Mais ou menos para caralho
Tem uns dias que nada sai do jeito que devia sair, ou que tudo fica mais ou menos. Hoje tem gente que arruma briga comigo só por arrumar, tem gente que não faz as coisas do jeito de devia fazer, trabalhos andando a passo de lesma… Nada de péssimo aconteceu, mas tudo de mais ou menos.
Eu queria muito sumir para uma pousada em Ilha Grande, Itaipava, algum lugar desses. Uma pousada ou uma casa de fim de semana, daquelas que você pode entrar molhada e sentar no sofá, onde tem um monte de revista velha na sala (esquecidas em visitas anteriores) e comidas não perecíveis na cozinha. Onde nada lembra dia a dia, trabalho ou coisas práticas. Onde vc some por uns dias e finge que nada está acontecendo, onde não tem computador ou televisão, e o celular não pega direito (ou quando pega você deixa ele no silencioso e só atende se estiver a fim). Onde de tarde você dá aquela cochilada preguicenta de quem foi à praia, de biquini.
Mas hoje não dá. Hoje eu tenho que me virar pensando nesse país, que apesar de eu estar adorando tem umas coisas muito irritantes que lembram o Brasil. Dia desses fiz um frila que pagava 92 libras. Recebi 72, porque 20 foram para os impostos. Achei surreal me taxarem essa estupidez por um valor tão baixo. No Brasil pelo menos só se começa a pagar imposto depois de uns 900 reais por mês.
O sistema de saúde daqui é mequetrefe, o transporte público apesar de legal custa uma fortuna (mas se comparar relativamente, ainda é menos absurdo que no Rio, onde não tem passe mensal), o sistema escolar é assim assim, para andar de carro tem mais imposto e congestion charge. Ainda que não seja pior do que o Brasil, às vezes dá a impressão de ter trocado seis por meia dúzia. Se eu quiser um bom médico aqui tenho que pagar plano privado, se quiser uma boa escola pros meus filhos, pague do meu bolso também. Repito, não é o absurdo que é no Brasil e os sistemas públicos não são tão ruins. Só não são bons.
Sabe quele quadro da TV Pirata, a revista Faça Feio - a revista da mulher moderna, mas sem jeito? Que ensina a fazer um almofadão que fica mais ou menos? É assim aqui. O plano do governo era dar a toda população uma escola que é mais ou menos e um sistema de saúde que não é muito ruim. Eu não discordo, mas ainda acho estranho.
Faz mais ou menos sentido.
Outubro 16th, 2007 at 7:31 am
HAHAHHAHAHAHA
Muito bom esse post. Concordo em genero numero e grau!
Mas quanto ao imposto, guarda todos os seus payslips e peca pros empregadores seu P45, e no final do ano fiscal (abril) ou quando vc voltar pro Brasil, pode pedir tudo de volta. E eles pagam mesmo. Te mandam um cheque pra casa, com cada centavo de imposto que vc pagou e nao deveria (aqui soh se paga imposto em salario maiores de 5000 por ano, mas como tudo eh calculado por ano, quem te pagou os 90 nao sabe se vc ganah soh 90 ou se faze 1000 freelas de 90…)
Outubro 15th, 2007 at 11:06 pm
Ah, Baxt, eu acho que eu posso entender. Especialmente porque quem vai morar fora do Brasil tem a impressão de que vai encontrar tudo muito mais organizado e funcional. Especialmente, também, porque eu sou exigente e detalhista pra caramba.
Mas, believe me… a coisa aqui tá TÃO negra que eu to trocando seis por meia dúzia. É tanta sujeira (de todos os tipos e em todos os lados), violência (já viu ‘Tropa de Elite’? só se fala nisso aqui), subdesenvolvimento… Antes eu queria apenas sair do Rio; agora to achando que, dentro do brasil (com b minúsculo), não tem mesmo solução.
Uma pena, Baxt, uma pena…