Respondendo ao comentário no próprio blogue

Antônio, você disse que se eu morasse aí em Londres e fosse mais um imigrante, talvez pensasse diferente. Não sei, não moro aí. Mas se tudo der certo, daqui a um ano e pouco vou para essas terras, aí a gente pode conversar.

Por enquanto, moro no Rio, e as coisas chegaram a um ponto nessa cidade (viu o post do Fervil aí embaixo?) em que é natural que um assassinato como esse não me impressione.

Dá uma olhada nessa notícia: morta é atingida por bala perdida no próprio velório. Ninguém chamou a polícia e ela foi enterrada com a bala. Seria hilário se não fosse deprimente.

PS: Tou começando a pensar em não escrever mais sobre violência nesse blogue. A situação me emputece tanto que eu corro o risco de ficar monotemática. Alguém concorda?

Memento Mori

Hoje é dia 26 de julho, terça feira. Só queria lembrar que está fazendo um ano que o Fervil tomou um tiro no santo Cristo, saindo do trabalho.

- um ano passa muito rápido.
- a cidade continua igual.
- a gente se acostuma a tudo.
- mas às vezes é bom lembrar das coisas para manter um pouco da indignação.
- ninguém – que eu saiba – sequer investigou o crime.
- continuo pensando que a morte nos ajuda a continuarmos vivos.
- gostaria de mandar um abraço para a família dele, mas nunca conheci nenhum dos parentes.
- nessas horas acho uma merda viver numa sociedade ocidental que não sabe encarar a morte com naturalidade.
- é claro que além do Fervil, estou pensando no meu tio.
- tio, se você tiver voltado a ser a pessoa que era há dez anos, procure pelo Fervs por aí. Garanto que vocês vão ter bons papos.

Tá bom, tá bom…

Devido aos comentários revoltados, vou tentar explicar alguma coisa – ou parecer menos radical, sei lá.

Essa história do brasileiro em Londres tem alguns pontos mal contados. O principal, na minha opinião: os policiais estavam todos à paisana ou a ordem de parar foi dada por alguém uniformizado? Imagino que eles tenham se identificado como policiais, mostrando distintivos ou algo que o valha. Afinal, soa meio estranho que os policiais ingleses fossem tão bocoiós a ponto de mandar alguém parar sem se identificar, né? Assim sendo, continuo achando que o cara sair correndo é algo indefensável, sim. Suspeitíssimo. Digno de deixar todo mundo em pânico.

O visto do cara: já disseram que estava vencido, que não estava, etc. Acho que a versão mais razoável é a de que era um visto de estudante (que só dá direito a trabalhar 20 horas por semana, acho) e ainda por cima vencido.

Caso contrário, por que cargas d’água ele teria corrido da polícia?

Ele estava de jaqueta no verão. Tá bom, ele era brasileiro e talvez fosse friorento que nem eu sou. Mas ninguém tinha a obrigação de pensar nisso, né?

Oito tiros. Lembrem-se, se ele fosse um terrorista, ele precisava ser “neutralizado”. Ou seja, morto sem ter tempo de estourar nenhuma bomba.

As fitas do metrô: pois é, ainda não foram divulgadas. Tomara que sejam, para a gente ter mais informações e menos suposições.

Agora vocês me desculpem, mas eu continuo achando que se um cara sai correndo para dentro do vagão, fugindo da polícia, de jaqueta, em plena onda de atentados, a única coisa que se pode fazer é “neutralizá-lo”. Tiros de advertência geram troca de tiros, explosões, sei lá. E ali era mais importante salvar o povo que estava dentro da estação.

Sei que não é argumento, mas valorizem um pouquinho a transparência da polícia britânica. Nos EUA, por exemplo, até hoje ninguém explicou aquele avião que caiu em 11 de setembro, perto da Casa Branca.

PS: Para a galera que está achando tudo um absurdo, me digam uma coisa: qual era a alternativa? Se fosse de fato um terrorista com uma bomba, o que a polícia deveria ter feito? (isso não é um argumento retórico, é uma pergunta mesmo)

“Freeze!”

