Nomes e coisas assim
Olha, o post anterior descambou pruma discussão sobre nomes, sobrenomes, mudança de nomes pós casamento, e como essas coisas todas funcionam nos outros países (aliás, só tem mulher vindo nesse blog, é? Tirando o JP, homem nenhum fala nada? Ninguém para contestar? Daqui a pouco esse blog aqui vai ficar igual uns blogs que eu conheço por aí, em que só se aceita comentário para concordar e jogar confete. Socorro!).
Bom, acabei achando que o assunto merecia um post exclusivo. Aqui na Inglaterra, não sei se já comentei, o machismo não chega aos pés do Brasil. As coisas são mais igualitárias, você não é só um pedaço de carne andando na rua, ou sentada no escritório. Tem homem que vê as mulheres até como gente, veja só! (tirando um ou outro italiano nojento no metrô, é lógico).
Mas existe uma coisa inacreditável que são os rituais de casamento, e o esquema de nomes daqui:
1 – É o homem que tem que pedir a mulher em casamento. E ponto. À mulher cabe esperar pacientemente (ou menos pacientemente) que ele “pop the question”. E não eu não estou meio confusa depois de ler tanto livro da Jane Austen – estou falando de hoje, 2009. Sabe no Brasil, em que muitas vezes a mulher e o cara decidem juntos que tá na hora de casar e pronto? Esqueça. Aqui, todos os seus amigos ainda por cima vão perguntar como foi a maldita proposal, então se você não tiver uma você é um alien. (lógico, essas regras se aplicam se você é inglesa. No meu caso, por exemplo, todo mundo entende que eu casei em outro lugar).
2 – Com a proposal vem o anel, com um brilhante gigante, igualzinho ao de todas as outras mulheres na rua. E aí vai a moçoila desfilar um anel que mostra que ela agora é parte do rebanho, e que seu noivo (fiancé, em francês mesmo) gastou uma baba para comprar um anel caríssimo só porque é assim que todo mundo faz.
3 – Vem o grande dia, e a mulher tira o seu próprio nome, para ficar com o do marido. Quem se importa se ela tem 30 anos, uma bela carreira acadêmica, 20 papers publicados na Nature com o nome de solteira, ou é uma jornalista com milhares de ocorrências no Google. Não importa que seus pais, os donos daquele nome, criaram ela por trinta anos e fizeram um monte de sacrifícios. Ela conhece um mancebo casadoiro, e em uns dois ou três anos manda o nome dos pais (que é o seu próprio nome) pro lixo. Os amigos nunca mais vão encontra-la no Facebook ou em lugar nenhum, porque o sobrenome antigo sumiu sem deixar rastro.
4 – A mulher manda emails para todo mundo, e comunicados para o círculo social para avisar que casou. Em alguns casos, ela vai assinar Mariazinha Silva (née Oliveira). Assim, em francês mesmo, e com parêntese mesmo. Assim todo mundo sabe que de quem se trata (já que Mariazinha Oliveira nunca publicou nada no mundo). De quebra, o planeta fica sabendo que ela desencalhou.
5 – O filho, adivinha, vai ser chamado Severino Benedito Silva. Sem nenhum sinal do nome da família da mãe. (filho de pai solteiro, como disse a Camila). Esse segundo nome não serve para nada mesmo, mas todo mundo tem um middle name por aqui. Nesse caso é uma questão de hábito (eu já soube que antigamente a pessoa botava mais um terceiro nome quando crismava, ou algo assim). Pesoalmente, acho meio inútil, mas tudo bem, cada cultura com seus hábitos. Por que eles não usam o espaço do middle name para colocar o nome da mãe, como normalmente se faz no Brasil, Espanha, etc? Não faço idéia.
6 – O homem, obviamente, continua com tudo igual, e não tem aporrinhação nenhuma. Não sei se a lei permite aqui que ele mude de nome, como no Brasil (o Brasil tem leis muito melhores que as daqui, nesse sentido).
7 – Se você não mudou de nome, as pessoas acham que você é muito esquisita, ou que você é uma reles namorada. Ou que você não leva o casamento a sério (como se eu não conhecesse toneladas de garotas no Brasil que casaram só para desencalhar, com o primeiro que aceitou, só para fazer o circo todo, fazer uma festa caríssima, e se separar dois anos depois. Eu já ouvi uma me explicar que é bem mais digno pruma mulher de trinta e tantos anos ser divorciada do que solteira). Não importa também que você use uma aliança desse tamanho no dedo (aqui, a mulher usa a aliança E o anel de brilhante. O homem usa aliança tambem, mas não nunca reparei se em todos os casos, como no Brasil).
8 – Na hora de registrar os filhos, eu não faço idéia de como são as regras. Tenho medo só de pensar, mas tenho fé que nessa mixórida de indianos e de montes de imigrantes, as leis deles sejam um pouco menos radicais que as alemãs, por exemplo (que, pelo que eu fiquei sabendo, permite um sobrenome só).
OBS: Já ouvi alguns (poucos) brasileiros criticando a minha opção de manter o nome de solteira. Na boa, eu não preciso mudar de nome para mostrar para todo mundo que desencalhei, né?
Já tenho dois sobrenomes, não havia nenhuma possibilidade de tirar um, nem de empilhar um monte de sobrenomes. Além disso, não faria sentido só eu trocar de nome – e mudar os documentos dos dois, na véspera da viagem e da mudança para Londres seria uma mão de obra inacreditável. Já imaginou ter metade dos documentos com um nome, metade com outro, passagem sei lá como, etc etc? Na verdade, acho que nenhum dos dois sequer pensou na possibilidade a sério. E eu não gosto nem respeito ele menos por isso.
Meus filhos vão ter o nome dele, e é isso que importa.
