Por que as pessoas insistem em dar munição para os adversários?

Trechos de uma matéria d’O Globo:

“Após o resultado da votação, um grupo de estudantes a favor da política de cotas invadiu a pró-reitoria de graduação [da Ufes] e iniciou um quebra-quebra no local, chamando os integrantes da câmara de racistas. (…) O aluno de biblioteconomia da Ufes Juliano Luciano Marinho foi espancado por estudantes de escolas públicas depois de provocá-los. Ele teve uma costela fraturada, quebrou o maxilar, cortou a língua e perdeu quatro dentes”.

Não interessa que eles foram provocados, e que o tal Juliano deve ser um imbecil. O ponto é que esses boçais, agindo assim, estão simplesmente pedindo para que os racistas de plantão levantem as sobrancelhas e e digam, com toda a empáfia, que fazer merda, quebrar as coisas e bater nos outros é “coisa de preto”.

Eu poderia ficar horas falando aqui sobre as cotas. Não sei se alguém se interessaria em ler, mas um dia faço isso. Sinceramente, acho que as cotas são uma ótima maneira de, entre outras coisas, se criar uma discriminação formal no país, gerando preconceito contra negros e alunos de escola pública. Do tipo “Ah, só podia ser cota mesmo”, “Putz, que pergunta imbecil, tinha que vir de um aluno de cota”. Ou pior: “O residente que vai me atender no hospital é negro? Hhhmmm, será que ele passou de verdade na faculdade ou entrou através de cota? Não tem um branco aí, não?”

Você já parou para pensar que se as boas universidades mantiverem o nível de ensino que têm hoje, a galera das cotas vai toda sair no segundo ou terceiro semestre? Isso me leva a crer que a exigência sobre os alunos vai ter que cair muito para manter esses 52% dentro da faculdade até o final. E aí, meu amigo, já viu, né?

35 comments

  1. Como tudo no governo do (M/L)ula essa história de cotas é mais uma medida populista e eleitoreira. Os caras devem pensar assim “Vamos fingir que estamos fazendo justiça social” em com sorte quando toda essa M… estourar vamos estar novamente na oposição”.

  2. Todos os alunos cotistas que se formarem vão ser por merecimento (até onde “merecimento” pode ser entendido em uma faculdade pública, enfim…). Mas isso não vai ajudar a resolver problema nenhum.

    Esse pensamento de que cotista será um mau profissional é um preconceito criado pela ação desastrada do PT e sociólogos e ONGs. Agora, além do pobre precisar vencer os desafios inerentes a sua condição, quando se formar tem mais uma merda para aguentar.

    Cotas para negros foi implantado nos USA porque lá, diferente daqui, negros eram PROIBIDOS de entrar em universidades pela lei.

    No Brasil, os “negros” (vá lá, ainda prefiro o termo pobre, mas vá lá) podem prestar o vestibular e entrar sem nenhuma, repito, nehuma restrição legal. Os defensores dizem que a situação social, apesar de lei, age como agente que impede esse ingresso.

    Até onde eu sei, a situação social não é culpa do cidadão comum, mas da ação desses políticos imbecis, os mesmos que aprovaram essa lei.

    A situação não mudou. A maioria dos pobres não irá para a faculdade, ou desistirá por não conseguir bancar o curso. Além disso, um novo preconceito foi criado. Essa briga entre os defensores das cotas e os que repudiam a idéia (querem acesso livre a todos) só se agrava. Esses serão os resultados dessa política educacional.

    Eu cansei de falar sobre isso. Que se explodam, então.

  3. Cota para “pobre” em universidade pública eu atéeee aceito. Mas não se preocupe, Baxt. Os alunos não vão todos sair no segundo ou terceiro semestre. Vão dar a mesma solução que já deram nas escolas primárias e secundárias para resolver o problema da evasão escolar: aprovação automática. Matriculou, passou.

  4. Cris, é exatamente isso que me preocupa; a tal “aprovação automática”. Aí que as universidades vão pro bebleléu de vez.