Taí uma boa razão pela qual eu sabiamente desisti de seguir a carreira diplomática. Suponha que eu sou um diplomata britânico, e imagine o diálogo:

Effelentíffimo (com a camisa suada debaixo dos braços e os olhos sem se fixar em lugar nenhum da sala, mas tentando manter as sobrancelhas franzidas, fazendo uma cara meio Cigano Igor de indignação): “Exijo defculpas pelo affaffinato do brasileiro no metrô de Londres”

Eu (colocando a xícara de chá na mesa e sorrindo fleumaticamente): “My dear, os seus policiais matam muito mais gente, com muito mais tiros, todos os dias. Eu pedirei desculpas o dia que vocês pedirem desculpas pelos atos dos seus policiais. Além disso, é por tomarmos atitudes enérgicas no começo de uma crise que não passamos pelo constrangimento de ter que colocar 890 guardas fortemente armados em torno da Rocinha – e mesmo assim não conseguir prender ninguém. Para que não cheguemos neste ponto (olhando para a câmera de um dos vários jornalistas espremidos na sala) é que a ordem de atirar para matar será mantida. Have a very good day”.

Eu levantaria, viraria as costas e deixaria o Effelentíffimo sentado lá, olhando para dentro da xícara cheia (o chá dele estaria intacto porque, dizem, ele não gosta de chá). Sairia pela porta de madeira pesada sem olhar para as câmeras ou fotógrafos, deixando meu assessor de imprensa em pânico.

E é por isso que ninguém nunca vai me dar um cargo diplomático.

É até difícil de acreditar que um dia depois de ter rolado pânico generalizado no metrô, chega um mané (imagina quanta gente deve ter pensado coisas do tipo: “tinha que ser brasileiro mesmo!” ou “brasileiro só faz merda!”) com o visto de permanência vencido, sai correndo quando a polícia manda ele parar – e alguém ainda vem dizer que a culpa é de quem atirou…

O que queriam que acontecesse?

Suponha que o cara fosse terrorista de verdade, e estivesse com uma bomba, tomasse um tirinho de advertência na perna ou algo assim, e detonasse a bomba? Haveria mortos, feridos e um monte de reclamação. Se ainda for preciso um outro exemplo, vamos lembrar do caso da Gabriela, aquela menina que acabou de virar nome de rua. Ela estava dentro a estação do metrô quando rolou uma troca de tiros entre policiais e ladrões. Tomou um teco e morreu com 14 anos.

E ainda vêm me dizer que atirar para matar é errado?

Hic!

Vocês lembram quando eu repostei (repostei é “postar uma referência”, ou “fazer referência a um post”, como preferir) sobre pontuações gratuitas?

Caps Lock não é pontuação, mas dá na mesma. Estava tentando agora ler uma entrevista do Cardoso no Globo. Mas eu só leio o CARDOSO se eu PUDER usar Shift+F3 no TEXTO INTEIRO dele. Não AGUENTO tantas SUBIDAS e descidas NO texto. Isso me CANSA. Parece que estou lendo MIGUXÊS, um texto CHEIO de SOLUÇOS. Eu HEIN.

Na verdade, já li várias coisas dele, mesmo ele escrevendo em “miguxês visual”. Mas, sei lá, por mais legais que fossem, cansei. Tem um conto do moço no jornal. Depois que eu passá-lo para o Word, selecionar tudo e lascar um Shift+F3, conto para vocês se gostei. Ou não. Pode ser que eu fique com preguiça e resolva ler alguém sem soluços.

A semana mal começou e eu já estou verborrágica desse jeito!

Esse sábado fui a uma festa junina aqui na Barra. Chegando lá, o lugar estava meio vazio, e a dona da casa se desculpou: “O pessoal da Zona Sul não pôde vir, porque estão rolando tiroteios na rocinha e o túnel está fechado“.

Ah, então tá. Muito natural, né?

Isso porque de tarde a Linha Amarela também tinha sido fechada, mas por menos tempo.

* * *

Assisti à versão clássica de Guerra dos Mundos ontem à noite. Ainda falta ler o livro e ver os quadrinhos. Se você ainda não viu a versão nova, do Spielberg, protagonizada pelo Menino Maluquinho e pela Menina Sensata, eu recomendo. Não porque seja um filmaço, mas porque é um filme-pipoca de “catiguria”.