PS: Tudo isso que eu falei se aplica a mim. Se você achou que tinha que fazer tudo diferente e tá feliz com isso, eu fico feliz por você de verdade.
outubro 9th, 2009 at 3:35 pm
DEPOIS de você iniciar esta postagem, ainda deixei dois comentários na outra. Não quero ser redundante, então não os repito; v. os leria? Valeu. :)
outubro 9th, 2009 at 3:39 pm
“o sobrenome antigo sumiu sem deixar rastro”
Você escreve isso e eu tenho calafrios, lembrando-me de 1984, de como *realmente* não fica rastro, de como *todos* os documentos são retroativamente reescritos e de como o personagem era preocupado com isso, com o apagamento absoluto do passado. Você chega a ficar em dúvida se realmente sabe o que pensa que sabe — foi o que aconteceu com ele e é aí que o Partido tem uma cunha para moldar sua mente.
Brrr.
outubro 9th, 2009 at 3:40 pm
Respondi lah. Vc fazendo bagunca nos meus comentarios, hehehe.
outubro 9th, 2009 at 6:58 pm
Lá vai meu pitaco sobre os nomes, sabe que nunca pensei nisso de nome de marido por ter casado ou coisa e tal?
Eu mudei meu nome quando casei, acrescentei o Håland do meu marido, diziam por aqui que facilita porque a galera não gosta de nomes latinos ou nao sabem pronunciar, nem sei se procede, mas ia acrescentar de todo jeito, e o Luciana na frente é latino demais, então não por isso, kkkk
Depois mudei de novo (aqui pode), de volta pro nome de solteira porque os nomes não batiam no passaporte e eu não fui registrar o casamento na Embaixada. Então não tenho o nome do meu marido oficialmente, continuo com o nome de solteira, mas uso o Håland em todo canto, no virtual e até no real, menos nos documentos.
Vou pela praticidade, se for mais prático adotar o nome do marido e tirar os outros, eu tiro, senão fico com o pacote completo, ou nem adiciono o do marido nos documentos, mas ainda não sei o que vai ser mais fácil, so ano que vem vou ver isso.
Quanto ao meu sobrenome de solteira… Bom, minha mãe não colocou o dela nos filhos e retirou um e adotou o do meu pai. Meu pai não usa o sobrenome dele, usa, não só ele como a família toda o sobrenome anterior, e esse minha mãe achou sem sentido e não colocou nos filhos. Então não tenho ligacão/identificacão com meu sobrenome, e pra completar ninguém relacionava meu nome com meu sobrenome, digo colegas de escola e faculdade, e muitas vezes já me chamavam pelo sobrenome da minha mãe, e outros achavam que meu sobrenome era outro, um popular da região de onde eu vim, e outros achavam que eu deveria ter o pre-sobrenome do meu pai. Então nem pensei nisso de nome de marido ou não, queria um sobrenome com o qual me identificasse. Se aqui deixar eu vou acrescentar o do meu pai (o pre-sobrenome), aí que vai ser confuso com meus documentos. Fiquei curiosa pra saber se mais alguém tem essa não identificacão com o sobrenome que carrega.
Menina, e já essa do anel eu acho uÓ. Tem umas que introduzem esses lances por aqui também. E meio assim, eu praticamente que pedi meu marido em casamento, e o povo me censura por isso, coisa antiga essa da mulher ter que esperar um homem (ou outra mulher) tomar a iniciativa de decidir o futuro do casal, se queria propus. E ainda disse a ele que diamantes não era coisa comum no Brasil, digo os tais anéis, e fui com ele escolher as aliancas.
Ah, e a propósito, ninguém consegue entender meu sobrenome aqui, já na Itália, onde minha irmã mora, acham belíssimo, lá as mulheres nao adotam o sobrenome do marido, continuam com o nome de solteira, talvez ajam excecões, mas não é regra.
Beijo
outubro 9th, 2009 at 7:28 pm
Interesante a questão do pop the question… Se não me engano, é assim também nos EUA, Canadá, e se bobear na Austrália (não estou 100% segura da informação). É que como eu convivi com seres humanos de uns 50 países por quase 10 anos (como tripulante), me lembro que em muitos lugares era assim - inclusive várias ilhas do Caribe. Seriam as colônias inglesas?
Eu particularmente acho essa coisa complicada. Eu e meu marido (norueguês) decidimos casar, não teve essa de joelhos no chão e nem anelão. Aliás, dinheiro do anel as pessoas poderiam gastar com outras coisas, como uma viagem… Seria a síndrome Briget Jones ter que privar pro planeta que desencalhou - só porque tem um anelão no dedo? Até Beyoncé prega o maldito anel.
E quanto ao nome, eu já tinha 3… O da mãe primeiro, e dois do pai. Nós 3 em casa temos esse sobrenome (eu, mama e irmã), e meu pai tem o primeiro sobrenome da mãe dele. Quando casei, achei legal sim adotar o nome da família do Lars. Mantive os sobrenomes do meu pai. Continuo com 3, é dureza de o povo aqui entender! Mas não estou no Google em milhões de artigos, então se as pessoas procuram pela Camila Castro, acharão umas 450, como sempre, eu incluída. E se vier a ter filhos, vão ter o sobrenome igual ao meu… Mas aqui na Noruega, a pessoa pode mudar o sobrenome a qq tempo.
Acho legal as situações raríssimas em que o marido também adota o sobrenome da esposa. Aqui na Noruega tem um artista que fez isso, e se não me engano, John Ono Lenon fez o mesmo (li isso outro dia em algum lugar, não sei se procede)… Muito mais bonito!
Acho que essa questão do nome nunca deveria ser imposição, e sim por opção. Nada de mais manter o nome de solteira.
abraço
outubro 9th, 2009 at 7:31 pm
Pois é, foi vc mesma que falou do John Lennon! Eu sabia que tinha lido em algum lugar, acabei de ler noscomentários do post anterior, que eu havia lido correndo. Aqui na Noruega temos o Paul Waaktaar-Savoy, sendo que Savoy é a esposa dele. Ela continua Lauren Savoy. Acho muito legal…
outubro 9th, 2009 at 8:42 pm
Uau!!! Adorei ver que a discussao rendeu mais e mais, jamais poderia imaginar que um simples comentário despertaria tanto assunto…
Pesquisando um pouquinho mais sobre o assunto, aprendi que aqui o sobrenome serve para a identificacao de uma família inteira, pai, mae e filhos. O que eu achei interessante foi a possibilidade de um enteado adotar o nome do padrasto/madrasta, além de também ser possível a adocao de um nome de família (que é como o sobrenome é chamado cá por estas bandas) nas unioes homoafetivas (achei esses dois últimos casos o máximo).