  5. Putz. Eu estava na assessoria da Uerj na época em que o assunto surgiu nos jornais. Fiquei tão traumatizada que até hoje não consigo discutir sobre isso.

    Acho ridículo. Só isso. Cadê a cota para índios? Japoneses? Descendentes de alemães?

    Agora, para, ao menos, tentar engrandecer a discussão, apenas coloco um argumento que ouvi em uma entrevista que fiz, na época, com uma pessoa por quem tenho infinita admiração (talvez por isso eu tenha levado a sério): “A entrada de alunos que não passariam no vestibular sem as cotas nas universidades não necessariamente baixará a qualidade do ensino, porque o conhecimento que se exige nos cursos de graduação é bem diferente do que é exposto no Ensino Médio”. Quem disse foi o Agostinho (Dias Carneiro).

    Só não sei se vale para o curso de Engenharia: tudo bem que o cálculo é diferente da matemática do vestibular, mas será que eu não preciso de um para aprender o outro?

  6. Uma festa particular cheia de brancos, onde na entrada houvesse um aviso escrito.. “Proibida a entrada de negros”, seria um absurdo, talvez.
    Mas de repente o Brasil com metade da populaçao sendo negra, e com universidades abrigando uma maioria branca, é normal…
    A diferença dessas situações eh o disfarse que a sociedade cria para esconder o preconceito!
    Soh nao ve quem nao ker!
    Soh nao ve, quem acha q o negro é preguiçoso! Soh nao ve, quem acha que a natureza foi mais bondosa com os brancos!

    A constituiçao federal nao preve o principio da igualdade? Não trata como ilegal a discriminação? Entao eh totalmente legitimo que os negros quebrem tudo mesmo! Se tiver uma festa proibindo sua entrada, que barbarizem. Se chegam em uma universidade e soh veem brancos, que invadam! ateem fogo! Estarão amparados pela lei!

    Dizer que as cotas não eh a melhor alternativa? E a escravização dos negros? Com certeza nao foi a melhor das opções. Entao eh justo que se peça para que eles tenham ideias geniais agora?
    Se preocupar se o ensino vai cair de qualidade? Quem se preocupa com o negro miseravel fumando crack na favela? Por favor, vamos desmoralizar!

    O que não permite que o negro tenha acesso a universidade eh esse sistema preconceituoso, essa merda que não vai mudar nunca!

    Agora, para os alienados de plantão, podem continuar se iludindo e mandando os negros esperarem o dia em que eles chegarão em par de igualdade com os brancos na universidade!

  7. “Barbárie é pensar que nada faço para que o outro morra, mas também nada faço para que ele viva.” Adorno

    Essa é uma citação feita no inicio de uma sentença proferida por um juiz de joinville, uma cidade aqui perto de florianópolis.

    Apesar de fugir do assunto sobre as cotas, acho que demonstra muito bem que o problema está muito além da discriminação racial.

    Se tiveres paciencia para ler tudo(vale muitissimo a pena) esta neste site:
    http://jij.tj.rs.gov.br/jij_site/docs/SAUDEMENTAL/ECA+E+ATENDIMENTO+ESPECIALIZADO+SA%DADE.HTM

  8. Não sei se vão fazer aprovação automática ou se a maioria sai após o 3º período, mas o que sei é: facilitar o ingresso à faculdade dá votos, se eles saem depois ou se o ensino em geral fica uma merda depois disso é um “detalhe” que simplesmente vão jogar debaixo do tapete.

  9. Paulo Henrique, para começar seria bom você rever pelo menos a sua ortografia e gramática. É “disfarce” e não “disfarse”, OK? Além disso, já que o assunto é educação, pode ser bom evitar a ortografia estapafúrdia da Internet como em “Soh nao ve quem nao ker!”. Mostrar que a língua-mãe não morreu e escrever “Só não vê quem não quer”. Sei que o conteúdo da sua mensagem é o principal, mas forma também é importante.

    Reformas sociais para corrigir desigualdades de séculos não se resolvem em uma canetada e sim em anos até décadas. Neste caso, primeiro através do investimento pesado em ensino fundamental, depois em ensino médio e só depois no ensino superior.

