A zona sul sem noção

Infelizmente, a idéia de Zona Sul Sem Noção não se restringe à Zona Sul do Rio. Nem ao Rio, e muito menos ao Brasil. Eu tou me referindo àquela arrogância que gente rica, bem nascida ou qualquer idiota que se acha “especial” tem. (e a completa incapacidade de certos representantes do grupo de entender que gente pobre, gente diferente, ou qualquer outro tipo de gente- é gente. Que surpresa, ne? Quem diria!)

Não sei se alguém lembra de um vídeo que mostrava Boninho, Narcisa Tamborindeguy, a neta do Tom Jobim e outros riquinhos cariocas dizendo que adoravam jogar ovo em pobre e coisas do gênero, às gargalhadas. (matéria da Folha sobre isso) Não que o vídeo tenha me surpreendido: eu estudei numa escola em que voltar de festa e jogar ovo podre nos peões no ponto de ônibus era diversão. Lógico que não eram todos os filhinhos de papai que faziam isso (existem muitos filhinhos de papai gente boa), mas esses saíam contando para todo mundo sem o menor constrangimento.

Esses dias li uma matéria na Época sobre “bullying” em uma escola particular “de elite” de São Paulo. Resumindo, a matéria mostrava como reizinhos criados por babás, filhos de criaturas sem nenhum princípio, viram pequenos monstros (que depois vão crescer e virar monstros completos). E como essas crianças abusam dos professores, dos inspetores, faxineiros, etc.

Tudo bem, nada disso é novidade. Mas acho que toda essa tendência (vamos chamar assim) toma uma nova dimensão quando uma famosa atriz da Globo faz um vídeo, (muito bem) paga pelo GNT, sacaneando os portugueses na própria terra deles, as outras apresentadoras não acham nada demais, a direção do programa acha tudo muito natural, e o vídeo é colocado no ar no programa Saia Justa.

É, tipo assim, a institucionalização da Zona Sul Sem Noção. É a chancela pública das organizações Globo de que é isso aí mesmo: portugueses, pobres, essas coisas não são gente mesmo. Respeito? Para que?

(o fato da Globo e seus artistas fazerem um dinheirão com os portugueses foi ignorado – se não têm princípios, que ao menos tivessem um pouquinho mais de inteligência marqueteira!)

Não que isso me surpreenda, considerando que Boninho, o cara que joga ovo em pobre e acha hilário – é bam-bam-bam por lá. Mas sei lá, fiquei surpresa, admito. Será que só tem gente sem noção trabalhando no canal? (eu trabalhei lá em 2001, e gostava muito. mas as coisas eram um tantinho diferentes, pelo visto). E acho mesmo que a portuguesada devia reclamar. E principalmente, votar com a carteira, deixando de comprar os livros desse povo, de assistir os filmes deles e, principalmente, de assistir as peças deles.

PS: E por favor, ninguém venha argumentar que a lógica dos portugueses é mesmo muito louca. Eles podem ser “esquisitos” (nas palavras de Maitê) o quanto eles quiserem. Eles estão felizes assim, no país deles, e isso não é problema nosso: não está em questão. Ninguém tem o direito de ficar sacaneando os outros em rede nacional dessa maneira.

Update: Depois do bafafá em terras lusas, um pedido de desculpas acabou aparecendo. Um pedido sem pé nem cabeça, com argumentos de crackhead, mas um pedido.

Que pode ser interpretado como “Tugas queridos, não era nada disso. Vocês são um belo cash cow para a gente. Agora que a gente se desculpou, não parem de comprar nossos livros, pagar a Globo internacional, ir nas nossas peças, tá? Nós aqui da Globo ganhamos muito dinheiro com vocês.”

23 Responses to “A zona sul sem noção”

  1. camila Says:

    Também achei o vídeo o fim da picada, me surpreendeu (mas nem tanto) que realmente tivessem não apenas levado ao ar, como aprovado com as piadas das outras 3 ou 4 ridículas que sentam naquele sofá. E eu gostava da Beth Lago quando ela se limitava a ser atriz/apresentadora do GNT Fashion…

    Muita vergonha alheia, muita!

  2. Hiro Kozaka Says:

    Materia da SIC, ja’ esta’ repercutindo por la’. Quero ver agora nesta sexta quando formos para la’ :)

    http://www.bluebus.com.br/show/2/92942/saia_justa_queima_o_filme_do_gnt_em_portugal_que_vergonha

  3. João Paulo Says:

    Antes de tudo, não entendi o vídeo. Especialmente a parte do técnico que foi ajudar com o compiutador.

