Banzé no Parque

…e estávamos nós lá sentadinhos na escadaria do Albert Memorial, descansando depois de camelar por Portobello Road e pelo parque. Eu, Marido e os pais do marido, jogando conversa fora, quando começam a chegar uns carros de polícia, tão discretamente quanto carros de polícia podem chegar. Ficamos curiosos. O que pode estar acontecendo? O sogro ou a sogra, não lembro bem, comentou “como aqui não tem bala perdida, vamos ficar para ver o que está acontecendo”.

Vou tentar resumir, mas é difícil. Basicamente um cara peladão e muito, muito louco, tinha subido no Albert Memorial. Lá de cima, ele gritava, batia no peito, rebolava, e fazia todas aquelas coisas típicas de doidão em lugar proibido. E os policiais ali embaixo, olhando com cara de bunda pensando em como tirar o doidão de lá. Com minha cabeça de carioca, achei que eles fosssem subir e dar um mata leão no cara. Que nada!

Ficaram tentando convencer o cara, jogaram uma roupa, e lá pelas tantas ele deitou com a cabeça para fora e começou a levantar as pernas. Ficou balançando que nem criança, enquanto as pessoas pensavam: “esse cara vai…”

Caiu! Uma queda de três metros de cabeça para baixo. Plonc! Os policiais ficaram em volta dele e o respeitável público logo achou que ele tinha quebrado o pescoço, morrido, etc etc. Vários minutos tudo continuava na mesma e vi um menino de uns 7 anos ainda branco e estático. Comecei a achar que o cara tinha morrido mesmo, e que e a última imagem dele no mundo seriam as fotos que todo mundo tirou dele peladão balançando o bigulim debaixo de um Príncipe Albert coberto de ouro. Juro que fiquei triste.

Enquanto isso carros de polícia iam chegando, a ambulância já estava a postos e os bombeiros já tinham aparecido, visto que aquilo ali não era caso de incêndio e ido embora. Num momento inesperado o cara levantou, com a cabeça ensanguentada mas sem qualquer sinal de tetraplegia, e saiu dando porrada nos policiais. Esperneando, socando um e estapeando outro. Um dos caras, coitado, se machucou mesmo, e saiu de lá todo troncho e de tipóia.

Aí mais de dez pessoas cercaram ele para finalmente imobilizar na marra. O pelado ainda tropeçou e caiu uns bons degraus descendo de cara até que um bololô de gente sentou em cima dele e aí sim, imobilizaram a figura. Observe na foto o abraço coletivo dos policiais e o banzé que estava o parque.

Durante o tempo que ficaram ali foram chegando mais e mais carros de polícia. Todo mundo na cidade achou que estava acontecendo alguma desgraça coletiva, e entravam no parque consternadíssimos para saber o que era. Mas na verdade aquilo ali não passava de uma desgraça particular (eu fiquei com pena do cara, pelo menos até a hora que ele encheu o polícial de porrada, momento em que meu foco de pena mudou). Foram doze carros de polícia, senhoras e senhores! Doze! Na foto dá para ver uma parte dessa frota – observe ali dentro do quadradinho que é tudo carro de policia.

Finalmente amarraram o cara numa maca e levaram ele para dentro da ambulância. Nessa hora eu estava bem do lado – porque eu sou uma xereta profissional e estava lá na frente da muvuca, contando a história para todo mundo que se aproximava e perguntava “what happened?” – e na hora de tirar a foto para terminar de ilustrar a história a câmera do meu marido morreu. Meu marido tem a mania irritante de esperar a bateria da câmera zerar antes de carregar, o que nos obriga a passar dias inteiros com a bateria piscandinho até que ela finalmente morra quando você tem um segundo para tirar uma foto.

Já que não tenho a foto, vou contar que ele saiu ainda peladão, mas enrolado com uma tira de qualquer coisa nas “vergonhas”, com máscara de oxigênio e um tubo gigante de oxigênio. Pelo visto sedaram o cara, afinal. Fomos embora, comentando a quantidade de brasileiros no local (ô povo para ser curioso!) e a quantidade de carros, que impressionou até os ingleses.

Cerca de 10 minutos depois, voltando na direção de casa, presenciamos uma briga de adolescentes no Kensington Gardens, com direito a garrafada na cabeça e um menino sangrando à beça com duas amigas desesperadas.

