Sobre filhos e trabalho

Ficar em casa e cuidar de filhos já foi a única opção de uma mulher. Depois passou a ser uma não-opção, praticamente uma coisa proibida (mulher tem que trabalhar, expandir os horizontes, bla bla bla). Para a maior parte das mulheres do mundo provavelmente a coisa continua não sendo opcional: mulheres pobres têm que trabalhar porque senão ninguém em casa come. Mulheres de certos países muçulmanos conservadores têm que ficar em casa e ponto.

Mas no final das contas, apesar de algumas feministas burras acharem que é um retrocesso a mulher ficar em casa depois de ter filho, as feministas esclarecidas sabem que o objetivo final de toda essa briga é dar às mulheres a OPÇÃO. E para um tanto de privilegiadas, é possível escolher o que fazer. E eu, por sorte, tenho a opção (na medida do possível).

Aqui na Inglaterra as coisas são bem diferentes do Brasil. A licença maternidade dura até um ano - mas não, eu não recebo salário integral esse tempo todo. Recebo salário integral por algumas semanas (10, no caso da minha empresa), depois uma ajuda do governo de mais ou menos 500 por mês até completar 39 semanas (cerca de 9 meses) e fico sem receber nada (mas com a vaga garantida) pelo resto do ano. Depois disso posso voltar, não voltar, negociar um horário parcial (por exemplo, dois dias por semana, com salário e férias proporcionais) ou negociar trabalhar parte do horário em casa. Logicamente, a empresa não é obrigada a aceitar horários flexíveis, mas é uma opção que existe.

Por outro lado, uma babá custa os olhos da cara (para falar a verdade nem sei quanto custa, só sei que é coisa de gente muito rica - babás aqui têm que ter certas qualificações, tipo uma formação completa em babazice). E a creche também custa bem caro. Andei olhando umas aqui do lado de casa e para deixar a criança lá full time, 5 dias por semana, a brincadeira sai uns £1,400 por mês!

Existem também outras opções: child minder, que é uma pessoa que cuida de umas 4 ou 5 crianças na própria casa, e au pair. Au pair pode ser uma boa para quem tem vários filhos e mora numa casa grande e arruma uma garota para ajudar (mas não para ficar sozinha com a criança - imagina se eu vou largar meu filho com uma menina de 20 anos que está vindo pra Londres passear, assim de cara!). Quanto a child minder, por enquanto não, obrigada.

Como os custos de childcare são muito caros, é bem comum a mulher parar de trabalhar para ficar com os filhos (imagina pagar 3 creches de 1,400?). No meu caso, em princípio vou ficar um ano em casa e depois eu penso. Gosto da idéia de trabalhar em casa, e gosto da idéia de trabalhar part time. Mas gosto também da idéia de ficar com o meu filho, sabe?

Sinceramente, não sei como o povo no Brasil acha tão natural deixar os filhos com babás o dia inteiro. Não posso imaginar que uma moça, por mais responsável e confiável que seja, vá ter a mesma preocupação que eu na criação do meu filho. Além disso, como uma moça que provavelmente tem só o segundo grau vai poder conversar com ele sobre vários assuntos, vai falar português correto (e corrigir quando ele errar), vai responder as perguntas irrespondíveis que crianças espertas fazem? Sério, uma coisa que eu já percebi é que o mais importante no desenvolvimento da criança é que ela acompanhe conversas estimulantes em casa.

E isso nenhuma babá vai poder fazer melhor do que eu e o pai (e os tios, avós e os amigos, lógico).

[É claaaro que dá para estimular os filhos à noite e durante o fim de semana. Tem que gente que precisa trabalhar e pronto, e é claro que isso não vai destruir a formação das crianças. Mas acho bacana quando uma mãe reconhece que deixar os filhos com babá não é a solução ideal]

Outra coisa que me incomoda loucamente é esse papo de que ficar em casa diminui os horizontes e trabalhar amplia. Porque na boa, maioria dos empregos disponíveis no planeta são banais. Consistem em fazer planilhas com dados sem sentido no excel, organizar procedimentos irrelevantes, escrever apresentações que não levam a nada, fazer relatórios que ninguém vai ler. Eu mesma já tive vários empregos assim. Até mesmo no meu emprego atual, apesar de alguns bons momentos, o grosso do meu dia era ocupado escrevendo sobre uma nova vacina para enguias ou sobre uma ração especial exclusiva para cachorros da raça Pug. Convenhamos que isso não é lá muito expansor de horizontes, né?

Então a idéia de ficar em casa observando (e influenciando) o desenvolvimento de uma pessoinha me parece muito mais relevante (e importante, em termos universais) do que a grande maioria dos empregos que existem por aí. É mais cansativo também, e cheio de momentos inglórios (trocar fralda, por exemplo, que não contribui em nada para tornar o planeta um lugar melhor - na verdade, torna o planeta um lugar pior porque eu ainda não me animei a usar fraldas de pano, e mesmo que as usasse estaria gastando montes de água e energia para lavá-las - mas isso é outro assunto). Além disso, eu não estou só cuidando do Jonas - estou tomando conta da casa também.