Somando isso aos motivos que eu já tinha mencionado no post anterior, vou mudar mesmo. Como eu pretendo me naturalizar no ano que vem, facilito minha vida e por tabela a de quem for lidar comigo. No Brasil nao vai ter valor, entao lá eu continuarei com meu nome de princesa… Lá, mudou de nome, nao tem volta. Aqui é diferente, se eu me arrepender, dá pra voltar ao meu nome de hoje em dia, a lei é clara nesse sentido.
outubro 9th, 2009 at 8:44 pm
E.T.:
Conversei com os meus pais e eles acham que eu devo facilitar a minha vida. Se eu tivesse que optar por um dos meus sobrenomes, me sentiria como aquelas criancas pra quem a madrinha pergunta: “De quem vc gosta mais, do seu pai ou da sua mae?”
outubro 10th, 2009 at 2:40 am
Me incomoda essa questao do nome da mulher virar um circo, aqui no Canada’ e’ essa mesma tradicao britanica que vigora… de vez em quando voce ve^ pessoas que combinam os dois nomes de familia por hifenizacao, mas muita gente torce o nariz pra isso. O pior e’ que nessa historia de so’ ter um nome de familia quase todo mundo e’ forcado a dar 2 nomes pros filhos (o bendito do middle name) pra evitar ficar com um nome muito comum. Sendo assim, entao qual seria a diferenca de botar o sobrenome da mae ao inves de ter que inventar nomes compostos bizarros pro seu querido infante?
Meu namorado, por exemplo, se chama Marc John… eu so’ fui ficar sabendo o que o J das iniciais dele significava mais de ano depois de conhece-lo. Os irmaos dele tambem tem 2 nomes, so’ que na pratica ninguem usa… nem lembro o nome composto inteiro deles pra falar a verdade, mesmo convivendo com os cidadaos. Sei la’, acho que e’ um sistema confuso sem necessidade, seria bem melhor preservar a memoria tanto da familia paterna quanto da materna igualmente (e sem ter ordem, tambem nao acho que o nome da familia do pai tem que ser o principal). Que cada um escolha o que bem entender!
outubro 10th, 2009 at 4:11 am
Vou dar meu pitaco, já que a minha situação é particularmente complicada.
Eu tenho cinco sobrenomes. Um da minha mãe e todos os outros do meu pai. O último do meu pai (Dáquer) é altamente significativo, por dois motivos: 1) Todos os Dáquer que se encontram no Brasil são parentes, todos descendentes do meu bisavô sírio; 2) Tenho tios e primos Dáquer juízes, pesquisadores, professores universitários, de modo que o sobrenome é bastante conhecido nesses meios profissionais. Então eu gosto muito do meu sobrenome, aliás de todos eles.
Na Itália, como a Barbara disse, a mulher quando casa não ganha o nome do marido (mas nos obituários aparece assim: Giuseppina Rossi [in Baldini] pra indicar que ela era casada com um Baldini). Mas conhecendo bem o país e a cultura (moro aqui desde 2002), tenho certeza de que não é por respeitar a mulher mas provavelmente exatamente o contrário: uma coisa meio do tipo “não é digna de carregar o sobrenome do marido”. Até aí tudo bem, não teria espaço em documento nenhum pra adicionar mais um sobrenome mesmo que quisesse, coisa que obviamente não me interessa. O problema é que os filhos só pegam o sobrenome do pai. Por lei. Não tem saída. Os pouquíssimos casos de sobrenome duplo (o Cavalli Sforza é o mais conhecido) tem uma lógica que eu até hoje não entendi direito mas basicamente não é um sobrenome do pai e um da mãe; os dois são do pai e digamos que são tratados como um só porque são “tradicionais” ou históricos ou whatever.
Isso significa que a minha filha também é filha de pai solteiro. Além de achar preconceituoso no úrtimo, é uma medida idiota, já que o número de homônimos no país é altíssimo. Tenho certeza de que a minha filha não é a única Carolina Balducci do mundo, enquanto que se fosse Carolina Dáquer Balducci ou Balducci Dáquer, seria só ela no sistema solar inteiro. Muito mais legal, e prático também. Tem uma lei tramitando há VINTE ANOS no país pra mudar essa palhaçada, porque é uma lei discriminatória que vai contra os tratados de Lisboa ou sei lá o quê; se a lei tivesse sido aprovada quando a Carol nasceu ela teria pego o meu sobrenome só, já que teríamos que escolher um. Muito mais interessante um Dáquer de juízes e único na Itália do que um Balducci de camponeses comum no país inteiro, não é mesmo. Enfim, a lei não passa nem a porrada. Ô país de merda, vou te contar.
Parece uma besteira, mas eu me sinto muito, muito triste mesmo toda vez que tenho que dizer o nome dela pra fins burocráticos etc. Facada no peito mesmo. E faz com que eu me arrependa mais ainda de ter tido ela aqui e não no Rio. As pessoas aqui não entendem a minha tristeza, e eu não entendo como é possível eles não entenderem: porra, é filha de duas pessoas, é tão lógico que deveria ter dois sobrenomes que até uma ameba entenderia. Cacetes estrelados, que ódio!
