Feliz 2007!!!

Apesar de não gostar muito do cutucão de inexorabilidade do tempo que os aniversários me causam, eu gosto sim de viradas de ano, apesar de elas não serem mais do que um cutucão universal – algo como “Ei, o ano acabou, o que você fez de bom? Menos um ano para fazer suas coisas, hein?”

Mas para mim, apesar de alguns maus momentos (que sempre aparecem, é lógico), 2006 foi um ano ducacete. Casei, vim para Londres (que era um plano desde que eu tenho 18 anos, ou seja, 10 anos!), viajei para o México, para Jeri, para cá, para Paris. Para o ano que vem já tenho várias outras idéias.

Para o resto do mundo, foi um ano muito louco (como todos), e para o país, bom, não foi dos melhores. Mas quero desejar vergonha na cara para todos nós em 2007, que a gente consiga seguir as dietas prometidas, fazer exercícios, comer verduras, ter paciência com gente chata, fazer algumas boas ações, juntar um pouco de dinheiro. E principalmente, colocar as idéias em prática! Porque só aqui entre os leitores desse blogue tem pelos menos várias pessoas geniais cheia de boas idéias e, assim como eu, sem vergonha na cara para tirá-las do papel (ou do blog, ou dos historys de conversas no msn).

E muita prosperidade, muita paz, boas vibes e __________________!!! (coloque aqui o que mais você quiser, se eu tiver esquecido de alguma coisa importante)

Um diálogo mais ou menos normal

Eu queria falar sobre Boxing Day, sobre Natal, sobre várias coisas. No momento, para saber sobre essas coisas dê uma olhada no post do Marido sobre as pechinchas de pós natal. Enquanto isso, aí vai um diálogo rápido entre mim e minha irmã hoje à tarde. O horário que está nas mensagens é o horário da Inglaterra. No Brasil são duas horas a menos.

Só para contextualizar, a moçoila trabalha na Globosat, que fica no Rio Comprido. O bairro é tão bizarro que o presídio de Frei Caneca teve que ser desativado de tantas balas perdidas que os presos levavam lá dentro.

Bruna (5:48 pm): menina, viu que aqui a chapa tá quente?
Me (5:49 pm): viiiiiii
como estao os ânimos por ai?
Bruna (5:51 pm): aqui na rua tem 2 carros queimados
Me (5:52 pm): que beleza!!!!!
vcs vao sair mais cedo ou algo assim?
Bruna (5:53 pm): não, nada foi dito não
Me (5:57 pm): putz, que merda
essa cidade ta uma merda
Bruna (5:57 pm): tá mesmo

(…)

Bruna (7:09 pm): to pensando em como eu vou pra casa hj
Me (7:09 pm): bom ponto
nao tem ninguem para vc pegar carona?
Bruna (7:10 pm): tem uma menina q mora na barra
vou ver com ela
eu ia na academia
Me (7:11 pm): bom, vc acha que vai rolar mais alguma coisa hoje?
Bruna (7:12 pm): dizem que sim
o boato é que hoje o bicho vai pegar
mas nao sei se na Barra
Me (7:13 pm): putz…
Bruna (7:13 pm): mas isso são boatos né
Me (7:13 pm): provavelmente na Barra nao
mas de repente as coisas podem refletir no transito, sei la
e ai vc fica presa no engarrafamento, entendeu?
Bruna (7:14 pm): entendi
já li no jornal q teve um acidente e ai ta engarrafado
Me (7:14 pm): claro! nego fica apavorado e toca o terror
mas a questão é que se o boato for forte ele já é suficiente para fazer bagunca
Bruna (7:18 pm): pois é
nao sei se caio no boato ou fico normal
Me (7:20 pm): hhmmm
sei lá
eu preferia que você fosse para casa e ficasse quietinha lá
Bruna (7:22 pm): a Roberta acabou de me ligar pra dizer q morreram 12 pessoas na Taquara agora
Me (7:24 pm): caralho, como assim???
Bruna (7:24 pm): é, nao tem em jornal nenhum
mas ela disse q um menino chegou falando isso na academia da irmã dela
Me (7:25 pm): mas ela contou o que aconteceu?
Bruna (7:25 pm): não
nao sei se ela sabe tb
Me (7:26 pm): bom… aí pode ser boato
Bruna (7:27 pm): ai, mas melhor nao arriscar né
Me (7:28 pm): eu sei ne
eu vi que queimaram mais dois onibus, em niteroi e em nova iguacu
Bruna (7:32 pm): é, isso eu vi
fomos liberados, to saindo
Me (7:33 pm): beleza
olha, tou vendo uma noticia sobre jacarepagua
http://oglobo.globo.com/rio/mat/2006/12/28/287214175.asp
realmente, ta rolando alguma coisa la, metralharam uma cabine da polícia e depois teve arrastão
Bruna (7:34 pm): to saindo
Me (7:34 pm): vai nessa, beijao
Bruna (7:34 pm): beijos

