Já que eu não falo muito de música por aqui…

Estou terminando de baixar o cd do Franz Ferdinand. Quer dizer, estou terminando de baixar as que faltavam e numerar bonitinho, que nem uma maníaca obsessiva-compulsiva. Afinal, desde que ouvi falar nessa bodega comecei a baixar as músicas para poder dar minha opinião.

Bom, minha opinião (poupando vcs de gracinhas como “se não quer minha opinião, não leia meu blogue” e outras bobagens do gênero) é que Franz Ferdinand é bom. Bom para ouvir no carro, bom para ouvir enquanto você está trabalhando, enquanto monta um quebra cabeça de mil peças ou descupiniza a casa.

Quando eu era criança meu avô me contou a história de uma banda formada por negros americanos no início do século passado que tinha umas três formações diferentes. Como as comunicações eram bem daquele jeito que a gente sabe que eram, há uns 80 anos, eles podiam mandar duas ou três formações para pontos diferentes do país ao mesmo tempo, pq ninguém sabia direito a cara de cada um dos músicos. Para falar a verdade, nunca chequei essa história, até porque acho ela mais engraçada do jeito que meu avô me contou (ou do jeito que eu lembro de ele ter me contado) e prefiro ficar acreditando nela assim. Enfim: os integrantes mudavam e a banda continuava a mesma, com o mesmo nome.

Contei essa história porque queria explicar que o Franz Ferdinand é, na verdade, a mesma banda que a gente já vem ouvindo há uns 8 anos. É sempre a mesma banda. Muda a formação e o nome. Mas é a mesma, não se deixem enganar.

Resumindo: FF é o mais recente nome da mesma banda de sempre, tocando aquelas coisas que a gente já cansou de ouvir. Mas que não soam menos simpáticas só porque a gente já conhece. Você pode desconsiderar minha opinião se quiser, afinal, eu gosto também daqueles meninos, sabe, os The Wonders, só que menos coloridos, como é mesmo o nome deles?

…Strokes. Isso. Pois é, eu gosto dos Strokes. E dos The Wonders também.

Agora, gostaria de responder ao que o amigo Tom Leão (não, “amigo” é modo de dizer, a gente não se conhece, não precisa se preocupar por não lembrar de mim, tá?), que escreveu semana passada sobre FF e Scissor Sisters. Pois é, demorei para responder porque estava seguindo seu conselho e baixando as músicas. Eu queria responder direito. Sabe, Tom, o que não entendo? Vc disse que achou SS muito legal. E eu já ouvi, não de você mas de outras pessoas, que às vezes sou muito ligada em música velha.

Pois bem: não achei SS divertido, mas sim pastichístico (para usar uma palavraque meus professores da faculdade adoravam). SS realmente soa como Elton John, e como David Bowie. Mas eu prefiro ouvir David Bowie e Elton John. E fico sem entender muito bem porque as pessoas acham mais legal ouvir música nova travestida de velha em vez de ouvir música velha de uma vez.
Aliás, já que eu falei em “soar como”, fui só eu que achei que o FF soa como Right Said Fred em Michael, ou mais alguém teve essa impressão?

Mas chega de falar de coisa que parece velha. Para coisas novas e assumidamente trash, nada melhor em dias da Lei do Cheseburguer, quando a obesidade está se tornando a principal causa de suicídio nos EUA (quer dizer, mortes evitáveis), do que ouvir os Fast Food Rockers! Obviamente, eles são do país do Darkness. De onde mais?

“Dama que não comenta”, obrigada pela dica. Minha vida não será mais a mesma.

ps: Por enquanto, a hospedagem do meu site não permite que eu disponibilize essas músicas no blogue. Mas é tudo ultra fácil de achar nos Soulseeks e Kazaas da vida.