Sobre middle names: nomes duplos são pouco comuns por aqui, mas descobri, quando a Carolina nasceu, que existem uns middle names simbólicos bizarros. De regra são dois, e, pasmem, não constam dos documentos, pois são dados na ocasião do batismo. Como todo mundo já sabia desde que eu engravidei que a Carol não seria batizada nem sob ameaça de morte, não entendia por que todo mundo vivia me perguntando sobre “os outros dois nomes” dela. Depois me explicaram que tem gente que registra os tais dois nomes quando a criança nasce pro caso dela não gostar do primeiro nome quando crescer e poder escolher um dos outros. É até lógico, só que isso NUNCA acontece e por isso os tais nomes, que não aparecem em nenhum documento além do registro de nascimento da prefeitura (nem na certidão de nascimento, que aliás merece um capítulo à parte), as pessoas até esquecem quais são. O Mirco não lembra os dele, por exemplo; sabe que um é Francesco mas o outro ele esqueceu qual é.
Caraca, escrevi pra burro, foi mal aê.
outubro 10th, 2009 at 8:04 am
Leticia, essa lógica de dois sobrenomes ainda incomoda por aqui… Essa de ter vários prenomes era bastante comum umas décadas atrás, minha sogra tem 3 nomes, mas usa apenas um, tem mais gente na família do meu marido nessa mesma situacao. Eu acho estranho demais. Nome é nome, e se acontece de vc nao gostar de nenhum dos 3 que os seus pais te deram? Reclama pro Papa e pede pra ele te batizar de novo?
Meu marido e a irma têm middle names, o dele é unido ao primeiro nome por um hífen (o que eu tb nao gosto).
O único jeito que eu teria de transmitir um sobrenome por aqui seria com hífen, mas aí vira um nome duplo e nao dois nomes. Há alguns meses vi uma notícia sobre uma mulher que queria acrescentar o nome do marido ao dela, mas o nome dele era desses hifenizados. Foi a maior discussao, ela entrou com uma acao, que correu até a instância mais alta e perdeu. É ilegal ter mais do que dois sobrenomes por aqui (se a lei alema se aplicar a vc). Se um dia eu tiver um filho, o mais provável é que nasca por aqui. E por ser cidadao alemao (única e exclusivamente por ter pai alemao, odeio o jus sanguini), vai ter que ser nomeado de acordo com a lei alema, ou seja, igualzinho a sua filha. E eu sei que isso vai me machucar pra caramba tb. Tem uma amiga minha com um caso semelhante, ela morava no Canadá quando o filho nasceu. Ela nunca foi casada com o pai do menino, mas ele recebeu apenas o nome do pai. Ela se separou do cara e mudou pro Brasil. Ela tem um sobrenome, o menino outro, que nao tem nada a ver com o dela.
outubro 10th, 2009 at 8:32 am
Nossa, fui ler os comentários, nunca me dei conta disso de nome ser tão importante pra algumas pessoas. Lá pras minhas bandas tem um povo que quer porque quer que o nome é de família tradicional, aí o tal não-sei-das-quantas é família tradicional e importante, daí perder o tal sobrenome é um deus nos acuda, mas ao mesmo tempo os sobrenomes são muito vagos, pois tem gente lá nos cafundós do Brasil com o mesmo sobrenome, pobrão de pé no chão, e não tem conexão com a tal família ‘tradicional’ e o tal pobrão que não ouse usar o tal sobrenome como se pertencesse a tal família, e aí, como provar a purificacão do sobrenome?!!!! Sei não, o meu tem no Brasil inteiro, se brincar pelo mundo à fora e nem somos da mesma família, nem reconheco, nem que seja rico e famoso, pra que?!!!
Talvez no Brasil o tal sobrenome chique possa abrir portas, será?!!!
Nem sei, muito interessante essa coisa toda, do ponto de vista de ler como curiosa dos valores humanos.
Preservar o nome não por uma questão familiar de sentimentos, preservacão, ou feminismo, mas porque tem gente “importante” com o mesmo sobrenome, é sobrenome conhecido, etc.
Fiquei intrigada com essa história.
Volto depois pra ler mais.
Beijo
outubro 10th, 2009 at 5:50 pm
Luciana, um sobrenome importante pode abrir muitas, muitas portas, dependendo da situaçao. A minha familia é quase toda de advogados - a minha avo’ paterna foi a primeira mulher a se formar na UFRJ, meu avo é advogado, minha tia solteirona, todos os meus 4 tios (so’ meu pai fez engenharia), TODOS os meus primos (que sao muitos), TODOS os conjuges dos meus tios e dos meus primos. E’ claro que ter o nosso sobrenome nesse meio faz diferença. Nao me interessa diretamente porque nao sou advogada, mas num pais onde tudo funciona na base do pistolao uma coisa assim pode vir muito a calhar, tenho certeza que voce consegue ver isso.
No meu caso em particular, os 5 sobrenomes no Brasil facilitam a minha vida - o meu nome é SEMPRE o mais comprido e portanto o mais facil de achar, em qualquer situaçao. “Leticia de que?”, perguntam. “Leticia e mais 5 sobrenomes”. Levam dois segundos pra encontrar. Dois. Mas eu nao gosto do meu sobrenome so’ porque tem as caracteristicas que citei; gosto porque gosto, pombas, é meu, é da minha familia, da’ um senso de “belonging”, tem um historico legal por tras com todo esse lance da imigraçao do meu bisavo - Daquer é a versao aportuguesada de Dakr, que parece que é bem comum na Siria, por sinal. Minha filha nao ter o meu sobrenome significa que quem olhar qualquer documento das duas nunca vai sacar que ela é minha filha.