    Uma coisa é mostrar uma foto da casa “E” (ou “3″) para minha família; outra coisa é escancará-la a todos que assistem (inclusive em Portugal). Mas isso sou eu, neurótico com privacidade na Web e exposição desnecessária.

    Então ela cospe na fonte e acha isso muito engraçado. Puxa, que legal.

    Existe boicote retroativo? “Não comprar no sebo as Playboys em que ela saiu”? Acho que não funciona. O que funciona? Não assinar o GNT?

    Essa é fácil: não tenho TV por assinatura! :)

    Agora, ô BAxt, ó só: não necessariamente o vídeo da Narcisa é verdade. Pode ser tudo encenação, essa mulher fala o que quiser mesmo. Claro que, mesmo não sendo verdade, ela está divulgando certos, aham, valores, e isso já é suficientemente condenável.

    De modo que não sei o que pensar. Bom, acho que sei, que é te dar razão, mas você já disse que não gosta disso. :)

  4. João Paulo Says:

    Ah, ela visita uma cidade sem estudar a respectiva geografia, sem saber que rio passa por ali, se aquilo é o mar, e ainda diz que a burrada é do cinegrafista, que SABIA!

    Certo.

  5. somnia Says:

    Barbara! tudo bem!??

    falando rapidamente outra coisinha: hj foi a sexta ou setima tentativa de te adicionar a minha lista de blogs… mas nao entra! nunca entra! salvo e faco tudo como faco com os outros mas o seu continua nao vigorando na lista!

    alguem mais teve o mesmo problema? estranhissimo nao! beijos e obrigada pelas visitas! tambem ando passando por aqui!

  6. Hiro Kozaka Says:

    Sobe o 3 invertido:

    O 3 invertido pode ter varios significados e vou dar o beneficio da duvida. Para a maconaria o 3 e’ um numero importante sendo utilizado de varias formas, entre elas para dizer que a casa e’ uma moradia macon. O mesmo acontece com os judeus, que invertem o 3 para se tornar um “E” e dizer, discretamente, que se trata de uma moradia judia. Enfim, poderia ser um dos dois casos como poderia ser burrice tambem.

  7. Baxt Says:

    Camila,

    Eu nao sei porque tanta mulher se orgulha de ser burra… Parece que fazem esforco para se manterem idiotas e futeis. Acho que eh porque tem homem que gosta, sei la…

    Meninos (JP e Hiro),

    Esse eh justamente o problema do combo ignorancia + arrogancia. Nao saber sobre a cidade, sobre o 3 invertido, sobre o diabo a quatro, ainda vai (eu nao fazia ideia dessa historia de 3 invertido). Mas se jactar da propria idiotice doi, ne? E impor essa idiotice aos outros com essa violencia toda eh vergonha alheia no ultimo.

    E JP,

    O video da Narcisa pode ser mentira? Pode, mas eu duvido. E falar sobre isso da maneira que ela (e toda aquela escoria amiga dela) falou - jah nao eh suficiente para ficar com nojo?

    Somnia,

    Nao faco a mais puta ideia do que esta acontecendo :) Vou tentar descobrir.

  8. Ju Moreira Says:

    Na minha humilde opinião, o vídeo-desculpa saiu pior do que a encomenda. Tentou limpar a merda e fez com q ela se espalhasse ainda mais.

  9. Silvia Says:

    Concordo, o video de nao-desculpa dela so’ piorou a situacao… “Nao liga nao, aqui no Brasil a gente insulta todo mundo mesmo, e’ sinal de afeto”. Vontade de mandar a Maite^ ir se catar e fechar o bico, pelo bem da nacao.

  10. Ana Cristina Says:

    Eu achei ridículo esse vídeo da Maitê. Não só a criatura comete erros grosseiros em relação à história portuguesa, à geografia e à cultura do país, como se mostra uma pessoa muito preconceituosa. Quer dizer então que se a cultura de um povo é diferente da nossa significa que eles são “estranhos”??
    Em uma refeição na Itália, a salada é a última coisa a ser servida, depois do antepasto e do primo (que quase sempre é uma massa) e ninguém acha estranho ou acha que os italianos são burros. No entanto, os brasileiros adoram dizer que os hábitos portugueses são estranhos…Puro preconceito. Só para finalizar, morei em Lisboa em 2003 e adorei a cidade, adorei o país. Portugal não precisa da Maitê Proença. Espero mesmo que os portugueses boicotem os livros dessa mulherzinha…

