The Death of Coolness

Sabe, eu me achava uma mulher cool. Daquelas que não briga em promoção de loja, nem que aluga DVD porque “todo mundo gosta muito desse”. Muito pelo contrário. Quando uma vendedora me dizia “…mas todo mundo vai usar essa cor no inverno!”, eu sempre respondi “por isso mesmo é melhor eu usar outra roupa, né?” - fazendo a moça piscar os olhinhos com sombra azul antes de dar um sorriso.

Pois bem. Esse sábado, qualquer arremedo de coolness que ainda pudesse ter foi por água abaixo. Agora, quando você se vir no meio de um autêntico programa de índio, pode procurar por mim, de cocar e fazendo a dança da chuva (ou do sol, dependendo do evento) em meio à multidão.

O que aconteceu foi que este sábado, chovendo muito, Namorado resolveu ver Tróia, no Niuiorueciticenter. As opções eram Tróia, Van Helsing ou Diários de Motocicleta (que estou achando que vai ser um saco - sentimentalista para americano ver - mas isso é só um pré-pitaco). Ou seja, me senti mais ou menos como quando meu irmão era pequeno e fazia perguntas idiotas como “você preferia morrer queimada ou afogada?”.

Mas na sexta o Namorado tinha ido até a Lapa no aniversário de uma amiga minha,voltou dirigindo morto de sono e não reclamou. Portanto, eu tive que escolher. Valorizei bastante minha boa vontade e falei: “Vamos ver Tróia e eu não vou reclamar de nada”.

Confirmando minha teoria do contraponto (que vou explicar aqui outro dia), Namorado reclamou bastante ao sacar a ambigüidade do conceito “diversão” contido em sua idéia. Chuva. Fila para entrar no estacionamento. Engarrafamento no estacionamento. Uma coisa que eu não suporto é punhetação para esperar vaga. Sempre estaciono no lugar mais distante, só para não ter que ficar rodando sobre o eixo e esperando carros saírem. Tem coisa mais stalker do que ir, de carro, em primeira, bem de-va-gar-zi-nho, perseguindo uma família feliz a pé por metros e metros, para depois ficar de tocaia enquanto eles ligam o carro e acomodam as crianças, só para pegar a vaga? É por isso que eu sempre prefiro estacionar lá longe.

Estacionamos no Barrashopping, e descobri passando pelas poças que a sola da minha bota está arrebentada, que minha meia ficou molhada e que eu vou precisar gastar no mínimo 100 reais para comprar uma bota nova igual (idêntica) à velha.

A fila do cinema era uma coisa interessante. Fiquei me perguntando, como sempre, porque as pessoas reclamam de fila de banco. De fila na Caixa Econômica. A fila da Caixa tem ar condicionado, cadeiras e uma senha (o que significa que você tem o direito de ter vontade de fazer xixi enquanto estiver ali). Mas as pessoas têm tesão por fila de cinema! Voltas e voltas uma serpente enrolada formada por pessoas com roupas estranhas e tensas, que perdiam seus amigos e ficavam mais tensas, gritando “Jeniffer! Jeniffer!!”

Havia uma fila geral, uma exclusiva para Tróia, uma para clientes Vivo e uma para quem comprou ingresso pela Internet. Todas grandes e coalhadas de jenifferes. Que estavam pagando para estar ali.

Namorado percebeu minha estoicidade. Surpreendente. Dá para entender a gravidade dá coisa?

Desistimos (ele desistiu - eu tinha jurado que não ia dar piti, lembra?), e eu (eu! não acredito) dei a idéia de comermos cebola do Outback. Foi aí que tive certeza que não sou uma mulher cool. Havia 22 mesas de dois na nossa frente. E eu esperei!! Sentei num canto do restaurante, ao lado de um grupo de amigos, peguei uma Veja de duas semanas atrás e fiquei lendo. No canto do restaurante, mal iluminado, lendo revista velha, esperando para pagar caro por comida?

Eu, que passei a vida evitando virar a cena da salsicha/escada rolante do Koyaanisqatsi, vivi esse sábado de chuva num shopping que detesto, com um multiplex que eu odeio, em uma fila de restaurante!!! Sem querer matar alguém! Mais exatamente, numa boa. E fiquei feliz de encher o bucho de Ribs.

Minha mãe diz que estou amadurecendo.

Eu estou com medo.

Ps: Caralho! Mais medo ainda! Acabei de checar no imdb. Escrevi Koyaanisqatsi certo sem olhar…

6 Responses to “The Death of Coolness”

  1. Dudu Says:

    Sei que vc mora na Barra, imagino que o "Namorado"(sic) já tenha ido pro ap dele na Barra, mas na boa: UCI nem se eu morasse DO LADO do Barrashopping !

    Outra: não lembro se no Outback do New Yguaçu City Center tem mesas "livres", mas no de Bo(s)tafogo tem: algumas mesas próximas ao bar estão fora do sistema de reservas, ou seja, sempre que eu vou lá arranjo mesa sem esperar quase nada. Se não tiver, vale a dica do CrisDias: fique no bar e dê adeus às filas.

  2. Manoela Says:

    Barbara, é mesmo vc? :-)

  3. Zander Catta Preta Says:

    AT LAST!!! Bem-vinda Baxt, ao mundo mortal…

    P.S.:
    Cool <> Anti-Social.
    Cool = Wannabes people
    Cool = Sucks

  4. Marco Campelo Says:

    E você achou seu programa ruim?

    Pergunte como foi o programa de quem foi ao Vibezone no Sábado.

    Chuva, frio, lama, som ruim, filas, carteira roubada.

    Programa de índio? Não! Bem pior!

  5. Cristiano Dias Says:

    Não, não, não… quem é anti-social e vai a 2 no Outback NUNCA entra em fila, vai direto pro bar! Seja anti-social você também e nunca mais pegue fila!

    No domingo tentei fazer uma cópia desse seu programa e sem pesanejar desisti quando vi o tamanho da fila. Outros dias virão.

    Daí o desenvolvimento de uma metodologia de caso de uso de ir ao cinema no UCI que envolve hora de chegada e saída, com escalas em partes do shopping. A IBM ofereceu 1 milhão de saco de pitombas por esta metodologia. Tanto ela funciona que no domingo eu desrespeitei-la e acabei não indo ao cinema. ;-)

    Aguarde o livro!

  6. Pedro Sette Câmara Says:

    Eu estava lá, mas cheguei cedo, fui o primeiro da fila, e vi o filme. E sim, eu parei no Barrashopping, no lugar mais distante, e andei na chuva.

    Não gostei do filme. :-)