Pra voce ter uma ideia da ridicularidade da coisa, aqui certidao de nascimento nao é um documento fixo; quando precisa, voce vai la’ e requere e eles fazem na hora. Dependendo da cidade, vem inclusive preenchida à mao, como a do meu marido (dei gargalhadas quando vi). E na certidao standard NAO TEM O NOME DOS PAIS. Gostou da inteligencia? Além de so’ ter um sobrenome e portanto provavelmente ter zilhoes de homonimas andando por ai’, a criatura nao tem como ser identificada com certeza nem pela certidao de nascimento, que nao diz de quem é filha. Otimo, nao é? Pra ter o nome dos pais no documento voce tem que especificar quando for requerer, “Certidao de nascimento com mençao dos nomes dos genitores”. Isso quer dizer que quem ouve o nome da minha filha sabe imediatamente que ela é filha de um Balducci, mas nao sabe quem é a mae. Pra saber tem que ir na prefeitura solicitar a certidao com a mençao dos nomes dos genitores. Voce nao acha isso muito estranho nao?
outubro 10th, 2009 at 6:52 pm
Gente, o papo por aqui tá tão interessante que eu acho que vou fazer um chá e vou só acompanhando… :)
Sobre o pop the question e o maldito anel, eu pessoalmente não aguento esses símbolos de desencalhamento. E se eu fosse inglesa ia ser muito complicado ficar esperando o tal pedido, quietinha, impotente. Ainda bem que não sou, heheheheh.
Eu acho legal quando o homem muda de nome tambem, mas acho que o bacana sao os dois terem o mesmo nome (e os filhos tambem). Tipo John Ono lennon, Yoko Ono Lennon, Julian Ono Lennon. Mas admito que ainda assim eu acho meio estranho sair tirando nome dos pais. A gente devia fazer isso depois de 10 anos de casado, né? Porque aí o seu laço com aquela pessoa é forte mesmo. Quando a gente casa a intenção é criar um laço forte, uma família, bla bla bla, mas essa conexão só vem mesmo com o tempo (xi, filosofices…).
Já os nomes com hifen aqui são um samba do crioulo doido. Ficam umas coisas enormes e mais difíceis de falar do que aqueles nomes indianos de 5 sílabas. E concordo com quem falou sobre a inutilidade do middle name. As pessoas aqui têm zilhões de homônimos porque os pais, tendo um sobrenome do quilate de Thomas, ou Woods, vao lá e tascam no filho o nome de James. Ai é lógico que não tem goolge que resolva na hora que vc quiser saber da pessoa, né? Como disse a Letícia, com dois sobrenomes tudo ficaria muito mais simples.
Letícia, sua explicação de que a mulher não pega o nome do homem porque ela nao é digna me parece muito coerente! E faz sentido junto com essa regra idiota de só dar um sobrenome para a criança (sendo que não é o sobrenome que a mulher usa). É como se a mãe fosse tão desimportante que não merecesse nem fazer parte do nome da família (o nome vai pro pai e pros filhos - a mulher fica como chocadeira de luxo, uma fabriquinha de bebês meio sem importância)
E eu me sentiria arrasada se meu filho não tivesse o meu nome. Não sei como as inglesas não ligam (ah sim, lembrei, é porque elas TAMBÉM jogam fora o nome dos pais para usar o do amo e senhor, digo, marido). E me acabei de rir com a história dos dois nomes extras do Mirco que não estão em lugar nenhum.
Deve ser um esquema similar ao dos nomes japoneses no Brasil. Acho que hoje em dia as pessoas dão dois nomes aos filhos, um brasileiro e outro japonês (tipo Mariana Keiko). Mas no tempo da minha sogra, a tradição era registrar com o nome japonês e deixar o nome brasileiro informal. No caso da familia do Marido, a sogra é conhecida pelo nome japonês, mas algumas irmãs, que têm nomes japoneses mais estranhos, são conhecidas pelos nomes brasileiros (que não estão registrados em lugar nenhum). Vai entender.
Quando eu fui renovar meu passaporte alemão, a mocinha colocou meus dois sobrenomes no campo de family name e pronto. (eu fico imaginando que eles devem a-do-rar esses estrangeiros desses países selvagens fazendo bagunça nas regras deles, né?).
outubro 10th, 2009 at 11:47 pm
Barbara, aqui nos EUA o padrao e exatamente o que voce descreveu na Inglaterra. Mas diferente da Italia, aqui nada disso e lei (nao sei se na Inglaterra e costume ou lei).
Hoje em dia tem muitas mulheres que estao optando por adicionar o sobrenome do marido e manter o seu nome de solteira como middle name (principalmente as mulheres que ja tem carreira profissional quando casam), e fazer o mesmo com o nome dos filhos. Mas ainda sao poucas e a maioria das criancas so tem o sobrenome do pai e nao da mae.
Felizmente a gente pode fazer o que bem entender e a Julia foi registrada com o meu sobrenome e o pai. Acharia mesmo o fim da picada se fosse lei que ela nao pudesse ter o meu nome como no caso da Leticia! Que coisa mais revoltante! Eu acho engracado e que tem gente que nao liga pra isso, conheco muitas brasileiras que casaram com americanos e que registraram os filhos na tradicao daqui, ou seja, so com o sobrenome do pai. Isso eu acho estranhissimo, mas enfim, cada um sabe de si.
O engracado aqui e a paranoia em ter 3 nomes. Facam o que quiserem, mas nao coloquem mais ou menos de 3 nomes no total. Todos os formularios nos EUA, sejam online ou de papel, tem First Name, Middle Initial (ou Middle Name) e Last Name. Entao se voce tem mais de 3, nao tem onde colocar e e a maior confusao. E tem gente que coloca somente uma middle initial e nao um middle name so pra ter o que preencher! Ja vi muita gente que tem somente um J, M, A, ou o que for como middle initial, nao e abreviacao de nome nenhum, coisa mais bizarra. Por causa dessa coisa de 3 nomes um monte de gente que quer colocar o sobrenome da mae e do pai coloca com hifen, por exemplo Bordallo-Misura, porque ai e um last name so e ai eles podem usar um middle name, ja que varias pessoas acham estranho ter dois sobrenomes e nao ter um segundo nome (todo mundo pergunta qual e o middle name da Julia e quando eu digo que e o meu maiden name tem gente que ainda acha estranho - normalmente os mais velhos).