    Garantir lugar na universidade para jovens que saem do colégio com deficiências em áreas básicas não resolve absolutamente nada. Infelizmente tem gente por aí com diploma de 2o grau que não sabe escrever direito e nem fazer contas. Jogar essa pessoa no ensino superior não vai resolver. Se a proposta fosse, ter cotas agora, mas também investir no ensino básico e médio e em 10 ou 15 anos acabar com as cotas até poderia ser. Do jeito que está é só mais uma palhaçada.

    Além disso, o sistema de cotas não prevê nenhum suporte de infra-estrutura para os alunos economicamente desfavorecidos. Vão colocar todo mundo para dentro, mas para o sujeito se bancar na universidade (livros, transporte, alimentação, alojamentos) PT saudações.

  10. FODA-SE A GRAMATICA! FODA-SE MINHA ORTOGRAFIA BIZONHA!
    ALIAS, RECOMENDO A SZUNDI QUE NAO PERCA SEU TEMPO LENDO MEUS COMENTARIOS E APROVEITE PARA LER UM POUCO DOS CLASSICOS, DANTE, OS AUTORES ILUMINISTAS, MOSCA, IANNI, BOBBIO, ENGELS, COMTE, MARX… MENOS DOSTOIEVSKI TALVEZ(DIZEM QUE ELE EH UM, ENTRE OS GRANDES AUTORES, QUE POSSUIAM PESSIMOS VICIOS DE REDAÇAO, SUA ORTOGRAFIA ERA DE SE FAZER CHORAR).
    VAH CONHECER UM POUCO A HISTORIA DA HUMANIDADE. TENTAR ENTENDER COMO CHEGAMOS ATEH ESTE PONTO CRITICO.
    TALVEZ ASSIM, ALGUM DIA, VOCE TENHA UM POUCO DE OPINIAO PROPRIA E PARE DE REPRODUZIR O QUE ESSA IMPRENSA DE MASSA TRANSMITE!

    PARA SER BEM CLARO.. NAO ESPERO QUE NINGUEM CONCORDE COMIGO. EU TAMBEM ESTOU PERDIDO! MAS, DISCUTIR A ORTOGRAFIA DOS COMENTARIOS??!?!? A PORRA DA ORTOGRAFIA?!!! POR FAVOR!

    PELO JEITO, TEM UM PESSOAL AIH QUE JAH ESTAH FORA DA CASINHA.
    NAO SEI SE ADIANTA DISCUTIR.

  11. POis é. A questão das cotas sempre dá debates.
    Pelo que tenho ouvido/lido a respeito cada Estado está tratando da questão de uma forma. Tem Estado dando cotas para índios, para mulheres, para pobres, para negros, para minorias quaisquer (se é que mulheres são minoria em algum lugar – principalmente nas faculdades).

    Concordo com todos que dizem que as cotas não irão resolver nada. Acho que aqueles que defendem as cotas pensam com muito imediatismo.

    As cotas para mim são como “um favor” a esta ou aquela minoria. Um favor que, ao invés de ajudar, vai piorar a situação de todos.

    Educação não tem que ser favor nem privilédio, educação é direito de todo o cidadão. Se, por um lado, não adianta colocar os desprivilegiados nas salas de aula apenas pelo sistema de cotas, não há, tampouco, como negar-lhes o direito. Não é apenas uma questão, também, de melhorar o ensino médio (que necessita urgentemente de melhoras, claro), mas de oferecer ensino universitário a todos os interessados no país.

    Temos pouquíssimas universidades públicas e a concorrência para o ingresso nelas é realmente desleal. Algumas carreiras tem 40, 60 candidatos por vaga. Um entra, e o que acontece com aqueles outros 39? Talvez todos eles, ou a maior parte deles, seja capaz de cursar a faculdade. Mas não têm como, porque o sistema de ingresso e, principalmente, o número de vagas, não permitem.

