General de pijama
Às vezes eu entro numa comunidade do Orkut chamada Trabalho para Jornalistas. Acho que entro por masoquismo, só para ficar com vontade de chorar e esbofetear algumas pessoas. É um monte de gente desesperada por qualquer trabalho, em qualquer lugar, em troca de amendoim. Aparece emprego para trabalhar doze horas por dia por 700 reais, seis dias por semana e nego já fica todo animadinho, achando o maior negócio da terra…
Tem também gente reclamando das exigências das vagas. Exigências “muito exigentes” como inglês fluente. Aí vem uma cerumana (?) e diz que é raro quem tenha inglês fluente. Raro onde, cara pálida? Tudo bem, tem gente que não teve tempo ou dinheiro para fazer inglês aos 10 anos como as crianças da Zona Sul do Rio. Mas ninguém tem desculpa, em idade nenhuma, para não estar pelo menos estudando inglês. Isso é prioridade zero e não se discute. Existem cursos comunitários, cursos para gente carente, cursos pela internet, o diabo.
Outros reclamam de empresas que só querem curriculos de gente das faculdades X, Y e Z. Concordo que isso não é lá muito certo, mas dado o nível do povo que sai das faculdades que tem por aí, até entendo o empregador fazer isso só para tentar diminuir o número de “derrepentes” e “anciosos” no texto dos emails.
Uma vez coloquei uma vaga na comunidade, para ajudar uma pessoa que estava precisando de um estagiário ou algo assim. Nossa senhora, recebi cada coisa! Mails sem noção, mails com o curriculo atachado e sem texto, e por aí vai. Em que planeta essas pessoas querem trabalhar, meu deus?
As pessoas têm um problema sério de entender que as coisas na vida não vêm de graça. Tem que estudar inglês, tem que fazer a melhor faculdade que vc puder pagar, tem que mandar um email bonitinho e bem escrito para o empregador, etc etc.
Ai ai, eu sei que estou ficando velha. Militar de pijama, reacionária e tudo isso, mas não é possível. E isso porque eu ainda não comecei a falar da outra face do jornalismo. Das jornalistas que ficam grávidas de políticos, que namoram prefeitos, que fazem teste do sofá e que não sabem ler mas conseguem vaga de apresentadora. Tem também aquele clássico caso da moça que supostamente engravidou de um ex-presidente por aí, que dizem que é verdade mas eu nunca vi a tal criança.
Antigamente, dizer que era atriz era uma vergonha para a família. Hoje em dia às vezes eu tenho vergonha de dizer que sou jornalista. Soa meio como “empresária e modelo”, sabe?
Mas enfim, eu sou teimosa, sou brasileira, não desisto nunca e sei usar crase. Erro pontuação em inglês às vezes, mas chego lá.
julho 10th, 2007 at 4:46 pm
cruel, cruel….rs
Mas concordo.
julho 8th, 2007 at 9:26 pm
Sabe o que é foda? Eu não sou jornalista - mas SEI escrever. Leio. Pesquiso. Entendo de determinados assuntos. Como resultado, acabo muito mais jornalista do que muito jornalista com diploma (e anCioso por um trabalho) por aí…
julho 6th, 2007 at 9:56 pm
Eu tenho um site (fajuto) de empregos com o Mauro. No site são as empresas que anunciam, o candidato só tem que ficar indo no site ver se tem novidade. Isso não impede que pelo menos 1 vez por semana a gente receba um e-mail com um currículo. Com sorte vem um parágrafo “estou desempregado, aqui vai meu currículo para quaisquer oportunidades”. Muitas vezes vem, como você falou, só o anexo. Em outras a criatura se dá ao trabalho de dizer “como não encontrei por onde mandar meu currículo, aqui vai”.
Cacilds, se você não é capaz nem de entender como funciona um site não reclame em estar desempregado num país onde a galera sai no tapa por um emprego.
julho 6th, 2007 at 6:25 pm
quer ver o livro de cuba? eu falo de vc (mais ou menos)…. ;)
julho 6th, 2007 at 4:32 pm
Mas olha bem quem são as pessoas dessa comunidade… Sei lá, eu nunca entrei, mas imagino que seja uma galera recém-formada, à procura da primeira oportunidade… não é não?
Jornalismo realmente não é uma carreira fácil, mas eu acho que aqueles que teimam e acabam seguindo (como eu e vc) fazem isso porque não têm outra opção. Quer dizer, eu, pelo menos, não tenho outra opção. Adoraria ser formada em economia e trabalhar em um daqueles bancos de investimento, e ganhar muuuito dinheiro. Mas… quem mandou ser mais subjetiva que lógica? heheh
julho 6th, 2007 at 3:20 pm
Modelo-manequim-atriz fotográfica-jornalista, a profissão do século!