  11. Ligia Says:

    Oi,

    Eu achei o video da Maite uma pessimo. Nao tem desculpa. ela queria fazer uma coisa engracada, do tipo contando piada de portugues . Mas , nao ficou legal, e acabou bem ofensivo. Pior do que o Berlusca , chamando o Obama de moreninho…tsc.tsc..tsc.
    Bom, mas eu queria comentar um outro post teu que eu gostei muito. que eh aquele sobre o preconceito.
    Eu sou, ao contrario da maioria do pessoal que respondeu, um brasileira que sim, ja sofreu muita descriminacao.
    E fazendo uma ressalva , antes de comecar, eu sou uma brasileira super simpatica. Apesar de ser uma pessoa muito timida. Mas tendo , sim, com, prezer e sem fingimento, ser amavel com todo mundo.
    A primeira fez que sofri , claramente preconceito no exterior, foi quando cheguei a Italia. De cara me mandaram para a policia. Depois de meia hora, me liberaram , pq viram que eu tinha escrito do passaporte varios , carimbos de entrada e saida da Gra-Bretanha. Eu tiha passado alguns meses morando em Londres(aonde NUNCA tinha sofrido nenhum tipo de situacao delicada )
    Eu nao , fui para Europa tentar a vida, e nao tenho nada contra quem vai.Alias admiro a coragem dos Jean Charles, que vao atras de um sonho.E como muitos de nossos compatriotas, acabam mal . Fui como , tantas “filhinha de papai”, estudar nos famosos cursinhos de ingles. Depois por motivos pessoais decidi me mudar para a Italia.
    E relamente , talvez este seja um motivo, nao sou “branquela” para os padroes europeus. Mas” branca “o bastante para a sociedade brasileira.
    Na Italia continuei sofrendo alguns incidentes, do tipo, brasileira eh bonita , facil e gostosa…nao preciso explicar…
    Voltando a Gra-Bretanha, fui morar em Gales e resolvi fazer um curso na universidade. Todos os meus colegas eram britanicos. Ai sim..meu deus..te posso dizer que uma vez tivemos uma excursao, e no onibus, ninguem sentou do meu lado. Me senti uma daquelas crancas de filme americano, nos school buses.A minha impressao pessoal dos britanicos, e essa. Sao relamente pessoas muito frias e individualistas. Existem excecoes, mas a cultura para mim eh essa mesmo. Foram incapazes de me ajudar, com nada mesmo.Me tratavam o minimo bem, por que sao polite..e pronto!
    Bom, agora moro nos EUA, e para te dizer a verdade, acho que eh o lugar do mundo onde eh mais facil ser estrangeiro. O americano e muito mais aberto e compreensivo. Mas , espero que meus filhos sejam sempre tratados como cidadoes de primeira classe. Porque eh muito duro sofrer preconceito

  12. Ligia Says:

    Oi
    (editando o primeiro comment, cheio de erros)

    Eu achei o video da Maite pessimo. Nao tem desculpa. ela queria fazer uma coisa meio engracada, do tipo contando piada de portugues . Mas , nao ficou legal e acabou bem ofensivo. Pior ainda do que o Berlusca , chamando o Obama de bronzeado…tsc.tsc..tsc.
    Bom, mas eu queria eh comentar um outro post seu ,que eu gostei muito, aquele sobre o preconceito sofrido por brasileiros no exterior.
    Eu sou, ao contrario da maioria das pessoas que responderam, uma brasileira que sim, ja sofreu preconceito.
    E fazendo uma ressalva , antes de comecar, eu sou uma brasileira super simpatica..hehehe.. Apesar de ser uma pessoa muito timida. Mas tento ,com prazer e sem fingimento, ser amavel com todo mundo.
    A primeira fez que sofri claramente preconceito no exterior, foi quando cheguei a Italia. De cara, me mandaram para a policia do aeroporto. Depois de meia hora, me liberaram , pq viram que eu tinha carimbado no passaporte varias entradas e saidas da Gra-Bretanha. Eu tinha passado, alguns meses morando em Londres(aonde NUNCA tinha sofrido nenhum tipo de situacao delicada )
    Eu nao fui para Europa ,tentar a vida. Nao tenho nada contra quem vai.Alias admiro a coragem dos Jean Charles, que vao atras de um sonho.E como muitos de nossos compatriotas, acabam mal ou muito bem.
    Fui como , tantas “filhinha de papai”, estudar nos famosos cursinhos de ingles. Depois, por motivos pessoais ,decidi me mudar para a Italia.
    Realmente , talvez este seja um motivo, nao sou “branquela” para os padroes europeus. Mas” branca “o bastante para a sociedade brasileira.
    Na Italia continuei sofrendo alguns incidentes, do tipo: brasileira eh bonita , facil e gostosa e “vagabunda”…nao preciso explicar…
    Voltando a Gra-Bretanha, fui morar em Gales e resolvi fazer um curso na universidade. Todos os meus colegas eram britanicos. Ai sim..meu deus!!Te posso dizer que uma vez, tivemos uma excursao, e no onibus, ninguem sentou do meu lado. Me senti uma daquelas criancas de filme americano, nos school buses.A minha impressao pessoal dos britanicos eh essa. Sao realmente pessoas muito frias e individualistas. Existem excecoes, mas a cultura para mim eh essa mesmo. Foram incapazes de me ajudar, com nada.Me tratavam o minimo bem, por que sao polite..e pronto!
    Bom, agora moro nos EUA, e para te dizer a verdade, acho que eh o lugar do mundo onde eh mais facil ser estrangeiro. O americano e muito mais aberto e compreensivo. Mas , espero que meus filhos, sejam sempre tratados como cidadaos de primeira classe. Porque eh muito duro sofrer preconceito