Como você pode perceber, todo mundo saiu imediatamente do trabalho e foi para casa. A história dos 12 mortos na Taquara obviamente foi um exagero, mas de fato aconteceu alguma coisa lá. Bruna chegou em casa até rápido (fiquei com medo de ter engarrafamento) e agora vamos todos esperar os próximos capítulos dessa história.

Depois eu falo de Natal

Agora eu queria só fazer um comentário (mais ou menos) rápido sobre essa notícia de ontem: “Segurança de banco mata homem que ficou preso na porta giratória“. Eu pensei em postar sobre as portas giratórias do Itaú quando eu estava trabalhando no Centro, mas acabei deixando para lá.

O fato é que eu passei uns 4 meses indo sempre à agencia da Rio Branco perto da Sete de Setembro, que é a agência do lado dessa aí onde aconteceu o episódio. E todo dia eu reparava no funcionamento da porta com detector de melanina, digo de metais. Era só passar um escurinho com cara de boy pela porta que ela travava. E dá-lhe de tirar chave, celular, e tudo mais da bolsa. No momento seguinte passava eu, branquinha (ainda mais para os padrões brasileiros) com minha bolsa, chave, celular, guarda chuva e o caramba e… a porta nem tchuns para mim! Me deixava passar na boa! E todos os brancos passavam, sempre, independente do tamanho da bolsa.

A gente sabe que na verdade a porta é controlada pelo segurança, e que às vezes basta tirar o celular da bolsa e dar um sorrizinho para o cara que ele libera a entrada (isso quase sempre funcionava nas outras agências e outros bancos, quando acontecia de eu ficar presa na porta – fato mais frequente em bairros com mais brancos, como a Barra). O Itaú devia prestar um pouquinho mais de atenção nos critérios que os seguranças usam para definir quem passa e quem não passa. Como o esquema era claramente arbitrário, muitas vezes os caras ficavam putos de ser travados e terem que ficar mostrando tudo o que tinham na bolsa e nos bolsos.

Aí ontem aconteceu o que já era de se esperar. Alguém se exaltou mais do que devia, um segurança armado e desmiolado reagiu, e foi isso aí. E se você tem alguma dúvida, dá só uma olhada na foto do jornal e observa a cor do cara, morto esparramado no chão.

Picolé

Um grau na rua e nós fomos ao supermercado. As ruas vazias, um fog danado e a respiração virando fumacinha. (descobri o que é o fog! As fumacinhas da boca de todo mundo vão se acumulando em vez de se dispersar e fica tudo assim, enevoado). Coloquei gorro e demais coisas engraçadas e saímos.

Se você mora no Canadá, nos EUA ou em Moscou, vai achar que um grau não é nada demais. E não é mesmo, mas para mim é frio para burro. Voltei para casa com as bochechas geladas.

Eu tenho um padrão para definir o que é calor para c… no Rio. É quando tudo fica quente. O shampoo fica morninho, a pasta de dente, quando você coloca a escova na boca, está quentinha, e por aí vai. Aqui acontece a mesma coisa ao contrário. A sua roupa chega em casa gelada, o sapato está frio, a sacola também. Muito estranho.

Em homenagem ao frio, uma foto do nosso termômetro com a temperatura dentro de casa e na rua. Observe o sinalzinho de menos! Os ratinhos, ganhos em Mc Lanches Felizes pelo meu marido fofo, estão fazendo cara de PQP!

Guanabara Blue

Apesar de eu ficar aqui falando sobre irrelevâncias como o meu vizinho passarinho notívago, nós temos sim saído de casa e feito coisas divertidas aqui em Londres. É que eu tenho preguiça de contar, mas vamos lá.