Meus comentários durante o filme (comentários mentais, porque eu estava no cinema e só falo sem parar quando estou vendo DVD – razão pela qual meu irmão não vê DVD comigo de jeito nenhum):

1) Eu: “- Meus Deus, o Spielberg conseguiu juntar o 11 de Setembro com o Holocausto num filme só! O que mais ele pode querer da vida?”

Namorado: “- Ele incluiu E.T.s também!”

2) “- Esse negócio de fazer toda a história pelo ponto de vista de um sujeito comum é bem legal, e até dá para perdoar o fato de termos que olhar a cara cientológica do Tom Cruise em todos os takes”

(depois fui descobrir que se perdiam algumas informações essenciais, que estão na primeira versão, de 1953. Mas nada que estrague a brincadeira)

3) Quando o filho mais velho toma a decisão mais estúpida do mundo: “- Yes! O filme está dizendo para os meninos que ir para o Iraque é uma atitude idiota!!

No final (que é tão ruim que até a iluminação, boa no filme inteiro, fica subitamente xexelenta e coloridinha como aquelas séries baratas de TV), me dei conta, meio macambúzia: “- Droga, entendi errado: ele estava dizendo para *irem* pro Iraque…”

4) “- Que legal, os personagens estão filmando a invasão com câmeras digitais! Que realista!”

Logo depois, em Londres, o que se viu? As imagens dos jornais tinham sido feitas de dentro dos vagões de metrô, com câmeras de celular.

ps: usei a pavra “legal” no meu comentário porque se trata de ficção (diferente de Londres). E em ficção, pessoas sendo desmaterializadas também é muito legal.

* * *

Essa noite sonhei com uma berinjela gigante, que havia crescido tanto que tinha a forma de um menino. As pessoas tentavam nos convencer que mesmo parecendo gente, ela era de fato uma planta, e não uma pessoinha com consciência.

Lá pelas tantas, Namorado comprou um dedo do menino-berinjela (que era do tamanho de um berinjelão normal, de supermercado), e eu fiquei muito preocupada porque não tínhamos queijo nem carne moída aqui em casa para fazer um prato. E também não poderíamos fritá-la, porque essa é uma casa frying-free (leia-se cozinha americana, empregada uma vez por semana e varal de roupas do lado do fogão. Se a gente pensar em fritura, tudo vai ficar fedendo pelo resto da vida)

* * *

Acabei de achar esse texto, sobre uma menina que fez Puc comigo e trabalhou no GNT. Nós nunca fomos amigas, mas sabe aquela admiração que a gente tem por quem rala e corre atrás das coisas? Lembro que eu pegava 3 ônibus para a Globosat por pura preguiça de andar até o ponto de ônibus do Bob’s, e depois por preguiça de novo de subir a Rua Itapiru debaixo do sol do Rio Comprido (se você já subiu a Itapiru no verão, você me entende). Ela pegava um ônibus só – mas para economizar.

Um dia dei carona a ela de táxi para o trabalho, e ela ficou toda feliz. Pode acreditar, dia desses a gente vai se esbarrar e ela é que vai me dar carona. E eu ainda vou pedir trabalho para ela. (E se alguém souber o email dela – o nome é Luciana Barreto – passa para mim?)

Mais ou menos como o Estag. Ele já foi meu estagiário, mas estou puxando o saco dele desde agora, porque um dia com certeza ele vai ser fodão eu vou poder pedir vários favores, hahahaha.

Fracassei miseravelmente!!!

Na verdade, eu até hoje estava relutando em entrar na comunidade que tem esse nome, criada no orkut por meu priminho Duda Valente – afinal, se o cara é chique, ganha prêmios em Cannes e bolsas de estudo em Paris – e acha que fracassou, imagine eu?

Agora se ponha no meu lugar, lá lá lá, distraída, pensando se “fracasso” é uma palavra adequada, forte demais ou exageradamente sutil para o seu caso. E eis que subitamente você está passeando pelo orkut e fica sabendo que existe uma comunidade para você! Sim, criaram uma comunidade para mim!

Isso não lhe parece a derrota mais retumbante do mundo, certo? E se eu te contar que essa comunidade tem UMA pessoa, e ela a criou como um “experimento sociológico, para descobrir quanto tempo as pessoas levam para encontrá-la”? Ainda não parece ridículo?