  13. baxt Says:

    Ju e Silvia,

    Eu nao vi o video de desculpa porque ia ser a mesma coisa q o video original: eu ia ficar revoltadinha e com vergonha alheia ao mesmo tempo… Nao tenho paciencia para esse tipo de gente nao :)

    Ana,

    Exatamente, se os portugueses sao desse jeito e estao felizes, isso nao eh problema nosso, ne?

    Ligia,

    Demorei para aprovar seu comentario porque passei o fim de semana fora. mas agora ele esta lah :) Muito obrigada por trazer uma opiniao diferente para a conversa!

    Fiquei curiosa para saber onde vc esta morando nos EUA? Vc esta achando o pessoal dai mais receptivo que na Europa? Interessante isso :)

  14. Ligia Says:

    Agora moro na east coast, porem ja morei em outras regioes e desde o inicio notei a diferenca. Os americanos sao mais amaveis e abertos sim. Talvez seja pq sao mais expansivos na propria personalidade.
    Porem ja ouvi dizer que sao implacaveis quando o assunto eh competicao dentro do ambiente de trabalho..ai nao sei…
    Nao estou com isso afirmando ,que nao existe racismo ou xenofobia por aqui, existe e como….
    Porem acho que simplesmente, eh uma sociedade mais acostumada a lidar com as diferencas, ja que eh um pais de imigrantes.
    Na Gra-Bretanha , a imigracao de massa se concentra nos grandes centros, e ate poucas decadas se limitava as populacoes das exs colonias.Nos demais paises da Europa, a imigracao comecou a pouco tempo.

  15. baxt Says:

    Ligia,

    Pelo que eu ouco falar, a east coast eh a parte mais bacana dos EUA, principalmente a area da California. Mas nao conheco a regiao.

    Sobre imigracao, faz sentido que eles estejam mais acostumados, jah que eles tem uma historia mais parecida com a nossa, de um pais criado a partir de imigrantes. Mas fico imaginando se nos redutor red neck eles nao sao tao preconceituosos e cabeca fechada (ou mais!) quanto os europeus das cidades pequenas…

  16. João Paulo Says:

    BAxt,

    Na verdade a Califórnia é West Coast…

    O seguinte: vale para os EUA, para o Brasil e a Inglaterra: se tiver porto, se for cosmopolita, é tolerante. Se for mais pra dentro, é xenófobo. Não tem erro. Compare: Rio x InterioRzão (sem ofensa, gente: é óbvio que isso ñ se aplica a quem for do InterioRzão e estiver lendo isto). Compare: costa da Europa x Rep. Tcheca ou poraí. Califórnia e NY x Meio-Oeste dos comedores de milho.

    Onde tem porto, tem imigração e contato com outras culturas, marinheiros, comerciantes; tem línguas estranhas e miscigenação. Já entre a base eleitoral dos ultraconservadores americanos (Corn Belt e outros americanos grandalhões com camisas xadrez e pickups Ford dos anos 50 em anúncio de jeans), a tolerância é muito pequena a forasteiros. Digo isso não por ter vivido (não vivi), mas de ler aqui e ali. Vou além: “forasteiros” =/= “estrangeiros”. Basta não ser da cidade!

