Para começo de conversa, as pessoas não se vestem de branco! Isso para mim causa uma terrível dissonância cognitiva, acentuada pelas meias (reveillon de meia? reveillon a gente passa de sandalinha, de havaiana, sei lá) e pelas roupas de frio. Mas tirando essa estranheza inicial de quem nunca passou virada de ano em outro lugar que não o Estado do Rio, o resto foi legal. Chegamos às 11 horas, sem ter noção da muvuca que estaria o Rio Tâmisa, London Eye e arredores. Eu crente que ia substituir minhas sete ondinhas puladas por um reveillon ribeirinho, qual o quê!
À medida que a muvuca aperta os simpatissímos policiais londrinos simplesmente fecham as áreas que estão cheias. Perguntei se tinha alguma chance de conseguir passar para o lado sul do rio, e a guarda, fofíssima, disse que era “unlikely”. Uma maneira londrina, digna de um lorde, de dizer “nem f..dendo!”
Ficamos na Praça do Parlamento, longe da multidão socada, na frente do Big Ben e com uma vista razoável dos fogos e do telão. Não gloriosa, mas razoável. Estouramos uma cava, bebemos no gargalo, porque aqui não tem (ou eu não vi) aquelas tacinhas de plástico fantásticas que sempre rolam em reveillons cariocas. Comemos 7 pistaches para dar prosperidade, mandinga iniciada esse ano, depois que o Hiro viu um quilo de pistache a seis pounds numa loja. Sem uvas (três pounds um cachinho no supermercado? Nem pensar, nós precisamos ficar prósperos justamente porque estamos na pindaíba!) nem lentilhas, pistache com fé é a solução!
Descobrimos que inúmeras pessoas ao nosso redor comiam algo de uma latinha misteriosa que, conseguimos ler depois, eram latinhas em espanhol com 12 uvas escrito no rótulo. Ou seja, especialmente para macumba de ano novo, não é genial? Por que ninguém vende algo assim no Brasil?
Acabaram os fogos e todo mundo foi embora. [Nesse momento a minha narrativa vai ficar mais resumida porque eu preciso ir dormir, já passa de uma hora da manhã mas eu estou aqui contando meu ano novo para você, caro leitor, porque você é muito importante para nós]. Eu quis dizer que todo mundo foi embora – imediatamente (além do vento frio – pero no mucho, a ausência absoluta de ambulantes nas ruas com aqueles isopores providenciais com certeza tem algo a ver com isso).
Nós ficamos mais um pouco mas quando tentamos pegar um metrô (que era de graça até as 4:30h, uma sacada muito simpática da cidade e dos patrocinadores, que pagaram a brincadeira) vimos que estava lotado demais e bateu preguiça. Pois bem, voltamos para casa a pé. Ou seja, tivemos preguiça de nos acotovelar no trem de graça mas não de andar pela cidade inteira ouvindo as cotovias ou os rouxinóis (afinal, Romeu e Julieta entraram em um acordo sobre qual a ave que canta de madrugada, aquela que eu já comentei no outro post?) Segundo os cálculos de meu marido e navegador (depois de uma rápida consulta ao Google Earth), andamos 5,5km, o que equivale a uma caminhada básica do Copacabana Palace ao Posto 11 no Leblon.
Que eu me lembre foi isso. Como já expliquei, tenho que ir dormir. Amanhã, depois de um bom tempinho de férias, tenho hora para acordar. Boa noite!
Seguem algumas fotos:

Nossa vista dos fogos. O London Eye está ali atrás.

Um casal pediu para a gente tirar uma foto deles, e eu aproveitei a chance para pedir uma fotinho de porta retrato. Observe que eu, brasileira ciosa das minhas raízes africanas (as culturais eu garanto, as genéticas, não sei), pelo menos coloquei uma camisa e um cachecol brancos! (o cardigan laranja simboliza algo como paixão + dinheiro – eu já falei sobre roupas coloridas para a virada em algum lugar deste post antigo)

Não tem nada de mais, mas adorei essa foto que eu tirei na estação (lotada) de Victoria.