Lembra aquela corrente antiga de blogs, aquela das 5 manias?

Fui intimada aqui nos comentários a participar e, enfim, depois de muito tempo, tomei vergonha e resolvi listar algumas, não necessariamente cinco. Digamos que são as primeiras manias que me vêm à mente. Aos poucos tenho certeza que lembraria de outras:

- Não gosto de facas ou tesouras apontadas para mim (em cima de uma mesa, por exemplo)
- Não deixo sapato virado, nem com os pés invertidos (o direito do lado esquerdo e vice versa). Posso estar num restaurante japonês ou sei lá o onde – pego e desviro e ajeito. Também não gosto de sapatos de bico virado para a parede.
- Papel higiênico que vem pelo lado de baixo. Sempre mudo o rolo de papel para ficar na posição certa.
- Não gosto de ficar embaixo de lâmpadas
- Mostro a língua para a câmera do elevador. Às vezes faço isso em pleno elevador de prédio comercial
- Saio de casa e entro nos lugares com o pé direito. E reclamo do Hiro porque ele sempre sai de casa com o esquerdo.

Dissonância Cognitiva

Escritório. Um ambiente nas cores branca, cinza-divisória-de-eucatex e bege-porta-de-armário-de-fórmica, sob a luz de lâmpadas frias piscando de velhas, já com aquela cor entre o branco e o roxo. Na Paradiso FM, a rádio “música de elevador e jabá para o seu dia inteiro” que é o som ambiente do escritório, Cazuza canta baixinho o blues da Piedade.

PS: Mas sabe, tou gostando daqui. Falta um pouco de cor, mas está sendo legal.

Update: Será que eu não fui clara? É, acho que não. O Cazuza é justamente a coisa dissonante no ambiente, por causa da letra da música, meio anti-vida-de-escritório, anti-vida-de-pequenezas, estabilidades e etc. Eu era alucinada pelo Blues da Piedade quando era adolescente. Me achava uma pessoa totalmente capaz de ver a luz, de mudar na lua cheia e de amar alguém que não coubesse nos meus sonhos. E até hoje acho que não existe esculhambação maior do que dizer que alguém “veio ao mundo e perdeu a viagem”.

I make lists in my sleep

Vi Rent pela primeira vez esses dias, e adorei essa frase da cena em que as mulheres discutem a relação. Até então eu achava que era a única pessoa do mundo que fazia listas de coisas-para-fazer dormindo ou em vias de.

PS: Nunca vi a peça, mas o filme é bem legal. Me lembro até hoje que na única vez que estive na Broadway, em 1999, vi o cartaz e pensei comigo mesma que era um nome estranho para um musical. E fiquei tentando imaginar como o tema “pagar aluguel” seria capaz de render assunto para uma ópera. Desinformada. Humpf!

O fantástico mundo das pessoas que acordam cedo

Depois de anos vivendo em horário de autor de novela da Globo (você pode ver que todos eles trocam o dia pela noite. Eu não sou tão radical, mas se me deixar eu fico trabalhando até as 4 da manhã e acordo às 10 ou 11 todo dia), estou de novo em horário de operário. Até duas semanas atrás eu acordava e, segundos depois, ouvia o apito na hora ao lado de casa. Todos os peões saíam dos canteiros de obra para almoçar antes mesmo que eu tomasse café.

Agora eu saio de casa antes das 8 e fico no corredor ouvindo incansável despertador da vizinha até o elevador chegar. Lotado. Eu nunca tinha pego elevador com ninguém durante todos esses meses, e agora sempre tem uma galera lá dentro. No caminho para a van, calanguinhos se aquecem ao sol depois de passar a noite inteira perdendo calor (coisa que não acontece à tarde). E as vans passam lotadas.

E eu continuo achando essa coisa de horário comercial muito pouco prática. A rua lota quando todo mundo está com pressa, e depois fica tudo vazio. Se mais gente trabalhasse em horário de autor de novela as coisas iam ser mais fáceis.

Todo dia ela faz tudo sempre igual…

Pois é, sumi. Eu faço isso de vez em quando, desculpaê. No início meu sumiço aconteceu porque eu fiquei com pena de colocar outro post por cima do post dos blogues, que estava rendendo uma discussão tão legal… Depois a falta de posts novos passou a ser falta de vergonha na cara mesmo.