  17. João Paulo Says:

    Aliás, quem é fã de Asterix sabe: o Veteranix não tem nada contra estrangeiros, contanto que eles fiquem em seus países (q.v. Asterix nos Jogos Olímpicos). A aldeia deles é o estereótipo dos franceses provincianos de cabeça dura, com suas boinas, seus acordeões e as tochas prontas para queimar quem tem parte com o Demo.

  18. Baxt Says:

    Ai caramba!!! East coast = lado direito do mapa, perto da Europa. West coast = lado esquerdo do mapa, Pacifico. Lembrar: faroeste = far west.

    Obrigada, JP, mas desconfio que vou continuar confundindo e pagando mico. Ai ai :P

    Sobre a teoria do porto, eh verdade. Outros fatores: universidade e/ou polo cientifico tambem tornam as cidades muito mais cabeca aberta.

    Lugares como Cambridge, Oxford, ou ate mesmo Reading nao vao ser tao cabeca fechada quanto, sei la, aquelas cidades do interior que vivem de agricultura (num evento recente nos outskirts de Birmingham eu ouvi varias coisas surpreendentes - o povo de certos lugares simplesmente nao tem contato com gente que nao seja branca, que nao tenha sobrenomes ingleses, etc etc)

  19. ligia Says:

    Eu concordo , porem , na Italia eu sinto que os italianos de cidades como Roma , Napoles etc , tem a mesma visao do Brasil e principalmente das brasileiras que em qualquer outro lugar. Parece que eh uma verdade absoluta. Em relacao aos americano concordo inteiramente. Quanto aos britanicos meus colrgas eram upper class , saidos de escolas privadas!!!

  20. Eduardo Sant'Anna Says:

    Baxt,

    Legal o post (como sempre), e concordo com suas colocações.

    Mas esse episodio Maitê pra mim ilustra uma outra caracteristica geral dos Brasileiros: a de achar que pode sacanear todo o mundo pq todo o mundo é obrigado a “levar na esportiva” (i.e.: vai sacanear de volta).

    “vc me chama de negão/branquelo/alemão/china/japa que eu te chamo de bola/quatro-olhos/coroa/paraíba/cabeção/whatever e está tudo certo. Somos amigos.”

    A mente da maioria dos Brasileiros está programada assim. Isso gera aquela visão de “coleguismo” e quebra o gelo na maioria das situações… mas por outro lado gera conflitos quando a outra pessoa não tem a mesma mentalidade.

    Esse pra mim é inclusive um dos motivos no qual alguns Brasileiros não conseguem se adaptar ao estilo de alguns extrangeiros. Daí o extrangeiro fica taxado ainda mais como frio, individualista, etc… e ainda que isso tenha um fundo de verdade, às vezes é confundido com limites de liberdade e privacidade. Os “boundaries” são completamente diferentes entre diferentes culturas.

    Abraços.

  21. Eduardo Sant'Anna Says:

    PS: estrangeiro com “x” foi brabo hein?! Deve ser aquele que um dia foi “trangeiro”. rsrs Me dá um desconto ae galera, já que estou me desculpando! :-D

  22. Baxt Says:

    Eduardo, gostei do seu ponto de vista, isso ficou mais claro no suposto pedido de desculpas da Maite, que eu nao vi, mas que pelo visto era meio que “a gente sacaneia todo mundo, eh assim mesmo” (ignorando que algumas pessoas podem nao querer participar da brincadeira).

    Nao sei se eh uma caracteirstica do Brasil todo, mas definitivamente eh uma coisa carioca muito forte. Como se a unica forma de interagir com as pessoas fosse atraves da sacaneacao mutua e se vc nao quer brincar voce eh que estah errado.

  23. Eduardo Sant'Anna Says:

    Baxt,

    Poizé. E essa de “se vc não quer brincar vc é que está errado” vale para muitas coisas no Brasil (ok ok… no Rio pelo menos). Se vc não torce pra time de futebol/escola de samba, se vc não gosta de ficar assando na praia debaixo do sol, se vc não curte sambar/micareta, se não gosta de churrasco (se não come carne então! putz, q pecado!), se não acompanha a novela das 8, etc…

    Quantas pessoas não existem por aí que escolhem um time de futebol pra torcer só pra dizer que tem um? Afinal, não torcer pra ninguém é inaceitável.

    Se vc não faz o que a maioria faz, sempre estará errado. E será taxado por muitos como bizarro e anti-social. Pregamos muito que somos um povo diversificado por natureza, mas infelizmente não aceitamos tão bem assim que as pessoas podem ser diferentes.