Observações:

- Há meses nessa cidade, nunca tinha visto tanto sangue num dia só.
- Por favor, alguém me explica como estão os astros hoje. Marte, Saturno, qualquer planeta deve estar num lugar bizarro do céu, porque não é possível.

Ai meu jornalismo!

Esse texto aí embaixo estava na home do Globo Online. Graças a deus alguém já tirou do ar e corrigiu. O pior é que provavelmente o jumento que escreveu isso sequer tomou o esporro que merecia (deduzo isso pela quantidade de abobrinhas no jornal em geral, como o GorbachOv do outro dia).

Eu vivo dizendo que o mundo seria um lugar melhor se as pessoas soubessem usar crase, verbo haver e NÃO COLOCAR VÍRGULA ENTRE O SUJEITO E O PREDICADO! Olha só, é bem fácil:

Vírgula entre sujeito e predicado é simples. Nunca use. Pronto. Fulano, tomou um sorvete. Não. Errado, morte a quem escreveu isso.

Há muito tempo –> verbo haver é para passado.
Daqui a muito tempo –> preposição A para futuro (ou distância, ou etc.)

Vamos lá, o assalto aconteceu “pouco metros” no passado? Não? Então não tem verbo haver! (a concordância eu nem comento, porque aí é erro de digitação e falta de revisão, não jumentice gramatical)

Crase. Se as pessoas soubessem o que é uma crase, elas não iam errar. Mas elas não sabem. Então eu vou contar porque estou de mau humor hoje, de TPM, e tenho que esperar meu marido terminar de fazer um trabalho no computador para poder jantar. Crase, amiguinhos, é a preposição A mais o artigo A. Para indicar essa contração usa-se a crase. Na verdade, “crase” é o nome da tal contração e o acento se chama “acento grave” (que é o contrário de “acento agudo”, sacou? sacou?). Eu pessoalmente acho essa nomenclatura bizarra e na minha opinião o acento devia se chamar “crase”. Mas enfim.

Agora veja só que mágico. Se você tiver uma preposição e um artigo feminino, você usa a crase. Se você tiver SÓ a preposição ou SÓ o artigo você não usa. Não é muito difícil, né?

Se for antes de uma palavra masculina, você também não usa. Escrever “à Deus” significa que Deus é um ser hermafrodita com um artigo feminino antes. O mesmo vale para barbaridades como “à quem”. Quem usa artigo feminino antes de “quem”, caramba?

Tudo bem que aqui nas Inglaterras tem gente que usa “your in the wrong place” (o certo é “you are”, ou “you’re”, que soa igual mas é outra coisa completamente diferente). Mas nos jornais e revistas existem revisores, editores e outros “ores” que não deixam esse tipo de barbaridade ir para o ar!

PS: Tou rindo de mim mesma por ter escrito um post tão rabugento. Mas tem informações úteis, então vou deixar ele aí. Por favor, mandem isso para seus amigos analfabetos que não sabem usar crases, vírgulas ou verbo haver (porque eu sei que os leitores do meu blogue são crasse A e não fazem essas coisas feias).

PS2:
Se você tiver a pachorra de ler a notícia, vai ver que os chineses tinham chegado do aeroporto e estavam indo para um restaurante… CHINÊS na Avenida Atlântica! Das duas, uma: ou esses chineses são os caras mais gastronomicamente enjoados do mundo, ou essa era a conversa para boi dormir que eles contaram para as esposas.

PS3: Se toda semana acontece uma coisa dessas, por que raios os turistas continuam indo pro Rio, ó meu deus?

PS4: Vocês já repararam que o meu raciocínio é tão confuso que eu não consigo escrever um post sem uns dois (ou mais) PSs?

Quem precisa de atiradores universitários coreanos?

Enquanto isso, na Cidade Maravilhosa…

Treze pessoas morrem num pega-pra-capar no Catumbi e a vida segue normalmente. Quase toda a Globosat funcionou como num dia normal. Quer dizer, FOI um dia normal.

Update:

Minha mãe ligou para a Globosat para saber como estavam os acessos ao prédio (minha irmã ainda estava no caminho, indo para lá). A resposta foi “Não venha pelo Catumbi não, venha pelo lado do Elevado [Paulo de Frontin]. A rua Itapiru está fechada, mas aí você pega um carro ou um táxi e sobe a rua com a polícia, no intervalo do tiroteio.”