    Os que podem, migram para as faculdades particulares que, muitas vezes como sabemos, são umas picaretas e formam péssimos profissionais. outros tantos simplesmente desistem ou mudam de carreira, ou…
    Não sei. Não tenho idéia. Eu sou uma daquelas privilegiadas que nasceu em família de classe média, estudou a vida toda em colégios particulares e (depois de 3 tentativas) entrou na UFRJ para se formar 6 anos depois (tendo passado quase dois anos em greves).

    Acho que deveria sim haver seleção para ingresso em universidades. Mas deveria haver universidades públicas para todos. Quem quisesse cursar faria um “vestibular” dizendo sua lista de preferência. Dependendo de sua classificação, entraria para esta ou aquela universidade. Se nao quisesse, entraria para uma universidade particular (ora, a PUC está aí para provar que nem todas as universidades particulares são uma merda).

    De qualquer forma, acho que as cotas são um engano. Cotas por “raça” (isso ainda existe? não deveria) são um engano pior ainda. Porque vão favorecer, por exemplo, o negro rico, que cursou as melhores escolas e, além de ter essa vantagem, vai entrar pelo sistema de cotas, tirando uma vaga que poderia dser de alguém que teve menos chances.

    Sou branca. Mas tenho negros muito próximos a mim na minha árvore genealógica. TEnho índios tb. E aí? posso competir pela cota? quem diz quem pode e quem não pode? quem avalia a minha cor? Vai rolar um teste de DNA?

    Tudo isso é muito complicado….

    (e se cometi erros de ortografia, perdoem-me. Sou péssima nisso)

  12. Sobre cotas: sou a favor na sua base. Temos um desnível social absurdo – o maior do mundo – e há de se trabalhar para resolver isso o quanto antes. Com medidas imedaitistas e medidas de longo prazo.

    Antes que me taquem pedras, lembro: quando vc vê uma oportunidade de emprego com um salário digno (por volta de R$ 2.000,00), em qualquer empresa, qual é o requerimento mínimo? Faculdade, certo?

    Qual o custo familiar de ser fazer uma faculdade (mesmo a pública)? Em torno de R$ 5.000/ano, estimado por um estudo da FGV, se não me engano. Que família que NÃO ganha isso por ano pode bancar um filho seu, razoavelmente inteligente, numa faculdade particular?

    Cota resolve? Não. Mas ameniza. O cara entra numa faculdde, tem contato com um nível de cultura “melhor”, tem a possibilidade de se esforçar e tem o requerimento mínimo para peitear um emprego de dois mil reais por mês.

    Agora, apelando para as estatísticas: qual o percentual de negros nas classes média-baixa e baixa? algo acima de 60% pelo IBGE, corrijam-me se eu estiver errado. Qual o percentual de negros nas faculdades públicas? Abaixo dos 30%. É justo isso? é o Negro mais burro e não consegue entrar na faculdade? ou é outra coisa? ou são os negros (e mulatos e índios) que herdam a pobreza geração após geração?

    A propósito, o ensino público TEM de ser para quem não pode pagar. É um contra-senso o reverso.

    sobre qualidade do ensino: tem uma frase que acho genial – “é fácil entrar na faculdade, sair é que é difícil“. Se vocês acham que TEM de haver uma “seleção” para o ensino, vocês não acham que o próprio processo por ser caro e exaustivo não filtrará quem tem determinação e aptidão? ou vocês acham que o problema se resolve na porta de entrada da faculdade?

    E qualidade de ensino reflete-se em estruturas, suporte, qualidade e capacitação dos professores e etc. Seleção é apenas um pequeno detalhe.

    Sobre comentários trolls: gramática e ortografia são fundamentais, rapaz. Demonstra que você não apenas lê bem, mas reproduz o que entendeu com qualidade. Mas o principal problema é a falta de coerência e apresentação de argumentos. Falácias ad hominem não resolvem em debate nenhum. Minto. Só no futebol.

  13. Ah! faltou:

    Sobre aprovação automática: um absurdo desde a sua concepção. Mais uma aberração da nossa política educacional.

