Na terra das comidinhas gostosas

Estou em São João Del Rei, escrevendo de um internet café enquanto cai uma chuva bizarra lá fora. É tiro e queda: é só acabarmos de gravar e irmos para o hotel que o céu desaba – foi assim ontem em BH. O passeio de Maria Fumaça para Tiradentes melou e eu fiquei arrasada. Preciso voltar para Minas turisticamente o mais cedo possível.

Editores queridos: assim que eu acabar esse trabalho temporário, me passem frilas em outras cidades. Viajar a trabalho é bom para conhecer pessoas legais, para dar um zoom out da nossa vida, para ficar com saudade de casa e do marido (será que eu acostumo a chamar Namorado de marido?), para arejar as idéias – e para ter novas idéias. Além disso, eu adoro dormir sozinha em hotel. Mas o hotel tem que ter lençol branco, senão não vale.

NÃO

Eu entendo assim: a vitória esmagadora do Não” significa que a a população em peso não confia no governo.

Ninguém achou que, ganhando o “Sim”, a proibição da venda de armas seria cumprida. Todo mundo apostava num aumento do contrabando, isso sim. Ninguém, em nenhum momento, demonstrou confiança na capacidade do Estado de garantir nossa segurança.

Esclarecimento importante: votei nulo, em parte porque acho a comercialização de armas um detalhe insignificante para o nosso caso. O buraco é muito mais embaixo, e esse assunto é irrelevante na questão “combate ao crime no Brasil”. Em outra parte, votei nulo porque não me sentiria confortável tomando partido de nenhum dos lados, mesmo sendo daquelas pacifistas que odeia armas.

Esclarecimento mais importante ainda: por favor, ninguém me venha com o argumento rísivel de que “me defender é um direito individual e o Estado não pode tirá-lo de mim”. O Estado pode sim. Leia o Contrato Social e depois venha falar comigo. (aqui em português)

Fora de todas as panelinhas

Ando pensando em tantas coisas que não dá tempo de escrever aqui. Para isso, eu precisaria ter um escravo eunuco estenógrafo. Ditaria para ele todas as minhas frases inesquecíveis enquanto estivesse no carro indo para externas no Jardim Zoológico e que tais. E ele as postaria em tempo real.

*Hoje descobri que a girafa faz barulho. Mas numa frequencia que a gente não ouve.

*Nenhum casamento pode dar certo se não houver piadas internas.

*Fui a uma festa onde eu era a única loira.

*Os sonhos, quando morrem, vão para a Estrada dos Bandeirantes 6700. Muitas vezes, para uma atriz, trabalhar de secretária no Projac é o mais perto que se chega dos sonhos de uma vida inteira.

*Eu nunca fui uma pessoa política. Mas estou ficando direta demais.

*Me ofereceram uma oportunidade que eu sempre mereci, justamente quando eu não podia pegar. Foi azar ou foi de sacanagem?

*Eu voto NÃO à obrigatoriedade de votar.

*Ando com saudade de algumas pessoas.

*Não, eu não sou uma pessoa virtual.

A maior diversão?

No cinema, assistindo a uma maratona de comerciais e trailers desinteressantes antes do filme, fiquei pensando: “Taí mais uma excelente razão para eu baixar os filmes no Bit Torrent em vez de vir até aqui”

“Querido Diário…”

Descobri que Augustus Gloop existe e mora em Friburgo.

Fui a uma micareta e fiquei em cima do trio da Ivete Sangalo.

Conheci a primeira pista de skate da América Latina.

Usei roupa de astronauta para visitar um apiário e fiquei tensa com o barulho das abelhas.

Aprendi a letra da música nova de Bruno e Marrone.

Fiquei com muito medo dos bonecos de “Hoje é Dia de Maria”, mesmo não sendo animatronics.

Entendi porque os castelos de areia de Copacabana nunca desmoronam.

Como se pode ver, meu trabalho novo é muito animado.

É mais ou menos isso

Sim, sim, eu sou horrível. Abandonei o blogue enquanto me preocupava demais com meus próprios problemas (mas atualizar o blogue também não é um problema meu?). Isso acontece de vez em quando: eu me concentro demais em mim mesma e fico dando voltas atrás do meu próprio rabo. Não preciso dizer que não leva a nada, não resolvo os problemas e ainda negligencio as pessoas.

Pois bem: estive em Curitiba assistindo três grandes shows: Weezer, Raveonettes e Mercury Rev. Comentários, fotos e vídeos em algum momento no futuro. Minha carta aberta de repulsa absoluta aos organizadores dos shows também.

Enquanto penso qual o melhor lugar para colocar minha coleção de copinhos do alemão, preciso contar que arrumei um emprego. Logo eu, a maior defensora da vida frila. Mas é importantíssimo lembrar que é um emprego temporário de 2 meses. Ou seja, não vendi a alma para o sistema, apenas aluguei, por um tempinho, em troca de um salário certo e, mais importante, uma experiência de trabalho interessante.

Ainda estou me acostumando ao novo ritmo, a essa coisa de passar o dia inteiro fora de casa, de comer todo dia no mesmo lugar, de ficar ouvindo um monte de gente falar o dia inteiro. Talvez o mais estranho de tudo tenha sido constatar que todos os dias chego em casa cansada de falar. De ouvir minha própria voz, de verbalizar idéias. Às vezes eu me estranho.