Sabe quando a gente está com um gosto na boca, uma vontade de comer alguma coisa que não sabe muito bem o que é?

Pois é, hoje estou com vontade de dizer uma coisa que não sei o que é. É uma idéia para escrever, mas que… bom… hhhmmm…

…deu para entender, né não?

Acabei de ver um clipe genial

Quero deixar claro que sou fã do Sidney Magal. A razão é a razão mais importante do mundo pela qual certas pessoas merecem fãs: ELE NÃO SE LEVA A SÉRIO.

O clipe de “Tenho” é hilário e simplérrimo (veja aqui quando vai passar na MTV): Magal dançando (em alguns takes, de terno pink) daquele jeito dele ao lado da Débora Falabella. Eu costumava achar a moça meio enjoadinha, mas sou obrigada a rever essa opinião depois de vê-la mexendo os quadris e revirando os olhinhos enquanto um bizarro Xico Sá (deve ter um bom motivo para ele estar ali, mas eu não sei qual é) beija seus pés. Ela definitivamente deve ser mais divertida do que aparenta.

Às vezes as pessoas são sérias demais. Eu, que não faço muita questão de ser cool nem blasé, bem queria que me dissessem algo tão absurdo quanto essa letra:

Tenho
Um mundo de sensações
Um mundo de vibrações
Que posso te oferecer

Tenho
Ternura para brindar-te
Caricias para entregar-te
Meu corpo pra te aquecer

(refrão)
Serão os dias mais felizes
Se vives junto a mim
Espero que decidas
É só dizer que sim

Tenho
Mil braços para abraçar-te
Mil bocas para beijar-te
Mil noites para viver

Tenho
Um mundo que é cor de rosa
De coisas maravilhosas
Que tanto sonhavas ter

Esse blogue tá chato, né?

Mas não desistam de mim não. É que eu fiquei sem computador essa semana, meu cérebro tá meio em recesso, enfim. Vou ali, já volto, e em breve voltaremos também com a nossa programação normal.

tupiin (10k image)

Um rápido follow up:

Era uma vez um gravador digital, que eu comprei no camelódromo no dia 30 de dezembro, e que misteriosamente e inexplicavelmente parou de funcionar no último dia da garantia de 3 meses. Mais de uma semana depois, fui lá (atenção, uma semana depois a garantia não valia mais) para ver o que dava para fazer.

O cara disse que ia mandar para o técnico, mas hoje fui avisada que vou ganhar um gravador novo para ficar no lugar daquele! Lindo, né?

Lojas e comércio formal my ass!!! Só compro agora em camelô!

A propósito: se você for comprar eletrônicos, ou equipamento de DJ, o nome é DJ’s PPoint, quadra C do camelódromo, perto da Uruguaiana. Recomendo.

O Procon e o código de NÃO defesa do consumidor

Se eu sou consumidor(a), tenho o direito adquirido de parar meu carro em qualquer lugar do estacionamento do shopping, (inclusive bloqueando o caminho dos outros) ou na vaga de deficiente. Essa não é uma regra escrita, mas é a regra na prática. Ou você já viu alguém ser punido por estacionar em vaga de deficiente?

(Acho mais fácil encontrar alguém que tenha conseguido um estágio através da Mostra Puc…)

Mas é interessante observar que apesar dessas eficientes regras não-escritas, alguém se deu ao trabalho de escrever regras não-eficientes (só para fazer o contraponto, será?). Existe um código de defesa do consumidor que não defende consumidor nenhum. Uma vez fiquei dias e dias sem Virtua, perdi prazos, atrasei trabalhos, queimei meu filme com os editores, além de ter que pagar a conexão discada. Fui no Procon, marcamos audiência, encontrei lá um mané que representava a empresa e tudo que ganhei foi o desconto dos dias sem internet. E tchau e bença!

Dessa vez comprei um sapato em um loja, usei, machuquei o pé, fiquei puta e resolvi pedir meu dinheiro de volta. Mas sabia que o direito de arrependimento não se aplica a compras em loja? (pois é, só shoptime, internet e afins) E que a devolução de dinheiro na minha situação só se aplica em casos de defeito?

