Entao, parte 2.
E voltei a trabalhar depois do Christmas break e vou dizer que nunca passei tres dias tao monga e idiota quanto os tres dias da volta ao escritorio. Esqueci como falar ingles, como escrever, como andar e quase como respirar. Voltei ao normal depois de uns dias, e agora as coisas estao melhores.
E li Ensaio sobre a cegueira, claramente influenciada pelo blog do Fernando Meirelles, que esta filmando Blindness, um filme que teria tudo para dar errado de o cara nao fosse realmente bom. Afinal, nao existe meio melhor para contra uma historia sobre cegueira do que um livro, que eh um meio sem imagens. A historia propositalmente nao tem descricoes visuais, vc acompanha tudo sem saber a cor do cabelo dos personagens, quem eh alto, ou magro, ou gordo, ou as cores das coisas. Quero ver como vai ficar isso no cinema, um meio tao apoiado em imagens.
Mas voltando ao livro, percebi que fazia muito tempo que eu nao lia ficcao, o que eh um habito deprimente (acho patetica essa ideia de “so ler coisas que aconteceram de verdade”). Mas desde entao continuo sem ler ficcao, ja que os livros que estao dando sopa la na estante sao todos livros produtivos (haha), sobre ciencia, sobre antropologia, sobre jornalismo e coisas assim.
O livro me lembrou um bocado A Peste, do Camus, e Lord of the Flies, e (um que eu esqueci mas assim que lembrar eu incluo aqui – sabe o que eh, ja faz um tempinho que eu acabei o livro). E fiquei pensando que eu preciso fazer meu cerebro dar mais piruetas assim de vez em quando. Eh aquilo que a Bruna Paixao descreve como sentir “a alma beijada”.
E pensei numa coisa: vou tentar, nao garanto, ler mais livros e ver filmes que eu nao escolheria. Seguir recomendacoes dos outros eh uma boa maneira de conhecer coisas novas. Alias, minha tia levou Hiro e eu para uma peca de teatro la em Lisboa, o que esta na categoria de coisas que a gente jamais faria por conta propria. E foi legal, e conhecemos a Eunice Munhoz, a Fernanda Montenegro deles ou, como eu e Hiro gostamos de falar “a grande dama do teatro brasileiro”, uma daquelas definicoes preguicosas do nivel de “a grande rede mundial de computadores.”
Portanto, fica aqui o pedido: me indiquem livros e filmes que vcs acham que eu devo ler ou ver. Nao garanto, mas vou tentar. Se possivel, expliquem por que. Tambem vale indicacao de pintores, musicos, quadrinhos, etc.
Estou precisando fazer meu cerebro dar umas piruetas.
(continua…)
Fevereiro 9th, 2008 at 9:57 am
Já leu Apanhador no Campo de Centeio? Eu li assim que nem você… botei no meu blog “qual livro devo ler agora?” e sugeriram esse, que eu só conhecia de fama. Foi só o livro mais fodástico que eu já li.
Janeiro 30th, 2008 at 5:33 pm
Complicado indicar alguma coisa pra vc pq tudo que eu leio/li na minha vida ou você já leu ou não vai gostar neste momento porque não é intelectualmente instigante o suficiente.
No entanto, neste último semestre li muito teatro grego, por razões óbvias, e então posso te falar pra ler Medéia. Poderia dizer que é uma peça sobre a “força da mulher”, mas acho isso bullshit. Gosto da força da personagem, caguei se é homem, mulher, deus ou carrapato. Vc provavelmente já conhece a história, mas já leu a peça mesmo? Acho maneiro como ela escrotiza a porra toda. (e acho ótimo também falar igual playboy numa única frase e estragar o textinho bonitinho de antes. Ah não, já tinha falado “caguei”. Então já tá tudo estragado mesmo.)
