Diarinho sobre um monte de coisas
Pois bem, amiguinhos, aqui estou. Esse blog está parecendo muito com os diários que eu escrevia quando era uma fedelha. Eu ficava alguns dias sem escrever nada, depois empilhava uns relatórios de tudo que tinha feito, para documentar.
E aí acontece que eu voltei do Rio para cá e 4 dias depois fui passar o fim de semana em Barcelona (longa história: uma amigona minha estava visitando o namorado em Portugal e por isso não pudemos nos ver no Rio. O namorado estava com o visto expirado, e por isso não podia sair do Espaço Schengen, que são os países que não pedem passaporte quando você está vindo de outro país europeu. Para não irmos a Lisboa mais uma vez, sugeri Barcelona). Agora depois de pipocar para cima e para baixo, estamos de volta, tentando botar as idéias no lugar.
Enquanto isso não acontece (minha idéias definitivamente não estão no lugar), seguem alguns comentários aleatórios.
Sobre o Rio:
Fiquei impressionadíssima como as mulheres brasileiras (ou as cariocas, pelo menos) se vestem todas de biscates. É um tal de calça justa, barriga pulando pra fora, blusa justa, decote, cabelo comprido solto sendo jogado de um lado pro outro, saltos violentamente altos, calças baixas. Uma nação de piriguetes. Não que isso seja bom ou ruim. Eu acho feio, mas isso é só uma opinião. Tem gente quie acha o máximo, sensualidade à flor da pele, bla bla bla.
Acho que não ouvi “licença“ nem uma vez nas duas semanas que fiquei lá. Levei vários esbarrões, sem dó nem piedade. Duas horas depois de voltar para Londres fui ao supermercado e um cara esbarrou em mim, pediu desculpas e me mandou passar na frente. O motorista do caminhão parou para eu atravessar e sorriu.
Supermercados. Como eu vivo dizendo aqui, a comida de restaurante do Brasil não se compara à daqui. Ingleses não têm paladar, fazem arroz jogando os grãos numa panela de agua fervendo sem tempero para depois escorrer, essas coisas todas que eu sempre digo. Mas fiquei me sentindo órfã no supermercado de lá. Não tem comida que não tenha toneladas de substâncias bizarras na composição, a origem das coisas não é especificada, você não sabe onde elas estão sendo produzidas, não existem opções mais saudáveis dos produtos. Nesse ponto estou achando que a comida daqui é bem melhor.
Provavelmente isso acontece porque não temos no Brasil uma classe média forte o suficiente para criar demanda para essas coisas. Talvez até seja possível comprar, mas proibitivamente caro, ao contrário daqui, onde a comida saudável é só um pouco mais cara.
Barcelona:
Marido não cosneguiu sair do trabalho a tempo de ir comigo na sexta. Resolvi ir sozinha para encontrar minha amiga e para não perdermos a passagem. Marido iria no dia seguinte bem cedo. Cheguei na pousada a meia noite e fiquei esperando o casal. Note que meu celular é de uma companhia tão safada que não tem roaming, por isso eu fico sem telefone sempre que viajo. Depois de esperar por uma hora, descobri que o casal tinha perdido o vôo!
Me convenci que meu destino era vagar por aquela cidade sozinha. (para quem não sabe, passei 3 meses lá em 2001, e foi a minha primeira - e única, eu diria - de estar realmente sozinha. Foi muito estranho, e muito interessante). Portanto, saí para andar sozinha por Barcelona, depois de 7 anos.
No dia seguinte eles chegaram e aí sim fomos turismar. Com olhos de quem vem de Londres, achei a cidade linda, o sol fantástico (ainda mais depois de duas semanas de chuvas, chuviscos e chuvões no Rio), a arquitetura impressionante, e o onipresente cheiro de cigarro horripilante (mas isso eu já tinha achado em 2001).
Além dos ultra óbvios Rambla, Sagrada Família, Park Guell e Pedrera, fomos também ao CaixaForum da Caixa Catalunha, que é tipo um Centro Cultural Banco do Brasil construído em uma fábrica feita por um arquiteto modernista aos pés do Montjuic. O mais legal foi que nós estávamos passeando e totalmente sem querer demos de cara com o lugar, que tinham recomendado ao Marido. Entramos e vimos uma exposição do Alphonse Mucha, um cara que todo mundo conhece das ilustrações da Sarah Bernhardt. Adoro esbarrar em exposições e lugares bacanas.
Saí de lá mais feliz para encarar a Ryanair, que é capaz de acabar com o humor de qualquer ser humano. Eu já sabia que era uma porcaria, mas nunca tinha experimentado. Decidimos que de agora em diante vamos sempre tentar programar viagens com antecedência, para podermos pegar as promoções das companhias decentes.
