A identidade do imigrante enquanto expatriado
Fiquei feliz com os comentários do último post, de ver que o desabafo rendeu um começo de debate bem interessante, de ver como funciona ser imigrante em oturos luagres tão diferentes, de ver gente que eu nem conhecia fazendo comentários legais. Por isso resolvi retomar o tema da “identidade do imigrante” - parece até tese de sociólogo-que-gosta-de-pobre, né?
(antes que alguém pergunte, sociólogo-que-gosta-de-pobre é aquele tipinho intelectual que adora uma pobreza, um povo sofrido, que acha tudo isso o máximo, acha que tem uma poesia enorme em ser preto-pobre-favelado, em morar em barraco e ter caixa de papelão no chão em vez de tapete. Não são todos os sociólogos que são assim, mas tem um bom montão por aí. Não entendo porque não pesquisar TAMBÉM os ricos, os remediados, os mais ou menos)
Depois dessa breve disgressão, voltemos ao assunto. Respondendo ao “counter-post” da Letícia: você está certíssima em lembrar que ter nossas idiossincrasias “justificadas” pelo nosso imigrantismo é horrível. Mas eu nem lembrei desse lado da história, provavelmente porque aqui em Londres todo mundo é diferente e esquisito. As pessoas saem na rua vestidas de punk, de pin up, de qualquer coisa que dê na telha. Uma menina do meu escritório foi para a festa de fim de ano com uma roupa do seculo passado, botas, corpete, saião. Ela era a única assim em toda a festa. Conheço um menino de 6 anos que só anda vestido com roupas dos anos 40. Porque quer (antes ele se vestia de Elvis, a mãe adora a nova fase porque fazer topete todo dia dava muito trabalho).
Deu para entender que ser diferente aqui é coisa complicada, né? Para causar alguma comoção é preciso se esforçar muito, já que dificilmente alguém vai achar estranho pintar o aquecedor da casa de vermelho ou se escandalizar por uma mulher de 34 anos namorar um cara 10 anos mais velho com uma filha de 18 (caso da minha amiga italiana de Perugia).
Além disso quase ninguém é daqui, e ainda por cima existem zilhares (zilhar é o que vem antes do zilhão) de brasileiros na cidade, então as pessoas sabem mais ou menos como são os brasileiros, e principalmente que brasileiro não é tudo igual.
Certamente se eu estivesse em Bastia minha percepção do meu imigrantismo seria completamente diferente.
Já Sandro, você comentou que basta se cercar de pessoas legais que está tudo bem. Eu pensava assim quando estava no Rio, mas mesmo assim é um saco ficar tentando descobrir quem são as poucas pessoas que têm a ver com vc no Rio. Eu achava quase todo mundo profundamente idiota. Eu saía da sala quando passava Big brother pelo simples fato de que eu tinha passado a minha vida inteira tentando fugir daquelas pessoas. Não é bacana ter poucas pessoas que vc gosta e se dá bem.
Não que aqui todo mundo seja genial (vide os Big brothers daqui, que tambem são de amargar, e as pessoas que saem para a night em Leicester square). Mas acho que o ruim aqui é menos pior. Tem mais gente razoável. Ou não.
Pode ser que eu pense diferente daqui a um ano.
Mas eu me sinto mais leve aqui. Talvez porque não exista um padrão muito rígido para nada, e exista um certo climão de “anything goes” no ar.
Mas que ninguém se engane: tem quem diga que o inglês parece fofo e sorridente, mas te apunhala pelas costas. Até agora ainda não passei por isso mas é sempre bom ficar esperta…
Dezembro 31st, 2007 at 11:47 pm
Inglês tem personlidade “Happy Tree Friends”! www.happyrtreefriends.com
Odeio o Brasil sou doida pra morar lá e ser quem eu sou livremente
Dezembro 17th, 2007 at 2:14 pm
Eu também gosto de tudo que a Letícia escreve. :)
Bárbara: você não está sozinha. Esta passagem: “Eu achava quase todo mundo profundamente idiota. Eu saía da sala quando passava Big brother pelo simples fato de que eu tinha passado a minha vida inteira tentando fugir daquelas pessoas.” está falando de mim. Então somos dois. Na verdade, o Hiro entra na conta, então somos três. E pergunte a ele pelo pessoal fã de Jornada da lista que ele (in theory) mantém no Yahoo!; verá que somos vários.
Mas, Bárbara, “menos pior” não. Menos ruim. Quando a gente diz “menos pior”, está só colocando o sinal de menos na frente, quando o que quer é graduar intensidade.