Monthly Archives: junho 2007
Coisas que ninguém ensina na Cultura Inglesa
Chegando aqui, descobri que meu inglês de Cultura Inglesa é bom, que eu sei mais gramática que muito britânico e graças a Deus meus assignments são decentes. Mas também descobri várias coisas que a Cultura não me ensinou ou me ensinou errado, e me pergunto por que raios?
Coisas que eu não sabia:
- que o plural de fish é fish - não existe fishes
- que o plural de sheep é sheep - também não existe sheeps
- que lemon não é limão nem aqui nem na China. Limão, verdinho, aquele que a gente conhece, é lime. Lemon é lima, aquela fruta amarela que ninguém que eu conheço come
Essas são algumas coisas que eu lembrei agora, mas daqui a pouco eu incluo mais.
A incrível máquina de ler pensamentos das charities britânicas
Dia desses estava saindo de casa e distribuindo as cartas pelos escaninhos do predio (aqui funciona assim: o carteiro joga pela porta um pacotão de cartas, o que sempre inclui um monte de spam, e um dos moradores distribui pelos escaninhos dos 23 – isso mesmo, 23 – studios do prédio).
Observei uma carta que veio só para mim, mas que não era conta nem revista. Por eliminação, era spam. Vinha da British Humanist Association, uma charity com o (genial) slogan “For the one life we have”. Sim, para quem já imaginou, uma charity atéia pedindo meu dinheiro. Dou meu apoio e minha alma imortal (hohoho), mas dinheiro não tou podendo dar nem para os animais abandonados, que vem um pouco mais alto na lista de prioridades.
Mas a questão é: como cargas d´água esse povo descobriu minhas idéias humanistas, meu endereço e mandou a carta especificamente para mim???? Eu não saio por aí militando ateísticamente com meus amigos ingleses ou escrevendo sobre isso. Tudo o que eu escrevo sobre o assunto é em português nesse blog aqui, o que tira a chance de eles terem descoberto por esse site. Só posso imaginar duas maneiras:
1 – pelo mailing list do Richard Dawkins, já que eu entrevistei o moço no começo do ano. Dois poréns: quem disse que eu concordo com ele? Grande parte dos jornalistas que entrevista ele é religiosa ou simplesmente discorda da militância atéia dele. Além disso, eu nunca dei meu endereço para ele ou para a assistente!
2 – Pelo meu history de navegação nos sites ateus e brights, o que traz o mesmo problema de que eu nunca dei meu endereço para eles, e me faz perguntar: quem está trackeando meus sites visitados????
Portanto isso me leva a uma terceira hipótese. Eles devem ter uma máquina de ler pensamentos, ou espiões para observar todos os nossos passos e conversas, ou microfones instalados nos onipresentes (ubiquitous, para usar a bela palavra que eles adoram aqui) detectores de incêndio. O mesmo para as charities muçulmanas, criacionistas, defensoras dos direitos das mulheres, pró-guerra, anti-guerra e tudo mais. A charities britânicas são o novo Big Brother que está de olho em você. Muito cuidado.

(esse é um smoke alarm parecido com os dois daqui de casa. Onde mora a consciência coletiva e a inteligência britânica, pelo visto)
Physalis
Dia desses esbarramos com uma frutinha esquisitissima no supermercado, chamada Physalis. Parecia uma flor de bouganville seca com uma cerejinha amarela no meio. Como a bichinha nao era cara, compramos. Acabei viciando.
Estou na faculdade tentando escrever um texto e tinha trazido um saquinho de physalis para comer. Como quando temos que escrever alguma coisa acabamos sempre arrumando algo para enrolar, resolvi pesquisar a fruta. Descobri que ela eh super comum no Norte do Brasil. E eu nunca tinha nem ouvido falar da danada, tive que vir ate aqui para descobrir!
Como eu jah disse, nao eh muito cara (custa uns £0,70, bagatela comparada com os meloes de £2, as mangas de £1,70 e as cerejas de £4), e por isso acabei pegando o habito de comprar. Eh tao bonita e diferente que deve ficar linda para servir para os amigos (e se ninguem tiver coragem de comer, eu ainda posso me empanturrar).
Achei essa materia aqui falando mais sobre a fruta e citando alguns dos nomes populares. De acordo com o texto, parece que ela sai mais cara ai no Brasil do que aqui…
Fazendo site
Arrumei uma matéria de Multimedia para fazer no curso. Uma desculpa para finalmente montar meu site pessoal – dessa vez não tenho escapatória.
Pois bem, estou aqui, desde que acordei (já são quase nove da noite) só fazendo isso, aprendendo a colocar minhas matérias em pdf, montando coisinhas no dreamweaver, etc. Trabalho de chinês preso, mas é bom fazer alguma coisa que não seja uma reportagem (ou um essay) para variar.
Só para avisar, o site novo um dia vai entrar aqui nesse endereço, e o blog vai ser transferido para um /blog. Mas não hoje, nem amanhã. E é lógico que vai ter um link bem visível. Não sei se algo muda no RSS (na verdade até pouco tempo atrás eu não tinha nem idéia que meu site tinha RSS – quem entende dessas coisas é o dono do terreno onde eu me hospedo), mas se mudar, ele vai dar um jeito.
