Comprando amigos

Estava aqui, escrevendo um post sobre outros assuntos, quando a tal copeira do escritório (mencionada em posts anteriores), que nunca fala bom dia para mim, veio com um papel na minha mesa dando bom dia. “Hmmm, o que está acontecendo?”, pensei. “Você quer ajudar no chá de bebê da Jô?”, me perguntou sorrindo, coisa que nunca fez até hoje. Respirei fundo, fiquei muito sem graça (e vermelha) e murmurei “Não…”.

O cara aqui do meu lado perguntou “Quem é Jô?” “A copeira lá do outro andar. Ela às vezes traz sanduíche aqui…” Imaginei ele respondendo “Ah, então tá! Se de vez em quando ela traz sanduíche aqui, então ela é minha amiga e eu tenho que ajudar!” E tirando 50 reais do bolso.

É claro que isso não aconteceu. Mas eu não consigo deixar de achar engraçados esses maneirismos sociais malucos. Me lembra aquele episódio de Friends em que o Ross acaba de se mudar para um novo prédio e é “obrigado” a dar 100 dólares para a festa de despedida/aposentadoria um “janitor” que ele nem conhecia. E a Phoebe, só para ser do contra, doa uns mil dólares só para ficar conhecida como “aquela estranha moça simpática”.

Comprar o afeto dos outros pode ser válido em muitas circunstâncias, mas às vezes não muda em nada a sua reputação. É por isso que até hoje fico feliz de lembrar que não contribuí para o presente de casamento de uma figura que trabalhava comigo em outra empresa. Todos se juntaram para comprar uma TV para o cara, que não fazia a menor questão de disfarçar que não ia com a minha cara (e com cuja cara eu também não ia, obviamente). Ainda por cima, era daquelas pessoas que num barzinho ou almoço, sempre arredondava a conta para baixo (excluindo os 10%, é claro), pagava e sumia. Depois, na hora dos cálculos finais sempre ficava um buraco que alguém tinha que cobrir (normalmente quem colocava dinheiro a mais era aquele amigo que gosta de ser conhecido como simpático e gente boa).

Eu, que sou muito enxaqueca, quando percebia, avisava “Ei Fulano! Você não botou os 10%, né? Coloca mais uns x reais aí!”. Depois de mandar um pão duro pagar a conta direito, me digam, fazia sentido dar presente de casamento para o indivíduo? Além disso, eu não conseguia imaginar o cara dando um presente de casamento para mim.

PS: Outro dia fui numa pizzaria, comemorar um aniversário, e um cara que estava na mesa fez exatamente a mesma coisa que o amigo citado no parágrafo anterior. Tomou 17 chopes, calculou centavo a centavo o valor num guardanapo, fez o cheque uns tantos reais abaixo do valor calculado e se pirulitou (é “pirulitou” ou “empirulitou”?). O guardanapo ficou do meu lado a noite inteira e eu (que não sou tão joselita assim) não pude comentar com ninguém!

Update: acabei de descobrir que a mini-namorada do Joey (aquela que gosta de bater nele) que aparece no episódio de Friends que eu acabei de mencionar é a Soleil Moon Frye, ou seja, a Punky Brewster! Diga aí, essa é ou não é uma informação indispensável para a sua vida?

8 Responses to “Comprando amigos”

  1. brunap Says:

    Cara, a sua experiência em escritório tá paercendo tirinha do Dilbert.

  2. Nicole Says:

    É por essas e outras que eu adoro o sistema britânico dos pubs - paga-se no bar, então cada um se vira. É isso ou o sistema de rodadas, em que cada membro do grupo paga uma - o que explica porque os ingleses vivem bêbados. :)

  3. baxt Says:

    Ih, Cris, será que a minha figura do PS é a mesma pessoa que deu origem à série “vamo dividi?”?? :o)))

  4. Cristiano Dias Says:

    Pra mim o problema não é comprar afeto. É vender (e quem vende). A copeira nunca se deu ao trabalho de ser simpática até precisar. É por isso que eu sou antipático sempre, ahaha.

    Sobre a história das contas você está entrando para a Sociedade Secreta Vamo Dividí? Para tanto só falta encontrar a outra metade da história, que é quando o mesmo figura-centavinho se empapuça de comer e beber e no final manda: E aí galera? Vamo dividí?

    História baseada em fatos reais que abalaram a opinião pública.

  5. Catarina Says:

    A vida imita Friends.

  6. Dudu Says:

    É, não tem porque pagar presente pra certas pessoas mesmo… Eu sou da mesma política, e passei por situação semelhante quando trabalhava com telecom (vai ver esse é o problema) :)

    Mas outro dia passei por uma questão engraçada: comecei a estacionar o carro em um determinado lugar aqui no centro perto do fim do ano passado. Mal virou dezembro e começou a campanha ‘livro de ouro’ por parte dos guardadores do lugar. Relutei, mas não sei porque acabei deixando uns caraminguás. Dito e feito: virei melhor amigo dos caras, a ponto de guardarem vaga pra mim quando o estacionamento lota. E quem já leu os trabalhos do Roberto da Matta e do Gilberto Freire sabe que isso não é de hoje…

  7. bruna Says:

    lembra do outro post em que eu disse que no dia 12/6 tudo deu errado? acabei de lembrar que na manhã desse dia eu cheguei atrasadíssima à Alvorada, depois de brigar com a minha mãe e perder um 234, e vi uma joselita abrindo um biscoito e jogando o papel no chão. Como eu tava no meu Dia de Fúria - o que mais tarde iria se transformar NO dia de fúria mais justificável da vida - cutuquei a menina, abaixei, entreguei a embalagem pra ela e falei com a cara mais lavada do mundo : “olha, acho que vc deixou isso cair no chão…”

  8. Paulo Henrique Says:

    Sobre os barzinhos.. a estrategia ideal é encerrar a conta quando o primeiro individuo da mesa resolve sair, depois quem quiser abre contas individuais para ficar bebendo.. ou aproveita e sai todo mundo para outro lugar!