A operária X a qualquer coisa (por falta de um nome melhor)

Às vezes eu acho que estou sendo tragada pela rotina e pelo dia a dia. Isso acontece com vocês?

Eu passo assim uns dias, concentradíssima, tentando ser produtiva, fazer matérias, fazer contatos, fazer dieta, fazer as unhas, ir a academia, e de repente, de uma hora para outra me dá saudade de mim mesma, dos meus planos de longo prazo, de correr atrás de mim e daquelas buscas meio inúteis e meio salvadoras atrás de quem eu sou.

Deu para entender?

E sabe o que é pior? Eu tenho certeza que essa esquizofrenia vai continuar para sempre. Porque quando eu melhoro prum lado, eu abandono o outro. Hoje tou aqui, fazendo telefonemas, comendo salada, e aí sinto que está faltando alguma coisa.

Falta sim, sua desavergonhada. Falta continuar assim, trabalhar, malhar e ficar gostosa sem achar que você é uma artista, uma escritora, que vai engolir o mundo, que vai escrever um romance apoteoticamente genial e que vai ter insights que vão mudar a vida das pessoas, e todas aquelas outras coisas que vc achava que ia fazer quando era adolescente e continua achando que vai.

Como eu posso ser produtiva e genial na mesma encarnação, com dias de 24 horas e ainda ter que dormir 8 horas?

Socorro.

2 Responses to “A operária X a qualquer coisa (por falta de um nome melhor)”

  1. beth Says:

    gata, anos de terapia para me convencer que eu não tenho que ser super em tudo e ainda conseguir viver como uma normal, e eu ainda não cheguei lá. passo pelos mesmos surtos, pelos mesmos ciclos, pelas mesmas perguntas. no fundo, somos todas iguais, ainda que esperando ser diferentes.

    como disse o zander aí em cima, equilibrar os pratos não é fácil, mas essencial. ainda que a gente surte quando um ou outro caia e se espatife no chão.

    beijos.

  2. zander catta preta Says:

    Baxt,

    a minha - e absoluta - resposta para isso é longa e você deveria saber boa parte dela.

    a mediocridade não é ruim, não lute contra ela. afinal de contas, o maior mérito do medíocre (e da medíocre-idade) é sobreviver ante as adversidades.

    e ser genial, brilhante, é trabalho árduo e, principalmente, imperceptível. ou seja, quem quer ser brilhante o é no decurso natural de sua obra e não porque persegue a genialidade. é genial porque não consegue ser diferente e, garanto-lhe, sofre por conta disso. sofre por conviver com quem é medíocre e não entende o que passa consigo.

    agora, equilibrar os pratos da vida é o que o medíocre faz de melhor.

    está na hora de decidir o que você quer para si… :D

    beijos e saudades