Essa coisa da proposal e engracada, porque o meu marido como bom americano que nao conhecia outro jeito me pediu em casamento dessa forma tradicional, eu nao tinha nem ideia que todo homem seguia essa cartilha porque no Brasil nao e assim ne, entao foi a maior surpresa quando ele fez o pedido oficial (nos moravamos no Brasil na epoca). Quando a gente veio morar aqui a familia inteira me perguntava como tinha sido a “proposal” e so depois que eu fui entender como a mulherada toda tem que ter uma historia de proposal pra contar…e ainda tem mulher que reclama se o marido fez o pedido e nao ajoelhou, hahaha! Ate isso me perguntaram (e sim, maridex ajoelhou, ele seguiu a cartilha sem precisar, hehe). Nessas horas eu fico achando que estou em 1950…
outubro 11th, 2009 at 3:46 am
Pelo menos dessa novela de proposal eu me livrei. A decisao de casar foi assim, o’:
[Mirco] Nao vejo a hora de mandar nossos filhos pra estudar fora.
[eu] Quais filhos, cara-palida?
[Mirco] Voce nao quer ter filhos?
[eu] Quero, mas nao sou Marta (mulher de um amigo nosso que engravidou “acidentalmente” depois de 4 meses de namoro). Ainda por cima sou brasileira e nao quero passar a vida tendo que provar que nao engravidei de proposito pra casar com europeu pra me tirar da favela.
[Mirco] Entao vou la’ na prefeitura amanha perguntar o que precisa fazer pra casar.
[eu] Entao ta’.
outubro 11th, 2009 at 9:38 am
Leticia, comigo foi mais ou menos assim tb…
Como Marido e eu nos conhecemos pela internet, depois de uns 4 meses de papo ele foi ao Brasil pra gente se ver. Ele ficou uma semana, depois de dois meses eu vim pra Alemanha, fiquei 2 meses pra conhecer o país e fazer um “test drive” da vida por aqui e antes de ir embora, falei que só voltava casada (acho o fim esses relacionamentos longos à distância). Ele escreveu um cartao e pôs na minha mala, pediu que eu olhasse quando estivesse no Brasil. Nesse cartao ele pedia que eu me informasse sobre os trâmites burocráticos pra casar no Brasil e 5, 6 meses mais tarde nos casamos. Nao teve joelho no chao, nao teve aquelas surpresas idiotas (já vi uns vídeos em que o cara surpreende a mulher com o pedido em público e ela recusa - hilários!), nao teve aquela bobagem de pedir mao pra pai (ainda que ele quisesse, nao daria, já que meu pai nao fala alemao e ele engatinha no português).
O hábito por aqui é morar junto por vários anos antes de casar, mas eu nao receberia visto pra viver aqui. Unimos o útil ao agradável (a festa foi ótima) e cá estou, há quase 3 anos…
outubro 11th, 2009 at 3:39 pm
Letícia, o seu caso eu entendi, até porque o seu sobrenome vem de um imigrante que formou uma família, então todos que tem o seu sobrenome são parentes ainda não tão distantes, é como o pré-sobrenome do meu pai, todos que tem ele são da mesma família, então com esse sobrenome ainda consigo ter identificacão, mas minha mãe, que foi quem decidiu o nome dos filhos, não quis colocar esse nome porque era nome, segundo ela, inventado.
Por ‘falar’ em nome, lá fui eu ontem comprar um relógio, daí a moca pergunta meu nome pra colocar na garantia, e mesmo eu soletrando, escrevendo, ela ainda me escreve um Louciana Medeirsos, esse Medeiros ninguém aqui consegue entender, pronunciar, … eu só não chamo os outros de retardados porque afinal tem uns nomes aqui que eu não consigo repetir de primeira, e ainda vejo brasileira chamando o marido pelo nome abrasileirado, então não é fácil.
Ah, aqui as certidões de nascimentos são assim como Letícia disse, nem tem nome dos pais, e também a gente pede por telefone e chega em casa pelo post, mas acredito que isso se deva ao número ainda pequeno de habitantes, no Brasil com quase 200 milhões seria impraticável.
Ontem eu vi o filme The Proposal, lembrei desse tópico, mas não vou contar o filme.
Beijo
outubro 11th, 2009 at 8:13 pm
Pra ser sincera, eu não curto nem a idéia de casamento (civil, religioso, em sonho). Viveria mega feliz como eterna namorada. Mas pra agradar aos sogros, capaz de entrar num cartório pra assinar papéis. Lei do mínimo esforço. E pra felicidade do namorado, não ligo a minima pra proposta/anel de diamante. Mas é engraçado como as pessoas do trabalho (oi?) colocam a maior pressão - em mim - pra fazer tudo certo (oi de novo?).
Me disseram, ainda não sei se é verdade, que os pais não tem muitos direitos sobre os filhos aqui na Inglaterra, e que se o casal não for casado no papel, o homem tem menos direitos ainda.
Meu namorado é romeno, então eu ainda enfrento o fator machista-religioso da família dele…
outubro 12th, 2009 at 8:26 am
Luciana,
Bom saber que nos EUA voce pode nomear o filho como quiser. Espero que aqui seja assim tambem, porque eu pretendo fazer exatamente a mesma coisa q vc :)
E essa historia da middle letter eh bizarra mesmo! Lembrei imediatamente de um episodio de Simpsons que o Homer fica maluco para descobrir o seu middle name, porque ele soh sabe que se chama Homer J. Simpson. E ai ele descobre que o tal nome eh Jay!!! (se ja foi uma frustracao, imagina descobrir que era soh J mesmo, hahahah?)
Leticia,
Eu ja tinha ouvido a historia da sua proposal e achado hilaria! Para que complicar? :)
Camila,
Acho essas proposals publicas meio agressivas, eh meio como se o cara considerasse o desencalhamento o objetivo final da vida da mulher, e por isso nao houvesse a possibilidade de ela negar. (me lembra os livros da Jane Austen, em que os caras fazem a proposal sem sequer considerar que a mulher possa nao aceitar. Acho que as vezes vivemos num mundo que parou ha 200 anos…)
Christina,
Eh verdade, a lei inglesa eh pre historica para casais nao casados (a lei do Brasil eh avancadissima em comparacao). Eu sei que se o cara nao for casado com a mulher, ela pode registrar o filho sem o sobrenome do pai e sem nenhuma referencia a ele no registro. Imagino que ele tambem nao tenha muitos direitos sobre a crianca.