Aliás, uma pergunta para o amigo blogueiro: você já teve orgulho dos seus leitores? Eu às vezes leio os comentários (não estou falando desse último post, mas de todos) e acho coisas geniais (tirando, é claro, um ou dois cat haters imbecis, que atualmente deleto sem dar trela). Pois é, eu fico toda orgulhosa de ver que essas pessoas legais vem aqui no meu blog e ainda por cima se animam a ponto de discutirem umas com as outras. Resumindo a rasgação de seda, muito obrigada pelos links e pelas sugestões, que foram devidamente pesquisadas.

E agora a explicação (não muito convincente, admito) para o meu sumiço. É que estou trabalhando corporativamente no Centro, em um escritório, de nove-às-seis, em uma grande empresa na área de mineração (outro dia conheci pessoalmente uma pelota de minério de ferro!). Apesar do suposto surreal da coisa, não é nada tão bizarro e está sendo bem legal. O trabalho é um temporário de dois meses organizando a intranet de um sistema da empresa (se eles precisam de uma pessoa full time para fazer uma coisa tão específica, você pode imaginar que as coisas aqui são um mundo!).

Enquanto isso estou terminando algumas matérias, tentando dominar o mundo e perdendo umas três horas por dia no trânsito. Mas agora já estou acostumando com tudo isso e vou voltar a escrever. Acredite, tenho coisas a dizer sobre a vida, o universo e tudo o mais.

Os blogs estão mudando o mundo

Vocês concordam com isso?

Estou escrevendo uma matéria sobre a importância dos blogs, citando casos interessantes e tal. E já que isso daqui é um blogue, e meus queridos leitores são blogueiros (ou pelo menos leitores de blogues) e pessoas esclarecidas, queria muito a colaboração de vocês.

Portanto: vocês acham mesmo que os blogues estão mudando a maneira como se faz jornalismo e a maneira como as pessoas se relacionam com a informação? (fazendo de qualquer pessoa um emissor, fiscalizando a mídia tradicional, possibilitando a criação de comunidades, servindo como vozes livres em países com censura, etc)

Saberia citar algum exemplo?

Ou tudo isso não passa de besteira, supervalorização da coisa? Por que?

Brigadinha pela ajuda.

Vou mudar o discurso dessa vez

Esse ano não vou dizer que o dia das mulheres é uma esmola, uma piada. Não vou dizer que o fato de haver um dia das mulheres simplesmente confirma a piada que diz que os outros 364 são “do homem”. Não que eu tenha mudado de idéia, mas fica chato falar a mesma coisa todo ano, né? :o) (se quiser, veja o discurso antigo em 2004)

Hoje vou falar efetivamente das “conquistas femininas” (por mais que estes termos me dêem arrepios, por me lembrar mulheres amargas, com pernas cabeludas e nem um pouco felizes com sua condição de mulheres – condição que tem vantagens e desvantagens como tudo na vida).

Li em algum lugar que a igualdade (vamos usar a palavra “equivalência”, porque eu não acredito nessa suposta igualdade) feminina é muito maior no mercado de trabalho do que em casa. Em outras palavras: em público, se as mulheres ainda não são equivalentes aos homens, estão muito mais perto disso do que na vida particular.

Estou falando do Brasil, é claro. Não posso falar da Suécia nem de Botswana, porque nunca estive lá. Por aqui, mulheres têm bons cargos, apesar de ainda ganharem menos. Mulheres são chefes de homens sem que isto seja um drama. Mas pedir para o chefe para sair mais cedo para levar o filho ao pediatra é tarefa da mãe. O pai que fizer isso automaticamente passa a ser visto como uma exceção, um paizão ma-ra-vi-lho-so (experimente fazer isso e eu garanto que suas colegas de escritório vão tentar dar para você).

Tarefas domésticas? A maioria dos homens é treinada, por suas próprias mães, para serem “reizinhos”, e não seres prestativos, que tomam a iniciativa de fazer uma comida no final do dia, mesmo depois de encarar escritório, chefe chato e aquelas coisas todas. Fazer um jantar inesquecível no fim de semana não conta. Estou me referindo às tarefas cotidianas e sem glamour, como tirar a mesa depois de comer sem que ninguém peça ou fazer a lista do supermercado.