  14. “Nós também queremos viver. Nós também amamos a vida
    Para vocês, escola. Para nós, cheirar cola
    Para vocês, academia. Para nós delegacia.
    Para vocês, coca-cola. Para nós, pedir esmola
    Para vocês, muita emoção. Para nós, catar papelão
    Para vocês, piscina. Para nós, chacina
    Para vocês, forró. Para nós mocó
    Para vocês, televisão. Para nós, valetão
    Para vocês, avião. Para nós, camburão
    Para vocês, conhecer a lua. Para nós, morar na rua
    Para vocês, está bom, felicidade. Mas, para nós, igualdade
    Nós também queremos viver. Nós também amamos a vida”

    Essa é a realidade dos “Meninos de Rua de Curitiba”, na década de oitenta do século vinte.

    E a nossa responsabilidade está no existencialismo definido por Sartre, quando diz que “O homem é responsável por aquilo que é. Assim, o primeiro esforço do existencialismo é o de pôr todo homem no domínio do que ele é e de lhe atribuir a total responsablidade da sua existência. E (…) não queremos dizer que o homem é responsável pela sua restrita individualidade, mas que é responsável por todos os homens.”

    Como não ser imediatista? Os negro, as crianças, os pobres… Vão esperar pelo quê? Vão esperar até morrer, pelo dia em que o governo irá criar o sistema de ensino mais democrático do mundo?

    Existem erros conceituais nesses argumentos de quem é contra o movimento das cotas. Pois, desde quando que a universidade tem o objetivo de criar profissionais para o mercado de trabalho?(o mercado de trabalho que como vocês dizem iria acabar discriminando os cotistas).
    A universidade surgiu com o objetivo de iluminar seus acadêmicos(aluno = sujeito sem luz) e mostrá-los a verdade efetiva das coisas (universitário nem deveria pensar em mercado de trabalho)!
    Outro ponto… Desde quando o sistema atual, coloca acadêmicos tão geniais nas universidades? A realidade é que o objetivo dos universitários é sair da universidade.

    Essa idealização de um sistema educacional perfeito, no qual todos teriam a mesma oportunidade é algo que só poderia ser colocado em prática em uma República, mas o Brasil ainda não passou nem por uma transformação Liberal. Porque em um sistema Liberal as regras para se disputar o jogo tem que serem cumpridas. Mas, desde quando a nossa constituição vem sendo colocada em prática? Se estivesse, com certeza nós não estariamos aqui debatendo este assunto.

    Não se pode ser submisso e comtemplativo. A fórmula é ser crítico(destrutivo) e revolucionário. Doa a quem doer!

  15. Os negros foram tratados por anos como animais e ainda são. Um dia acaba a escravidão e eles são libertos. Continuam sendo tratados como animais, só que agora têm que receber um salário em troca do seu trabalho. Os imigrantes vêm para o Brasil, são brancos e tem uma mão-de-obra mais especializada.

    Quem consegue um trabalho, por menor que seja o salário, com mais facilidade? O ex-escravo negro ou o imigrante branco?

    Correndo o risco de ser simplista, interpreto dessa forma a origem da pobreza do negro (da maioria deles).

    Por séculos foram tratados como animais burros e agora é errado dar a eles uma chance?

    Quantos por cento da nossa população é negra? Quantos estão na universidade?

    Não acho que deva haver uma aprovação automática. A cota abre a porta e o cotista estando na universidade deve se esforçar. Ao contrário do que as pessoas pensam, o negro não é burro e o fato de não ter passado no vestibular não o torna menor que os outros.

    Todas as pessoas que conheço que estudam em universidade públicas ou estudaram em escola particulares ou fizeram cursinho pré-vestibular. Será que estudo é a única condição para passar em um vestibular? Um pouco de condição financeira não ajuda?

    É muito egoísmo. A única preocupação que transparece nesses debates é o medo que as pessoas têm de perder o próprio lugar, seja na universidade ou no mercado de trabalho.

