A reação de Saramago depois de ver Blindness

Todo mundo que lê esse blog sabe que eu acompanhei avidamente o blog do Fernando Meirelles, li o livro por causa dele (e achei o máximo), e acabei me envolvendo no processo todo do filme, mesmo não tendo nada a ver com a história.

E por isso adorei esse videozinho acima. Se eu fiquei tensa até o Saramago falar, imagina o diretor do filme (e fiquei matutando quem foi o espírito de porco que filmou isso).

O Fernando Meirelles escreveu sobre isso na Folha. Na verdade ele narra o que aconteceu no video, nada demais (provavelmente daqui a algum tempo ele vai ter uma descrição melhor do episódio, depois que processar tudo). Mas o bacana do texto é o Saramago citar a história do burrinho! Porque eu sempre ouvi essa história do meu pai, e não conhecia mais ninguém que a conhecesse (eu acho ela muito útil, e sempre que menciono ela para alguém recebo uma cara de paisagem de volta)

Isso prova, mais uma vez, que o mau pai é um homem de 90 anos fingindo que tem 50 e poucos. (afinal, qual outra explicação para a música Rato, rato, que ele sempre cantou quando eu era pequena e eu descobri que foi sucesso do Carnaval de 1904????)

PS: por favor, alguém me arruma uma pauta ou uma desculpa qualquer para eu entrevistar esse homem??? (me refiro ao Saramago, para falar com o Meirelles tem tempo). Eu vou até Portugal, sem problemas, e ainda pago minha própria conta no Farta Brutos.

Update: já descobri que eu não fui a única que ficou chorandinho ao ver o vídeo. Interessante. Reflexões mais tarde.

Update 2: não estou nem aí se eu for ver o filme e achar uma merda. O filme já rendeu o tal blog e esse vídeo. Tá de bom tamanho para mim.

Ah sim

No meio de tantos rants e chiliques, esqueci de dar a boa nova:

Aparentemente não tenho gota. Meu exame de sangue deu ácido úrico normal, rins e fígado normais também.

O raio X do pé aparentemente não deu nada. Não sei bem se isso é bom ou ruim, essa semana vou lá encher o saco do GP mais um pouco (é uma pena que eu não confie muito neles, isso complica todo o processo)

#Prontofalei

(#Prontofalei vai ser uma nova categoria nesse blog, criada num dia de mau humor. Sim, eu sei que esse é uma tag de twitter mas meu twitter é em inglês e os poucos seguidores ingleses de lá não iam entender – não que tenha poucos seguidores ingleses e muitos brasileiros. Tem poucos-poucos mesmo. Eu sou um fracasso até mesmo no meu plano de ser uma minor celebrity)

#Depois de ler algumas umbiguices deprimentes sobre a blogosfera brasileira se retrolimentando, lembrei porque certas pessoas que eu conheço pularam fora dessa babaquice em 2001.

#Eu tinha outra coisa para falar, mas esqueci. Fica então um comentário aleatório no lugar: descobri que os ingleses são um povo tão cheio de ódio no coração que eles têm um vocabulário específico para resmungações. Por exemplo, rant signica mais ou menos um chilique em relação a alguma coisa, uma reclamação, um humpf-humpf on steroids. E pet hate é aquela coisa que te irrita sempre, que você detesta mas em alguns casos adora detestar (nem sempre!). É um povinho estranho, esse que gosta tanto de seus próprios ódios, mas de certa forma isso me faz sentir em casa. Afinal de contas sempre tive rants e pet hates. Só não sabia como chamá-los.

Como usar o vocabulário: “Querido diário, um dos meus pet hates é a Apple. Por isso ri muito vendo o vídeo Mac Rant no Youtube.”

Meus demônios

Parece que todo mundo que eu conheço está em crise. Ninguém sabe o que quer ser quando crescer, e acredite, isso é um problemão quando você se dá conta de que já cresceu. Uma coisa tenebrosa é quando se chega numa idade que não dá para disfarçar, nem para você mesmo. Uma pessoa de 30 anos é uma ADULTA. Mas é muito, muito estranho quando essa pessoa é você, e você percebe que por uma simples questão matemática, para todos os efeitos você é adulto/a.

Eu não conheço ninguém que sabe muito bem como agir nesse papel.

(dia desses vou escrever mais sobre o assunto)

***

Estou há 4 dias sem conseguir andar direito, e:

1 – Como diz a minha mãe, dor contínua ferra com a cabeça de qualquer ser humano. Eu sempre fui razoavelmente resistente a dor, de fazer depilação a laser e pedir para a dermatologista aumentar bastante a potência da maquina e coisas do gênero. Mas esse tipo de valentia fútil não se aplica a uma dor que dói o dia inteiro. E que lateja.

2 – Eu sempre tive um respeito gigantesco pelo pelo povo disabled, sempre achei o máximo que aqui existem rampas e banheiros adaptados em todos os lugares. Mas óbvio, todo meu conhecimento sobre o assunto é teórico. Mas depois de passar alguns dias andando devagar, toda torta, com dor o caminho inteiro, e ainda me sentindo feia e horrível por estar torta (sim, mulheres nunca se livram desses problemas), fiquei imaginando como o povo disabled de verdade é forte. Se a minha experiência que é um peido de disability já está sendo um saco, imagina o povo que tem problemas de verdade. Respect, como dizia o falecido Ali G.