Fazer sexo com muita gente ainda pega mal para uma mulher, mas não para um homem. Sabe aquela coisa antiiiiga de “piranha” e “comedor”? É antiga, mas infelizmente não é ultrapassada.

Muitas meninas pegam Aids ou engravidam sem querer porque não têm coragem de impor o uso da camisinha na hora da transa. Camisinha não é decisão do homem – as mulheres têm que andar com preservativo na bolsa e encapar o rapaz antes mesmo de ele ter tempo de argumentar. Mas cadê que a mulherada faz isso?

E isso porque eu não falei de mulheres que apanham dos maridos ou homens que acham que ter amantes não tem nada de mais – mas que ser “corno” é um absurdo, que só mulher vagabunda tem outro, etc etc

Para resumir essa ópera toda: igualdade (digo, equivalência) em público é fácil. As mudanças só acontecem de verdade quando se sustentam dentro de quatro paredes, sem ninguém olhando. Aí, minha filha, o buraco é bem mais embaixo.

O Sonho da Criação e a Criação do Sonho: A Arte da Ciência no Tempo do Impossível

O samba aí do título é de 2004, o Carnaval de 2006, já acabou, mas não aguentei. Eu nunca deixo de me surpeender com os títulos de sambas enredo (já devia estar acostumada, mas pelo visto não estou). No final do post colocarei na íntegra a genial letra do samba “científico” (muitas aspas) da Unidos da Tijuca de 2 anos atrás.

Feliz ano novo para todos vocês.

E já que o assunto hoje é irrelevâncias, gostaria de afirmar que não assisti ao Oscar até o final porque deu preguiça, mas gostei do vestido/bolo/laço da Charlize Theron (é sério!), que não gosto de pessoas vestidas de bege (porque parecem que estão nuas com pelancas estranhas) e que achei o maior mico Crash ter ganho.

Desde que fui ver Bareback/Brokeback Mountain que eu queria vir aqui e comentar. Achei o filme ducacete, e não “over-rated” como andaram dizendo por aí. É uma história de amor como outra qualquer. Em vez de termos uma judia e um palestino, ou um Montecchio e uma Capuleto, temos um caubói e… um caubói. Só isso, mas é uma puta história de amor, das mais clássicas e tradicionais.

Os personagens são ó-te-mos, e Ang Lee é o mestre das sutilezas perfeitas. Sou fã do cara.

Aproveite e dê uma olhada na versão Lego do filme.

Para encerrar, uma citação da história de amor menos dramática e igualmente genial de Harry e Sally. Quando a Sally está acabando o college, indo para NY estudar jornalismo, diz algo como:

- Ainda não aconteceu nada na minha vida. Estou indo para Nova Iorque ser jornalista e agora as coisas vão começar a acontecer.
Harry, o homem-que-vê-as-coisas-com-clareza, não se comove com o papo da loirinha e manda na lata:
- Ah sim, agora você vai escrever sobre as coisas que acontecem da vida dos outros…

Se eu tivesse 9 anos e estivesse na quarta série, teria feito ti-tóin em mim mesma.

Depois dessa, encerramos nossa programação de hoje. Fique com o samba enredo da G.R.E.S. Unidos da Tijuca. Good night, and good luck.

Letra do Samba-Enredo vencedor:
Autores e intérprete: Jurandir, Wanderlei, Sereno e Enilson

Nessa máquina do tempo, eu vou
Vou viajar… com a Tijuca te levar
À era do Renascimento
De sonhos e criação
Desejos, transformação
Acreditar, desafiar
Superar os limites do homem
Brincar de Deus, criar a vida
Querer voar e flutuar
É tempo de sonhar…
É tempo de alquimia
Querer chegar à perfeição
Com tecnologia
Na arte da ciência
A busca continua
Na luta incessante pra vencer o mal
E no vai e vem dessa história
O velho sonho de ser imortal
Profecia, loucura, magia
A vontade de explorar
A lua, a terra e o mar
Pro futuro viajar eu vou
Mistérios que ainda quero desvendar, levar
O destino é quem dirá
O amanhã como será
Sonhei amor e vou lutar
Para o meu sonho ser real
Com a Tijuca, campeã do Carnaval