Sim… Arram… Entendi… Mas o senhor não acha que…?

De vez em quando me acho uma péssima redatora, apuradora, pesquisadora e entrevistadora. É claro que só estou contando isso aqui porque sei que não é bem assim. Se eu fosse tão ruim, meus editores iam ler isso e falar “como é que eu nunca me dei conta disso? Não peço mais pauta para a Baxt, ela é uma farsa!”

Mas mesmo sem ser péssima, às vezes bate uma sensação que nunca vou ser tão boa quanto as pessoas que eu admiro. Tem vezes que fico 3 dias em cima de um texto e ele continua ruim.

Quanto às entrevistas, nem comento: sempre me acho burra. Sempre acho que falei arram na entonação errada, sempre acho que o entrevistador ficou me achando idiota. Quase nunca acho que esqueci uma pergunta importante - isso deve significar que não sou um caso perdido. E quando a entrevista é em inglês? Na hora de ouvir a gravação para transcrever a coisa, fico achando que o meu sotaque é horrível, que falo as sílabas tônicas erradas, é uma tragédia.

Vivo falando que só consigo fazer trabalhos criativos, mas trabalhos criativos dão uma frustração danada quando não ficam ducaralho. Na época que eu fazia grade de programação, não tinha como pensar “Hmmm, essa grade ficou pronta no prazo, mas ela ficou tão sem graça…”

Mas tudo bem, continuo preferindo meus trabalhos-criativos-que-invariavelmente-não-ficam-tão-bons-quanto-
poderiam.

Esse post, em grande parte é para saber se meus 3 leitores (depois de tanto tempo sem postar, três dos meus seis leitores já devem ter deserdado irremediavelmente) também passam por isso. E para os meus amigos jornalistas, a pergunta que não quer calar: como vocês fazem para parecer inteligentes quando estão entrevistando alguém?

9 Responses to “Sim… Arram… Entendi… Mas o senhor não acha que…?”

  1. Ale Bonrruquer Says:

    Yep. Eu tenho uma cretina tendência de “dar uma melhoradinha”. E mais uma revisadinha. E mais uma lida aqui. E, ah!, caramba, eu sabia que isso aqui ia passar.

    Nessas horas tento lembrar que o pior inimigo do bom é o ótimo.

  2. Verônica Says:

    Pra mim é difícil simplesmente escrever algo criativo com sujeito-verbo-predicado no blog, mas mesmo assim sinto saudades de um freela esquentando o meu cérebro. Ando mais na neura grade de programação, só que no meu caso a satisfação não está em entregar no prazo os slots alocados, mas sim mas sim inventar par a reunião de destaques algo interessante com o meu conteúdo Brokenback mountain.
    bjos e que bom que vc voltou!

  3. KA. Says:

    ahhhhhhhhhhh!!!!
    tudo bem que estamos em véspera da véspera do carnaval, mas poxa, não precisa apelar pra palhaçada :o)

    fala serio, né moça.

    a gente gosta do que lê, se não voltariamos pra ver sempre um novo bis.

    ;-)
    bjs

  4. Brunap Says:

    Baxt, o negócio é aprender a fazer cara de inteligente, que nem a Marília Graviela. Ela caprichou tanto que agora todo mundo acha que ela é a melhor entrevistadora do Brasil.
    A gente pode se encontrar e ficar treinando uma na frente da outra. O que vc acha?
    De resto, eu acho que não precisa a preocupação. Mas eu entendo e acompanho… ainda bem que tem essa insegurança, né. Odeio trabalhos que eu faço com o pé nas costas. vc não?

  5. Catarina Says:

    Concordo com a amiga aí de cima. O negócio é fazer cara de inteligente.
    Passo por essa sensação de me achar péssima jornalista de vez em quando, mas não dura muito tempo. Logo depois você vê que existe muito repórter pior nesse mundo.
    E, veja só, logo hoje você ganhou mais uma leitora.

  6. Szundy Says:

    Não tenho experiência em escrever matéria, mas posso dizer que muitas vezes escrever código é o mesmo sofrimento.

    Quando estamos na correria então é pior ainda. A gente sempre tem certeza que o código tá uma porcaria, mas acabamos aceitando a meleca que fizemos sonhando que na próximo versão do sistema teremos a oportuniadae de arrumar tudo o que queríamos ter tempo de arrumar agora.

    Seja um programa de computador, uma matéria, um dissertação, um livro, etc, no final das contas o que mata tudo é o tal do “time to market”.

  7. Nelson Says:

    Dê uma de Asimov e seja feliz: depois de uma experiência ‘traumática’ em que o editor pediu diversas revisões, ele passou a dizer que qualquer texto que precise de mais do que uma revisão, não merece mais ser revisado. :-)

  8. Lia Says:

    A última entrevista que fiz foi com o Pedro de Lara, em 2001.
    Depois disso, pude pedir aposentadoria, feliz.

    (aliás, dia 25/02 é aniversário dele)

  9. JulioSAM Says:

    onde pego meu crachá com o número 7?