Viva o doping!

Eu sou muito, muito a favor do doping nas Olimpíadas. Mas legalizado. Sem essa hipocrisia de fazer os atletas ficarem ainda mais estressados na véspera da prova com medo de serem pegos (esse argumento foi apenas 50% irônico)

Explico minhas razões:

A primeira delas é que o doping acontece mesmo. E tentar impedir é bobagem. Não me refiro apenas a fórmulas químicas - tem gente que faz transfusões do próprio sangue para aumentar o número de hemáceas, e tem mulheres que engravidam e abortam um pouco antes dos jogos para alterar “naturalmente” a taxa de hormônios. E se alguém ainda acha que o ideal das Olimpíadas não inclui ajudas químicas, leia a minha segunda razão. Mesmo assim se não quiserem liberar o doping completamente, sugiro separar as provas em duas categorias: limpo e turbo. Quem estiver mais preocupado com a própria saúde do que com as medalhas (alguém? alguém?), inscreva-se para a primeira.

Segundo uma nota bem interessante na “Aventuras na História” (pois é, agora eu leio todas as revistas-filhotes da Superinteressante), na Grécia as pessoas bebiam chás de ervas e comiam cogumelos para vitaminar a performance. Em 1896, os atletas usavam efedrina, cocaína e estricnina em bolinhas. Depois da Segunda Guerra, a galera já tinha aprendido que anfetaminas (que faziam os soldados ficarem acordados no front) e anabolizantes (usados para recuperar a massa muscular de ex-prisioneiros) eram muito úteis em tempos de paz. Ou seja, essa bobagem de proibir doping é coisa recente.

Terceira razão: o argumento não é meu, mas vou me apoderar dele. Se Fulano recebe um Oscar pela edição de um filme, ninguém se preocupa em saber se ele fez a edição cheirado, porque não tinha tempo de dormir e os prazos eram muito curtos. Imagine a cena: depois da premiação alguém vai lá, faz um exame de urina no cara e pega o Oscar dele de volta… Não dá, né? Kerouac escrevia completamente bêbado. Então de acordo com o COI, ele não mereceria crédito por “On the road”? Acho que já deu para entender, vou ficar nesses dois exemplos.

A quarta razão é a mais legal: todos nós sabemos que atletas de alta performance não têm o menor pudor em destruir seus corpos para ganhar uma prova. Na verdade, os marombeiros da academia da esquina às vezes também não, mas isso não vem ao caso. Então, pensa só em quanto a ciência poderia evoluir usando esses caras como cobaias, podendo avaliar direitinho o que cada um tomou, quais foram os efeitos, e quais as merdas que deram depois? Dez anos depois da primeira Olimpíada com doping liberado, nossos remédios seriam bem mais eficientes e conheceríamos bem melhor os efeitos de várias drogas no organismo.

Talvez a quinta razão seja ainda mais interessante. Mas não sei se é tão útil. Muita gente afirma que os Jogos de Atenas foram os últimos em que só houve doping químico. A brincadeira agora é fazer melhorias genéticas nos atletas. E aí, quem vai proibir? Mais um motivo para liberar geral e aprendermos direitinho como não fazer as coisas, quando o organismos dos nossos queridos lutadores, corredores e puladores começarem a pifar. (mais informações aqui, aqui e aqui)

Update (25/8): mais uma notícia - tratamento genético para multiplicar as fibras musculares de contração lenta, aumentando a resistência. Por enquanto só nos ratos. Por que não botar um atleta na roda agora? Assina um termo de responsabilidade e vai. Não é isso que fazem os pacientes terminais?

E viva o livre arbítrio.

Em tempo: acho a Daiane dos Santos muito simpática, muito carismática e torci por ela, tenho vergonha dos jornalistas que estão cobrindo os jogos por terem que ser tão ridiculamente ufanistas por contrato, tenho inveja deles por estarem em Atenas e eu não, achei fofa a emoção da mãe do nadador que chorou quando o filho ganhou uma prova e resumindo tudo: nunca gostei muito de esportes mesmo. Ah sim: odeio a filosofia do “gotta win”, do overtraining e dos centésimos de segundo.

4 Responses to “Viva o doping!”

  1. Cristiano Dias Says:

    Como já disse Bill Hicks, jogue fora todos os seus discos de rock, pois todos foram feitos sob a influência de alguma droga. :-)

  2. Bruna Says:

    Pois é, e ainda pegaram o Diba (ou Giba), que é o jogador mais gatinho da seleção (diga-se de passagem) só porque ele tinha dado um doisinho (ou doizinho) inocente. Como se alguém fosse ficar mais atlético porque fumou machonha hehehe.
    Eu sou a favor do doping em quanlquer situação. Acho que todo mundo deveria viver sob efeito de psicotrópicos e antidepressivos, tipo o Soma do Admirável Mundo Novo, sabe?

  3. Jazzmo Says:

    Sensacional.
    Só isso mesmo.

  4. pedro,virgen,44 Says:

    sou o bonitao do pedaço