Povo marcado, êh! Povo feliz!

Morar num condomínio classe média-média da Barra da Tijuca é isso aí: todo fim de semana tem churrasco no prédio - e como a churrasqueira fica seis andares abaixo de nossa super varanda, já estamos nos enturmando com as conversas, já sabemos que a menina do mês passado queria agarrar o amigo Passarinho e já estamos up-to-date com todas as variações de camisa mamãe-sou-forte dessa galera crasse A.

Mas o que me deixa realmente chocada é como as pessoas gostam das músicas que mandam elas gostarem - sem qualquer questionamento. O killer song com assobios é um hit, é claro, mas o resto do tempo é integralmente ocupado por umas 5 ou 6 dances das 7 melhores da Jovem Pan e um ou outro hip hop desses que tocam na MTV (ou no Multishow, admito que não vejo emetevê há muito tempo).

E sempre (sempre mesmo, não é modo de dizer) tem alguém que diz “adoro essa música”, ou que a coloca para tocar de novo (ou de novo, novo e novo, até o Marido começar a dar cabeçadas na parede de drywall, o que é muito arriscado, já que paredes de drywall quebram e esburacam como os cenários do Projac).

Todas as vezes que isso acontece eu me pergunto como tantas pessoas podem gostar sinceramente das mesmas músicas, e mudar radicalmente de preferência daqui a um mês, quando a grana do jabá for distribuída entre outra meia dúzia de músicos. É uma pergunta retórica, é claro, que também se aplica a roupas, a bandas indie (muda o universo, mas a situação é a mesma), ao cabelo loiro de chapinha, ao cabelo ruivo curto, ao peitão, e a muitas coisas.

Na verdade eu, que não perco nunca a capacidade de me surpreender com as coisas, continuo me surpreendendo com o quanto as pessoas são gado.

5 Responses to “Povo marcado, êh! Povo feliz!”

  1. Jayne Says:

    você tem toda a razão, a música pop não é formada. semana que vem aparece uma coisa diferente a bessa pra ouvir. e como a Nicole disse as pessoas mesmo que odeiem a música tem que fingir que gostam pra “se enturmar”… um post genial! continue assim!!!

  2. Cristiano Dias Says:

    Não se engane, Botafogo tem o mesmo tipo de gado.

    Assinado, o cara que mora de frente pro playground do prédio dos fundos.

  3. brunap Says:

    baxt, mais mum texto genial, com um final genial. Ai, ai, essa menina me enche de orgulho :D
    Tá acompanhando o pseudo-diário de viagem? Posto sempre que posso/tenho saco.
    beijosss

  4. Monica Says:

    O mundo é dominado pela mente mediana, pelo pensamento medíocre. É muito mais confortável mesmo ir atrás do que o vizinho está fazendo, ouvindo, gostando do que parar para pensar em suas próprias idéias.
    Reflexào então, não há tempo para isso. temos que consumir, consumir…
    Ah, a propósito, quando escuto Killer song assobiada já me dá vontade de cortar os pulsos. será que podiam esquecer essa música pelamordedeus!! :o)

  5. Nicole Says:

    Ser gado é confortável, e mais seguro do que ter opinião própria. Se você gostar do que todo mundo gosta, terá mais chance de "se enturmar" e não ser "diferente" - pra essas pessoas, ser diferente é o maior risco que se corre. :P