Justificativas

- Oxigênio no cérebro dá onda
- Vou ficar gostosa
- Estou descobrindo músculos que nem imaginava que tinha (porque eles doem!)
- Água é o elemento do meu signo, e é bom estar em contato com ele
- Vi “A Liberdade é Azul” e achei muito cool a Juliette Binoche afogar suas mágoas numa piscina da cor do título
- Preciso melhorar a capacidade cardiovascular
- Vou ter que comprar vários sunquínis fofos

Comecei a fazer natação ontem. Torçam por mim, amiguinhos.

Enquanto isso eu, debaixo d’água, repito mentalmente as frases acima.

Se cabelo fosse bom…

Querido diário, hoje fiquei quatro horas dentro de um salão. QUATRO HORAS. Deu para entender? Q*U*A*T*R*O horas!! Puxando cabelo dentro de uma touca, clareando, depois escurecendo de novo, e ainda passando creme para ele não quebrar em pedacinhos.

Como as mulheres podem aguentar ficar tanto tempo dentro de um salão, ouvindo conversas de salão, fazendo coisas de salão? Céus?

Levei coisas que tinha que ler para lá, e li. Assim sendo, não foi tempo de todo perdido. Mas nessas horas (quatro! lembra?) me lembro porque tenho preguiça de cortar o cabelo, porque os pintava em casa, e porque toda semana deixo para fazer a unha na semana que vem.

Mas enfim, por que raios dediquei 240 minutos da minha vida aos deuses da vaidade, das paredes de azulejos e do peróxido de hidrogênio em baldes?

Tudo começou quando desisti de ser ruiva. Dá muito trabalho para manter, a cor já estava virando um vinho safado em vez daquele vermelho apoteótico das primeiras vezes e, mais importante: não sou uma ruiva de alma.

Mntenho meu espírito “do it yourself”, joguei um Soft Color clareador nas madeixas, feliz da vida porque ele não mancha a pele nem precisa de luvas, ao contrário do vermelho, que deixa a gente parecendo que mergulhou numa piscina de merthiolate. Só que essa cor é danada de sair. Resultado: manchado. Loiro atrás, vermelho na frente, tonalidades híbridas no resto.

No dia seguinte, contrariando minha irmã e o bom senso que dizem que se deve esperar 72 horas entre um procedimento e outro, mandei ver no clareador de novo. Ficou engraçado: muitas manchas mais, e um jeitão arrepiado-desgrenhado. Irmã disse que eu estava parecendo o bonequinho da Minasgás.

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Já eu achei que o visual renderia uma boa foto de Síndrome, mas acabei não tirando.

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Fiquei desfilando por aí desse jeito até que precisei ir a uma reunião de trabalho e achei por bem virar uma mulher castanha novamente. E depois, como o cabelo estava uma porcaria (“danificado”, para falar a língua das embalagens de xampu) cortei curtinho de novo. O castanho estava desbotando e eu voltava a ficar vermelha e machada. Decidi que queria ser loira outra vez e fui ao salão clarear umas mechas e tonalizar e queratinizar e todos esses verbos que nenhum homem sabe o que significa. Nesse exato momento estou morena, de cabelo curto, em processo de clareamento porque com as lavagens a cor do tonalizante “vai abrindo” (mais uma expressão para vocês, meninos!).

Portanto, se me encontrarem na rua e ficarem na dúvida, sim, sou eu mesma. Pelo menos por enquanto.

A tragédia da vida cotidiana cheia de miudezas insignificantes (para quem vê de fora)

A CEG seria seria uma excelente piada se eu estivesse vendo daqueles filmes em que a graça é simplesmente observar o personagem se foder, como “Um dia a casa cai” e “Duplex”. Portanto, acho que vale a pena contar a historinha para que os outros possam rir um pouco, antes de entrarem no banho quentinho.

Estou há 4 semanas tentando instalar o gás no apartamento de Namorado. O primeiro ato da tragédia consiste em ligar para a CEG, que jura: “em três dias úteis o gás estará instalado”. Uma semana antes, tínhamos ligado para a Light, que tinha dado a mesma resposta e – surpresa! – cumprido perfeitamente o prometido.