Tambem sei que um casal que viva junto ha 20 anos, ao se separar, nao tem os mesmos direitos de casal casado (o que sempre vai dar margem para alguma sacanagem). Portanto, se voce pedisse minha opiniao eu diria para casar, pelo menos no papel, porque deve facilitar bastante a vida.
(e eu, pessoalmente, adorei minha festa de casamento, que foi pequena, nao deixou ninguem endividado, e foi o-te-ma. Eu recomendaria tambem, hehehe)
outubro 12th, 2009 at 12:10 pm
Oi,
Cheguei aqui através de um link da Cynthia Semíramis.
Eu me casei aos 24 anos com um canadense cujo nome+sobrenome tem menos letras do que meu primeiro nome. Eu sempre sofri com um nome enoooorme. Dois nomes + tres sobrenomes. Nunca cabia em nenhum formulario, não podia abreviar, etc. Então eu até considerei usar a oportunidade pra tirar os nomes que eu usava menos mas me informaram no Brasil que a lei havia mudado, não dava pra tirar mais nada, e que eu só podia acrescentar. Nem pensar! No final, decidimos nos casar no Canadá pq a burocracia era menor. E lá eu não tive escolha, o que por fim foi melhor.
Mas antes que vc ache que a falta de escolha foi a obrigação de adotar o nome do marido, na verdade foi o oposto. Eu me casei na província do Quebec, onde desde a década de 80 mais ou menos a mulher não pode adicionar o sobrenome do marido. Ninguém muda mais de nome. E se vc mudou pq casou em algum outro país ou província, asar o seu pois não vai valer nada já que TODOS os documentos emitidos pela província do Quebec (cartão de seguro de saúde, carteira de motorista, etc), eles pedem pelo “maiden name”.
Então eu continuei com meu nome enorme. Mas mais curto pq por aqui vc não precisa usar seu nome inteiro o tempo todo. Eu pude escolher os sobrenomes que eu gostava mais e que representava mais minha família e usar somente esses. E me orgulho do fato de que sou a única pessoa no Google com meu nome.
Minha cunhada também escolheu não mudar o sobrenome no Brasil. As pessoas falam disso até hoje. Triste, viu?
outubro 12th, 2009 at 12:26 pm
Alexandra,
Essas leis de nomes sao mais malucas que eu imaginava: NAO PODER mudar de nome tambem eh agressivo, ne? E se o casal quiser mudar para todo mundo ficar com o mesmo?
Pessoalmente acho que a unica solucao razoavel eh a lei deixar cada um fazer o que quiser (e ai a gente pode ate criticar os habitos, como a historia da proposal - mas nao ter leis restritivas jah eh uma grande coisa, ne?)
Eu acho que no Brasil vc pode montar o nome que quiser (e pode tirar sim, caso contrario soh ia ter gente com nome de princesa).
Que bom que no seu caso a solucao funcionou e voce ficou feliz :) Para mim aqui continua sendo um problema, porque eles nao entendem que eu quero ser chamada por um family name soh, que eh o que esta no meio. Para ir ao medico e coisas assim eh sempre uma luta, hehehehe.
outubro 12th, 2009 at 2:56 pm
Barbara, tem muito tempo que não escrevo uma besteira por aqui. :) Achei que valia uma notinha, não sobre esta confusão toda de trocar nomes (acho que seria massacrado pela mulherada) mas só mesmo sobre minha experiência com nome longo no UK.
Tenho 4 nomes: dois nomes e dois sobrenomes. Mas, pra ‘facilitar’, tem a quinta palavrinha: uma preposição! Vai explicar pro gringo que meu sobrenome completo é “Pinho of Lima”. Na boa!! Mas descobri que usar meu first and last (que eu sempre usei online anyway) em 99% dos casos não me cria problema algum, até para coisas sérias como emprego (sim, no meu emprego eu só apareço como first last!) e passagem de avião. Aprendi que tendo o first e last certo, eles aceitam pretty much anything que apareça entre eles.
Na prática, só tenho trabalho mesmo quando decido não arriscar (e.g. visto) e acabo não sabendo se estou no P de Pinho ou no L de Lima.
outubro 12th, 2009 at 2:57 pm
Eu gosto do sistema na Espanha. Todo mundo tem dois nomes: um do pai e um da mãe e ninguem muda de nome. Os filhos tem um nome da mãe e um do pai.
Eu já tive tanta dor de cabeça com essa história de nome. E olha que foi só com o meu próprio nome. O nome do meu pai é Guerson de Oliveira, mas a família mesmo é conhecida como Guerson porque esse era o sobrenome do seu pai e é um nome que não existe no Brasil já que foi meio que inventado (o nome original era Guersone, italiano, e quando o antepassado italiano chegou ao Brasil ele cortou o ultimo “e” pra ficar menos italiano). Então eu sempre assinei Alexandra Guerson. Aí me mudei pro Canada e confundi com essas história de last name. Acabei virando Alexandra Oliveira pois pegaram simplesmente o ultimo sobrenome. Me senti super estranha! Continuei assinando do mesmo jeito mas sempre cheia de conflito com o tal nome. Até obtive cidadania italiana e o consulado fez eu mudar todos os meus documentos canadenses para Alexandra Guerson de Oliveira pq segundo eles o “de” fazia o nome composto e não podia separar. Então agora sou legalmente Alexandra Guerson de Oliveira mas uso somente Alexandra Guerson. Mas é sempre um drama….
