I really don’t believe the hype

Sou só eu que acho que estão exagerando no hype em relação ao podcasting?

Alguns links: na Wired de março, no Webinsider, na BBC - artigo 1 (de hoje) e 2. E uma aulinha: o verbete da wikipedia.

É claro que a democratização da “voz”, o direito de cada pessoa se tornar um emissor de informação, yadda yadda yadda, tudo isso é ducacete.

É o hype que é deprimente!!!

Trabalhei numa empresa de VAS - serviços de valor agregado para celular, ou seja, tudo o que não é voz. Não dava para não perceber todo mundo fingindo que estava presenciando a gênese de uma nova internet. É claro que o wireless é uma espécie de revolução. Mas de um tamanho muito menor do que aquele pessoal se esforçava para acreditar. Principalmente no Brasil, onde todos os serviços de celular são extorsivamente caros.

Não que as pessoas sejam burras. Elas QUEREM, querem mesmo, acreditar em certas coisas, e por isso acreditam. Conheço gente que jura que o vírus da aids é tão pequeno que pode passar pelos poros do látex da camisinha. E não são pessoas idiotas. Elas apenas querem com tanto fervor acreditar naquilo - que acreditam.

E é claro, quando se trata de tecnologia, ou de jornalismo - ou ainda pior, jornalismo de tecnologia - ver a onda antes de todo mundo e entrar nela é o que define se você é um visionário e consegue ver além da curva. Ou seja, se merece respeito ou não. Nada mais óbvio, portanto, que todo mundo saia correndo com a prancha para surfar todas (eu disse TODAS) as marolas que aparecem. Saber diferenciar a marola que realmente vai virar onda é o verdadeiro talento, mas parece que ninguém está muito disposto a arriscar perder as outras.

Imagine só o quão fodão seria o cara que estivesse na marola e dissesse “estou aqui curtindo essa marola, e sei que ela só vai estourar daqui a 3 anos. Por enquanto, ela é um pré-onda e vai continuar assim por um bom tempo. Não supervalorizem minha querida marolinha”.

Mas como isso não acontece sou obrigada a esbarrar (”esbarrar” não é bem a palavra: sabe quando vc anda de bicicleta às 18h numa rua cheia de insetos, e eles ficam batendo na sua cara? Essa é a imagem) com matérias messiânicas, garantindo que o SMS vai mudar a minha vida, que o mundo nunca vai ser o mesmo depois da TV digital, que o podcasting vai acabar com o rádio. Fiquei com vontade de dar uns pescotapas no “desinfiliz” que fez essa última afirmação. A televisão não acabou com o cinema, a internet não acabou com os livros e o jornal impresso, com seu tamanho nada prático e tinta que suja as mãos continua aí, firme e forte. Será que mesmo depois de oitenta anos de novidades nas comunicações essas pessoas não aprendem nada?

Revolução mesmo, como a internet, não é coisa que aconteça de três em três meses. Talvez seja uma por lifetime. Talvez a gente veja acontecer mais uma meia dúzia de vezes. Mas eu garanto que não vamos presenciar o mundo virar de cabeça para baixo de novo mais do que duas ou três vezes, numa perspectiva bem exagerada.

Update: Comentários do Namorado

namorado: bem… nao é nada tao absurdo, mas os blogs no inicio tb eram assim
namorado: acho que neguinho deu mole em relacao aos blogs e nao querem sar este mole de novo
namorado: entao ja comecam a bradar que podcasting é a proxma revolucao

Pois é, pois é, eu ia mencionar os blogues mas achei que não precisava. Mas já que alguém sentiu falta… Até onde sei, os blogues começaram a se tornar uma coisa revolucionária, etc etc, há relativamente pouco tempo. Ou seja, em 99, 2000 (quando Namorado, mais antenadinho que eu, fez o dele), blogues eram apenas uma proto-coisa-interessante. Valia a pena fincar a bandeirinha no novo território e tal, mas não eram revolucionários.

De uns anos para cá, aí sim, os blogues nos permitiram ver aparecer uma nova geração de escritores (coisa que não acontecia há décadas), e saber o que acontece no mundo sem depender apenas de jornais e revistas de “grandes corporações” (esse é um termo bem ingênuo, mas que se aplica ao caso), ou seja, da galera com dinheiro para bancar impressão, distribuição e publicidade.

PS: Aos anti-generalizantes de plantão. Não adianta citar casos isolados de escritores fantásticos que surgiram nos anos 80 ou 90. Estou falando de geração. De uma galera. Uma turba de novos escritores, oquei? Casos isolados não entram no meu raciocínio.

2 Responses to “I really don’t believe the hype”

  1. Bernardo Says:

    Pandas Alemães? Hein? Eu vou falar de outros ursos dançarinos hehehe.

  2. Zander Catta Preta Says:

    Como anti-generalizante de plantão, tenho de dar o braço a torcer. Surgiram talentos, é verdade, mas não surgiu nenhum grupo ou movimento nos anos 80 e 90. Na verdade, fincou-se a bandeira de um anti-movimento o malfadado pós-moderno (sic).

    Mas a minha discordância vem apenas de encontro ao seguinte trecho: "os blogues nos permitiram ver aparecer uma nova geração de escritores".

    Eu não vi essa geração de escritores se criar ainda. Tem uns movimentos legais como o Paralelos, a Clarah e uns amigos e (vá lá) os Wunderblearghs (não curto, mas de certo são uma patota que se esmera no ofício).

    Ainda acho que o movimento é muito novo (os blogs) e, como toda tecnologia, demora para ter os seus efeitos assentados como um todo.

    De resto endosso o teu texto sim e recomendo um do Dapieve que fala da busca do novo, do diferente e do original para aqueles que "entendem" de uma área. Tava n’O Globo, mas já deve ter ido para o arquivo. Vale a pena conferir.