Mal acostumados, chegamos no apartamento no fim de semana (cerca de 5 dias úteis depois) e nada! Por sorte, Namorado ainda não mora lá. Semana seguinte: marcam três dias depois para ir lá e fazer a ligação. Quer dizer que era preciso marcar para alguém ir lá? Então como caralhos eles tinham dado a resposta de “estará ligado por mágica em 3 dias”?

No dia, chega um rapazinho Wellington-like, com os cabelinhos cortados a máquina e pintados de loiro (tipinho típico urbano) e, louco para ir embora almoçar, diz que não pode fazer nada porque tem ar no encanamento. Como assim? Nunca ouvi falar nisso… “Então vamos lá agora, o pessoal do condomínio tira o ar e você instala!” tentei. Mas o compressor não estava disponível, nosso Wellington picou a mula. Depois fui descobrir que ele devia ter instalado a porra do aparelho, já que estava lá, mas malandramente se fez de morto e foi embora.

Na mesma tarde, voltei ao apartamento para ficar 15 minutos ouvindo o barulho muito alto do compressor na cozinha. Ar tirado. A nova visita já estava agendada para o dia seguinte.

No dia seguinte, ligo para a CEG para confirmar: “estaremos agendando sua visita em 72 horas”. Como assim?? Gritei, berrei, esperneei, ameacei fazer uma matéria sobre a CEG, colocar outoors na cidade, etc. A supervisão ficou de me ligar. Esperei um pouco e liguei de novo. Gritei mais. Liguei mais uma vez. Juraram que o cara ia naquele dia. Não foi, é óbvio.

“Namorado, agora é com você. Se o apartamento fosse meu eu mandava todos eles tomarem no cu e comprava um chuveiro elétrico!”. Namorado marca para hoje. Passo o dia em casa feito uma idiota, vestida e de sapatos, pronta para sair a qualquer momento. O sr. Everton Adriano liga para o cara do condomínio para pedir o CPF do Namorado para fazer uma ficha de sei-lá-o-quê. Para fazer a instalação amanhã. Mas amanhã não vou estar em casa! Passo o número de Everton Adriano para Namorado.

Ele, sempre calminho, bate um papo com o moço e pede prioridade. E eu? “Vou estar no aguardo desse novo capítulo do super-atendimento-CEG”. É por isso que odeio monopólios. E é também por isso que não posso andar armada.

Hoje tá foda

Tou muito desconcentrada.
Com excesso de pensamentos.
Muitas janelinhas abertas na minha cabeça. E muito alt+tab
Milhões de idéias – várias delas boas, dá para acreditar?
Eu quero um clone. Dois. Que corram atrás de um donut gigante ao som de Cavalgada das Valquírias (não, esse seria Namorado. Meu clone correria atrás de uma cheesecake gigante carregada por um helicóptero)
Acho que estou com dois cérebros dentro do crânio.
Alguém acabou de ligar os dois com um cabo de rede.
E veja bem, eu não uso drogas. Se usasse, acho que pularia um clone das minhas orelhas.

Céus, preciso de foco!

Foca, Barbara, foca!

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Recorrente

Só o Zander mesmo para me mandar o link para uma comunidade do Orkut que reúne perfis de gente morta e discute a impermanência da vida. Um puta Memento Mori que me deixou como sempre fico: pensando na vida.

(Sabia que eu passei a anotar todas as minhas senhas de internet? E avisei meus pais onde o papel está guardado)

Entrei nos perfis para ler os scraps – é claro que tem derramamento de hipocrisias de gente que vira amiga de infância depois que o cara morreu. “Eu te amo”, então, é commodity. Para ser amado, nada como morrer. Infalível.

Mas não era sobre isso que eu queria falar. Fiquei intrigada com o fato de que as pessoas vão embora, mas a existência que elas continuam tendo na cabeça dos outros é tão real que é quase física. Muita gente vai nos
scraps do Fervil até hoje para dar os parabéns, desejar um ótimo ano novo ou simplesmente contar as novidades.

Fico feliz por existir essa maneira tão palpável de manter um certo contato. E fiquei pensando com meus botões se o fato de algumas pessoas morrerem mais devagar que outras faz alguma diferença na entropia mundial. Hoje mesmo Namorado me mandou um link sobre consciência global, e eu na hora comentei: “Coisa de Fervil”.