Até a Blockbuster nos reserva surpresas agradáveis – às vezes

Dia desses, Bernardo indicou no seu blogue uma matéria chamada “100 films that deserve more love”. Concordei com alguns, e tal, mas é uma lista de filmes-para-menino, e por isso não me emocionei tanto assim. Mas gostei da frase “Dê ao público mais do que ele espera e você terá um fracasso”.

Essas palavras ficaram ecoando pela minha cabeça enquanto via “Down with love”, no sábado. O filme é uma citação-homenagem-paródia ao cinema dos anos 60: figurinos, ângulos, edição, fotografia e, principalmente, as technicores! ;o) E o roteiro também, como você vai poder perceber no final, se seguir meu conselho e alugar o dvd.

Ou seja, é “um filme que merece mais carinho”. E se você acabou de decidir que jamais vai mencionar esse filme para a sua namorada (já que eu o classifiquei como “comédia romântica boba e inteligente”), saiba que o Namorado e meu irmão gostaram também, e por isso posso afirmar que não é um filme-gueto só para menininhas, como “Uma Linda Mulher” (tema de uma acalorada discussão sexta feira).

PS: Ass, acabei de descobrir que vc escreveu sobre o mesmo filme ontem. Que coincidência, “Down With Love” não é novo. Mas eu já estava com esse post na cabeça e resolvi publicá-lo mesmo assim.

O homem que falava bebedês.

Como dizer, assim, que vc teve uma noite atemporal, hmm, sem parecer muito cafona? Afinal, chamar uma coisa de “atemporal” é quase sempre cafona.
Mas foi atemporal.

Querido diário, tive uma noite atemporal. Fui ao Rio Scenarium, aquele bar-restaurante-tumor, que cresce e se espalha de uma forma que eu nunca imaginei ser possível. O lugar, da última vez que fui lá, tinha dois andares e uma escadinha. Agora tem dois andares, uma escada extra, grande (com muita cara de exigência dos bombeiros para permitir a ampliação), um recém criado terceiro andar, e mais um novo ambiente para onde se vai para um corredor aberto por onde, acredito, você esteja na verdade passando para o sobrado ao lado.
Interessante perceber que a lapa é um bairro muito mais espaçoso que a Barra ou o recreio, que são folcloricamente conhecidos pela amplidão de pântano recém urbanizado, fazendo um contraponto ao climão Tóquio da Zona Sul, onde os shoppings são mais altos e “escadados” do que largos.

Nesse novo ambiente (como tudo no Rio Scenarium, lotado de coisas empoeiradas e divertidas e interessantes), estava rolando uma pré estréia do Cabaré Filosófico, de Domingos de Oliveira. Pré estréia de uma peça? Pois é, tá pensando o quê? Convite para estréia todo mundo arruma, não causa espécie. Quero ver para pré-estréia!
(sempre quis dizer um dia “causar espécie”. Agora eu disse.)

Uma cadeira quebrada ocupava parte valiosa do chão do nosso espaço vip, e por isso resolvemos colocá-la por trás da cortina atrás do meu sofá. Sim, a cadeira quebrou sob um senhor. Afinal, ela é uma antiguidade, uma coisa vintage e com história. Ou, se preferir, móveis velhos caindo aos pedaços. Ao abrir a cortina, descobri que ainda havia outra sala, do tamanho das que nós ocupávamos (por “nós”, entenda: uma peça de teatro e o público da peça), cheia de cadeiras, tevês antigas, gramophones e muitos etcéteras! Um espaço enorme.
Nessa hora decidi firmemente alugar um espaço na Rua do Lavradio e morar num loft ultra cool, daqueles onde o CEP te torna automaticamente uma escritora maldita e onde pobreza vira charme.

Agora talvez vc entenda por que, querido diário, disse alguns parágrafos acima que minha noite foi atemporal. Porque o lugar era lotado de antiguidades, e a peça que eu via era uma peça dos anos 60, 70. Não, não era uma remontagem. Aquelas pessoas ali realmente vivem nos anos 70 até hoje.

