Pensamentos Esparsos
Queria muito ter mais tempo para literatura. Para ler, estudar, discutir. Tentar escrever, mostrar para os outros, melhorar. Por enquanto, não tá dando.
Acho que o Papa deveria ter ido para um hospital, sim. Deveveriam tê-lo ligado a aparelhos, recriando artificialmente todas suas funções vitais. Ele ainda estaria vivo, e seria mantido “vivo” por todos os anos que fossem possÃveis. Tipo a Teri Schiavo. Se é assim tão legal, porque ele não quis?
Atenção à cena. Eu, à s 9 da manhã, na van, chegando no Leme: “Moço, eu ia descer aqui, mas acabei de descobrir que saà de casa sem a carteira. Desculpa, se você me deixar o seu cartão eu juro que pego essa van da próxima vez e pago as duas viagens…” (barulho de porta automática abrindo) “Pode descer.”
Foi a segunda vez na minha vida que isso aconteceu. A carteira estava em uma gaveta no meu quarto, lugar onde nunca guardei carteira nenhuma. Isso porque eu ia ao camelódromo consertar meu gravador (que estragou quando eu estava a caminho de uma gravação, onde tinha que entrevistar o Paulo Betti. Resultado? Tive que comprar outro, caro e bem pior, em uma lojinha em Copacabana). Ainda tentei pegar algum dinheiro com Namorado que estava no Leblon, mas ele ficou 3 horas fazendo uma apresentação (aquelas coisas powerpoint-de-gente-séria-que-nem-ele), e desligou o celular.
Abortei o plano de ir ao centro. Tou tomando coragem para ir amanhã. Depois dessa conjunção ridÃcula de fatores, me convenci de que ia acontecer algo muito ruim comigo se eu fosse hoje. Pois é, ler Paulo Coelho aos 18 anos, aquela história do pastorzinho que ia ser roubado e assassinado, causa danos irreversÃveis no discernimento de uma pessoa.
Quero dar aulas de português ou redação para algum pré vestibular para pessoas carentes. Procurei e não achei nada. Se alguém souber de alguma coisa, é só avisar.
Já estou gostando mais de ser loira.
Zander, é claro que vc era o anti-generalizador de plantão ao qual eu me referia :o) Mas quando disse que estava presenciando o surgimento de novos autores, não estava falando de autores prontos, e sim embriões, textos perdidos por aà que indicam que tem gente boa se formando no ofÃcio. Acredito piamente que em alguns anos vamos ter uma geração por aÃ, e das boas. Eu gosto dos “Wunderblearghs” (segundo vc), do pessoal do Paralelos, e acho que a Clarah é uma promessa que talvez um dia vire escritora. Ou talvez fique assim para sempre.
E claro, voltando ao assunto “literatura” lá no alto do post, a praga dos escritores malditos ainda assola. Mas um dia esse pessoal cresce e essa bobagem passa. Malditismo e bestnikismo à s vezes são muito legais, todo mundo sabe que eu gosto mesmo de Kerouac, Bukowski e etc. Mas à s vezes porres, bebedeiras, trepadas em lugares imundos e fétidos não passam de preguiça mental. Escrever assim demanda menos esforço.
Abril 10th, 2005 at 10:26 pm
Sobre esse lance da carteira… sempre que sei de uma história dessas me pergunto se o mesmo teria acontecido comigo, homem gordo e sebento. Neuras…
Sobre ser professora voluntária e o comentário super-mega-supimpa do tal do Paulo, procure o programa Amigo da Escola ou até mesmo o CDI (www.cdi.org.br) e vê se rola.
Eu já dei aula na cadeia, por sinal (via CDI) e foi maneiro no sentido ó-meu-deus-estou-fazendo-alguma-coisa-pelos-outros.
Abril 9th, 2005 at 2:42 pm
Que bom que você está aqui comentando nesse blog, Paulo. Porque, se não fosse a sua defesa tão embasada eu ia continuar achando que o trabalho voluntário era honrado e importante.
Que bom que você, com suas explicações bem montadas, com suas poisções bem argumentadas, me convenceu de que, dada uma legião de professores de português (ou fÃsica, ou quÃmica, etc.) desempregados, haverá automaticamente empresas ou programas de ações do governo que contratarão essa mesma legião de desempregados, porque o dinheiro abunda, não é mesmo.
Como eu não percebi isso antes!!!
Abril 8th, 2005 at 6:33 pm
Trabalho voluntario é na cadeia! Talvez em um local inospito a presença de PROFISSIONAIS do ensino exista espaço para pessoas altruistas. Nesse caso nao prejudicaria ninguem. Retiro o que havia dito antes e dou apoio total!
Ah! Zandler: Realmente.. depois que a gente para pra interpretar as coisas com mais profundidade, fica tudo muito mais claro.
Abril 8th, 2005 at 5:23 pm
Baxt, eu concordo contigo novemente que eles (os Überbloggers e o resto da turma) são embriões de escritores sim. E que todos têm muita estrada pra rodar (ou pasto pra gramar como dizia uma ex-chefe minha). E, independente de eu gostar do que eles escrevem ou não, eles têm o seu valor.
Acho que, antes de tudo, é necessário o Querer para que façamos algo. Mas o Querer maiúsculo mesmo.
Eu acho que você tem esse Querer, mas vamos ver no que vai dar.
(uma criatura do além tá me falando ao pé do ouvido: "foco, baxt, foco!")
Agora, existem vários programas de alfabetização voluntária patrocinada pelo governo. São movimentos muito legais em que os voluntários ganham uma ajuda de custo para dar aula para analfabetos adultos.
Muito legal mesmo.
Ah! Paulo: rápido na rotulagem, mas raso na interpretação né?
Abril 7th, 2005 at 10:26 pm
Espero que voce queira dar aulas em troca de remuneraçao financeira! Pq seria vergonhoso num pais cheio de desempregados, dentre eles professores de portugues, alguem tira-los o emprego a troco de nada - ou para alimentar seu ego de pessoa preocupada com os assuntos sociais.