“Freeze!”

Taí uma boa razão pela qual eu sabiamente desisti de seguir a carreira diplomática. Suponha que eu sou um diplomata britânico, e imagine o diálogo:

Effelentíffimo (com a camisa suada debaixo dos braços e os olhos sem se fixar em lugar nenhum da sala, mas tentando manter as sobrancelhas franzidas, fazendo uma cara meio Cigano Igor de indignação): “Exijo defculpas pelo affaffinato do brasileiro no metrô de Londres”

Eu (colocando a xícara de chá na mesa e sorrindo fleumaticamente): “My dear, os seus policiais matam muito mais gente, com muito mais tiros, todos os dias. Eu pedirei desculpas o dia que vocês pedirem desculpas pelos atos dos seus policiais. Além disso, é por tomarmos atitudes enérgicas no começo de uma crise que não passamos pelo constrangimento de ter que colocar 890 guardas fortemente armados em torno da Rocinha - e mesmo assim não conseguir prender ninguém. Para que não cheguemos neste ponto (olhando para a câmera de um dos vários jornalistas espremidos na sala) é que a ordem de atirar para matar será mantida. Have a very good day”.

Eu levantaria, viraria as costas e deixaria o Effelentíffimo sentado lá, olhando para dentro da xícara cheia (o chá dele estaria intacto porque, dizem, ele não gosta de chá). Sairia pela porta de madeira pesada sem olhar para as câmeras ou fotógrafos, deixando meu assessor de imprensa em pânico.

E é por isso que ninguém nunca vai me dar um cargo diplomático.

É até difícil de acreditar que um dia depois de ter rolado pânico generalizado no metrô, chega um mané (imagina quanta gente deve ter pensado coisas do tipo: “tinha que ser brasileiro mesmo!” ou “brasileiro só faz merda!”) com o visto de permanência vencido, sai correndo quando a polícia manda ele parar - e alguém ainda vem dizer que a culpa é de quem atirou…

O que queriam que acontecesse?

Suponha que o cara fosse terrorista de verdade, e estivesse com uma bomba, tomasse um tirinho de advertência na perna ou algo assim, e detonasse a bomba? Haveria mortos, feridos e um monte de reclamação. Se ainda for preciso um outro exemplo, vamos lembrar do caso da Gabriela, aquela menina que acabou de virar nome de rua. Ela estava dentro a estação do metrô quando rolou uma troca de tiros entre policiais e ladrões. Tomou um teco e morreu com 14 anos.

E ainda vêm me dizer que atirar para matar é errado?

6 Responses to ““Freeze!””

  1. Cristiano Dias Says:

    Então… na "melhor" das hipóteses… ser mané agora é crime capital?

  2. Baxt Says:

    Depende, né? Aqueles caras que estavam no aeroporto nos EUA e disseram que tinham uma bomba na mala também foram manés.

    Sair por aí de camisa vermelha em reduto do Terceiro Comando é ser mané.

    Se um cara sai correndo da polícia para dentro do metrô em uma cidade que está em estado de alerta, o que deveria ser feito, na sua opinião?

  3. Paulo Henrique Says:

    nah nah.. tas maluca?

    Eu.. na minha humilde opiniao e tlvz mta gente deva concordar comigo.. acho q nao se pode matar uma pessoa por suposiçoes. Pq se fosse assim seria muito mais facil jogar uma bomba no meio da rocinha e matar todos! BUM acabou o favelao!
    Sem entrar no merito de que a pessoa deve ter sempre preservado o seu direito de defesa e de ser julgada antes de qualquer coisa.. acho q tem q se levar em conta um fato determinado.. que no caso eh um sujeito q correu da policia por estar com seu visto vencido e isso em qualquer pais democratico do mundo eh motivo para sair dando tiros!
    Aqui em Florianopolis ha um mes atras houve choques de estudantes com policiais.. se tiver curiosidade em ver o tamanho da imbecilidade dessa gente(q pra mim sao iguais em qualquer parte do mundo) dah uma olhada nesse site
    http://www.sarcastico.com.br/1pags/pelicula/1peli_amanha.php

  4. Antonio Wilson Says:

    Eu sou um brasileiro morando em Londres e eh um absurdo ler a sua opiniao. Se homens a paisana com uma arma imobilizam e matam um inocente POR NADA, voce nao pode concordar com isso. Nada justifica e tambem nada tem a ver com a policia do Rio. Estamos falando daqui. O visto do rapaz tambem na tem nada a ver (e, soh para atualizar, ele estava aqui legalmente). Numa confusao de metro, talvez voce tambem instintivamente corresse, principalmente com o clima tenso na cidade. Ninguem liberou as fitas de video do incidente, entao nem se sabe se ele correu ou nao. Agora, imagine se um turista ingles morresse ‘por engano’ no Rio. O que a Scotland Yard ia dizer?

  5. Ana Cristina Says:

    Até que enfim alguém disse algo sensato sobre este caso. Não aguento ver a parcialidade da imprensa brasileira, é deprimente.

  6. Vladimir Says:

    Bom, ser mané provavelmente não é crime, mas segundo Darwin, não ajuda a viver por muito tempo.

    O brasileiro correu da polícia em uma cidade sob alerta terrorista. Infelizmente, morreu de vacilo.