Tomando cerveja Original, com rótulo vintaginho, entrei numa séria crise esquizofrênica em relação ao espaço-tempo. Mas já aprendi duas coisas na vida: que não entendo nada do que Einstein disse, e que tempo e data não são coisas absolutas: é normal que pessoas vivendo em épocas diferentes dividam o mesmo espaço. O Rio Scenarium era um desses espaços, naquela noite.
Sobre a performance, achei que tinha cabaré de mais e filosofia de menos. A coisa mais filosófica em cena, juro, era o nome do Tony Platão. O nome.

Mas enfim. Admito que fiquei feliz de voltar à tranquilidade não-desafiadora (“desafiador”… uma palavra do dialeto corporate, só para eu não perder a fluência) de estar em uma só época, 2004, na cachaçaria logo em frente, tomando uma caipirinha maravilhosa até para mim que não gosto muito de caipirinha, com novos amiguinhos conhecidos no “espaço” atemporal. Surpreendentemente, todos logramos sair vivos da dimensão difusa da coexistência de períodos históricos, para a existência onde o tempo é unidimensional.

Na verdade, o Tony Platão ficou meio sonolento com a transição, mas logo superou a debâcle.

PS: Era uma peça bilíngue: parte dela era escrita, falada e dirigida em bebedês. Mas foi namorado que percebeu.

PS2: Fotos do evento. Descobri que a Marieta Severo é bonita pessoalmente.

As opiniões de quem está vendo de fora

Personagem novo nos diários da van. Na verdade, todos os personagens são novos, já que não existe elenco fixo.
Um menino francês veio me pedir informação no ponto. Turistas perto da minha casa. Isso é estranho, penso eu. Turistas não vêm até aqui. Só para a praia, jamais para andar na rua, desbravando quilômetros e quilômetros de entre-avenidas. Acredite: atravessar a avenida das américas não é simples. Demanda uns 500m, duas “abridas” (ui!) de sinal, e uns 4 minutos, ou 5.
Voltando ao que eu dizia. Um turista. Pegou a van junto comigo, e fomos conversando.

- Aqui no Rio a vida passa rápido demais. Moro no norte da França e as coisas não são assim, eu fico muito cansado por aqui.
- Os brasileiros não se preocupam muito com como estão dirigindo, não é? Eles ficam na pista da direita, depois na da esquerda, tanto faz (isso foi dito na Niemeyer. Mão dupla.)

Ele estava pensando em vir morar aqui trabalhando como professor de francês, mas acho que está desistindo depois de ver quanto um professor ganha. Falei que ando pensando em trabalhar lá pela terra dele. Ele entendeu.

Aliás, foi por isso que estava na Barra. Fazendo entrevista para trabalhar em alguma escola de francês.

- A Barra é bem diferente do Rio.
- Como assim?
- É moderna. Não é histórica.

Eu falei que a Barra fica no Rio, mas não adiantou e ele continuou se referindo ao bairro como não-Rio. Europeu não entende esse lance de cidades gigantescas. E disse que meu condomínio (a entrevista dele era aqui) era bonito, mas “asséptico”. É, amigo, em cinco minutos vc pegou o espírito da coisa.

Eu pessoalmente, sempre achei que meus aredores pareciam as imagens de um livro de inglês. Daqueles que a gente usa quando tem 11 anos, com mais figura do que texto. Essa impressão deve ter sido influenciada pelo fato de tudo por aqui ser escrito em inglês, e ter nome de lugares americanos.

Dá um certo medo de noite. Carros americanos, crianças gordas andando em coisas motorizadas, casas de filme de terror. Em dezembro, guirlandas com “merry christmas” piscando. Dá a impressão que um um homem-abóbora vai surgir a qualquer momento e me matar. Quem quiser, apareça aqui um dia e confirme.