Espero que quando for a minha vez, eu também consiga morrer devagar. Não o corpo, esse tem que ser bem rápido, para não doer (sou tão resistente a dores rápidas quanto intolerante para dores contínuas). Mas permanecer por aqui é o que quase todo mundo quer, apesar de ser privilégio de quem consegue descobrir e praticar sua “unicidade” (capacidade de ser único – não sei se o termo existe, mas para mim existe).

O que me deixa curiosa é imaginar se isso vai fazer alguma diferença para mim, do lado de lá. Bom, um dia eu descubro. Sem pressa nenhuma, afinal, preciso de tempo para praticar minha “unicidade”.

Que dia estranho

Parece que eu não consigo falar nada de bom para ninguém. É chato ser capaz de deixar as pessoas chateadas. Tá anoitecendo agora, o mundo está com aquela cor de lusco-fusco que eu detesto, onde nada está na luz nem na sombra. Que nem eu.

Quando estou desconcentrada, leio blogues. E leio conversas assim. Assunto recorrente, nada de novo, mas fiquei inquieta, sabia? Cheguei a comentar no post que agora estou desconfortável na minha cadeira, achando que tenho que levantar agora, sair por aí e ser genial. Rápido!

Sobre a beleza (ou falta de) das mulheres

Certas coisas são muito óbvias para uma mulher, mas não para um homem. Uma delas: nunca (*jamais*) diga a uma mulher que uma outra (qualquer outra, Grace Kelly incluída) é mais bonita que ela. Isso pode ser verdade, e ela pode estar cansada de saber…

…Mas isso não se diz, ora bolas!

Dia desses Namorado comentou sobre uma menina pela qual ele quase se apaixonou à primeira vista. Como a moça era uma mala, essa primeira vista não durou nem até a primeira piscada. Oquei, oquei. Aí eu fiz algum comentário genérico-de-mulher-querendo-elogio, e ouvi:
Ele: “Mas você já viu ela pessoalmente?”
Eu: “Não, só por foto de orkut…”
Ele: “É por isso que você não entende!” (frase com ênfase, subentendendo “…porque eu quase fiquei de quatro por ela”)
Eu: “Como assim?”
Ele: “Ela é linda!” (com mais ênfase ainda)
Eu: “Mais bonita que eu?” (atenção!! está é a pergunta-apelação-me-elogie-agora-ou-se-arrependa-de-ter-nascido)
Ele: “É” (com tom de este-é-um-comentário-muito-natural)
Eu: (cara de cu)
Ele: “O que foi?”
Eu: (silêncio e cara de cu)
Ele: “O que houve?”
Eu: “Como assim??????”

bla bla bla…

E ele ainda completa: “Mas essa é a única vantagem dela! Você é melhor em todos os outros aspectos!”
Eu: “!!” (cara de indignação absoluta!)

E ele continuou acreditando que não tinha dito nada demais. Tentativa de explicação: “São belezas diferentes, ela parece modelo porque é mais angulosa”. E eu tive que me satisfazer com isso, mesmo. Céus, e se ele soubesse que eu briguei com meu primeiro namorado depois de deixar o moço sem saída, encurralado diante da pergunta “Liv Tyler é mais bonita que eu?”? Imagina a situação: se ele dissesse que “sim”, eu ia ficar uma fera, se dissesse que “não”, eu não ia acreditar e ia achar ridícula uma mentira tão deslavada. É claro que deu merda.

Mas agora Namorado já sabe. Ninguém é mais bonita que eu. Evangeline Lilly é linda. E eu sou a Namorada. (uma é laranja, a outra tamarindo. E não se compararam unidades diferentes) Estamos entendidos?

Ps: De qualquer maneira, o moço é louco pela Natalie Portman, que é a mulher menos angulosa do mundo.

Ps: De qualquer maneira 2, eu adoraria ser angulosa, mas não vou encher minhas maçãs do rosto de silicone. Assim sendo, viva minhas bochechas e minha cara de criança!

Ps: De qualquer maneira 3, qual a importância de ser ou não bonita? Para o Namorado, nenhuma (é bom que ele goste de mim por outras razões). Para mim mesma, nenhuma na prática. Mas eu sou mulherzinha e sou fútil, afinal de contas.