Bom, se eu te contar que essa criação aconteceu em 2004, e até hoje o único integrante é o próprio criador, aí sim você vai rir de mim!! Pois bem, fique à vontade: entre outros objetivos, este blogue aqui serve para que riam de mim. Talvez a culpa seja do meu fã (o único no mundo com a pachorra necessária para tal homenagem): talvez ele seja o cara mais Elesbão do mundo.

Mas saiba que acabei entrando no grupo, por duas razões. Primeiro, para que a situação fique mais bizarra e surreal ainda. Segundo: se as discussões sobre mim mesma (e meu ego, consequentemente) estivessem bombando, eu entraria para dar um “oi”, certo? Portanto, seria escroto eu ignorar a iniciativa apenas pelo fato de ela ter se mostrado de uma Elesbice solene.

Eu sou a diva do teatro vazio! No hay banda! E não, não vai ser dessa vez que vou seguir os passos da Inacorp, a multinacional do japonês blogueiro heterossexual (o outro, não o Namorado) que vai dominar o mundo através de camisetas com imagens de sunguinha vendidas em uma comunidade do orkut!

Me perguntaram se eu vou à Flip esse ano

Não.

Em primeiro lugar, porque tenho um casamento para ir amanhã à noite. Em segundo lugar estão vários motivos, ou seja, trata-se na verdade de um “segundo lugar fatorial”, se existisse isso.

Ano passado (textos e fotos aqui, aqui e aqui) achei tudo muito interessante, mas percebi que o tema da brincadeira era “tietagem”, e não exatamente “literatura”. Fiquei chateada também quando percebi que os organizadores tinham reservado todos os lugares na tenda onde havia os debates para supostos vips, dando ao público apenas o telão (não que as pessoas tenham se intimidado com isso: elas tiraram fotos de Chico Buarque na tela!) Digo isso porque tentei comprar no exato momento em que as vendas foram abertas para todo o país, e os ingressos estavam “esgotados”. Ah tá.

O gigantismo do evento também me incomodou um pouco. Talvez eu não tenha aproveitado os eventos menos “gigantísmicos” (inventei agora a palavra, e acho que não ficou lá muito boa…), como o circuito off ou a oficina do Paralelos (fiquei sabendo dela tarde demais). Acabei não encontrando quase ninguém, também.

Na verdade, mesmo com tudo isso, estava disposta a ir para lá, olhar barquinhos, rir sozinha da arrogância do Jô, fugir dos restaurantes caros demais e comer muita moqueca, (torcendo para esse ano não ter a infecção intestinal do mal que encarei ano passado). Mas tenho o tal casamento para ir amanhã, e definitivamente Parati não vale que eu volte correndo amanhã cedo, muito menos que eu deixe de encontrar grosas de amigos dos tempos de colégio e ver minha amiga que-já-foi-comunista-e-hoje-é-yuppie vestida de noiva (sim, eu adoro casamentos, por mais que Namorado ache essa uma mania hilária: gosto de ver a noiva entrar na igreja, de olhar as roupas, de avaliar a escolha das músicas, etc. I’m a very old-fashioned woman, sometimes)

Portanto, esse ano ficaremos eu e João Ubaldo no Rio. Se acontecer alguma coisa que preste por lá, me contem.

PS: infelizmente faz tempo que não escrevo ficção, o que me deixa ainda mais distante da brincadeira.

PS 2: ouvi falar de uma galera que está organizando o Flap em SP. Não tenho idéia se vai ser legal, mas gostei da proposta. Adoraria que alguém organizasse um Flop aqui no Rio. Uma coisa down-to-earth, o que é só uma maneira anglófila de dizer “pé-no-chão”: autores que estão publicando seus primeiros livros, debates sobre o ofício de escrever, sobre a literatura no Brasil. Mas uma coisa para quem gosta do assunto, e não aqueles temas todo-mundo-vai-gostar, como botar Ziraldo e LFV para falar de humor (eu vi essa palestra na Flip – bem divertida e não me acrescentou nada).

(acho que vou bolar o programa do MEU Flop. Alguém se interessa em me ajudar a colocar em prática? Alguém? Alguém? Bueller?)

PS 3: Sobre discussões literárias legais, produtivas e pé no chão, gostei desse post, num blogue que eu não conhecia.