Sábado passado (dia 9) fomos assistir ao Blue Man Group com o pessoal do meu curso. Hiro já tinha visto os caras em NY, algumas eras atrás, mas eu admito que não conhecia. Bom, como todo mundo tava dizendo que era o máximo, entrei na caravana da Imperial e comprei duas entradas. Primeira fila, capa de chuva, chuva de banana, banho de tinta, aquelas coisas todas. Papel, muito papel. Papel com cheiro de banana. Interatividade. Lembre dessas palavras o dia que você for lá. Não vai mudar sua vida, mas vá, porque é interessante.

Na saída do teatro, fomos todos direto para o Guanabara, ali do lado. Muitos ingleses achando tudo muito exótico, uma apresentação de capoeira sem berimbau e uma caipirinha MUITO mequetrefe. Não tome a caipirinha do Guanabara! Eles não amassam os limões, colocam uma quantidade industrial de gelo e um “cheiro” de cachaça. Aliás, a cachaça é Sagatiba – se você está de birra com a música-jingle do Seu Jorge, mais uma razão para não encarar.

Os ingleses adoraram tudo (o lugar é legal, tirando a já citada caipirinha e a Brahma long neck por 3,50 pounds – o mesmo preço de um pint de Guiness em alguns pubs), e ficavam perguntando para a gente se as músicas que estavam tocando faziam mesmo sucesso no Brasil. Sim amigos, Glamourosa faz sucesso. A música das cachorras também faz, assim como “eu só que-ero é ser feliz” e Maracatu Atômico. Foi uma experiência parecida com aquele vídeo que conta a história da dança em 6 minutos – o DJ surtado de lá cuspiu toda a história da música brasileira em uma hora e meia – teve funk, funk antigo, black music, sambinha, etc etc.

Minha sugestão: antes de ir para lá, passe num pub chamado Wetherspoon que fica na Holborn High Street, do lado do metrô Holborn, coma e beba por um preço justo (5 pounds um hambúrguer, batata frita e um pint de cerveja- bebidas avulsas por 2 e pouco) e depois vá se sacudir no Guanabara.

Aliás, o JD Wetherspoon é uma cadeia gigante de pubs. Hiro tem um do lado da Westminster e de vez em quando almoça lá. Segundo ele, está aprovado.

Piu piripiupiu

Aqui do lado de casa tem um passarinho maluco que começa a piar loucamente todos os dias à uma e meia da manhã. Ele passa o dia e o resto da noite quietinho, só começa quando acha que o mundo está preparado apreciá-lo com a devida exclusividade. Agora são duas horas e ele tá lá, em plena madrugada, cantando amarradíssimo. Não deixa de ser engraçado, nesse inverno em que o dia dura tão pouquinho, dormir ouvindo um passarinho cantante nas redondezas.

Amigos mandando bem 4

Dessa vez é o meu primo cineasta premiado e badalado e bla bla bla (não vou botar o currículo do moço aqui porque senão não acabo nunca).

Até o dia 8 de janeiro o curta O MONSTRO, de Eduardo Valente (com link para o imdb, que luxo!), está em cartaz no Projeto Curta Petrobrás às 6 no Unibanco Arteplex RJ, todos os dias às (adivinha?) 18h, junto com 3 outros curtas brasileiros. Detalhe importante: digrátis!

Se você não viu os dois curtas anteriores dele, aproveite e assista agora no Porta Curtas:

Um Sol Alaranjado
Castanho

PS: Para os amigos mal educados que desaparecem, não dão parabens no meu aniversário, não vão no meu casamento (depois de confirmarem presença para o RSVP!) e sequer mandam emailzinho de parabéns depois, não adianta colocar comentário aqui para divulgar o filme que vai passar na TV. Não aprovo o comentário e não gosto de gente mal educada. Humpf!

Calibrando Clarice

Imagine a cena: euzinha, cozinhando um belo caldo verde (ficou bom, acredite) e vendo no youtube um especial sobre Clarice Lispector. Cozinhando! Clarice! Hein? Eu? Saia desse corpo que não te pertence!