Música é mais complicado ainda. Temos o gosto absolutamente diferente, já que meus ouvidos não saíram da adolescência, né? Neste caso, já te digo que hoje o Panic at the Disco lançou o primeiro single do segundo disco. (www.myspace.com/panicatthedisco) Gostei e me deu esperança que eles não vão fugir do estilo criado anteriormente, já que li por aí que eles não fariam mais turnês circenses e nem músicas tão complicadas. Pô, uma das maiores graças deles era ouvir uma música, pensar em como a harmonia seguiria de maneira óbvia e ver que eles faziam “truuuplt” e iam com tudo para o outro lado. Outra dica é uma das poucas coisas mais “maduras” que eu gosto, e eu gosto muito muitíssimo, que é a Fiona Apple. Acho ela sensacional. Vc pode conhecê-la (ou conhecer melhor) pelo youtube pq ela tbm é linda. Minhas músicas preferidas são “Never is a promise”, “Oh Sailor” e “Shadowboxer. Ela tbm fez um cover com o Elvis Costello de “I Want You” que é ótimo. Pra momentos fofos, estou indo de Colbie Caillat, ou sei lá como se escreve o nome desta menina. Musiquinha de mulherzinha fofinha.
Pra filme eu tô fraca. Só tenho revisto os filmes que eu já vi dez mil vezes e comprei. Estou esperando o Juno estrear aqui na próxima sexta. Vc já viu Lords of Dogtown? Provavelmente não, então pode ser uma boa dica. Como vc deve saber, é a história do surgimento do skate como é conhecido hoje, quando os meninos que não conseguiram ser surfistas fizeram a equipe Zephyr e entravam em piscinas vazias pra se divertir. Existe o documentário tbm, mas eu prefiro o filme. É impressionante como os atores são iguaaaaais aos meninos originais - que hoje estão longe de serem meninos - como o Heath Ledger ( =[ ) está incrível no papel dele e como vc acaba o filme com aquela vontade de sair por aí se jogando de escadarias, deslizando em corredores e todo tipo de merda que é possível fazer num skate. Mas só se vc souber andar nele, né. É isso que o filme te faz esquecer. Hehehehehehhe. Ah, tbm gostei muito de Diamante de Sangue! Chorei que nem boba, né, emo que sou. Mas é triste mesmo…
Testamento da menina pop acabou!
beijos.
Janeiro 28th, 2008 at 4:24 pm
Eu recomendo “Abril Despedaçado”, do escritor albanês Ismail Kadare. Gostei muito. História dramática e real.
Janeiro 28th, 2008 at 2:03 pm
Luxo total ser citada no post!!
Bom, aí vão as minhas recomendações:
livro: Extremamente alto, incrivelmente perto
HQ: Qualquer um do Constantine
Filme: (tá em cartaz no Rio, mas nao sei como anda aí… Tenho certeza absoluta que vc vai gostar!) É tudo culpa do Fidel
Música: LCDSoundsystem - baixa o disco Sound of Silver.
beijossss
Janeiro 28th, 2008 at 1:39 pm
Pode ler qualquer coisa do David Mitchell, um daqueles ingleses que manda bem. Sugiro começar com Ghostwritten, que foi o primeiro que ele escreveu, mas meu preferido é Cloud Atlas.
Janeiro 28th, 2008 at 11:27 am
Olha, dos mais recentes, eu gostei bastante de Água para Elefantes e A menina que roubava livros, e recomendo pra todo mundo porque senti que eles são meio unanimidade, sabe?
Janeiro 28th, 2008 at 10:23 am
Filmes? Snatch - comédia de Guy Ritchie. Eventos descoordenados acabam criando estranhas relações de causa e efeito. Do nada, coisas que nada têm a ver com você acabam transformando sua vida. E todo o mundo correndo atrás do diamante.
Band of Brothers. Oquei, esse é não-ficção. Desculpe. Mas não podia deixar de colocar aqui.
Música? Renaissance, qualquer disco. Uma boa amostragem é o duplo Live at the Carnegie Hall (não confunda com Live at the Royal Albert Hall, que também é muito bom). Rock progressivo acompanhado de orquestra sinfônica, com a voz suave de Annie Haslam.
