Falácias
Tenho tanta coisa para escrever por aqui, tanta coisa rodando pela minha cabeça que fico com medo até de começar. Entao vou só escrever um pouquinho sobre algumas coisas que tenho lido em blogs furiosos a respeito de um livro sobre maternidade que foi lançado recentemente. Eu tenho várias opiniões sobre quase qualquer coisa no mundo, e sobre mães e filhos também.
(como eu ainda não tenho filhos, daqui a alguns anos vocês podem voltar aqui e me perguntar se eu continuo pensando as mesmas coisas)
- essa história de qualidade de tempo versus quantidade de tempo é uma falácia. Por acaso alguém acha normal falar com o marido uma vez por mês? Fazer sexo com o marido uma vez por ano? Então se qualidade não substitui completamente a qualidade em outras relações, por que substituiria na relação com uma criança, que nem entende essas coisas direito? Então vou ter um cachorro e ficar com ele 15 minutos por dia, cheios de qualidade, e pronto. Não é bem assim.
(lógico, pessoas literais, que não estou defendendo o exagero no outro lado, de se dedicar integralmente ao filho o tempo todo e deixar de lado qualquer outro interesse na vida)
- Dar tudo do bom e do melhor pro filho, mesmo que isso signifique os pais trabalharem feito uns loucos para colocar os filhos na melhor escola, dar as melhores roupas, o melhor plano de saúde. No mundo onde eu vivo, criança precisa de tempo com os pais, atenção, esporro e aquela coisa toda que os pais não podem dar se estiverem só pensando em trabalhar. Existe um meio termo - criança precisa de escola boa e plano de saúde bom - mas não precisa de milhões de brinquedos, milhões de cursos, milhões de babás e roupas da Zara baby que vão durar semanas porque criança cresce rápido para cacete.
É lógico que tem gente que tem que trabalhar loucamente só para conseguir sobreviver, gente que passa 4 horas por dia no ônibus. Não estou falando dessas pessoas, essas não têm escolha. Estou falando de gente classe média, privilegiada, gente como eu e você que temos mais do que precisamos e às vezes perdemos a noção de prioridades.
Eu, ao contrário, sou uma mulher de prioridades. Ontem por exemplo descobri que não posso ser feliz sem uma geladeira Smeg!

Só que ela custa cerca de 1000 pounds. Mas dá para comprar uma de segunda mão por algo entre 250 e 300, o que depois do susto dos mil pounds parece até barato.
Você vê que sei o que é importante na minha vida. A geladeira funciona igualzinha a qualquer outra, mas eu quero essa só porque é bonita e cool e toda vez que eu abri-la para pegar água vou pensar em como sou uma pessoa descolada, de bom gosto, e ao mesmo tempo sou também uma dona de casa que usa a geladeira para guardar frutas e comidas saudáveis e enche o congelador de sopas e pratos que eu mesma fiz. Tá vendo? Quem diria que uma geladeira pudesse dizer tantas coisas bacanas a meu respeito? Agora você não concorda comigo que ela vale os 300 pounds? (lógico, porque mesmo nesse meu surto ainda não me passou pela cabeça pagar 1000 pounds por uma nova).
Bom, a coisa começou como um manifesto grumpy-grumpy sobre mães e pais que terceirizam seus filhos e terminou com uma pequena aula de marketing e branding. Percebe-se que eu sou uma pessoa aleatória.

maio 15th, 2009 at 11:40 am
(off topic) Bárbara, vou deixar os seus textos sobre propagandas disponível para meus alunos. Muito bons, lúcidos, interessantes.
beijos.
maio 15th, 2009 at 12:09 pm
Opa, que honra, Vivien!
maio 15th, 2009 at 2:04 pm
Minha avó tinha uma geladeira igualzinha… e nunca achei ela descolada! :) :) :)
maio 15th, 2009 at 7:34 pm
Barbara, fiquei curiosa, que livro e esse hein?
maio 15th, 2009 at 11:55 pm
Ah, Baxt, mas as roupas da Zara Baby são foférrimas!
E eu queria ter uma geladeira rosa…
maio 16th, 2009 at 2:01 am
bacana^^
maio 16th, 2009 at 3:06 am
Oh não, mais um objeto de consumo pra lista dos desejos…
maio 21st, 2009 at 8:56 am
Essa geladeira me lembrou um papo altamente publicitário, acho que já falei disso aqui… ou não. É a história de tentar dar corpo ao público-alvo. “O Homem Acme tem entre 25 e 35 anos, é solteiro e tem um carro 4 portas.” o que gera coisas como “Não, esse ator não representa o Homem Acme” ou então “Essa casa que vocês escolheram pra filmar não é a casa da Família Acme.”
Eu acho bizarro, mas deve fazer o maior sentido na cabeça dos caras.
maio 25th, 2009 at 4:09 am
Barbara, como sempre vc matou a pau!! Eu também penso como você. É preciso ter equilíbrio para saber que carreira não é tudo na vida e cuidar da casa e dos filhos também não.
maio 29th, 2009 at 5:12 pm
Sobre a preguiça no jornalismo. li isso aqui e lembrei do teu comentário: http://colunistas.ig.com.br/sakamoto/2009/05/29/disk-fonte-o-jornalismo-papagaio-de-repeticao/