***

Ontem foi minha formatura. Foi legal, a beca não ficava no lugar e meu humor tava pior do que o normal devido ao pé fodido e por eu estar me sentindo feia, horrível, gorda, inchada e manca, e por estar com um sapato baixo, velho e feio. Como vocês podem perceber, eu sou uma mulher muito madura e sei colocar as coisas em perspectiva :)

Mas a cerimônia foi chiquérrima, no Royal Albert Hall, e depois rolou um coquetelzinho e depois pub. Foi tudo bem bacana, apesar do meu mau humor. E ganhei muitas flores.

Barbara e o NHS

Todo brasileiro que mora aqui na Inglaterra tem mania de falar muito mal do sistema de saúde inglês. Eu pessoalmente discordo de várias coisas que eles fazem (não se pode escolher o médico, socorro!), e concordo que o nosso atendimento de rico (digo, pagando plano de saúde tdo mês) no Brasil é melhor mesmo. Mas os dois sistemas têm coisas boas e ruins – a vantagem é que no Brasil eu sempre fazia o que eu quisesse, o exame que me desse na telha. E aqui não é tão fácil. Mas por outro lado é lógico que os pobres daqui são mais bem atendidos que os de lá.

Mas mesmo tendo dois pés atrás com os médicos daqui, quando o meu pé ontem começou a doer ensandecidamente, latejando e me impedindo de andar, resovi marcar o GP (clínico geral). Hoje fui lá, ele atrasou uns 20 minutos, fez um atendimento muito decente, mexeu no meu pé (a primeira coisa que faz um médico ser ruim, para mim, é quando ele não encosta em vc), me passou um antiinflamatório para cuidar dos sintomas e me mandou fazer exame de sangue para descobrirmos a causa.

O exame de sangue tinha que ser feito no hospital ali do lado. Fui andando em passo de velhinha até lá, esperei um pouco, tirei sangue com um moço muito simpático, depois fui manquitolando mais um pouco até a farmácia pegar o remédio (Cataflam, que aqui só se compra com receita – o esquema é interessante, vc paga 7 libras pela receita, independente do valor do remédio que eles receitaram). Uma hora e meia depois do horário marcado para a consulta eu já tinha resolvido tudo, e tendo sido atendida por pessoas atenciosas.

Ou seja, uma boa experiência.

Muito melhor do que no centro médico da Imperial (se tem alguém aqui indo estudar lá, talvez valha a pena se registrar perto de casa). Espero que eu continue tendo experiências boas (aposto que daqui a alguns meses eu vou acabar me irritando com alguma coisa e escrevendo um post revoltado – mas até lá…).

Agora é esperar o resultado e ver se a suspeita do médico (e da minha mãe, e do marido também) está certa. Qual a suspeita? Gota. Todos os meus sintomas, histórico familiar e um exame de sangue antigo levam a crer que pode ser gota, tem cabimento?

Isso é doença de homem, e velho (dizem que é doença de homem inteligente – pelo menos isso, né?). Mas como eu sempre digo, não se fazem mais jovens como antigamente. Nossa geração é toda estropiada mesmo.

(James Gillray – The Gout. Achei genial alguém fazer uma ilustração disso, e mais ainda a imagem ter virado um clássico. É aí mesmo que dói.)

Pateta no trânsito

Esbarrei esses dias com esse documentário e achei interessante. É um documentário inteiro, de 39 minutos, mas acho que vale a olhada. Se vc nao estiver com tempo, veja alguns trechos e o final – as pessoas andando por cima dos carros na calçada.

O filme basicamente mostra como a obsessão por carros está estragando São Paulo, a paisagem, o som, a interação das pessoas, a qualidade de vida de todo mundo. Esse é um assunto que me interessa bastante (mais os carros, menos SP) – nunca fui militante anti carro, mas eu sou uma pessoa que passou a vida (até os 27) na Barra da Tijuca sem nunca comprar um carro. Nunca quis, detesto dirigir, detesto estacionar, tenho vontade de matar todo mundo no trânsito, etc.

Já aqui em Londres as pessoas não usam tanto os carros e tudo funciona muito melhor. Inclusive, esse é um assunto bem importante no momento porque o Ken Livingstone, o prefeito que ficou 8 anos no poder (o cargo de prefeito de Londres foi criado basicamente para ele) e é defensor ferrenho do tranporte público e das bicicletas, acabou de ser substituído pelo Boris Johnson, um corservador que é contra as congestion charges e outras medidas do Livingstone.

Admito que não estou muito bem informada sobre tudo isso, mas ontem nas capas dos jornais tinha uma foto do Boris indo trabalhar de bicicleta, então talvez nem tudo esteja perdido. Veremos.

Mais sobre o assunto?

Mr. Walker X Mr. Wheeler (ou Pateta no Trânsito, genial)

Fotos da Critical Mass by Denis Russo, ex editor da Superinteressante.

O que é a Critical Mass? Ele explica aqui nesse post.

Eu sou muitos apegadas a todos vocês!

Como dá para ser tão beócio, meu deus? Eu aposto que o seu porteiro, que parou a escola na quarta série não fala assim! Minha empregada não fala assim! O mendigo da porta da igreja, mesmo depois de bêbado, não fala assim!

Bruna escreveu um texto muito bacana dizendo que esses imbecis estão sendo julgados pelo que são, e não pelo que fizeram (ou deixaram de fazer). Mas na boa, né? Dá para evitar?

Na verdade, eles merecem ser julgados pelo que são. Mesmo que sejam considerados inocentes pelo que FIZERAM, o que eles SÃO não pode ficar sem castigo!