  16. Depois de 5 anos fora do Brasil, resolvi (até por saudade), visitar a minha familia. Como no final do ano, os preços dos hotéis estavam baratos, fiz a reserva e paguei antecipadamente por uma estadia de 15 dias numa suite num 4 estrelas em São Paulo. No primeiro dia, fui jantar com alguns amigos, e o meu marido (d’origine française), ficou no hotel pois estava cansado ! Quando retornei do jantar, para supresa minha, o recepcionista do hotel não me deixou entrar, mesmo me identificando como Sra. Silva Langlois !! Tive que, depois de uma boa discussão, telefonar para a nossa suite e pedir para o meu marido falar com o recepcionista do hotel, para autorizar a minha entrada !! Sinceramente, se eu fosse uma loira, não acho que isto teria acontecido ! Infelizmente, venho de um pais extremamente hipocrita onde um negro não pode nem ao menos se hospedar num hotel, imagine entrar numa universidade !!! O grande problema no Brasil é que negro é sinônimo de pobre, e pobre no Brasil é sinônimo de merda !!! Que venham as cotas !!! Felizmente ou infelizmente, me senti como uma bela mulher: fora; como uma mulher inteligente: fora; como uma mulher do MUNDO: fora !!!
    Desculpem-me pelos erros, mas passo o dia inteiro falando francês, sonho muitas vezes em italiano, converso uma vez por semana com a minha mãe e amigos em português, preciso nos ultimos dias me virar em inglês, e acabei de tomar une bouteille de vin de Bordeaux !!!

  17. Putz, Dea, que constrangimento desnecessário!! Não sei como são as políticas dos hotéis, mas outro dia passei uma tarde no Inter Continental aqui no Rio e os salões estavam infestados de prostitutas! Acho que eram brancas, não me lembro bem. Será que elas circulavam (com “garota de programa” escrito na testa) tão livremente por que eram brancas? Se fossem negras, será que teriam o mesmo tratamento que você teve? Não sei mesmo, estou só pensando alto… (e não se preocupe, eu não escreveria português tão bem depois de une bouteille de vin de Bordeaux :o)

  18. Conheço muita gente do meio acadêmico e todos sem exceção são contra as cotas, no entanto ninguém oferece uma alternativa viável para as desigualdades de oportunidades. Aí vai a minha sugestão : Sou a favor da meritocracia ou seja atingiu score passou no vestibular e financiamento dos estudos de forma ampla a essa parte da sociedade colocada a margem. Assim os que se esforçam sempre terão oportunidade, sejam brancos, mulatos, mamelucos ou qualquer outra raça. Vejo com isso uma maneira simples de manter o atual sistema e oferecer oportunidade a quem não teve os pais com condições plenas de financiar os estudos.

    A grande questão pra mim, não são as cotas, não é o racismo, apenas DINHEIRO – CRÈDITO – FINANCIAMENTO.

    O governo LULA (= IDIOTA) criando o caos para ver o que vai dar.

    NÂO ao sistema de cotas e MUITO MENOS ao sistema de aceitação AUTOMÀTICA. Muitos acadêmico estão realmente preocupados com essas questões.

  19. Não é bem assim, a diferença de notas entre cotistas e não cotistas é mínima. Claro que não é necessário que as faculdades reduzam o (já baixo) nível de exigência que possuem.

    Por exemplo, nunca vi preconceito contra quem passou para o segundo semestre ou entrou em reclassificação…

  20. O problema não é o sistema de cotas em si. O problema é a falta de visão, ou pelo menos a falta de compreensão por muitos de seus defensores, de que isso não é a solução definitiva para as desigualdades sociais ou a questão educacional.

    Vemos então esse Governo Mula usando o sistema de cotas como mais uma medida populista de fins eleitorais, sem apresentar nenhum projeto de longo prazo para tentar fazer com que um dia o Brasil tenha “o sistema de ensino mais democrático do mundo”.

    Quer fazer um remendo imediatista até pode ser, mas junto mostre um plano trocar o remendo no futuro por uma solução de verdade, pois com bem se sabe, muitas vezes (quase sempre) a emenda acaba saindo pior que o soneto.