A van estava vazia, o motorista estava achando graça na conversa em portinglês. Aliás, não comentei, ele falava português. Aprendeu de tanto ouvir música brasileira. Se interessou pelas letras, e foi aprendendo. Marisa Monte, Fernanda Abreu, em certos momentos vcs me cansam. Principalmente quando dão nomes ridículos para seus filhos (vc não, Fernanda. Sofia é um nome legal), ou usam turbantes ou forçam muito o sotaque carioca. Mas se vcs são ambaixadoras da nossa língua tão eficientes assim, fico feliz. Essa não foi a primeira vez que vi gente se interessar pelo Brasil através da música.

Quer dizer, também já conheci uma islandesa com cds da Bebel Gilberto no case mas que não tinha idéia de que língua era aquela. Élfico, minha filha, élfico…

Boa sorte para o francês meio assustado. Se sua amiga jornalista carioca é namorada, leve ela para lá, pq jornalista por aqui tá ganhando muito pouco.

Pelo visto, os comentários voltaram

O assunto hoje é Relacionamentos. “é relacionamentos”. Comecei mal. Podia ter começado por “É as mulheres, oba!”, que soa tão mal quanto, mas “é relacionamentos” está certo, acredite. E acredite também que eu gosto de vc e vou poupar as explicações gramaticais.

Já falei isso um milhão de vezes mas vou falar de novo. A melhor coisa da tecnologia é que ela faz qualquer tipo de pessoa (qualquer tipo mesmo) encontrar sua turma. A turma das pessoas que curtem vídeos que mulheres raspando a cabeça, as pessoas que curtem sexo com águas marinhas.

HHmmmmm… Vou começar de novo esse post.

Em noites mezzo quentes, com vento e estrelas como a de ontem, eu subitamente entendo o interesse das pessoas por dogging.

Primeiro, um assunto light até não poder mais. Um curso que se propõe, mais ou menos, a ensinar as pessoas a conquistar outras através do humor. Aulas dadas por um comediante. Isso me lembra Jessica Rabbit, do alto de seus peitões e sua micro cintura de Thalia-shibari explicando seu casamento com um coelho: “He makes me laugh…”
Jessica Rabbit é uma das poucas mulheres que entenderam o que faz um relacionamento dar certo. Não a única coisa, mas como passar a vida com alguém que não faz você rir?
E quanto ao texto da BBC, um discordância. Risada na cama é bom também. (Para o amigo leitor que acha que escrevo que nem paulista: “risada” é uma palavra que não existe no Rio – que eu saiba, só em SP e no Sul. Mas às vezes, é uma boa palavra. Sabe, eu tou desenvolvendo um português OMNIATÓCTONE :o)))

Oquei, você agora já sabe carregar alguém para a cama através de risadas. Vc descobriu que quando uma pessoa ri muito, ela fica sem forças e vc pode arrastá-la quase que para onde vc quiser, certo? E que a cama é um bom lugar para isso. Primeira observação. Lembra do que eu falei sobre noites estreladas? Pense duas vezes antes de levar a moça (essa mesmo, que está rindo até agora) para a cama.
Segunda observação. Tem gente que é exibicionista. Tem gente que é carente e quer aparecer. Tem gente que quer fazer análise de graça. Tem gente que gosta de posar de garanhão. Até aí, nenhuma novidade.
Mas eu não sabia que tinha gente que fazia tudo isso de uma vez só. Mais exatamente, Henrique Goldman.

O camarada fez um documentário chamado “Todas a Mulheres que Amei”, em que conta toda sua vida amorosa, entrevista quase todas as mulheres do título, e conclui dessa experiência catártica alguma coisa que não tenho idéia do que seja. O filme vai passar no Rio e em São Paulo, na mostra
“É tudo verdade”. No final das contas, ele explica que filme é um caso de masoquismo.

Alguém duvida que depois dessa ele vai receber mais pedidos de casamento do que o maníaco do parque?