Depois das mudanças essa bodega virtual aqui vai ficar mais organizada e eu vou poder fingir que sou uma pessoa séria, com site bilíngue e portfólio online. Quem viver verá.
Saudade de chuva
Pois e, morar fora faz a gente ter saudade das coisas mais estapafurdias. Eu, que sempre odiei chuva forte e era a primeira a ter vontade de me meter debaixo da cama quando trovoava, estou sentindo falta justamente de raios, trovoes e chuva de macho.
Porque aqui nao chove: caem uns respingos de vez em quando. “Chuva molha parvo”, ouvi um portugues dizer outro dia. Soh que ai ontem choveu de verdade, e quando entrou o ventinho de chuva pela janela descobri – oh! – que ventinho de chuva eh gostoso, e lembrei de como era bom ficar deitada na rede (ou em qualquer outro lugar) vendo o mundo ser lavado.
Pois bem, o episodio durou dez minutos, com direito a um ou dois trovoezinhos bem mixurucas. Logo depois saih de casa e – inedito, inedito – havia pocas d’agua na rua. Olhando para a poca me dei conta de que nao vi muitas nesse tempo aqui.
Resumindo, eu devo ser a unica pessoa que veio para Londres e reclama que aqui nao chove.
Sera que as criancas aqui passam a vida inteira sem tomar banho de chuva, sem chegarem em casa encharcadas e pingando, a ponto de precisar se secar com toalha para passar da porta? Que triste.
Uma historia fofa aleatoria
Voce, caro leitor, jah sabe que eu adoro historias de casamentos fofos. Mas especificamente, casamentos com casais felizes. Sempre que vou a um em que os noivos estao realmente animados, , em vez de preocupados com as lembrancinhas, a maquiagem ou a decoracao, fico emocionada e passo a achar o mundo um lugar cuti cuti.
O Hiro acabou de me mandar esse link (ignore o post no topo da pagina com fotos de dois supostos sosias e siga lendo), de duas meninas americanas que se despencaram para Toronto para fazer a cerimonia civil e voltar no dia seguinte. Como as familias nao queriam testemunhar, uma delas colocou um anuncio na internet pedindo voluntarios. Acabaram arrumando um figura que tocou acordeon na cerimonia, tirou fotos e ainda publicou a historia toda!
O que voce eh capaz de fazer com um chiclete, um canivete, um saquinho de fertilizante e uma versao antiga de firefox?
Acho que descobri porque detesto e tenho vontade de espernear quando preciso fazer um site em html, no dreamweaver, ajeitar meu blog, etc.
Eh porque nao existem solucioes elegantes possiveis, nao dah para fazer as coisas “direito”. Tem sempre uma gambiarra, uma tosquice, uma tabela a mais aqui para “enganar” o programa, uma imagem transparente ali para “segurar” alguma coisa. Eh sempre uma um monte de quebra galhos trepados uns nos outros.
E ai eu fico imaginando aquela casa em que a silver tape da torneira tem que ser segurada com um arame para nao cair em cima da cola polar que esta prendendo outra coisa, que a gente improvisou com uma embalagem de nescafe. E tem tambem os fios embolados que podem dar um curto a qualquer momento se a silver tape da torneira deixar de funcionar e pingar em cima deles ou, pior ainda – alguem usar um browser diferente ou configurar a visualizacao do computador para uma tela maior!
Meninos e meninas que fazem sites em geral: voces sao herois, viu?
Cabelo, cabeleira
Hoje fui cortar o cabelo e resolvi tirar todas as duvidas que me assolam a respeito de melhor corte, cores, luzes, etc etc. Fiquei horas de papo com o cabelereiro, perguntei tudo que queria, ele me ajudou a beca. Chamou aos berros a mulher que trabalhava lah cujo cabelo eu tinha gostado. A mulher veio, me mostrou o cabelo, eles explicaram tudo bonitinho. Agora jah sei o que eu quero fazer e o nome do procedimento. Soh falta o dinheiro, porque o treco eh caro.
Toda vez que eu vou lah eh uma tragedia. Experimenta explicar coisas como “cabelo em camadas”, “arrepiado para fora ou virado para dentro”, “pontas desfiadas”, “fio reto”, etc etc etc. Algumas coisas eu jah aprendi, outras uso a tecnica universal de over-explicar associado a um monte de mimica, o que costuma funcionar.
E depois de tudo isso ele pergunta de onde eu e Hiro somos. Brasil, respondemos.
- “Nao acredito!”, responde o cara, mineiro de Belo Horizonte morando na Europa ha quase 20 anos.
E eu gastando meu ingles, sofrendo para falar coisas que nao sei explicar!!!
A parte boa eh que da proxima vez nao vou precisar rebolar tanto para dizer o que eu quero. A parte ruim eh que sao essas facilidades que deixam a colonia brasileira preguicosa… :)
Breve disgressão
Quando eu tinha uns 11 anos, queria loucamente ser Paquita.
Aos 18, passei a querer ser Monty Python quando crescesse, o que acho que foi uma boa evolução.
Dia desses, descobri que Douglas Adam queria ser John Cleese, mas depois de um tempo ele percebeu que vaga já estava ocupada.
Como também não estão contratando ninguém para Monty Python atualmente, vou até ali pensar num plano B que dê tão certo quanto o do Douglas Adams.