    Para pensar: Será que os grandes autores eram capazes de reconhecer seus erros e deficiências, e de aceitar pontos de vista contraditórios ou sempre se deixavam levar pela ira utilizando palavras de baixo calão em suas argumentações? Teria Marx barba para esconder sua boca-suja?

  21. Com certeza, Marx não tinha barba suficiente para esconder todas as suas deficiências, mas seu ponto de vista de classe o permitia compreender que uma “solução definitiva para as desigualdades sociais ou a questão educacional”, é algo que não pertence a nossa pobre realidade!
    Eu prefiro pensar com os pés no chão!

    E a realidade está nos livros..
    “Em 1888, Nietzsche escreve o ‘Nietzsche contra Wagner’, que junto com o Caso Wagner, constitui a justificativa teórica, exorcista, das suas desavenças com Wagner. Nietzsche o critica a torto e a direito, e é famosa a frase em que diz: ‘Wagner acaricia cada instinto budista e embeleza-o com a música; acaricia toda a forma de cristianismo e toda a forma de decadência.’”

  22. Axt,
    Vou lhe dizer o seguinte: Nas boas universidades (ao menos as Federais e Estaduais que se prezem), não haverá boquinha. Portanto o argumento “é de cota????” não fará sentido. Neguinho de cota ou playboy vai ter que sentar a bunda e baixar a cabeça do mesmo jeito. Se vai aumentar o índice de abandono, não acredito muito. O que aumentará com certeza absoluta, serão os cursos de nivelamento, tipo pré-cálculo, pré-fisiologia, etc.

    Eu pessoalmente sou contra o sistema de cotas. Ataca o sintoma sem resolver a causa. Seria muito mais honroso restaurar a escola pública como centro de excelência educacional. Abaixo vestibular e viva o ENEM.

    Cota dá voto e isso no Brasil é o que importa.

  23. As universidades brasileiras apenas refletem as desigualdades econômica, social e cultural endêmicas da sociedade tupiniquim, cujas causas já foram exploradas ad nauseam em outros comentários. O sistema de cotas é um paliativo que obviamente não vai resolver o problema, além de correr o risco – como disse Baxt em seu post – de alimentar o preconceito e criar frustração. Mas é um passo na direção certa, ainda que talvez com a perna errada.

  24. Cara, eu sou um branco-azedo que é completamente a favor da política de cotas. Alguém acha que os negros/pardos/mestiços estão preocupados se serão discriminados pelo fato de terem usado a tal política? Que nada; eles querem mais é se formar e pegar o diploma para ingressarem no mercado de trabalho; condição que aos pais deles foi dificultada devido ao preconceito que sempre reinou nesta nossa pindorama – que a nossa elite insiste em considerar como sendo uma europa tropical.

    Negar a política de cotas para o ingresso dos negros nas universidades é fazer côro ao “status quo”; ou seja, manter “aquela gente” em seu “devido lugar”…

  25. karaka vei eu so branco mas nao adianta fala pra esses caras eles nao tao nem ai pra q vc importa eles so se emporta com gente rica entao para de fala blz,o governo lula essa história de cotas é mais uma medida populista e eleitoreira.

  26. Acho incrível que um assunto que gera tanta polêmica não esteja sendo discutido pela população. Quero dar minha opinião para os deputados. Quero saber a opiniao da maioria da populacao.
    Não quero pesquisas. Quero votos. E de preferência que os tópicos dessa votação sejam claros e não tendam para nenhum dos lados.
    Acho que não é querer demais.

    (Às vezes acho que estou num país democrático, depois lembro que estou numa ditadura da ignorância coletiva)

  27. Barbs, só para esclarecer sobre a discussão na sociedade.

    Este assunto(das cotas), pelo menos aqui no sul do país, está sendo largamente discutido. Principalmente no mundo acadêmico das universidades federais.
    Hoje mesmo assisti a uma palestra com a professora Flávia Piovesan, em que se discutia “A Participação política das mulheres no Estado Contemporâneo”. Nesta palestra ela citou em números a participação das mulheres no Estado como sendo em torno de 11%. No STF temos pela primeira vez uma mulher entre 11 ministros.