Agora vamos juntar os registros in loco dos relacionamentos com as noites estreladas e o resultado de suas novas cantadas engraçadinha. Em… uma flash mob de dogging!

Flash mob eu já sabia o que era. “Dogging”, descobri ontem. Não na prática. Nesta matéria da Wired, descobri que a nova mania em UK (sim, repito aquele comentário de sempre: onde mais?) As pessoas se organizam através de celulares, mensagens, internet e sei lá mais o quê, para fazer sexo em parques e demais ambientes abertos. E registrar tudo através dos mesmos gadgets tecnológicos (existem gadgets não tecnológicos?) utilizados, 3 linhas acima, para organizar o evento – como por exemplo as câmeras digitais. A reportagem diz que o nome “dogging” se refere ao hábito de “dizer que vai passear com o cachorro (e sair para fazer saliência)”. Discordo. Acho muito óbvio que o termo vem do fato de que quem faz saliência ao ar livre é cachorro. Não só os cachorros, mas também as lagartixas que fazem sexo na janela do meu quarto. Mas essas não contam, porque o cara que escreveu a matéria certamente não as conhece.

Aqui tem um site dedicado ao dogging, para os interessados. Não, o orkut não tem nenhuma comunidade sobre o assunto. Me disseram que lá podem-se encontrar as comunidades mais bizarras do mundo… Pois é, admito que fiquei meio decepcionada ao perceber que os doggers ainda não descobriram o orkut, o que o torna (o orkut) potencialmente menos diverido do que eu imaginava.

“Vida e Morte Celestina”, de Alexandre Soares Silva (aquele livro q eu fui no lançamento semana passada)

Uma cidade dentro do paraíso, para onde vão apenas as pessoas de bom gosto. Se vc faz coisas como usar a palavra outrossim ou meias brancas com sapato preto, naturalmente vai se sentir desconfortável lá, e vai procurar outro lugar para viver (hhhmmm… não-viver, acho).

ASS (hahaha, alguém já se referiu assim a vc? – calma, calma, esse foi meu momento-quinta-série do dia) merece crédito também por ter escrito um romance policial espírita de bom gosto. Espiritismo e bom gosto, na minha opinião, não são coisas que a gente veja junto com muita freqüência. Como amigos, quero dizer. Eles podem até andar juntos, mas o espitirismo em uma calçada e o bom gosto na outra, sem se encarar, meio sem ter o que dizer para puxar papo. Mas nesse livro não é assim.

A história vai ficando melhor lá para o final, na hora em que eu estava curiosa para saber o que acontecia mas também meio querendo ouvir mais bobagens-engraçadinhas. E quase falando palavras fofinhas, porque tenho a seríissima e perigosíssima maniar de falar no mesmo estilo do livro que estiver lendo. Quando li as Brumas de Avalon, aos 10 anos (como eu tinha dez anos, dê um desconto por eu ter gostado), quase comecei a falar com mesóclises. Numa época que não sabia que mesóclises são mais cafonas do que… Do que… Livros sobre o rei artur narrados por mulheres da década de oitenta travestidas de personagens.

Voltando: VeMC (mais uma abreviação preguiçosa) é aquela ironia mesmo que está no blogue, aquela acidez toda, mas delicadinha, fofinha, mimada e com “açuquínhar” (adoro essa palavra – é melhor do que fotinha).
O livro é debochado, apesar de ninguém mais usar essa palavra. Emprestaria para o meu tio, que é um cara debochado pq é da época da palavra “debochado”. Mas ele ultimamente não gosta de ninguém que seja mais novo que ele. E compra livros pelas resenhas que lê. O que, já descobri, nunca dá certo.

O preço é meio extorsivo, 32 reau, mas vale a pena porque:

- o dia que eu lançar meu livro quero que todo mundo compre, mesmo custando caro
- a editora tem um gato muito simpático no logo (ou NA logo, como dizem os designers e pessoas que fazem logos em geral), e está começando agora. Além disso, não cobra frete para entregar na sua casa, o que pode ser reconfortante se vc mora no Acre.
- é divertido, pô, já falei isso.