Bom, essas são as questões filosóficas. As questões práticas incluem o fato de que acompanhando de perto o crescimento dos seus filhos você diminui as chances de eles terem problemas na escola, andarem com mini marginais e coisas assim. Mas logicamente não economiza a grana da terapia que eles vão precisar quando estiverem mais velhos - a diferença é que quando seu filho for fazer análise, a culpa de tudo vai ser da sua presença opressora - e não da sua ausência (mãe não acerta nunca mesmo).

A outra questão prática é dinheiro e carreira. Não, eu não acredito que “se você passar dois anos fora do mercado não volta nunca mais.” Eu não sei em que mercado esse tipo de gente trabalha, mas acho que quem acredita nisso devia era melhorar as qualificações porque pelamordedeus, né? Mercado de trabalho não é um vórtice temporal que fecha em cinco minutos e se você perder nunca mais volta pro parque de diversões no seu mundo!

Mas acho sim que ficar dez anos fora do mercado de trabalho complica as coisas. Sei lá, eu ficaria insegura sem trabalhar nem um pouquinho por anos e anos. É por isso que eu quero continuar a trabalhar, na carga horária que der. É bom estar sempre fazendo alguma coisa, mantendo os contatos, para se acontecer alguma coisa poder voltar a trabalhar rápido. Se não der para ser na mesma área em que se trabalhava antes, que seja em outra. Vejo muita mãe por aí abrindo confecção, revendendo produtos, organizando evento. Mas não é para “expandir horizontes,” é para ganhar dinheiro mesmo!

Para expandir horizontes eu faria que nem a Claudia Abreu e entraria na faculdade de filosofia na Puc, ou iria fazer um degree em Greats em Oxford, que são opções absolutamente luxuosas de quem está com a vida ganha e não precisa de dinheiro!

16 Responses to “Sobre filhos e trabalho”

  1. Renata Says:

    Barbara, mais uma vez concordo inteiramente com você. Acho que é um privilégio enorme poder acompanhar bem de perto o próprio filho nesses primeiros anos de vida e, quando for a minha vez, se houver como não pensarei duas vezes em fazer isso. Acho bobagem achar que a mãe que não trabalha fora deixa de ser uma mulher interessante ou que não tem seus “horizontes ampliados”. Quer coisa melhor prá ampliar seus horizontes do que poder ler os livros que se quer, em casa, enquanto decide com consciência e tempo a educação que vai dar pro filho?
    Um beijo, Renata

  2. Luciana Misura Says:

    Eu preciso trabalhar. Não consigo ficar 100% em casa como mãe. Fico entediada MESMO, de saco cheio, não dá. Acho que é muito do temperamento de cada mulher. Acho que essa história de ampliar os horizontes começou com alguma mulher que como eu fica desesperada de só falar com um bebê o dia inteiro e só cuidar de coisas relacionadas ao bebê 24×7.

    Conheço muita gente que faz isso super feliz, numa boa, sem traumas. Eu fiquei 5 meses de licença e fiquei muito feliz de voltar a trabalhar depois disso. Eu sinto muita falta de conversar com outros adultos durante o dia de assuntos completamente não relacionados a bebês e crianças.

    O nosso esquema aqui em casa funciona bem pra gente, porque trabalho 100% do tempo em casa, e tenho uma babá (com nível universitário por sinal) que toma conta da minha filha aqui em casa mesmo. Quando ela era pequena eu parava para amamentar várias vezes por dia. Se ela está chorando muito eu sempre vou lá dar uma olhadinha. Almoçamos juntas de vez em quando. Quando as coisas estão devagar no trabalho paro pra brincar um pouquinho com ela. Então estou trabalhando fazendo o que gosto mas com um ouvido aberto se a minha pequena precisar de mim. E o pai trabalha de casa também 3x por semana, então ficamos os dois pertinho, ela passa pra dar um beijinho antes de ir pra aulinha de artes com a babá, quando volta da uma paradinha pra mostrar os desenhos.

    Mas eu concordo com você, poder escolher é o melhor de tudo. Inclusive os pais poderem escolher se querem ficar com os filhos e parar de trabalhar ou não, enquanto a mãe volta a trabalhar. Conheço alguns (meu cunhado é um deles). poucos ainda, mas acho muito legal que hoje em dia exista essa opção.

