Neve!

Interrompemos a programação normal para contar um fato irrelevante: vi neve pela primeira vez!

Olha lá no cantinho da foto: Hiro registrou a minha cara de criança tropical fazendo Ê!

E aqui sou eu fazendo a primeira bolinha de neve da minha vida. Sim, é muito parecido com enfiar a mão naqueles congeladores de quando a gente era criança. (minha cara está meio esquisita na foto, mas tudo bem)

As fotos todas aqui

Para fotos mais bonitas de um jardim realmente branquinho, veja o blog do nosso quase vizinho Bernardo.

A qualquer momento voltaremos com nossa programação normal. Ou com mais notícias profundamente irrelevantes.

Lisboa

Essa ida para Portugal acabou comigo. Nos comemos TANTO, e tantas comidas fortes que nao estavamos acostumados (afinal aqui em Londres a comida eh temperada com sal e olhe lah), que passamos mal por uns tres dias depois de voltar.

Mas valeu. Peguei SOL. Depois de meses sem luz nessa terra, eu aproveitava qualquer desculpa para ficar sem casaco, que nem um calango no sol de lah – o sol de Lisboa esquenta, diferente do daqui. Alem disso, pudemos comer em restaurantes, coisa que eh cara demais para fazer em Londres.

No dia que nos fomos a Obidos, almocamos em uma cidade ali do lado chamada Guisado. Comi um porco preto (dizem que eh uma raca de porco que tem o couro preto) que estava INESQUECIVEL.

(desculpem por tantas caixas altas, eu sei que este texto esta parecendo coisa do CARDOSO, mas algumas palavras estao merecendo)

De resto, eh sempre bom visitar a matriz da nossa terra. Deu para matar um pouco a saudade. Resumindo os dias que eu passei lah em algumas ideias: sol, comida (essas voce ja sabe porque eu soh falei nisso nos paragrafos anteriores), roupas penduradas do lado de fora de TODAS as casas, pessoas fumando em lugares proibidos, gente muito simpatica com aquele jeito enrolado de portugues (eh a segunda vez que eu vou a Lisboa e continuo achando o pessoal lah muito fofo, como por exemplo a senhora que deixou a gente entrar no museu sem pagar soh para ir ao banheiro, depois de perguntar, com uma cara muito preocupada: “esta muito aflita?”, achando que eu e minha mae estavamos realmente morrendo), mendigos mostrando as feridas na rua, casas meio mal cuidadas em todos os bairros, e clima muito umido.

Ah, sim: para aquelas pessoas que ainda acham que piadas de portugues nao tem relacao com a realidade, minha mae recebeu um formulario na rua em que uma das perguntas era: “Algum membro da sua familia precisa perder, ganhar ou manter o peso?” ( ) Sim ( ) Nao. Ela riu tanto que resolveu guardar como prova!

Dentro das muralhas

Estou em Portugal, por isso nao apareco nem respondo emails. Consegui uma internet dentro da cidade de Obidos. Em Lisboa, nao encontrei nenhum cyber cafe. Venho para uma cidade medieval, cheia de muralhas e ruas paratinescas, e encontro uma internet gratis, ve se pode.

Depois comento mais sobre essa terra aqui.

Richard Dawkins

Estou escrevendo um artigo sobre o Richard Dawkins, aquele que acha que o gene é egoísta, o relojoeiro é cego (mas não adianta, eu só consigo chamar o segundo livro dele de Carimbador Maluco) e Deus é um delírio. Eu tenho algumas opiniões sobre a cruzada anti-religião dele, mas queria saber a opinião dos meus super leitores a respeito do moço. Já sei que a Letícia é fã.

Aliás, se algum leitor aqui for religioso, melhor ainda. Catarina, que gosta de ciência e de religião, você tem vindo aqui?

Consultório sentimental

E eis que a moça me pergunta se fez bem em dar um “dá ou desce” no rapaz depois de um mês ficando, sem se chamar namoro, sem saírem juntos no sábado, e sem conhecer os amigos dele. Depois do ultimato, o dito cujo desceu, como às vezes acontece. “Será que eu me precipitei?”, ela pergunta.

Considerando que depois de um mês o rapaz não gostava de você o suficiente para encarar a situação e mexer o traseiro gordo dele para que você não fosse embora, o que você acha que ia ganhar ficando com ele mais tempo? Ia perder mais algumas semanas da sua vida, basicamente.