Mas agora vem o mais legal: o defeito tem que ser comprovado em uma análise – que é FEITA PELA PRÓPRIA LOJA! Genial, não?

Ou seja, não dava para eu ser menos defendida. É por isso que eu gosto de comprar coisa pirata em camelô. Tem garantia, devolução, troca, suporte gratuito e tudo o mais.

Acho que vou começar a a estacionar na vaga de deficiente ou sobre os canteiros. Já vi que esse é meu único direito como consumidora.

Já que o assunto do trabalho voluntário rendeu tanto pano para manga…

Em primeiro lugar, talvez num mundo perfeito não existisse trabalho de graça, mas na vida real não vejo muito problema em trabalhar para uma instituição na qual eu confie. Isso significa: nada de bancar a boa samaritana na Casa Ronald McDonald, que tem dinheiro para pagar os funcionários…

Mas o ponto é que a maior parte das instituições que eu conheço não parecem muito interessadas em receber ajuda, e agem como se já existisse gente demais no mundo implorando por uma chance de fazer boas ações. Uma vez liguei para o CDI, super interessada em dar aulas ou fazer qualquer outra coisa. Muito blasés, eles me pediram o currículo. Mandei, entrei em contato mais algumas vezes pedindo uma resposta e nada. Até hoje não quiseram absolutamente nada de mim.

E doar sangue, você já tentou? Pois é, uma dificuldade. Se você teve mais de 2 parceiros sexuais nos últimos 12 meses, nem pensar. Agora, me tire uma dúvida: quantos parceiros tem uma pessoa que está solteira há um ano? Vai fazer sexo casual de seis em seis meses? Essa média do Hemorio é meio baixa, né não? Quantas pessoas você conhece que estão namorando firme e fielmente há pelo menos um ano?

Há uns meses, uma amiga da minha família estava com câncer, quase morrendo, perdendo baldes e baldes de sangue. No hospital, depois de cirurgia, quimioterapia e sei lá mais o quê, ela foi ficando tão vazia que a pressão chegou a zero algumas vezes.

Mas minha mãe não pôde doar sangue para ela, porque estava fazendo uma reposição hormonal básica, daquelas que quase toda mulher de quarenta e muitos faz. Eu também não pude, porque tomo Fluoxetina (metade da dose mínima indicada) e mais outro remédio. A moça não quis nem saber as doses. Vetou e me mandou embora.

Agora você me explica: que diferença 10 mg de Fluoxetina vão fazer para uma mulher que estava mais morta do que viva, preocupada em sobreviver e mais nada?

…e depois vem o RJTV bradar que os níveis dos bancos de sangue estão baixos. É claro! Eu mesma não tenho mais o menor ânimo para (tentar) doar de novo. Não é mole ficar vários minutos apertando uma bolinha com uma agulha que parece um canudo de todinho espetada no braço. Eu vejo estrelinha, desmaio depois, é um show completo. Até encaro tudo isso para fazer uma boa ação e ficar feliz. Mas sair da minha casa para pegar fila, esperar um tempão, e ser barrada de novo? Hmmm… É ruim, né?

Ah sim: eu sei que a história dos parceiros sexuais é por causa da janela imunológica, que o anti-HIV só aparece no exame depois de uns 4 meses (não sei o tempo certo), e nesse intervalo é possível contaminar os outros mesmo que o teste dê negativo. Mas poxa, então o lance é fidelizar os bons doadores, sei lá. Mas não fazer perguntas eliminatórias como “usa drogas?” “já teve relação homossexual?”. Esse tempo já passou, né não? Sangue maconheiro e sangue viado pode ser muito melhor do que muito sangue hetero-careta por aí.

Bom, se para doar meio litro de sangue é assim, imagine medula. Essa discussão no orkut é de desanimar qualquer um. Poxa, a pessoa que se dispõe a fazer uma punção de medula para ajudar alguém que nem conhece deve ser tratado com um rei, passar por um tapete vermelho, ganhar massagem grátis e banho de ofurô, além de umas balinhas de hortelã.

