NÃO

Eu entendo assim: a vitória esmagadora do Não” significa que a a população em peso não confia no governo.

Ninguém achou que, ganhando o “Sim”, a proibição da venda de armas seria cumprida. Todo mundo apostava num aumento do contrabando, isso sim. Ninguém, em nenhum momento, demonstrou confiança na capacidade do Estado de garantir nossa segurança.

Esclarecimento importante: votei nulo, em parte porque acho a comercialização de armas um detalhe insignificante para o nosso caso. O buraco é muito mais embaixo, e esse assunto é irrelevante na questão “combate ao crime no Brasil”. Em outra parte, votei nulo porque não me sentiria confortável tomando partido de nenhum dos lados, mesmo sendo daquelas pacifistas que odeia armas.

Esclarecimento mais importante ainda: por favor, ninguém me venha com o argumento rísivel de que “me defender é um direito individual e o Estado não pode tirá-lo de mim”. O Estado pode sim. Leia o Contrato Social e depois venha falar comigo. (aqui em português)

11 Responses to “NÃO”

  1. JP Says:

    A idéia de que o Estado deve ser o único a possuir a prerrogativa da violência para proteger seus cidadãos morreu no fim do século XVIII, junto com a Revolução Francesa e, veja só, junto com a morte de Rousseau. Percebeu-se que era impossível para o Estado estar em todos os lugares ao mesmo tempo.

  2. Lia Says:

    Votei nulo não como "protesto", mesmo porque entendo que se o Estado tivesse alguma posição sobre o assunto, faria a lei assim mesmo, sem consultar o povo.
    Aliás, ninguém perguntou, mas acho que:
    - Referendo é válido no sentido de que, se estamos em algo parecido com uma democracia, a opinião popular deve ser consultada, sim;
    - Os votos nulos deveriam contar como nulos;
    - A aprovação da população deve ser levada em conta, mas não deve ser decisiva, já que as pessoas são convencidas de seus pontos de vista por propagandas na tv, e não por informações. Os especialistas em segurança são ELES (ou um cara nomeado ministro de alguma coisa não tem conhecimento de causa?).

    Sou brasileira, não desisto nunca - mas se botarem MESMO a decisão de legalização do aborto ou união civil entre pessoas do mesmo sexo na mão de um povo cada vez mais adepto de religiões que pregam radicalismos e desinformação, peço as contas. Não sei como. Mas dou um jeito.

  3. Marcio Says:

    Minha mensagem não tem nada a ver com o tema, apenas recebi esse texto e lembrei de vc (única pessoa que eu conheço que tem um blog):
    MY OWN DILBERT BLOG
    ===================

    When I see news stories about people all over the world who are experiencing hardships, I worry about them, and I rack my brain wondering how I can make a difference. So I decided to start my own blog. That way I wonÂ’t have time to think about other people.

    People who are trying to decide whether to create a blog or not go through a thought process much like this:

    1. The world sure needs more of ME.
    2. Maybe IÂ’ll shout more often so that people nearby can experience the joy of knowing my thoughts.
    3. No, wait, shouting looks too crazy.
    4. I know – I’ll write down my daily thoughts and badger people to read them.
    5. If only there was a description for this process that doesnÂ’t involve the words egomaniac or unnecessary.
    6. What? ItÂ’s called a blog? IÂ’m there!

    The bloggerÂ’s philosophy goes something like this:

    Everything that I think about is more fascinating than the crap in your head.

    The beauty of blogging, as compared to writing a book, is that no editor will be interfering with my random spelling and grammar, my complete disregard for the facts, and my wandering sentences that seem to go on and on and never end so that you feel like you need to take a breath and clear your head before you can even consider making it to the end of the sentence that probably didnÂ’t need to be written anyhoo.

    If that doesnÂ’t inspire you to read my blog, I donÂ’t know what will. You can find the Dilbert Blog at http://dilbertblog.typepad.com/

  4. Ale Says:

    Ei, ei, ei, peraí. Como assim, o direito à defesa pode ser alienado pelo Estado? Amiga, se você diz isso na Suíça eles te expulsam! Lá, o direito INDIVIDUAL à defesa é justamente a garantia de que o Estado vai se comportar.

    Eu acho que devia ser assim no Brasil também. Nem entro na questão da corrupção, da confiança no governo e que tais. É um "sim" filosófico. :)

    Beijos, saudades.

  5. scheissmann Says:

    nem todo direito eh bom, visto q ha pouco mais de 100 anos tinhamos o direito de ter um escravo. nao gostei do resultado, realmente o problema deve ser visto de forma mais complexa; mas soh para se ter uma ideia, o famoso trezoitao q custava em media 150 reais no mercado negro antes do estatuto, depois do estatuto esse passou a custar 500 reais… imagine se fosse ainda mais dificil se comprar um legalmente, esse preco provavelmente aumentaria mais…

  6. Patricia Says:

    Sou exatamente da mesma opinião que vc. :-)

  7. Ann, hein?, escorpião, 37 Says:

    Gostei muito do seu blog, moça. Bookmarquei-o-o.

  8. Denise Arcoverde Says:

    Tem toda razão… a vitória do NÃO foi um protesto contra Lula…

    :(

  9. Pedro Sette Câmara Says:

    Barbara, minha cara, "O contrato social" é apenas o livro de um cidadão privado, no qual ele expressa (de maneira confusa) suas opiniões a respeito da organização política. Parece, no entanto, que você está dizendo que a obra de Rousseau é um dogma ou um argumento infalível. Eu digo que é um dos pilares do totalitarismo.

  10. zander catta preta Says:

    Eu penso por aí também.

    Tanto quando o que o Estado pode ou não fazer, quanto ao problema da violência.

    Mas, de certa forma, gostei da vitória do Nâo. Não deixa de ser um "referendo" de descrença no governo.

    Na outra mão, tem a crônica do Veríssimo…

  11. Nicole Says:

    Concordo. O resultado do referendo, qualquer que fosse, não seria o suficiente para mudar a mentalidade das pessoas ou diminuir a violência. O buraco é beeeeeeem mais embaixo.