Folhetins
Há muito-muito tempo, os grandes romances eram vendidos, em capítulos, dentro de jornais. É o caso de “Oliver Twist” e “Os Miseráveis”, entre inúmeros outros. Hoje em dia, ao contrário do que se imagina, as “novelinhas de jornal” continuam existindo. E eu as acompanho.
Há alguns meses vimos a novelinha da família de São Paulo que morreu depois de comer brigadeiro envenenado. A história tinha todos os elementos de um bom romance e de um mau romance, misturados: uma família cheia de histórias estranhas, uma menina que liga para o restaurante quando todo mundo está morrendo (para forçar um álibi?), um pai que trabalhava diretamente com um monte de vidrinhos de veneno, uma casa cheia de fotos do pai nas paredes e nenhuma da mulher ou das filhas, e mais outras esquisitices, críveis ou não.
Agora temos a novelinha da mulher sem rosto: primeiro disseram que ela tinha tentado se suicidar tomando um monte de pílulas e que o cachorro da família, um labrador, tinha destruído a cara dela tentando acordá-la. Verossímil, na minha opinião. Agora vem o médico francês dizer que o suicida na verdade era o doador do rosto, e que a mulher foi mordida pelo cachorro ao pisar nele, depois de tomar tranquilizantes por ter brigado com a filha. Versão estranha: desde quando um labrador arranca os lábios e o nariz da própria dona por causa de um pisão??
O fato é que quando chega nesse ponto, do quebra cabeça de versões escatológicas, eu acabo ficando curiosa e vou acompanhando a novelinha até o final. Aliás, “final” é modo de dizer, já que os folhetins-mundo-cão-vida-real têm o sério problema de não ter final. Como se sabe, só a parte sanguinolenta e bizarra merece destaque na imprensa, e por isso fechamento das histórias, a explicação de que as-coisas-não-eram-bem-assim sempre ficam no oblívio.
Acho que eu devia parar com essa mania e assistir aos filmes antigos do Cronemberg - que têm final.
dezembro 8th, 2005 at 9:36 am
a unica estoria fantastica q vi ter final foi de uma menina q apareceu no fantastico q soltava pedacos de cristais pelo olho, no final das contas ela havia quebrado um jarro (ou algum recipiente do tipo) de cristal, e para esconder o acidente, colocava todos os dias um caco no olho… trash
dezembro 9th, 2005 at 12:08 pm
Eu desisti dos filmes do Cronenberg depois de Videodrome… Ele aprendeu e fazer final depois disso? :D