  3. Bel Says:

    Concordo com tudo. Tenho um cv invejável e tenho certeza que não deixei de ser inteligentíssima (modéstia à parte) por cuidar da minha filha. Que a propósito, está cada vez mais linda, descolada, segura e esperta, huahuahuahua. Tenho certeza que o panorama teria sido bem diferente se ela tivesse sido “terceirizada”. É uma pena que nem todas possam fazer, mas eu acho uó gente que põe filho na creche para que não seja “mimado” ou se socialize (com 4 meses de idade :o).

  4. baxt Says:

    Renata,

    Pois é, pois é… O lance é mostrar para as pessoas a importância que tem a criação de um filho (ou vários). É trabalho, e bem importante!

    Bel,

    Adorei a sua modéstia e sua economia nos elogios à filha. Mas é assim mesmo, oras, se você se esforçou para criar ela da melhor maneira, tem mais é que se orgulhar :)

  5. baxt Says:

    Ainda bem que as pessoas estão mudando. Quando desisti da “minha carreira de engenheira” os comentários foram os piores, mas insisti em ser mãe em tempo integral. Não me arrependo, meus 3 filhos são pessoas de que me orgulho muito, integras, verdadeiras e felizes. Sei que errei em várias coisas, mas acertei em muitas também. Só quero que eles sejam muito felizes.

  6. Rita Says:

    Barbara,

    como assim, 3 filhos??!!! Pensei que você tivesse acabado de ter o primeiro!

    Bom, como você falou, o importante é o poder de escolha e a consciência de estarmos fazendo o melhor pelos nossos filhos. E segurar o dedo antes de criticar essa ou aquela escolha alheia, porque o que funciona perfeitamente bem em algumas famílias absolutamente não serve para tantas outras. Não há regras absolutas nesse mundo. Vale a nossa consciência em torno da enormidade da tarefa que é criar um filho. E vale, muito, nosso amor por eles.

    Beijos,
    Rita

  7. Bianca Says:

    Barbara,
    Concordo plenamente com tudo que você falou!
    E estou passando por uma fase de repensar toda a minha vida profissional por causa dos meus filhos. Ainda mais agora com 2 a dupla jornada não está fácil e queria muito poder me dedicar mais a eles.
    Bjs.

  8. Vivien Morgato Says:

    Menina, eu nem sabia que vc estava grávida….preciso voltar aqui e mergulhar em tooodos os textos!!!!;0)
    Fiquei feliz por vc, parabéns pelo bebê.
    Concordo com o ponto crucial: OPÇÃO! Uma vez disse isso no meu blog e foi um engraçada a reação…uns achavam que eu defendia ser mãe em periodo integral, outros achavam que eu condenava…enquanto eu não fazia nem uma oicsa, nem outra.
    Cada um sabe onde aperta seu calo, já dizia o filósofo.
    A minha opção foi super fácil: como professora, optei por começar a trabalhar quando ele tinha um ano ( antes disso participei de uma pesquisa, horario super light) e sempre trabalhei um período apenas. Minha prioridade sempre foi o Daniel.
    Mas imgino a complicação que isso possa ser pra quem trabalha oito horas.
    Grande beijo.

  9. Eduardo Sant'Anna Says:

    Baxt,

    Concordo plenamente e realmente o mais importante é a questão da opção. Não tenho muito o que adicionar ao que as meninas já falaram - e afinal, quem sou eu pra falar sobre a experiencia de ser mãe. rsrs Mas sobre o lado financeiro da coisa, tenho alguns comentários:

    1- Se a ideia é voltar a trabalhar no futuro, lembre-se de que a partir dos 3 anos de idade a criança pode ficar em creche particular por até umas 17.5 horas/semana (i.e.: meio periodo), pagos pelo governo. E como as empresas costumam ser flexíveis (como vc citou), nada mais normal do que trabalhar exatamente 17.5 horas/semana. ;-)

    2 - A partir dos 5 anos de idade começa a escola primária obrigatória que é integral (ou quase… das 9am às 3pm) e também sai dos seus impostos. No Brasil não teria jeito: vc teria que pagar por uma escola particular a partir dessa idade anyway - o que pressiona a renda familiar.

    3 - Na verdade a maioria das escolas oferece também o “reception year”, que significa que a criança já entra e fica integral a partir dos 4 anos.

    4 - Se vc (ou o marido) é cidadã(o) EU, tem direito ao “child benefit” também - já a partir do nascimento do bebê. Não é nenhuma fortuna não (acho que é algo do tipo 50 libras/semana) mas dinheiro é dinheiro. :-)) Mas confere direitinho lá no http://www.direct.gov.uk pq até recentemente qualquer um - rico ou pobre - tinha direito a esse beneficio. Mas o novo governo parece que está atrelando isso à renda familiar.