Pelo menos eu penso que se um namoro já começa assim, como vai ser depois? E quando você estiver de TPM e puxar uma briga do nada ou começar a chorar sem razão? Se o cara não quiser muito ficar com você, ele não aguenta a TPM não… Se você passar por alguma dificuldade de verdade e precisar que ele te ajude a segurar a barra então, nem pensar! E depois que casar? Você vai ter que ceder em tantas coisas que sinceramente, não me parece muito esperto começar cedendo em tudo antes mesmo de se chamar namoro…

No início do início, acho que ninguém tem que ceder. Não tem que ficar contemporizando não. Afinal depois vocês vão ter que escolher a cor das cortinas do banheiro, a escola dos filhos, a cidade onde vão morar, o que fazer com o dinheiro, se vale a pena comprar aquela TV de LCD. Você vai ter que aturar seu marido fazendo coisas que irritam você, e ele vai ter toda a paciência com outras coisas terrivelmente pentelhas que você faz. Mas aí tudo bem, porque ele não é só um transeunte que você conhece há um mês. É o seu marido, ou namorado, ou qualquer outra coisa importante, por quem vale a pena engolir alguns sapinhos (ou sapões).

Sinceramente, se você já começa o relacionamento com pudores de colocar as coisas em pratos limpos, de dar nomes aos bois ou de exigir que sim, você quer que ele te ligue todos os dias para dar boa noite, como vai ser depois?

Ano Novo em Londres

Para começo de conversa, as pessoas não se vestem de branco! Isso para mim causa uma terrível dissonância cognitiva, acentuada pelas meias (reveillon de meia? reveillon a gente passa de sandalinha, de havaiana, sei lá) e pelas roupas de frio. Mas tirando essa estranheza inicial de quem nunca passou virada de ano em outro lugar que não o Estado do Rio, o resto foi legal. Chegamos às 11 horas, sem ter noção da muvuca que estaria o Rio Tâmisa, London Eye e arredores. Eu crente que ia substituir minhas sete ondinhas puladas por um reveillon ribeirinho, qual o quê!

À medida que a muvuca aperta os simpatissímos policiais londrinos simplesmente fecham as áreas que estão cheias. Perguntei se tinha alguma chance de conseguir passar para o lado sul do rio, e a guarda, fofíssima, disse que era “unlikely”. Uma maneira londrina, digna de um lorde, de dizer “nem f..dendo!”

Ficamos na Praça do Parlamento, longe da multidão socada, na frente do Big Ben e com uma vista razoável dos fogos e do telão. Não gloriosa, mas razoável. Estouramos uma cava, bebemos no gargalo, porque aqui não tem (ou eu não vi) aquelas tacinhas de plástico fantásticas que sempre rolam em reveillons cariocas. Comemos 7 pistaches para dar prosperidade, mandinga iniciada esse ano, depois que o Hiro viu um quilo de pistache a seis pounds numa loja. Sem uvas (três pounds um cachinho no supermercado? Nem pensar, nós precisamos ficar prósperos justamente porque estamos na pindaíba!) nem lentilhas, pistache com fé é a solução!

Descobrimos que inúmeras pessoas ao nosso redor comiam algo de uma latinha misteriosa que, conseguimos ler depois, eram latinhas em espanhol com 12 uvas escrito no rótulo. Ou seja, especialmente para macumba de ano novo, não é genial? Por que ninguém vende algo assim no Brasil?

Acabaram os fogos e todo mundo foi embora. [Nesse momento a minha narrativa vai ficar mais resumida porque eu preciso ir dormir, já passa de uma hora da manhã mas eu estou aqui contando meu ano novo para você, caro leitor, porque você é muito importante para nós]. Eu quis dizer que todo mundo foi embora – imediatamente (além do vento frio – pero no mucho, a ausência absoluta de ambulantes nas ruas com aqueles isopores providenciais com certeza tem algo a ver com isso).

Nós ficamos mais um pouco mas quando tentamos pegar um metrô (que era de graça até as 4:30h, uma sacada muito simpática da cidade e dos patrocinadores, que pagaram a brincadeira) vimos que estava lotado demais e bateu preguiça. Pois bem, voltamos para casa a pé. Ou seja, tivemos preguiça de nos acotovelar no trem de graça mas não de andar pela cidade inteira ouvindo as cotovias ou os rouxinóis (afinal, Romeu e Julieta entraram em um acordo sobre qual a ave que canta de madrugada, aquela que eu já comentei no outro post?) Segundo os cálculos de meu marido e navegador (depois de uma rápida consulta ao Google Earth), andamos 5,5km, o que equivale a uma caminhada básica do Copacabana Palace ao Posto 11 no Leblon.

Que eu me lembre foi isso. Como já expliquei, tenho que ir dormir. Amanhã, depois de um bom tempinho de férias, tenho hora para acordar. Boa noite!

Seguem algumas fotos:

Nossa vista dos fogos. O London Eye está ali atrás.

Um casal pediu para a gente tirar uma foto deles, e eu aproveitei a chance para pedir uma fotinho de porta retrato. Observe que eu, brasileira ciosa das minhas raízes africanas (as culturais eu garanto, as genéticas, não sei), pelo menos coloquei uma camisa e um cachecol brancos! (o cardigan laranja simboliza algo como paixão + dinheiro – eu já falei sobre roupas coloridas para a virada em algum lugar deste post antigo)

Não tem nada de mais, mas adorei essa foto que eu tirei na estação (lotada) de Victoria.