Intervalo do tiroteio? Subir com a polícia? Ah tá.

Update 2:

Vivien, como assim “Acho que em alguns lugares, os encontros vão ser marcados “no intervalo do tiroteio””? Uma vez, há uns bons quatro anos, fui assistente de produção de uma gravação em Vigário Geral. Além de chegar de manhã e ficarmos esperando a autorização do “movimento” para entrar (porque eles tinham que fechar as bocas ou algo assim), tínhamos que sair antes das 17h. Depois disso a polícia chegava, começava o tiroteio e a gente teria que se esconder numa casa até acabar. Ah sim, nós fomos todos com uma camisa com o nome da equipe bem grande, para todo mundo saber quem nós éramos (em outras palavras, que tínhamos autorização para estar lá).

PS: acho que estou ficando velha. Hoje em dia não encararia uma dessas nem amarrada.

Estados Unidos Soviéticos

Estou impressionadíssima com a atitude soviética dos americanos em relação ao cara que matou 33 pessoas numa universidade. Primeiro morreram duas pessoas no campus e a polícia achou “que o atirador tinha ido embora”. Ninguém foi avisado – abafa o caso e finge que não está acontecendo nada. Duas horas depois morreram mais 31. (sendo que segundo um entrevistado da BBC, na semana passada tinham rolado duas ameaças de bomba no campus, ou seja, os caras deviam estar espertos, ou não?)

Até agora, no dia seguinte, ninguém divulgou a lista de mortos, a identidade do maluco, o que aconteceu ou por quê. Os alunos, segundo a BBC estão trocando informações na base do “Eu vi Fulano morrer, portanto inclui ele aí na lista”.

E eu que fiquei impressionada quando o submarino russo afundou e o Putin escondeu o fato… Tolinha. Deve ser o crescimento da China que está influenciando a política ocidental e fazendo escola no assunto “transparência de informações”.

Trabalho para os outros

Só agora tomei conhecimento da campanha Lia Esperança. O mote é “trabalho remunerado, anyone?” o que, acho eu, explica tudo. Tanto que resolvi divulgar também. Nunca trabalhei com a moça, mas como ela ficou meses no BBB7 garanto que tem estômago forte e força de vontade (para aguentar até o final…).

Diagramação para livros de medicina amplamente ilustrados? Inseminação artificial em elefantes? Garanto que ela tira de letra!

Eu quero! (ou A Ikea vai dominar o mundo)

Se você mora por essas bandas ou nos EUA, sabe que a Ikea é a salvação de todo mundo que precisa mobiliar uma casa, não tem dinheiro e possui um mínimo de bom gosto. É a idéia que foi copiada pela Tok Stok, mas a versão brasileira acabou virando uma coisa cara e portanto completamente diferente da empresa-mãe.

Um dia de passeio na Ikea merece um post inteiro, com suas visitas seguindo caminhos pré determinados e produtos com design clean e básico (um alívio para quem vem de um país onde móvel barato é sinônimo de armários cor mogno com detalhes em relevo, verniz brilhante e puxadores doirados). Todas as lojas ficam onde Judas perdeu as botas e são projetadas para ser um programa de dia inteiro, com parquinho para as crianças e restaurante com comida escandinava (as almôndegas são um clássico), igualmente barato.

Dizem que os móveis são um inferno para montar, mas não posso dar opinião porque o nosso micro estúdio já é mobiliado (o que significa uma mesa, cama e bancada de cozinha, e não tem espaço para mais nada). Mas todo o resto a gente comprou lá, tipo escorredor de talheres, tapete para banheiro, potes, luminárias, colcha, etc. Para quem mora no Brasil, descobrir que uma mesa de vidro com quatro cadeiras (tudo simplérrimo mas bonitinho) custa 45 pounds (o conjunto) é de cair o queixo!! São mais ou menos 180 reais! (dizem que os produtos de lá não duram muito. Não posso dar opinião porque minhas compras de lá têm 6 meses, mas também será que não é querer demais?)

Bom, mas eu queria falar do novo passo em busca da dominação mundial deles. Casas! Isso mesmo, agora você pode comprar um apartamento da Ikea, pequeno, clean, com janelas grandes, por um preço amigo, projetado especificamente para quem não ganha muito. Eu quero!

