E vai mexendo o popozão
Alanis Morrisette regrava My Humps e mexe o popozão:
Quando vejo clipes como o My Humps original, só consigo pensar nos 60 anos de luta feminista, nos sutiãs queimados, nas suffragettes e nas 140 operárias mais queimadas ainda dentro da fábrica (no episódio que deu origem ao Dia da Mulher). E admito que tenho vontade de chorar vendo essas figuras vulgares que se vendem por bling and ice e queimam o filme de todas as outras. (claro, tem gente que gasta ice and bling para comprar…)
Não estou falando nas prostitutas de verdade, pois essas jogam limpo e não queimam o filme de ninguém. É um trabalho como outro qualquer. Tou falando das que casam com coroas e engravidam logo para garantir a vida, que gastam centenas de reais no salão ou milhares nas clínicas de estética em um dia (e claro, não trabalham), ou que dão uma trepadinha com o chefe para garantir alguns benefícios.
Se tem homem pensando que mulher é bicho que se pega desfilando de carrão e oferecendo bling and ice, é porque isso é verdade em muitos casos. E quando esse tipo de mulher vira o role model aí, meu amigo, o bicho pega. Um amigo do meu irmão uma vez pegou o carro importado conversível do tio e saiu para a night. E ficou horrizado com a quantidade de garotas se oferecendo para ele em comparação com as vezes que ele saía no seu humilde Gol ou carro simples que o valha.
Mas porque eu desabalei a falar nisso? Sei lá. Porque achei engraçado a Alanis dando uma zoada nessa babaquice que impera. Em vez de ler um discurso chatonildo como esse post, vai lá ver o clipe que é bem mais divertido do que eu hoje. E o texto vai ficar assim, meio sem final mesmo. Afinal, a história ainda não acabou. Ela continua todas as vezes que eu vejo um garoto no metrô parecendo um outdoor multiplo de marcas, fazendo propaganda de graça para todas as lojas de Londres e cheio de penduricalhos e brilhantes falsos querendo dizer para todo mundo que é uma pessoa legal. E eu, velha e do contra, me pergunto se ele tem alguma idéia por baixo do logotipo gigante que ocupa o boné inteiro. E que tipo de valor esse garoto tem. E que tipo de namorada ele arruma. E o que passa pela cabeça da namorada.
Enfim, eu tou ficando velha. Sou old school, daquelas que compra a roupa e arranca a etiqueta. Ou pelo menos não usa nada com a marca muito grande a menos que me paguem para isso. Infelizmente ninguém até hoje pagou. Uma pena.
Abril 10th, 2007 at 12:26 am
Fazer propaganda de tudo é a outra face da moeda de retirar o rótulo de tudo. Simetria.
Abril 6th, 2007 at 6:56 pm
Pra mim é tudo lei da oferta e da procura com uma pitada de lei da menor resistência. Tem homem que acha que corcovas e peitolas é o que importa. Tem mulher que resolve usar a corcova e a peitola pra conseguir o que quer sem ter que fazer muito esforço. Win-win situation para eles.
E aí todo mundo acha que toda mulher e biate e todo homem é otário.
Abril 5th, 2007 at 2:18 pm
No final das contas, acho que a militância política e social morreu mesmo no século passado. Essas pessoas que levantam bandeiras (ainda que velhas e manjadas) hoje em dia na verdade estão interessadas pura e simplesmente em se vender. Vide o exemplo dado pela Raquel.
E pra ilustrar mais um pouco, o caso da Milene (ex-Ronaldo Fenomeno), que 4 dias antes de se descobrir grávida de 3 meses, se declarou virgem num programa de entrevistas (se não me engano da Silvia Poppovic). Só se for por nascer entre 23 de agosto e 22 de setembro.
Abril 5th, 2007 at 11:54 am
O Black Eyed Peas tem uma batida legal, mas é de um machismo/sexismo atroz. A Fergie adora dar entrevistas falando de sua atitude sou-mulher-dona-da-minha-vida-e-do-meu-nariz, aí faz vídeos de shortinho-inho-inho e bancando a vagaba.
De chorar, mesmo.