Genesis, na época do Peter Gabriel, especialmente Foxtrot (1972), Selling England by the Pound (1973), The Lamb Lies Down on Broadway (1974), e no início da época de Phil Collins vocalista, especialmente A Trick of the Tail (1976) e o ao-vivo, duplo, Seconds Out (1977). Músicas com vários movimentos feito sinfonias, temáticas recorrentes, letras surreais influenciadas por História, mitologia e até - pasme - psicanálise.
Janeiro 28th, 2008 at 10:09 am
Quadrinhos? Tem: Watchmen, de Alan Moore. Pergunte ao Hiro. Não é para crianças, mas só tem graça se você tiver lido bastante HQ de super-herói. Mostra que as pessoas por trás da máscara podem não ter as motivações altruístas que você pensa. Um é um sádico, outro um medroso que usa o uniforme para ganhar coragem, outro é um sujeito que sofreu um acidente num reator e está tão removido da humanidade que somos todos como formigas diante dele, as preocupações dele são outras… Outro não tem superpoderes, mas é superinteligente e manipulador, só quer poder e mais dinheiro…
Saga of the Swamp Thing (que é o vol. 1) e Swamp Thing: Love and Death (que é o vol. 2), ambos de Alan Moore e outrem. A criatura pensava ser um homem que virou planta, mas descobre que nunca foi um homem. Sei que parece filme B, mas é interessante descobrir como a planta reage ao choque de descobrir que nunca foi humana. E como o mundo é diferente para uma planta. Alan Moore é um mestre.
Sandman: Dream Country, conjunto de quatro histórias de Neil Gaiman. Inclui Calíope, onde um escritor capturou uma musa e o que lhe acontece por isso, e Men of Good Fortune (a melhor que já li do Sandman), onde um sujeito decide que não quer morrer e não morre mesmo.
Sandman: Season of Mists. Lúcifer desiste do Inferno, liberta todos e dá a chave na mão de Sandman. Só o monólogo de Lúcifer, reclamando de seu ofício, já vale o preço do livro. Depois vêm as divindades (nórdicas, egípcias, anjos etc.) reclamar a chave.
Entrando em livros-livros mesmo,
Contato, de Carl Sagan. O que aconteceria com a humanidade se encontrasse uma inteligência extraterrestre. Para melhor curtição, requer algum conhecimento de Física. Mas não é essencial.
2010, de Arthur Clarke. Faz mais sentido se você tiver lido 2001. Não é tão profundo nem tão filosófico, mas especula como seria se a humanidade encontrasse uma inteligência vastamente superior. E as descrições da nave espacial russa são bastante realistas em face da tecnologia dos anos 70/80. Se você tiver uma boa noção de Astronomia, ajuda, mas não é necessário. 2061 e 3001 também são bons, mas não tanto.
The Songs of Distant Earth, de Arthur Clarke. O mundo acabou. Uma das primeiras naves de evacuação colonizou um mundo distante, mas a população que descendeu desses pioneiros acabou não tendo acesso a saber sua herança de cultura, história, Ciência e arte. Agora, a última nave de evacuação acaba de chegar, vindo do planeta extinto, para apanhar suprimentos e prosseguir rumo às estrelas. O choque de civilizações é inevitável.
Thinking Machines, coleção de contos de vários Autores organizada pelo Asimov. Alguns dos melhores contos que li na vida. E se tudo que os jornais dizem for um monte de mentiras criadas e nada das notícias realmente existisse no mundo real? E se você descobrisse, para seu susto e surpresa, que é um andróide? E se fosse possível reconstituir uma pessoa morta a partir das impressões que ela deixou no mundo? (Aliás, isso seria data mining levado às últimas conseqüências.) E se a Internet ganhasse vida no momento em que a última pecinha fosse conectada? E se um robô tivesse emoções e quisesse se tornar humano?