Falando de mim para mim mesma

Ate hoje eu nao sei exatamente o que eh uma epifania. Eu tinha um amigo que usava essa palavra para tudo. Mas mesmo assim, acho que tive uma epifania no Starbucks, agora. Ou nao. Mas gostei das ideias que passaram pela minha cabeca.

Eu tava la, sentada, tomando um capuccino safado que custou um preco mais safado ainda, pensando na vida e comento um sanduiche embrulhado em papel aluminio que eu tinha trazido de casa. Nao tinha levado nada para ler, entao comecei a escrever num caderninho. Escrever, de bobeira. Tava me sentindo afobada, ansiosa para a minha vida se resolver, querendo que as coisas funcionem, querendo que as coisas andem mais rapido que o timing delas, me achando chata e todas essas coisas. E ai comecei a tentar botar as ideias em ordem. Escrevendo a toa, em qualquer papel, como eu nao fazia ha seculos.

E esse foi o grande barato da coisa. Lembrei de mim mesma ha varios anos. Lembrei de mim sentada no shopping da gavea, fazendo hora antes de ir para a orientacao vocacional. Odiando todo mundo no shopping, aquelas pesosas enjoadas, aquelas mulheres vestidas de bege, aquele povo sem graca. Isso foi em 1995.

E ai hoje, sentada no Starbucks da Piccadilly, num intervalo do meu work placement pelo qual eu nao ganho um centavo, sem dinheiro e toda enrolada na vida, me dei conta que por mais que eu seja sem graca, chata e boring, eu nao virei uma pessoa bege. Eu ainda tenho um bocado da mim mesma que estava la no shopping da gavea tomando cafe e escrevendo a esmo. E percebi que estou no lugar que eu queria estar, que nao me acomodei, que eu sou um pouquinho interessante, pelo menos as vezes.

Nao sei se foi uma epifania, porque tou com preguica de procurar o significado da palavra agora. Mas fiquei feliz. Ficou mais facil levantar, e voltar para o escritorio, e pensar nas pequenezas da vida. Isso significa parar esse post aqui, guardar por algumas horas aquela furia toda de escrever um livro, fazer um filme, fazer um filho, cruzar a europa de bicicleta e todas as aquelas coisas e me concentrar se o maldito gravador vai resolver funcionar depois de me deixar na mao hoje de manha, tentar manter a disciplina para conseguir emagrecer (ta dificil!) e tentar manter o gas para ir para a academia. Essas coisas. Pegar onibus, escrever, comer, fazer compras.

Guia para brasileiros chegando em Londres

Ja faz tempo eu quero escrever um guiazinho pro povo que esta chegando aqui. Escrevi metade e fiquei sem tempo de fazer o resto. Resolvi publicar o que eu ja tinha e depois completar (um dia, quando as coisas aqui estiverem menos freneticas, o que eu nao sei quando vai ser).

Voce pode acessar o guia pelo link “Guia” ali na coluna ao lado, ou por aqui.

Espero que ajude.

Coisas

Pois é, minha irmã reclamou que eu não escrevo mais nessa bodega. Mas é que eu entreguei a dissertação, trabalhei numa reunião da alumni da Imperial, comecei mais um periodo de work experience, fiquei cansada para c…, e só agora estou voltando ao normal, sem aquelas dores musculares inexplicáveis de gente velha e/ou estressada.

E aí me deu vontade de ficar quieta para processsar as informações, as histórias dos velhos que se formaram na Imperial depois da guerra (ou antes), os códigos de comportamento nos escritórios (tais como de duas em duas horas alguém levantar para preparar chá para todo mundo), e várias outras coisas. Estou processando tudo, fazendo barulho que nem computador com pouca memória.

E hoje fizemos um ano de Londres. 20 de setembro. Um mês depois do casamento a gente chegava aqui, meio sem eira nem beira. E agora estamos mais ou menos sem eira nem beira de novo, sem poder fazer planos, sem poder pensar mais de duas semanas à frente. E vamoquevamo.

Brasil-sil-sil

Notícias que me deixam com vergonha.

New generation of ‘disappeared’ brings anguish to streets of Rio

De tempos em tempos a gente tinha esse papo com a empregada lá de casa. No bairro dela já não tinham muitos meninos depois de uma certa idade. Os homens de, digamos, 25 anos, eram raros porque grande parte tinha morrido na adolescência. Saca país em guerra? Onde só ficam as crianças, mulheres e velhos? Pois é.

Pílulas

- Graças à minha mania de pegar as coisas da geladeira e jogar numa panela, descobri hoje que omelete de alcachofra é bom demais. Bom saber.

- O blog desatualizado de Fernando Meirelles, caso você não tenha visto o link por aí ainda. Fiquei emocionada com o post do encontro com o Saramago. É muito, muito bom ver que gente fodona e estabelecida como o Meirelles treme nas bases ao ver as furadas em que se mete. E que talvez seja por isso que ele seja fodão.

Se for isso, então estou no caminho certo. Sou muito boa em arrumar sarna para me coçar.

- Vi Elite da Tropa. Ou melhor, não vi, porque o ridículo do diretor (produtor, ou sei lá) resolveu ficar com raivinha de quem viu piratamente. Só lamento se ele não entendeu que o mundo é assim agora. Se fosse esperto já tinha capitalizado o buzz em cima do filme para alavancar a carreira.

Portanto, não vi, não achei nada. Não vou falar bem. Quer dizer, dia desses eu comento porque eu não consigo ficar calada mesmo.

- Letícia, o porquinho é de uma casa aqui perto cheia de porquinhos. Muito legal.

- Eu tenho realmente que voltar a fazer a minha dissertação. Quem tiver opiniões e insights geniais sobre a relação entre humor e science communication, pode mandar.