Insider
Tenho lido avidamente o blog do Fernando Meirelles, com os diários de filmagem de Blindness. Uma visão privilegiada da coisa, com detalhes aos quais a gente nunca teria acesso de outra maneira. Se fossem artigos para uma revista, por exemplo, não seriam tão descompromissados. O cara tá lá, vivendo o dia a dia com atores que a gente não conhece de perto, os “gringos”. E contando como as coisas são feitas, os detalhes. E a gente sabe que são os mini-detalhes que dão vida à coisa.
Mas o ponto que não sai da minha cabeça é o seguinte: no que esse blog vai mudar a minha experiência de ver o filme? Sabe quando você vê um programa de televisão depois de trabalhar na produção? Será que eu vou ficar procurando o vidro de esmalte o que o Gael usou para montar o personagem? Ou vou ficar obcecada em achar os erros de continuidade na cena do Mark Ruffalo com a Julianne Moore?
O que esse contato tão próximo com o processo de criação muda na hora de “consumir” o produto final? O objetivo da arte muda nesses tempos em que a vida de todo mundo é aberta, que todo mundo acompanha todo mundo, que o planeta é um gigantesco making of?
Quando eu fiz o vídeo do meu casamento, expliquei para o cara que estava filmando que eu era a “mulher making of”. Que para mim não tem muita diferença entre o produto final e o processo de criação, e que por isso eu queria vídeo do casamento mostrando o fotógrafo, foto mostrando o povo prendendo a cauda do vestido, essas coisas.
Essa praga de paparazzi e de culto às celebridades tem a ver com isso, na minha opinião. Não dá mais para manter os mitos. Não existe mais a diferença entre os bastidores e a boca de cena. Tudo se misturou e a gente que aprenda a conviver com isso.
Hiro uma vez me disse que a nossa geração é a última que se preocupa com o conceito de “privacidade”. Que o povo mais novo tá crescendo em público, o que traz coisas boas e ruins (a internet nunca esquece, e a gente sabe o quanto isso pode ser perigoso para quem tem 15 anos hoje).
Mas pesando os prós e contras, acho que gosto mais das coisas desse jeito, mesmo não tendo a menor idéia onde isso vai parar. E você?
Outubro 11th, 2007 at 8:23 pm
Já o meu trabalho acaba com toda e qualquer possível tietagem. Quando os caras não são uns chatos, são sem-sal, ou cheios de mania, ou gente com um ego gigante, mas tão ordinária quanto qualquer outra pessoa no mundo.
Mas acho que rola essa tendência de ver com admiração o produto que vc faz parte, ne… Eu sou mega crítica no processo de pordução, mas depois que vai ao ar acho tudo lindo.. o que é um perigo. Acho que rola aquela sensação de filho parido, sabe? Trabalho realizado, sei lá…
beijo!
Outubro 10th, 2007 at 10:50 pm
Eu fiquei meio assim quando participei da produção de um festival de música. Não curto tietagem, era trabalho mesmo, mas fiquei com medo de meus ídolos serem babacas e não aquilo tudo que eu via no palco.
Acabou que foi tudo super bem. Profissional e nos trinques. E além de tudo, eles arrasaram no palco. :)