Quase 2006

Essa última semana parece que ninguém foi trabalhar. Mandei textos que ninguém viu e pedi pagamentos que (pelo visto) ninguém pagou. Enquanto isso, os shoppings e a piscina daqui do prédio estavam cheios de gente.

Aproveitei para fazer um monte de coisas chatas: ir na Caixa pegar FGTS de contratos temporários (inclusive um de 2001 que ninguém me disse na época que estava liberado), fiz exames chatos (você já fez uma ultrassonografia transvaginal? ui!), tirei xerox de matérias velhas, coloquei papéis para reciclar, etc.

Mas ainda falta tanta coisa… Sempre falta. Uma vez vi uma entrevista da Fátima Bernardes em que alguém perguntava como ela fazia para conciliar os papéis de mãe, profissional, perua (a parte de se cuidar, o que pode ser um full time job), etc. Ela respondeu algo como: “Tem dias em que trabalho muito bem, leio muito, me atualizo e acho que dei pouca atenção aos meus filhos. Em outros dias fico com os trigêmeos, dou bastante atenção a eles. E aí vou dormir culpada por não ter sido uma boa profissional” Ela concluía que, uma vez que suas culpas estavam bem distribuídas, isso era um sinal de que ela estava equilibrando bem família e trabalho e o resto.

Ai ai, eu não tou preparada para isso. Estou sempre achando que negligenciei alguma coisa. Que não trabalho tanto quanto devia. Que minha casa é uma bagunça (na casa dos meus pais era só o quarto). Que não fiz a unha e que devia estar malhando direito. Que a comida devia ser mais variada.

Para 2006 tenho mais objetivos ainda. Por favor, alguém me salve do meu cérebro!

Hohohohohohohohohoh…

Em primeiro lugar: se alguém no mundo ainda tem a pachorra de vir aqui ver se eu tomei vergonha e postei alguma coisa, Feliz Natal!!!

Pois é, estou com vergonha e postando. A Alessandra reclamou, em um dos últimos posts, que eu andava dando versões muito resumidas da minha vida. Mas imagine só: se mal tenho tempo para viver minha vida, que dirá contá-la?

Mesmo assim, já que o cliente tem sempre razão, vou tentar fazer um resumo: de setembro até o último dia de novembro, como já se sabe, estive passeando pelo mundo das pessoas de crachá. O que tem vantagens e desvantagens.

Logo depois, voltei para a minha vida tradicional. Primeira constatação: no Projac tinha gente para organizar minha agenda. Ter outras pessoas para fazer sua agenda é prático e funciona bem, acredite em mim.

Portanto agora estou penando de novo para organizar minhas matérias de uma maneira civilizada. É claro que já estou devendo emails para muita gente. E dessa vez não tenho mais a desculpa de estar trabalhando para a Loira.

Aí vem o fim de ano, as compras de Natal, a gastança sem sentido, as pessoas todas de folga sem atender telefones. Meus pagamentos vão atrasar.

Tomei um toco do Chevening e fiquei bem chateada. Hiro me lembrou que eles adoram gente que trabalha em grandes corporações, como Globo, TIM e etc. Isso devolveu um pouco da minha dignidade, o suficiente para dizer ao British Council: “Só lamento.”

Gosto muito da minha vida de frila por enquanto.

Estou tentando me inscrever na bolsa Alban, um programa muito louco organizado por uns portugueses da pesada. Resultado: um guia do candidato com informações dúbias e um site fora do ar durante os últimos dias das inscrições.

Se inscrever para programas de bolsas e universidades é um full time job. Eu precisava parar de trabalhar para fazer só isso.

Minha miopia aumentou. O que explica porque tenho andado de óculos o tempo todo. Por isso, preciso comprar uma armação cool, com a qual me sinta razoavelmente gatchenha.

Mas as armações que eu vejo custam 100 reais e têm cara de quem vai quebrar, ou custam 950 reais – o que vai *me* quebrar. Aparentemente existe uma lei que proíbe que uma armação custe 400 ou 500 reais. Aceito sugestões de formatos, marcas e, claro, doações de amigos descolados e cool que estejam enjoados dos seus óculos.

Tenho feito matérias interessantes, nas quais aprendo a fazer melancia grelhada e coisas do gênero.

Agora tchau, porque tenho que colar etiquetas nos presentes de Natal.

Folhetins

Há muito-muito tempo, os grandes romances eram vendidos, em capítulos, dentro de jornais. É o caso de “Oliver Twist” e “Os Miseráveis”, entre inúmeros outros. Hoje em dia, ao contrário do que se imagina, as “novelinhas de jornal” continuam existindo. E eu as acompanho.

Há alguns meses vimos a novelinha da família de São Paulo que morreu depois de comer brigadeiro envenenado. A história tinha todos os elementos de um bom romance e de um mau romance, misturados: uma família cheia de histórias estranhas, uma menina que liga para o restaurante quando todo mundo está morrendo (para forçar um álibi?), um pai que trabalhava diretamente com um monte de vidrinhos de veneno, uma casa cheia de fotos do pai nas paredes e nenhuma da mulher ou das filhas, e mais outras esquisitices, críveis ou não.

Agora temos a novelinha da mulher sem rosto: primeiro disseram que ela tinha tentado se suicidar tomando um monte de pílulas e que o cachorro da família, um labrador, tinha destruído a cara dela tentando acordá-la. Verossímil, na minha opinião. Agora vem o médico francês dizer que o suicida na verdade era o doador do rosto, e que a mulher foi mordida pelo cachorro ao pisar nele, depois de tomar tranquilizantes por ter brigado com a filha. Versão estranha: desde quando um labrador arranca os lábios e o nariz da própria dona por causa de um pisão??

O fato é que quando chega nesse ponto, do quebra cabeça de versões escatológicas, eu acabo ficando curiosa e vou acompanhando a novelinha até o final. Aliás, “final” é modo de dizer, já que os folhetins-mundo-cão-vida-real têm o sério problema de não ter final. Como se sabe, só a parte sanguinolenta e bizarra merece destaque na imprensa, e por isso fechamento das histórias, a explicação de que as-coisas-não-eram-bem-assim sempre ficam no oblívio.

Acho que eu devia parar com essa mania e assistir aos filmes antigos do Cronemberg – que têm final.

Feliz primeiro de dezembro!

Esse ano o reveillon chegou mais cedo. Ontem foi o fim do contrato com a Globo e, junto com a alforria do mundo-das-pessoas-de-crachá, vieram um dinheirinho fixo e várias lições. Aprendi muito sobre pessoas, sobre trabalho e, claro, sobre mim mesma.

(se você passa por um experiência nova e não aprende nada de novo sobre você mesmo, pára tudo e começa de novo).

E também veio uma notícia meio mais ou menos sobre meus planos acadêmico-internacionais, já devidamente digerida.

E aqui estou eu, dando um gás no que já estava fazendo, começando algumas coisas de novo, cheia de idéias e objetivos novos. Parece que já é janeiro.