Pop de raiz

Acho engraçado como as pessoas costumam dizer que gostam de cultura pop e definem isso como Lost, novela, séries de TV, Lilly Allen, essas coisas. E logicamente tem os mais bobinhos que desprezam tudo isso porque são eruditos e gostam de música clássica e que tais. Bobíssimos.

Dia desses baixei Le Nozze de Figaro, a ópera, para ouvir no trabalho. E é tão pop! Sabe, é tão facinho de entender que dá para gostar na primeira vez que você ouve (igualzinho música chiclete de, sei lá, do Abba). Você ouve e já sabe: essa aqui é o hit, é a que vai tocar no rádio. Duvida? escuta essas duas aqui (links pro Youtube, não precisa baixar nada):

Non piu andrai
Voi che sapete

(se isso não é música pop, eu não sei o que é)

E aí fui percebendo que eu gosto muito de cultura pop, mas não só da contemporânea. Ultimamente ando viciada em Jane Austen. Só porque foi publicado 200 anos atrás, não deixa de ser chick lit, dos bons. Com um tantinho de crítica e ironia que muitas chick lits atuais perderam (ou então eu andei lendo as autoras erradas).

E tem aquelas outras coisas, tipo Shakeaspeare, a Janete Clair dos ingleses desdentados.

E fico pensando: sim, eu detesto as novelas da Gloria Perez. Mas se as histórias sobreviverem 300 anos, é porque são boas, ne? (eu duvido que sobrevivam, mas daqui a 300 anos a gente conversa). E penso nos bobinhos que esnobam todas essas coisas populares e pagam pau pra Shakeapeare, que escrevia os maiores novelões desbragados do mundo!

E pior ainda: penso nas pessoas que torcem o nariz para todas essas velharias, sem saber que existe um mundo de entretenimento, já filtrado por séculos de história, prontinho para você se divertir a valer.

(entretenimento mesmo, tipo Nick Hornby ou Harry Potter - com a diferença que tinha que ser entretenimento muito bom para sobreviver e chegar até nós, enquanto a cultura pop contemporânea é mais uma cacofonia de coisas excelentes e porcarias, todas misturadas)

Não, esse post não fala absolutamente nada de novo. Eu só queria uma desculpa para indicar aqui a ópera, e recomendar fortemente todos os livros da Jane Austen para quem lê Maryan Keynes e suas asseclas (só não comece por Mansfield Park, que é meio destoante - comece por Sense and Sensibility, que foi o primeiro que ela publicou, ou Pride and Prejudice, que foi o segundo).

5 Responses to “Pop de raiz”

  1. Georgia Martins Says:

    Um monte de gente gosta de se fazer de intelectual e por isso faz a maior cara de nojo quando escuta falar em BBB ou novela ou música “pop”. Porque gosta de ser diferente, porque gosta de ser especial, onde já se viu ouvir/assistir/ler a mesma coisa que o povão?

    Me desprendi dessa mania de grandeza há uns bons anos. Resolvi ouvir e assistir o que quer que me agradasse, sem me preocupar com essas coisinhas. E escutar o que eu gostasse e pronto. EU decido o que é legal.

    Por isso, sem vergonha no mundo, hoje eu digo que adoro a Britney e a Rihanna, por exemplo. O que não me impede tb de curtir uma coisa mais intelectualóide ou cult.

    Não tenho essa necessidade de me diferenciar do povão não.

  2. Isabel Says:

    Tem óperas “popésimas”, o pessoal ia assistir pra cantar junto, torcer, criticar, jogar coisas no palco… E as de Rossini? Zorra Total… Alguns compositores tinham torcidas que brigavam no meio da rua! Não tinha TV, né, o povo tinha que se divertir de outro jeito. É engraçado que hoje isso tenha virado coisa de intelectual, na visão de algumas pessoas.

    Geogia, pense antes de julgar os outros. Vc se desprendeu da mania de grandeza? Acho que não, se se julga no direito de criticar quem faz cara de nojo com BBB. Assim como vc, acho que tenho o direito de decidir “o que é legal”. Por isso, “sem vergonha do mundo”, e sem pensar em me diferenciar ou não do povão (ô coisa clichê), que nisso estou pouco me lixando, me dou ao direito de não gostar de BBB ou Britney, e de gostar de outras coisas “pop” que talvez vc não goste (mas não sou eu quem vai te obrigar a gostar ou não).

  3. baxt Says:

    Georgia,

    Mas o ponto aqui eh que justamente tem um povo que torce o nariz para o que eh “cult” e “intelectual”, e acaba perdendo a oportunidade de conhecer um entertainment muito bom, so porque eh mais antigo. E o “povao” gosta de operas e Shakespeare, quando alguem oferece.

    O problema eh que muita gente no Brasil tem o pessimo habito de achar que “povao,” “pobre” e “burro” sao sinonimos, e soh oferecem porcaria para as massas, que podem ser iletradas mas nao necessariamente de mau gosto.

    Eu nao me diferencio do povao porque sei que o povao se amarra num bale quando alguem monta um na Quinta da Boa Vista. Nao suporto BBB, gosto bastante de algumas coisas da Britney, e assim vamos indo.

    Isabel,

    Pois eh, ne? Como eh que a Zorra Total do Rossini virou coisa de intelectual, esta alem da minha compreensao. Malditos intelectualoides :)

  4. Isabel Says:

    Gente, isto é pop ou intelectual??? :D (do blog do Cardoso)
    http://www.carloscardoso.com/2009/10/05/macalao/

  5. Baxt Says:

    Que medo. Isso sao japoneses em plena forma, Isabel, hehehehe!