Tá bom, tá bom…

Devido aos comentários revoltados, vou tentar explicar alguma coisa - ou parecer menos radical, sei lá.

Essa história do brasileiro em Londres tem alguns pontos mal contados. O principal, na minha opinião: os policiais estavam todos à paisana ou a ordem de parar foi dada por alguém uniformizado? Imagino que eles tenham se identificado como policiais, mostrando distintivos ou algo que o valha. Afinal, soa meio estranho que os policiais ingleses fossem tão bocoiós a ponto de mandar alguém parar sem se identificar, né? Assim sendo, continuo achando que o cara sair correndo é algo indefensável, sim. Suspeitíssimo. Digno de deixar todo mundo em pânico.

O visto do cara: já disseram que estava vencido, que não estava, etc. Acho que a versão mais razoável é a de que era um visto de estudante (que só dá direito a trabalhar 20 horas por semana, acho) e ainda por cima vencido.

Caso contrário, por que cargas d’água ele teria corrido da polícia?

Ele estava de jaqueta no verão. Tá bom, ele era brasileiro e talvez fosse friorento que nem eu sou. Mas ninguém tinha a obrigação de pensar nisso, né?

Oito tiros. Lembrem-se, se ele fosse um terrorista, ele precisava ser “neutralizado”. Ou seja, morto sem ter tempo de estourar nenhuma bomba.

As fitas do metrô: pois é, ainda não foram divulgadas. Tomara que sejam, para a gente ter mais informações e menos suposições.

Agora vocês me desculpem, mas eu continuo achando que se um cara sai correndo para dentro do vagão, fugindo da polícia, de jaqueta, em plena onda de atentados, a única coisa que se pode fazer é “neutralizá-lo”. Tiros de advertência geram troca de tiros, explosões, sei lá. E ali era mais importante salvar o povo que estava dentro da estação.

Sei que não é argumento, mas valorizem um pouquinho a transparência da polícia britânica. Nos EUA, por exemplo, até hoje ninguém explicou aquele avião que caiu em 11 de setembro, perto da Casa Branca.

PS: Para a galera que está achando tudo um absurdo, me digam uma coisa: qual era a alternativa? Se fosse de fato um terrorista com uma bomba, o que a polícia deveria ter feito? (isso não é um argumento retórico, é uma pergunta mesmo)

7 Responses to “Tá bom, tá bom…”

  1. Paulo Henrique Says:

    A emenda saiu pior que o soneto.
    Jah tinhas matado o cara por ele ter vacilado em correr.. agora eh pq ele estava "mal-trajando" uma jaqueta!
    E eh mto ridiculo pq nao se pode ficar matando pessoas que supostamente possam ser terroristas.. ateh pq em londres que eh uma cidade cosmopolita fica realmente muito dificil julgar visualmente quem é quem.
    Qual era a alternativa? Eu acho que a policia seria mais eficiente e menos idiota se agisse de forma discreta e antes de qualquer coisa se preocupasse em encurralar o individuo para fazer uma revista(aquelas cenas de filme onde os agentes do FBI ficam se comunicando por walkie-talk). Pq se a policia abordasse um terrorista de verdade desses que tem bombas no corpo(e nao necessariamente os que usam jaquetas e correm descontrolados pelos metros) ao inves de o meliante picar a mula ele simplesmente iria acionar os explosivos, e aih salve-se quem puder!

  2. Cristiano Dias Says:

    Baxt, seu raciocínio é todo certo. É exatamente isso que deve ser feito para se evitar um ataque terrorista (ou não, porque eu não sou especialista nisso). Exceto que, dessa vez, o cara não era terrorista. Então o que NÃO deve ser feito já sabemos.

    Eu não sou capaz de desenhar aqui um procedimento correto para esses casos, mas esse está meio óbvio que não deu certo, né? E como bem disse o Paulo Henrique se ele fosse terrorista *mesmo* tinha explodido. Ou por acaso já prenderam algum homem-bomba em Israel dando oito tiros na cabeça?

  3. Ana Cristina Says:

    Bárbara,

    Continuo concordando em gênero, número e grau contigo. Chega dessa parcialidade da imprensa brasileira!

  4. Gisele Freitas Says:

    Entendo seu ponto de vista, mas ele é pragmático demais. Nunca sabemos qual será a reação de alguém ao ser abordado de repente por um policial, principalmente num país estranho. Mesmo sabendo que o certo seria parar, sabe-se lá o que passou pela cabeça dele na hora? Ou você já não cansou de ouvir casos de pessoas mortas aqui no Rio porque reagiram a assaltos, mesmo sabendo que o mais sensato é entregar tudo? Eu mesma, na hora do desespero, já arranquei com o carro quando tentaram me assaltar.
    Ninguém pode ser assassinado por suposições, mesmo sendo um cucaracho na cidade da Rainha.
    Mudando de assunto, vc viu meu email que dá primeira vez voltou e eu te mandei de novo? Beijos

  5. Antonio Says:

    concordo com o paulo henrique. E o argumento da jaqueta eh na verdade um dos mais preocupantes, porque esta cheio de preconceito. Hoje eh um dia de verao em Londres, e eu estou de jaqueta, porque sou brasileiro e esta frio. Eu nao tenho parentes orientais ou arabes, mas sabe-se la o que os ingleses acham da minha aparencia. Matar por causa de aparencias eh serissimo. Sobre a sua pergunta: a Inglaterra esta metida numa guerra, com soldados no Iraque. O terrorismo nao esta acontecendo a toa. Matar inocentes para ‘prevenir’ ataques eh absurdo. A alternativa? Revistas no metro? Por que nao pararam o brasileiro antes dele entrar na estacao?? Desde que se respeite os direitos humanos, ok. Ai no Brasil nos somos classe media, mas aqui, nos somos apenas ‘os outros’…Talvez se vc estivesse aqui sua opiniao seria diferente..pense nisso!

  6. Mario Says:

    Toda essa discussão só mostra que lidar com o terrorismo é a coisa mais difícil desse mundo. Esse legado dos atentados, como o medo de uma jaqueta, é algo muito maior e mais preocupante do que as mortes em si.

  7. Vivien Says:

    Não costumo comentar blogs onde discordo, mesmo porque…não costumo voltar, acabo lendo apenas os meus cinco queridos escolhidos blgoqueios, onde a argumentação e sempre inteligente. Mas esse post é uma das impressões mais reacionárias e de argumentação frágil que já tive o desprazer de ler. Não importa, continuo lendo os meus cinco…rs