    Assim, ela colocou como sendo de grande importância as medidas afirmativas. No caso da participação feminina no Estado, já se estabaleceu uma cota, em que por lei, obriga os partidos a terem no seu quadro o mínimo de 30% de um dos gêneros. No caso atual, é a participação de 30% de mulheres que está sendo exigida.

    Para defender as medidas afirmativas, e neste ponto ela incluiu o caso das cotas para negros nas universidades. Ela julga a medida como sendo um mal necessário. E disse que é justo, na medida em que o ponto de chegada é um único(a universidade), porém o largada se dá desigual, os negros partem muito atrás dos brancos, e nesta corrida a justiça está em no mínimo oferecer um empurrão para quem parte na desvantagem.

    E se achas que estás em um país democrático, saiba que a democracia é um sistema falido. Ser cidadão hoje, é ter o direito de votar em um péssimo governante, e depois passar longos 4 anos chorando.

  28. Se a discussão descambar para o modelo democrático de governo já apresento aqui algumas palavras do Churchill: “Ninguém pretende que a democracia seja perfeita ou sem defeito. Tem-se dito que a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos”.

    A democracia é ruim? é. A população é ignorante? é.

    A pergunta real por detrás dessas duas é: qual a solução?

    Ah! Christian, o sistema de aprovação automática começou no governo FHC, não no Lula. E cotas foram adotadas incialmente pelo goveno Garotinho, o goveno Lula apenas alavancou essa discussão para nível nacional, dando prazos para a sua adoção.

    Novamente, sou a favor de cotas sim. Mas em conjunto com um plano de reformulação do processo educacional desde o primeiro ano primário.

    O problema é que não podemos perder mais uma geração. O que fazer nesse caso?

  29. Paulo Henrique:

    Fico feliz de saber que no Sul o sistema de cotas está sendo amplamente discutido nas universidades federais. Não saberia te dizer nenhuma informação sobre a discussão dentro do mesmo universo aqui no Sudeste pois não faço mais parte do universo acadêmico há alguns anos.
    Mas acho que esse pedacinho de mundo, o das universidades federais, ainda é muito restrito. Por mais que a população delas (estudantes, gestores, professores e quem mais as habite) seja uma das principais interessadas, não é no meio acadêmico que reside a maioria da população e a universidade, principalemente a federal, não espelha (ou eu não acredito que espelhe) a opinião da maioria da população do país. E mais: eu não soube, mesmo sendo cria de uma universidade federal, de nenhuma discussao nesse sentido. Quando há divulgação de tais palestras, debates e conferências, essa divulgação me exclui, a mim e, acredito, a grande interessada nessa história que são as pessoas que pretendem ingressar na universidade. Mesmo o mercado de trabalho, que por fim vai absorver esses profissionais formados (por mais que se diga que universidade não é curso profissionalizante, cada vez mais ele é sim e essa gente tem que trabalhar como todo mundo), não acho que ele esteja sendo informado de tudo isso.

    Essa para mim é a grande questão. A discussão dentro das universidades federais é muito pouco. Quero discussão irrestrita de um tema tão delicado.

    Mas assim como outros grandes assuntos, essa discussão não deve chegar a quem realmente interessa. Ou seja: a todos nós.

    Mesmo assim acho realmente positivo saber que pelo menos os universitarios estejam pensando no assunto.

    Zander: Não estou discutindo se a democracia é o melhor sistema ou não. Estou dizendo que me enganaram. Cresci achando que vivia na tal ditadura da maioria. Se isso é bom ou ruim, não sei, porque, infelizmente, não tenho idéia do que a maioria pensa sobre qualquer assunto. E passei a acreditar que vivemos uma ditadura de uma minoria corrupta, preguiçosa, gananciosa e virulenta.

    Baxt: Pois é.

  30. Oi, Barbara!
    Sou leitor esporádico do blog, o qual conheci através do Leo Campos, seu antigo colega de Sto. Agostinho. Queria saber se você podia passar um e-mail de contato. Assunto: jornalismo freelancer. hehehe!
    :)