Ano que vem vai ser lançado o primeiro desses conjuntos / condomínios aqui no UK, mas bem longe de Londres.

PS1: as casas já vêm montadas, portanto vai dar muito menos trabalho de que encarar as chaves de fenda para montar um armário.

PS2: aproveitando o tema, dá uma olhana nesse site de tudo que é possível fazer usando os produtos da loja como matéria prima: www.ikeahacker.blogspot.com

Na academia

Acabei de receber pelo email da faculdade o meu relatório de malhação. Pois é, estou freuqntando a academia da faculdade há pouco mais de um mês, afinal sou pobre e tenho que aproveitar tudo que é de graça. Quer dizer, para falar a verdade custa 11 mil pounds (que é o preço do mestrado, graças a deus pago pela bolsa), o que caracteriza a academia mais cara que eu já frequentei, mas esse não é o ponto.

Não sei se isso existe no Rio, (porque eu nunca tive muita experiência com as academias luxuosas da cidade), mas eles têm um sistema que armazena todos os dados da sua malhação, além as suas séries, peso, progresso, etc. O que eu não sabia era que depois ia receber um email com o total do mês, quantificando quantos sundaes eu queimei e quantos elefantes levantei. Esses ingleses são sempre engraçadinhos.

Outra coisa divertida: nos aparelhos cardiovasculares (esteira, stepe e que tais) tem uma televisão. Você coloca um fone e fica ouvindo os programas, o que é muito útil para eu saber o que passa na TV dessa terra já que não tenho uma em casa. Como é uma academia de nerds (alunos e staff da Imperial) às 18h, horário dos Simpsons, é muito engraçado ver TODAS as TVs, sem exceção, ligadas no mesmo canal.

E vai mexendo o popozão

Alanis Morrisette regrava My Humps e mexe o popozão:

Quando vejo clipes como o My Humps original, só consigo pensar nos 60 anos de luta feminista, nos sutiãs queimados, nas suffragettes e nas 140 operárias mais queimadas ainda dentro da fábrica (no episódio que deu origem ao Dia da Mulher). E admito que tenho vontade de chorar vendo essas figuras vulgares que se vendem por bling and ice e queimam o filme de todas as outras. (claro, tem gente que gasta ice and bling para comprar…)

Não estou falando nas prostitutas de verdade, pois essas jogam limpo e não queimam o filme de ninguém. É um trabalho como outro qualquer. Tou falando das que casam com coroas e engravidam logo para garantir a vida, que gastam centenas de reais no salão ou milhares nas clínicas de estética em um dia (e claro, não trabalham), ou que dão uma trepadinha com o chefe para garantir alguns benefícios.

Se tem homem pensando que mulher é bicho que se pega desfilando de carrão e oferecendo bling and ice, é porque isso é verdade em muitos casos. E quando esse tipo de mulher vira o role model aí, meu amigo, o bicho pega. Um amigo do meu irmão uma vez pegou o carro importado conversível do tio e saiu para a night. E ficou horrizado com a quantidade de garotas se oferecendo para ele em comparação com as vezes que ele saía no seu humilde Gol ou carro simples que o valha.

Mas porque eu desabalei a falar nisso? Sei lá. Porque achei engraçado a Alanis dando uma zoada nessa babaquice que impera. Em vez de ler um discurso chatonildo como esse post, vai lá ver o clipe que é bem mais divertido do que eu hoje. E o texto vai ficar assim, meio sem final mesmo. Afinal, a história ainda não acabou. Ela continua todas as vezes que eu vejo um garoto no metrô parecendo um outdoor multiplo de marcas, fazendo propaganda de graça para todas as lojas de Londres e cheio de penduricalhos e brilhantes falsos querendo dizer para todo mundo que é uma pessoa legal. E eu, velha e do contra, me pergunto se ele tem alguma idéia por baixo do logotipo gigante que ocupa o boné inteiro. E que tipo de valor esse garoto tem. E que tipo de namorada ele arruma. E o que passa pela cabeça da namorada.

Enfim, eu tou ficando velha. Sou old school, daquelas que compra a roupa e arranca a etiqueta. Ou pelo menos não usa nada com a marca muito grande a menos que me paguem para isso. Infelizmente ninguém até hoje pagou. Uma pena.