    Acho que por aqui tem que pensar que babá/creche/minder é caro mesmo, assim como tudo o que envolve trabalho “manual”… visto que as pessoas não recebem salario de fome (e as diferenças sociais são menores)… mas é um gasto que só é realmente necessário até o momento em que vão pra escola, quando o governo assume os gastos. Até lá, vc pode ficar em casa full/part-time curtindo o filhão - se assim preferir!! ;-)

    Eu sei que ele tem só meses e parece looooonge de chegar aos 3, 4 e 5 anos de idade … mas isso passa muito rápido! Minha filha já está entrando na escola e me lembro do nascimento dela como se fosse ontem.

    Beijos e tudo de bom para a famíllia!

    Ed

  10. Barbara Says:

    Poxa, eu queria muito responder aos comentarios, um por um, mas esta dificil…

    Luciana,

    Eu gosto da ideia de ter alguem em casa sob a minha supervisao. Faz toda a diferenca…

    Rita,

    3 creches foi uma projecao!!! Jonas eh o primeirissimo, mas os nossos planos sao que ele seja o “primeiro de uma serie” (serie de 2 ou 3, isso a gente ainda nao decidiu)

    Bianca,

    Voce trabalha em que, mesmo? Conta mais :)

    Vivien,

    Eu nao postei nada sobre gravidez, quase ninguem ficou sabendo ate o Jonas nascer… Mas se quiser saber sobre o assunto, eh so perguntar, jah que eu sou ultra faladeira. E sobre a discussao no seu blog, acho que lembro, mas fiquei com preguica de participar. Tem muita mulher xiita que fala muita besteira… E eu tenho preguica das tais feministas burras ;)

    Ed,

    Pois eh, para mim parece que ainda falta muito para os 4 anos, mas concordo que vai chegar num piscar de olhos. Mas se eu tiver outros filhos na sequencia, na verdade vai levar uns, sei la, 6 ou 8 anos ate que todo mundo esteja na escola, ne nao? Eu nao queria ficar esse tempo sem trabalhar (nem podemos nos dar a esse luxo).

  11. Anna Says:

    Os dois primeiros parágrafos da Luciana poderiam ser meus. Depois que a Clara nasceu, achei que os 4 meses da licença era muito, muito pouco. Mas eu tinha todo o suporte possível com minha mãe por perto e voltei ao trabalho bem segura.

    Depois que a gente se mudou pra São Paulo no ano passado, tudo mudou de figura. Não tinha ninguém por perto pra me ajudar, a Clara passou a ficar doente com muita frequencia (juntou o clima da cidade com começar a frequentar uma escola) e sair para trabalhar, passou a ser muito angustiante pra mim. Depois de pouco mais de 2 meses no novo emprego, pedi as contas. A prioridade era a Clara, estar sempre por perto e participar mais da vida dela. Agora estou trabalhando em casa, numa área diferente da minha, que eu ainda não domino, mas que tem me deixado bem satisfeita.

    Já tem 4 meses que tomei essa decisão e tenho certeza que foi a mais acertada :-)

  12. Christina Says:

    Bom ler opiniões e experiências diversas sobre o assunto, já que ando “panicando”, já pensando no ano que vem. Marido e eu conversamos ontem mesmo sobre isso e parar de trabalhar não é muito opção já que a gente acabou de comprar uma casa (roubada!) - a menos que a creche fosse o meu salário ou mais. Agora é negociar com a chefe para me liberar cedo porque claro que nós dois saímos super cedo de casa e chegamos super tarde. Nem vou falar que as creches daqui da área tem fila de esperar de 1 ano+, ou seja, já estou atrasada. E pensando em childminder (ou pedir pra minha mãe vir por uns 3 meses).

  13. João Paulo Cursino Says:

    Aham. Possível problema de confusão de números IP. Ou de furto de identidade online. Não sei. O que sei é que, entre os comentários acima, existe um que está identificado como tendo sido escrito por baxt, e existe um linque em cima do nome que aponta para baxt.net, mas o texto é o seguinte:

    “Quando desisti da “minha carreira de engenheira” os comentários foram os piores, mas insisti em ser mãe em tempo integral. Não me arrependo, meus 3 filhos são pessoas de que me orgulho muito, integras, verdadeiras e felizes. Sei que errei em várias coisas, mas acertei em muitas também. Só quero que eles sejam muito felizes.”

    Sei que Jonas recém-nasceu, creio que o texto acima pressuponha que sua Autora seja mãe de três pessoas já crescidas, e sei que paradoxos temporais não têm sido detectados na Zona 2 do Tube, de modo que considero muito improvável que o texto acima realmente seja de autoria de Baxt. Alguma explicação alternativa?

  14. João Paulo Cursino Says:

    … ou será que foi a visitante?

  15. João Paulo Cursino Says:

    (cujo nome foi withheld para preservar a privacidade dos inocentes)

  16. Rato de Biblioteca » Blog Archive » Semana do Rato Says:

    [...] a pena para todos os envolvidos. Leia também os artigos dela sobre blusas de amamentação e sobre parar de trabalhar ou não depos que o bebê [...]