PS: Só para fazer o update, a paciente que precisava do sangue está muito bem. Apesar do período assustador que passou no hospital, recentemente um exame indicou que ela não tem mais sinal de câncer no organismo. Nadinha.

Pensamentos Esparsos

Queria muito ter mais tempo para literatura. Para ler, estudar, discutir. Tentar escrever, mostrar para os outros, melhorar. Por enquanto, não tá dando.

Acho que o Papa deveria ter ido para um hospital, sim. Deveveriam tê-lo ligado a aparelhos, recriando artificialmente todas suas funções vitais. Ele ainda estaria vivo, e seria mantido “vivo” por todos os anos que fossem possíveis. Tipo a Teri Schiavo. Se é assim tão legal, porque ele não quis?

Atenção à cena. Eu, às 9 da manhã, na van, chegando no Leme: “Moço, eu ia descer aqui, mas acabei de descobrir que saí de casa sem a carteira. Desculpa, se você me deixar o seu cartão eu juro que pego essa van da próxima vez e pago as duas viagens…” (barulho de porta automática abrindo) “Pode descer.”

Foi a segunda vez na minha vida que isso aconteceu. A carteira estava em uma gaveta no meu quarto, lugar onde nunca guardei carteira nenhuma. Isso porque eu ia ao camelódromo consertar meu gravador (que estragou quando eu estava a caminho de uma gravação, onde tinha que entrevistar o Paulo Betti. Resultado? Tive que comprar outro, caro e bem pior, em uma lojinha em Copacabana). Ainda tentei pegar algum dinheiro com Namorado que estava no Leblon, mas ele ficou 3 horas fazendo uma apresentação (aquelas coisas powerpoint-de-gente-séria-que-nem-ele), e desligou o celular.

Abortei o plano de ir ao centro. Tou tomando coragem para ir amanhã. Depois dessa conjunção ridícula de fatores, me convenci de que ia acontecer algo muito ruim comigo se eu fosse hoje. Pois é, ler Paulo Coelho aos 18 anos, aquela história do pastorzinho que ia ser roubado e assassinado, causa danos irreversíveis no discernimento de uma pessoa.

Quero dar aulas de português ou redação para algum pré vestibular para pessoas carentes. Procurei e não achei nada. Se alguém souber de alguma coisa, é só avisar.

Já estou gostando mais de ser loira.

Zander, é claro que vc era o anti-generalizador de plantão ao qual eu me referia :o) Mas quando disse que estava presenciando o surgimento de novos autores, não estava falando de autores prontos, e sim embriões, textos perdidos por aí que indicam que tem gente boa se formando no ofício. Acredito piamente que em alguns anos vamos ter uma geração por aí, e das boas. Eu gosto dos “Wunderblearghs” (segundo vc), do pessoal do Paralelos, e acho que a Clarah é uma promessa que talvez um dia vire escritora. Ou talvez fique assim para sempre.

E claro, voltando ao assunto “literatura” lá no alto do post, a praga dos escritores malditos ainda assola. Mas um dia esse pessoal cresce e essa bobagem passa. Malditismo e bestnikismo às vezes são muito legais, todo mundo sabe que eu gosto mesmo de Kerouac, Bukowski e etc. Mas às vezes porres, bebedeiras, trepadas em lugares imundos e fétidos não passam de preguiça mental. Escrever assim demanda menos esforço.

I really don’t believe the hype

Sou só eu que acho que estão exagerando no hype em relação ao podcasting?

Alguns links: na Wired de março, no Webinsider, na BBC – artigo 1 (de hoje) e 2. E uma aulinha: o verbete da wikipedia.

É claro que a democratização da “voz”, o direito de cada pessoa se tornar um emissor de informação, yadda yadda yadda, tudo isso é ducacete.

É o hype que é deprimente!!!