E acho que é isso, amiguinhos. Uma torrente de comentários desconexos e histórias sobre as últimas semanas.
outubro 9th, 2008 at 7:30 pm
Acho que ainda sou uma fedelha.
Larguei meu último diário faz 6 meses.
Pode parecer meio estranho da minha parte dizer isso mas, se eo estivesse sozinha em uma cidade estranha concerteza apriveitaria muito mais do se estivesse acompanhada.
Pode me chamar de boba, mas eo realmente aprecio a solidão.
beijoos
outubro 10th, 2008 at 1:45 pm
Oh! Eu amo Alphonse Mucha!
(e acho terrível a ‘piriguetização’ do Rio de Janeiro - e, pior, encontro ecos em vários outros lugares do país)
outubro 10th, 2008 at 1:54 pm
Barbara, vc nao tem 15 anos? Entao ainda eh uma fedelha, ue! (hahaha). Mas isso esta longe de ser ruim! E eh bom saber lidar com a solidao, porque muitas vezes ela vai ser inevitavel.
Lia, na casa dos meus pais tinha varias reproducoes de ilustracoes do Mucha, o que criou uma certa relacao afetiva com o trabalho dele. Eh engracado como a gente acaba ficando “intimo” de certas obras, o que eh bem legal. Espero fazer isso com meus filhos tbm :)
outubro 10th, 2008 at 5:18 pm
Seus comentários sobre o Brasil, são super conscientes (pra quem mora fora como eu e vc)
Dentro da realidade deles, é quase tudo permissível. Quase todo mundo que volta depois de um tempo, tem a mesma impressão.
outubro 12th, 2008 at 8:16 am
Puxa! Se eu soubesse que voce estaria em Barcelona… Mas tudo bem, fica pra proxima. Se quiserem voltar algum dia, ou ir pra outro lugar na Espanha, tente vueling.com. Muuuuuuuuuuuuuuuuuito melhor do que Ryanair!
Beijocas
outubro 15th, 2008 at 1:39 am
Bem… eu acho que depois de dois anos no Canadá não consigo mais me acostumar a não pedir licença, ser simpática e segurar a porta pra quem vem atrás de mim. Esses anglo-saxões são de outro mundo mesmo… fora a preocupação diária com o próximo, o sentido de comunidade e a preocupação constante com o resto do mundo.
Fora que os serviços públicos que são o máximo! Estou de mal com o Detran-RJ porque eles não podem confiar em mim e simplesmente me mandar uma certidão com os anos de direção que eu tenho no Brasil (eu perdi a minha carteira de motorista). Aqui, se eu ligo pra qualquer orgão público precisando de qualquer coisa, eles só checam os meus dados pessoais pelo telefone e bum… me mandam um fax do documento que eu preciso! Agora tenta explicar pra eles a burrocracia brasileira… é impossível!
Agora, depois desse tempo em Londres, o que vocês pretendem fazer? Voltar para o Brasil é uma possibilidade?
Eu descobri que pra mim é impossível. Ainda mais cnsiderando o tipo de educação que eu quero dar para os meus filhos (que um dia eu hei de parir), na qual mulher não é pistoleira, pode e joga futebol, e tem os mesmo direitos que os homens, sem ter medo deles!
bjos e tudo de bom pra vocês!
outubro 17th, 2008 at 2:06 am
Mucha é demais mesmo!
Com relação ao seu comentário sobre o Rio, te digo que isso não é privilégio da cidade maravilhosa. Aqui em Recife é a mesma coisa; hoje à noite, quando voltava do trabalho, tinham três meninas seminuas na fila do ônibus (até agora tô tentando entender como elas entraram naqueles shorts!) - e eram estudantes, com direito a caderno na mão e estojinho. Fiquei pensando nos pais que deixam filhas saírem assim de casa…
Quanto à educação, já desisti do Brasil. Todos os dias, no terminal rodoviário, fila virou coisa prá “otário”, que são aqueles que ficam ali, respeitando a vez do outro; antes do ônibus chegar, homens, mulheres, adolescentes e crianças, na maior cara dura, vão se acomodando e passam na frente de todos.
outubro 21st, 2008 at 3:06 pm
Concordo em gênero, número e grau com a “nação de piriguetes”. E esse desfile de piranhas não é privilégio só do Rio não..Aqui em São Paulo também se vê bastante. Não tanto quanto no Rio, é verdade, porque no Rio faz mais calor e o clima é mais informal.
outubro 22nd, 2008 at 1:16 pm
[...] Mas, parece que a barbárie não é exclusiva só do Recife, como podemos ver nesse breve relato da Bárbara Axt sobre sua passagem pelo Rio. [...]