e às vezes ela faz o caminho todo pelo intestino, e aí a criança tem cândida no bumbum e tals.
Para evitar, se você sentir uma dorzinha qualquer, passe vinagre, ou limão nos mamilos (já que não vai fazer mal nenhum). Vale tomar bastante iogurte natural também, para fortalecer a sua flora intestinal.
Sorte que Jonas só tomou antibiótico por duas semanas - ele passou uns dias sem fazer cocô direito, e eu acho (não posso ter certeza) que a candida foi causada por isso também. Ele tem um próximo scan marcado para outubro para checar os rins de novo.
Luciana,
Eu não achei que fosse ser fácil, mas admito que não li muito a respeito (estava tão concentrada em ler sobre o parto que não li sobre outras coisas antes dele nascer… erro meu). Mas eu recebi vários folhetos de orientação sobre amamentação, além de uma aula inteira das prenatal class, e eles só falavam da pega e das posições para segurar o bebê. Nada sobre possíveis complicações.
E sobre a dor, eu acho até natural que tenha doído, afinal aquela é uma parte do corpo em que só se mexe de vez em quando. Ter um bebê usando os mamilos por umas 8 horas por dia, de uma hora para outra, é uma grande mudança ;)
Mauriceia,
Pois é, essas campanhas, do jeito que são, criam uma culpa desnecessária nas mulheres. Até porque às vezes é melhor complementar um pouco com mamadeira e continuar dando o peito - mas ninguém avisa isso! Parece que é 8 ou 80: ou peito ou leite artificial, quando na verdade é possível fazer os dois!
Mas eu acredito que eu grande parte dos casos em que a mulher tem pouco leite, a coisa se resolveria com 3 coisas: se mantendo calma, deixando o bebê no peito o máximo de tempo possível (estimulando a produção) e bebendo MUITA água. Eu não sei por que ninguém fala que mulher amamentando tem que tomar litros e litros (e mais litros) de água por dia!
Anna,
Eu não tratei os peitos, mas uma vez ouvi uma dica fantástica sobre como pegar sol nos mamilos! Pegar uma camisa estampada, fazer dois buracos nos mamilos e sentar na varanda de casa ou algum lugar assim. Quem vir de longe não vai perceber que os mamilos estão de fora! Achei hilário.
E a pomada de lanolina é uma ótima mesmo, eu uso desde sempre.
Rita,
Essas imagens de mães angelicais com bebês felizes são irritantes mesmo. E criam uma cobrança desnecessária nas mães (que já estão tendo que se adaptar a tantas novidades). No início eu fiquei meio overwhelmed com essa coisa de amamentar o tempo todo, eu queria arrumar a casa, fazer outras coisas, mas tinha que parar tudo para ele mamar. Agora eu já acostumei e estou achando ótimo, adoro a mãozinha dele acariciando o peito, o tempo que a gente fica junto, ele olhando para mim. Tudo lindo, mas não aconteceu de uma hora pra outra, levou quase 3 meses! Vou lá ler suas histórias de amamentação.
julho 25th, 2010 at 2:09 pm
[...] Barbara (Baxt) comenta de forma sensata e bem-humorada sobre a experiência da amamentação. Cada caso é um caso, mas em geral amamentar é algo positivo, pois traz muito mais vantagens [...]
julho 26th, 2010 at 5:04 pm
Ai, querida, gosto tanto de te ver mãezona!! Ta se saindo bem, vai nessa! (E depois escreve um livro sobre mãe blogueira).
Olha, o Caito publicou uma foto nossa Puc times, e vc ta de cabelão, tem que ver! No aniversário do Bruno, lá no parque da Cidade, lembra?
Saudades!!!
beijo grande
agosto 2nd, 2010 at 10:36 pm
Post legal sobre amamentacao Barbara! Eu tb acho que as campanhas pro-amamentacao adoram falar so dos beneficios pro bebê e se esquecem do lado da mãe: das possiveis dificuldades fisicas e emocionais tb. Pq amamentar e legal mas tb é dificil, para maes de primeira viagem - se não tiverem ajuda - pode ser muito, muito complicado.
Os meus maiores problemas - alem da normal dor nos mamilos no inicio - foram emocionais. Achava muito doido aquilo de eu ter que ficar disponivel que nem um buffet para o Oliver… E a pediatra só dizendo: “livre demanda, livre demanda..”. Ninguém nunca me perguntou como eu estava me sentindo com aquilo. Ainda bem que desde o inicio coloquei o Oliver numa rotina estruturada com mamadas de 3 em 3 horas. Isso ajudou muito.
Hoje ja superei meus problemas iniciais que para ser franca nem foram tão terriveis assim… So pareciam terriveis na epoca para mim. Mas tenho uma amiga que teve uma flha recentemente e que esta com muito problemas, dores no mamilo, dificuldades para amamentar. E aqui no Brasil e praticamente impossivel achar um “coaching” de amamentação - ainda mais no Espirito Santo. Ela ja esta usando NAN, mamada sim, mamada não. Talvez com mais orientação e ajuda, ela conseguisse continuar… Mas como eu disse, a maioria dos medicos pensa so no bebê e esquece da mãe.