Trabalhei numa empresa de VAS – serviços de valor agregado para celular, ou seja, tudo o que não é voz. Não dava para não perceber todo mundo fingindo que estava presenciando a gênese de uma nova internet. É claro que o wireless é uma espécie de revolução. Mas de um tamanho muito menor do que aquele pessoal se esforçava para acreditar. Principalmente no Brasil, onde todos os serviços de celular são extorsivamente caros.

Não que as pessoas sejam burras. Elas QUEREM, querem mesmo, acreditar em certas coisas, e por isso acreditam. Conheço gente que jura que o vírus da aids é tão pequeno que pode passar pelos poros do látex da camisinha. E não são pessoas idiotas. Elas apenas querem com tanto fervor acreditar naquilo – que acreditam.

E é claro, quando se trata de tecnologia, ou de jornalismo – ou ainda pior, jornalismo de tecnologia – ver a onda antes de todo mundo e entrar nela é o que define se você é um visionário e consegue ver além da curva. Ou seja, se merece respeito ou não. Nada mais óbvio, portanto, que todo mundo saia correndo com a prancha para surfar todas (eu disse TODAS) as marolas que aparecem. Saber diferenciar a marola que realmente vai virar onda é o verdadeiro talento, mas parece que ninguém está muito disposto a arriscar perder as outras.

Imagine só o quão fodão seria o cara que estivesse na marola e dissesse “estou aqui curtindo essa marola, e sei que ela só vai estourar daqui a 3 anos. Por enquanto, ela é um pré-onda e vai continuar assim por um bom tempo. Não supervalorizem minha querida marolinha”.

Mas como isso não acontece sou obrigada a esbarrar (“esbarrar” não é bem a palavra: sabe quando vc anda de bicicleta às 18h numa rua cheia de insetos, e eles ficam batendo na sua cara? Essa é a imagem) com matérias messiânicas, garantindo que o SMS vai mudar a minha vida, que o mundo nunca vai ser o mesmo depois da TV digital, que o podcasting vai acabar com o rádio. Fiquei com vontade de dar uns pescotapas no “desinfiliz” que fez essa última afirmação. A televisão não acabou com o cinema, a internet não acabou com os livros e o jornal impresso, com seu tamanho nada prático e tinta que suja as mãos continua aí, firme e forte. Será que mesmo depois de oitenta anos de novidades nas comunicações essas pessoas não aprendem nada?

Revolução mesmo, como a internet, não é coisa que aconteça de três em três meses. Talvez seja uma por lifetime. Talvez a gente veja acontecer mais uma meia dúzia de vezes. Mas eu garanto que não vamos presenciar o mundo virar de cabeça para baixo de novo mais do que duas ou três vezes, numa perspectiva bem exagerada.

Update: Comentários do Namorado

namorado: bem… nao é nada tao absurdo, mas os blogs no inicio tb eram assim
namorado: acho que neguinho deu mole em relacao aos blogs e nao querem sar este mole de novo
namorado: entao ja comecam a bradar que podcasting é a proxma revolucao

Pois é, pois é, eu ia mencionar os blogues mas achei que não precisava. Mas já que alguém sentiu falta… Até onde sei, os blogues começaram a se tornar uma coisa revolucionária, etc etc, há relativamente pouco tempo. Ou seja, em 99, 2000 (quando Namorado, mais antenadinho que eu, fez o dele), blogues eram apenas uma proto-coisa-interessante. Valia a pena fincar a bandeirinha no novo território e tal, mas não eram revolucionários.

De uns anos para cá, aí sim, os blogues nos permitiram ver aparecer uma nova geração de escritores (coisa que não acontecia há décadas), e saber o que acontece no mundo sem depender apenas de jornais e revistas de “grandes corporações” (esse é um termo bem ingênuo, mas que se aplica ao caso), ou seja, da galera com dinheiro para bancar impressão, distribuição e publicidade.

PS: Aos anti-generalizantes de plantão. Não adianta citar casos isolados de escritores fantásticos que surgiram nos anos 80 ou 90. Estou falando de geração. De uma galera. Uma turba de novos escritores, oquei? Casos isolados não entram no meu raciocínio.