Eu acho que no Quebec eles tomaram a decisão radical de tornar praticamente impossível mudar o nome pra combater as pressões sociais. Pq não é só a lei permitir que vc faça a escolha, né? O que não pode existir é o tipo de pressão social pelo qual vc passa ou pelo qual a minha cunhada passa no Brasil. Eu acho que pode ser uma solução temporária - assim a mulher não se sente pressionada a mudar de identidade e aos poucos, quem sabe, a lei pode se abrandar… Pq ninguém impede a mulher de adotar o sobrenome do marido socialmente. Já se vê muitas crianças também com dois sobrenomes - um da mãe e um do pai.
outubro 13th, 2009 at 11:40 am
Por partes.
1 - Certidão de nascimento
No Brasil, existe o REGISTRO CIVIL, que é imutável (está lá no cartório, lavrado à mão), e existe a CERTIDÃO DE NASCIMENTO, da qual você faz quantas quiser, quando quiser, e que vem com a data em q
outubro 13th, 2009 at 11:47 am
Shayt (gostou, BAxt? com sotaque! )
… com a data em que você pediu. Portanto, Leticia, neste ponto talvez se possa comparar com a Itália. Se bem que nossa certidão seja cópia do que está no registro civil; não pode vir diferente.
2 - Liberdade de dar nome
Por increça que parível, a Lei de Registros Públicos brasileira autoriza você a dar o nome que quiser pro seu filho — os sobrenomes não precisam ser da mãe nem do pai, se você não quiser; pode ser um sobrenome sem nada a ver!
outubro 13th, 2009 at 12:15 pm
Luiz,
Ha quanto tempo que eu nao tinha honra dos seus comentarios! Soh acho que vc devia sim ter dado sua opiniao sobre troca de nomes. Acho um saco blog em que todo mundo soh concorda com o dono do blog.
Sobre a sua experiencia, eh verdade que eles meio que soh ligam pro first and last. Mas e se a pessoa, como eu (e o Marido) usa o nome da mae para fins profissionais? (ate porque no caso do Marido, alem de ele nao ter cara de Cavalcanti, o nome eh simplesmente impronunciavel pros ingleses!)
Alexandra,
Discordo veementemente de voce. A lei tem que deixar as pessoas fazerem o que elas quiserem, as pressoes sociais tem que ser resolvidas de outra forma. Tem mulher que QUER botar o nome do marido, e o marido quer que ela bote. Eh uma falta de respeito impedir que eles facam isso, se sao dois adultos e decidiram juntos!
E eu nao senti pressao social para trocar de nome. Algumas poucas pessoas comentaram, e nao dei a menor bola. Ate porque eu tambem nao casei na igreja, por exemplo. Imagina proibir o casamento na igreja para acabar com a pressao social? Entendeu que essa maluquice pode nao acabar nunca?
Cada um que escolha bem seus amigos e tenha firmeza para se impor diante da familia. A Leticia nao batizou a filha - na Italia! O que, vc pode imaginar, nao eh pouco. Muita gente acha que eu devia ter feito concurso publico, para ter uma vida “segura”. teve gente que criticou minha decisao de vir pra Londres. Como voce ve, pressao social (ou em outras palavras - gente se metendo na nossa vida) vai ter sempre. Eh impossivel impedir isso com lei.
JP,
Bacana isso da lei brasileira! Se nao me engano, aqui no UK tambem. Se eu quiser dar o sobrenome do meu tataravo pros meus filhos, ta liberado! Eu acho certissimo, ate porque, convenhamos, nomes sao invencoes. Lah no comeco, nego pegava um nome de arvore, nome do avo, profissao do pai ou qualquer coisa assim, e criava o sobrenome. Os cristaos novos entao, nem se fala. Largavam os nomes judeus e pegavam qualquer palavra para botar no lugar.
O meu apego ao meu nome tem a ver com meus pais e avos, e acaba ai. Sei que dai para tras ele ja nao significa nada :)
outubro 16th, 2009 at 2:16 am
É um saco isso das pressões. “Ué, como vcs vão casar, se ele não te pediu em casamento?”, “Tem certeza que não quer se fantasiar de freira medieval (com decote até o umbigo) e casar em uma igreja pra qual vc não está nem aí?”, “Vc não vai mudar de nome?”, “Vc não vai usar aliança?”, “E o neném, quando chega?” Eca. Tem que sacudir a poeira e ir em frente, senão é aborrecimento eterno…
outubro 16th, 2009 at 7:26 am
Hahahaha, Isabel, as “slutty brides” sao um capitulo a parte (aquelas que fazem questao de casar na Igreja mas vao vestidas - ou desvestidas - como se fossem fazer um show de strip. Sempre lembro do filme “4 casamentos e um funeral” em que o Hugh Grant olha o vestido e fala: “nao seria legal o padre ter uma erecao durante a cerimonia, ne?”).
Mas sobre as cobrancas, eh engracado como o povo se mete em tudo, mesmo. O pior eh que depois que tiver um filho, vem a cobranca pelo segundo. E se vier o terceiro, nego recrimina porque eh filho demais! Acho hilario. Sorte que a minha familia e meus amigos sao bem tranquilos quanto a isso (ou entao eu que nao dou muita bola mesmo)
outubro 18th, 2009 at 4:50 am
Fui a um casamento em que a menina não tinha seios — eram dois melões tão levantados com o sutiâ que achei que qq hora iam bater no queixo dela! Os decotes dela e da mãe eram tão grandes que ia pular tudo pra fora caso se abaixassem um pouco. Fail total!!
Sei de carolas que deram uma de “slutty brides”! Sou agnóstica e jamais faria isso! Talvez eu seja careta, mas creio que, se vc vai casar em uma igreja, seja coerente e use um decote de acordo. É uma questão de respeito.
outubro 19th, 2009 at 8:50 am
Isabel,
Eu tambem acho: igreja eh um templo religioso, apesar de muita gente que casa nelas ignorar completamente esse “detalhe.” Em respeito as igrejas, casei fora delas, jah que sou ateia :)
Algumas noivas usam tipo um casaquinho por cima do decotao durante a cerimonia, e tiram para a festa. Para quem faz questao de bancar a noiva gostosa, acho uma solucao digna.