O bairro-sobressalto

Para mim, é tranquilo andar pelo centro da cidade de madrugada, ou esperar um ônibus na Rua Itapiru (Rio Comprido fronteira com Catumbi), mesmo com o carro da pm passando ao lado com os fuzis para fora apontados para mim. Agora, andar por Copacabana é sempre um susto: pessoas estranhas me seguem, malucos vêm falar comigo (em nenhum outro lugar os malucos falam comigo. Normalmente eles ficam compenetrados nas suas coisas e eu passo. Só em Copacabana que isso acontece). Cai um pingo ao meu lado no chão e não, não é cocô de pomba. É cuspe de alguém que mora ali.
A cada dois passos, um susto. Travestis quase inumanos, velhinhos brigando com pombos, pivetes discutindo aos berros. Velhas precoces que passaram a vida consumindo coisas estranhas cheias de tatuagens e que ficam olhando para mim, motoqueiros de bigode. Aquela fauna urbana que a gente acha que não existe mais, existe lá. Parece um trem fantasma. Não, obrigada, não curto.
Preciso me controlar muito para explicar a todos os turistas que estão por ali que alguém os fez de bobos, que Ipanema é logo ali e é muito mais legal. E se eles quiserem ser roots, a Feira de São Cristóvão continua sendo mais legal. Sem ter muitos anos de Rio, é impossível entender a graça de Copacabana. E olha que eu entendi e mesmo assim não gosto muito.
Existem também coisas divertidas, como um salão de barbeiro por onde passei hoje com fotos de ex-presidentes com dedicatórias escritas pelo próprio Seu Petrônio: “Do presidente (coloque aqui o nome que quiser: Getúlio, Castelo Branco, etc), amigo e cliente do Salão Petrônio”. Genial. Quase compensou o susto de ser abordada por um vendedor de tartarugas de pelúcia com um olhar realmente penetrante (o vendedor, não a tartaruga – se fosse a tartaruga, eu teria comprado).
Deixo a República do Lido para quem se orgulha dela. Para ver coisas estranhas, eu definitivamente prefiro ir ao Saara, ou ao Fashion Mall num sábado à tarde.

Mulher entrando, distraída, pela porta (até pq nao dá para entrar distraída por uma janela, ou tubulação de ar condicionado)

- Boa noite
- Ahn?
- Boa noite. (dessa vez com ponto final)
- Ahhh, oi, boa noite

- Hhmmmm, olha só. Eu tou procurando um problema.
- Um problema? (por que vendedores adoram repetir o que vc diz? Para parecer que estão ouvindo?)
- É.
- Qual o tamanho?
- Deixa eu ver… Um que dê trabalho para resolver. Não pode ser muito fácil, senão não tem graça.
- É verdade. (vc já viu algum vendedor discordar de cliente? só se for um vendedor muito bom, mas aí vira gerente para mandar nos vendedores muito ruins)
- Bom… Acho que este está bom. Não, não. Esse daqui. Esse está legal.
- Esse é bem complicado. Leva pelo menos uma semana para resolver.
- Então está bom, acho que serve.
- Ele também é cheio de soluções fáceis e erradas, sabe? Não tem um caminho muito claro do início até o fim.
- É difícil demais?
- Não, isso não. Vc tem alguma experiência com problemas?
- Com esse tipo, tenho sim. Acabei de resolver um esses dias.
- Ah, então vai ser uma ótima experiência para a senhora.
- Mas será que eu preciso de mais um problema? Já tenho tantos… Bom, deixa para lá. Vou levar.
- A caixa é por aqui. Qual é a forma de pagamento?

E essa deve ser a história de porque resolvi montar um quebra cabeça de mil peças esses dias.