Não sei muito bem por onde começar a falar do Rio, da vida, do universo e de tudo mais. Tenho ficado a maior parte do tempo confinada na Barra, e continuo não gostando da Barra. Tenho feito uma romaria por milhões de médicos fazendo todos os exames que eu jamais poderia fazer na Inglaterra, ou que me custariam os olhos da cara. Descobri que tenho um belo desvio de septo, o que não foi lá muito surpreendente.
Estou meio doente, já tive dor de estômago, nariz entupido, dor de barriga, tudo. Estou convencida que esta é uma artimanha do meu cérebro para eu querer voltar para Londres, em vez de ficar bodeada com a volta. Sim, eu sou uma pessoa sensível, cheia de frescuras e maluquices.
Tudo aqui é ultra bagunçado. Depois de passar um tempo fora a gente começa a reparar em coisas que nunca tínhamos notado, como a quantidade inacreditável de funcionários em qualquer lugar, o fato de que todos os brasileiros são tetraplégicos funcionais, incapazes de carregar seus próprios filhos, empacotar suas prórpias compras, fazer suas próprias unhas, e por aí vai. Mas essa parte eu já sabia. Hiro disse, enquanto andava pelo Leblon, que a vida continua igualzinha uma ilustração ou quadro do Brasil Império. Basta atualizar as roupas do sinhozinho e dos milhares de negrinhos ao redor fazendo tudo para ele e voilá, temos o Rio de hoje.
O que eu nunca tinha reparado (até que li em um blog de algum gringo) é que quando você faz sinal para um ônibus na rua, ele para em QUALQUER LUGAR. E é sua obrigação sair correndo atrás dele para entrar no coletivo. Parar na frente do passageiro não é uma opção.
O trânsito aqui está um inferno. Insuportável a qualquer hora do dia ou da noite.
Percebi também que a vida no Rio é orgânica. As coisas se organizam devido à necessidade, e não por regras ou planejamentos. É o caso, por exemplo, das vans. Elas se auto organizam de uma maneira muito interessante, sem seguir nenhuma regra e criando suas próprias regulamentações no caminho.
A comida continbua inacreditavelmente melhor do que a de Londres, inclusive a comida japonesa, que dá de mil a zero na de lá. A cidade é linda, o céu é azul e mesmo durante a semana de tempo ruim e chuva que fez, a luz ainda era melhor do que a de lá. Sobre estar com a família, nem preciso comentar. Mas depois de duas semanas nessa casa ultra cheia de gente, minha casinha de Londres vai parecer muito silenciosa.
Aliás, desenvolvi um pet hate sobre Londres. Estou convencida que é uma das cidades onde se mora pior no mundo. Vejo o povo daqui, ou meus amigos que moram na Suécia, EUA, Dinamarca, Portugal, etc, e percebi que ninguém mora em apartamentos tão fuleiros quanto os de Londres. Mesmo o povo que trabalha no mercado financeiro e paga milhões por mês, eles moram em casas que seriam uma vergonha se estivessem em quase qualquer outra cidade do mundo (exceto, é lógico, Manhattan, Tóquio, Hong Kong e que tais). E daí? E daí nada. Só quis falar um pouco mal de Londres depois de esculhambar tanto o Rio.
” É o caso, por exemplo, das vans. Elas se auto organizam de uma maneira muito interessante, sem seguir nenhuma regra e criando suas próprias regulamentações no caminho.”
Incluindo, é claro, as leis de trânsito que, aparentemente, só se aplicam aos outros veículos. “Sinal vermelho é para os outros” deve ser o lema dos caras.
“A vida, o universo e tudo mais”? Faltou dizer que a comida do Rio só não é melhor do que a do Restaurante no Fim do Universo… :)
Fala Barbara,
Pois é. Também sofri com isso que vc sofreu quando visitei o Rio recentemente. Incluindo o nariz entupido… estranhamente minha alergia não se manifesta de forma alguma nas casas fechadas (por causa do frio) e com carpete do Reino Unido, mas ficou horrível desde o primeiro minuto em que pisei no Rio (que é mais empueirado).
Sobre a parte ruim que vc falou de Londres, concordo. Mas grande parte dos profissionais de, digamos, “médio e grande porte” moram fora de Londres. Primeiro que há muitas grandes empresas fora de Londres. E depois que, mesmo que o trabalho seja em Londres, vale à pena pagar o (caro) trem até Londres todo dia mas ainda assim morar em casas decentes e menos caras em lugares tipo Maidenhead, Guildford e Reading (q no fim das contas é só 30 min de Paddington). Também vejo muita gente indo de carro das cidades do entorno até Londres (o transito pode ser horrível, mas ainda assim há quem encare). E pra fechar existe uma grande legião de profissionais q trabalham de casa alguns dias da semana (teleworking), se não for todo dia (home office!).
Abraços e aproveite a cidade maravilhosa (q de maravilhosa já não tem lá tantas coisas mais).
Nossa, eo pensava que era a única que lia O guia do mochileiro das galáxias.
Me senti em casa agora
Lembro que quando eu morava no Rio, sofria muito com o trânsito caótico e com essa sensação que todo mundo tá querendo te passar a perna. Esses dois “detalhes” me irritavam profundamente. E olha que eu sou carioca hein? Acho que para apreciar o Rio é necessário um certo desprendimento com essas coisas, uma certa elevação espiritual. Ou seja, pensar como turista. Apreciar o azul, a praia linda como se ali não fosse o seu lugar. Como se não fosse necessário conviver com a parte ruim.
Agora moro em São Paulo e além de sofrer com o trânsito (que não é ruim… é faraônicamente ruim), lido como o difícil ir e vir precisando sempre do carro. A Bruna tem razão… São Paulo é uma grande Barra da Tijuca sem a praia. O consolo é que tentam me passar a perna com menos freqüência. E ganho o bastante pra visitar sempre a cidade-ainda-maravilhosa. :)
Olá Barbara, sou sua sétima leitora(?)
Sempre leio seu blog e adoro seu olhar sobre a cidade de Londres, que não conheço… e concordo com a sua sobre o Rio. Ando viajando sempre por aí pois meu noivo é carioca e trabalha na Barra. Eu sou de SP.
Tudo tá caro mesmo. Até fico feliz em saber… sonho em ir p/ Londres e achei q ia falir rs rs rs. Melhor ir viajar e falir feliz =)
BJO!
A comida do Rio da de dez a zero em todos os lugares que ja’ visitei, inclusive no quesito comida japonesa. E tenho um canadense que comeu ate’ nao poder mais na estada dele no Brasil pra atestar.
Luz bonita é a da Holanda. É inacreditável como QUALQUER FOTO fica boa por lá. Juro.
E, ééé, tudo isso que você falou faz todo o sentido. E a gente, que vive nesse caos, nem percebe…
(mentira, eu já sabia que leis de trânsito aqui não existem)
Oi,
Nossa, morei 5 anos na Inglaterra… Voltei agora ao Rio e estou adorando! Quanta mordomia, cabaleleiro, manicure, empregada domestica! Depois de anos fazendo tb o servico de casa, alem de trabalhar fora, eh tudo que eu quero!!!! Ah, o Pao de Acucar tem linhas otimas de comida pronta e de comida saudavel, varias opcoes de organicos!