Pois é, eu nunca gostei de Clarice Lispector. E nunca cozinhei nada que prestasse também. (Hiro disse que foi essa conjunção de fatos estranhos que causou o tornado aqui perto ontem). Ainda acho que “A Paixão Segundo GH” é o pior livro sobre o nada que já foi escrito. Mas a entrevista dela gravada em 1977 tem seus momentos, umas sacadas legais, mostrando uma escritora com uma certa clareza sobre sua produção e nenhuma clareza sobre mais nada no mundo. Me acabei de rir quando ela disse que nem ela entende o livro tal que ela escreveu. Claro, né? Ela escrevia vômitos, espasmos. Como ela mesma disse, os textos ou batem ou não batem. E fim de papo. E comigo eles não batem, só isso. De qualquer maneira, gostei mais dela agora do que antes, apesar da língua presa de dar nervoso. Mesmo sabendo que não vou gostar, fiquei com vontade de ler “A Hora da Estrela” um dia.

De resto, a moça já estava mais para lá do que para cá. Disse na entrevista que estava cansada, e por isso triste. E depois disse que estava cansada de si mesma. Ela estava era comida inteira por um câncer que ela não sabia – sabendo, é facil entender o estado de espírito da dita cuja.

Mas o que a entrevista mais me fez pensar foi na relação entre arte, literatura e remédios. Pela entrevista vê-se que a moça ia se beneficiar maravilhosamente de um tanto de fluoxetina ou bupropiona por dia. Ia equilibrar o que estava claramente descalibrado na cabeça de Dona Clarice. Mas será que ela ia deixar de ser a escritora foda e atormentada que tanta gente gosta?

Dia desses entrei no blog de uma velha promessa de escritora que descobriu que é bipolar. Ela descobriu agora, mas qualquer pessoa de bom senso já tinha sacado ha séculos que a moça é tri, quatripolar. E agora que ela resolveu tomar alguma coisa, será que ela vai perder o jeito? Ou vai finalmente deixar de ser uma promessa para virar escritora de verdade?

E o jovem Werther, e Renato Russo, etc? Eu sei, essa é a velha discussão sobre se você precisa sofrer para fazer arte, levada um passo adiante. É preciso estar descalibrado para fazer arte? Respostas nos comentários, por favor.

Amigos Mandando Bem 3

Estou criando uma categoria aqui nos meus posts chamada “Amigos mandando bem”, já que esse ano meus amigos estão impossíveis! (alguém reparou que eu finalmente consegui configurar meu teclado para acentos?)

Tem gente lançando livro, gente fazendo filme, gente tendo filho… Só falta plantar árvore – se algum amigo quiser que eu ajude a divulgar a árvore, tamos aí!

Quem está mandando bem dessa vez é a Patrícia Sparano, amiga dos tempos de Santo Agostinho, uma patricinha incansável que nunca se deixou tragar pela mediocridade do universo patricístico. Depois de fazer direito e perceber que ser advogada era uma idéia sem cabimento (para ela) a moça finalmente virou, nas palavras da própria, “empresária no ramo joalheiro ou artesã, ou designer de jóias, ou ambulante, tudo depende do ponto de vista….”

Quarta feira ela está inaugurando seu quiosque no Rio Design Barra, e garanto: as peças são lindas (são jóias e/ou bijuterias, portanto, têm um preço razoável) e provavelmente o coquetel vai ser bem servido. Como eu não posso ir, por favor, me representem. E se alguém quiser comprar um presentinho de Natal para mim e mandar pelo correio, também pode…

spariam

Flushed Away

Quando voce for ver Flushed Away, filme novo da Aardman, preste atencao quando, la pelos dois tercos da historia, na cena em que os dois personagens estao descendo sobre Kensington, com uma sacola/para-quedas. Eles apontam para o bairro e o rato vai falando: “Ali fica Inverness Garden… Vicarage Gate, Kensington High Street…”. Vicarage Gate eh a nossa rua! Viu? Agora nos fazemos parte de animacao da Aardman!

E sim, a rua em que o ratinho mora (segundo ele, a esquerda da Kensington High Street) eh igual a nossa, cheia de casinhas brancas todas iguais. Como nao consegui uma imagem do filme, aqui esta a imagem do Google Maps, nosso melhor amigo nas andancas por Londres. A setinha esta exatamente na nossa casa – na verdade, no nosso teto, porque a gente mora no ultimo andar (seis lances de escada, lembra?).

Se vc quiser dar zoom no nosso telhado, coloque o cep no Google Maps: W8 4AG