A man of his time…

Tá passando um programa na Globonews sobre o Henfil. Muito material de arquivo com ele dando entrevista ou fazendo quadros de humor. Bem legal.

Um quadro cafona-cafona me deu vontade de chorar: “vcs estão vendo alguma esperança em 1982?” Aí um cara olha para a câmera e diz “estou sim!” (dã! A esperança está em cada um de nós). E entra em off aquela música do Milton Nascimento que eu esqueci o nome agora (”todo artista tem de ir onde o povo está…”) enquanto todos acenam com lenços brancos.

Brega de doer. Henfil é genial mas esse foi foda.

(parênteses: A Esperança ficou cafona, ela não troca de roupa desde 1983, e anda por aí vestida de polainas, com blusa de manga morcego, new wave no cabelo e calça baggy de cintura alta. Talvez ela vire hype, com essa moda meio retrô, mas não apostaria nisso não. - fecha parênteses)

Agora, acho q eu dava tudo para participar de um quadro desses. Para acreditar em futuro. Para seguir palavras de ordem, para sentar com minha saia indiana no chão de uma faculdade de história ouvindo “mulheres de atenas” numa vitrolinha. Para achar que alguém tem as respostas para as minhas perguntas e para as perguntas dos outros. Aliás, para achar que o fato de que há uma pergunta indica que haja uma resposta. De onde raios tirarm essa idéia?

Queria ser de antigamente, aquele tempo em que existia futuro - morro de inveja dessa galera. Sei que nós somos infinitamente mais cool agora, com esse niilismo ostensivo, mas e daí? Imagina a paz que deve ser vc acreditar no futuro, deitar eternamente no berço esplêndido da cafonice. É mais ou menos como ser espírita e acreditar na justiça divina. Não nasci para isso.

Será que refletir sobre isso é que é ser “uma mulher do meu tempo”?

Acho que é. Ser uma pessoa igualzinha a todas as outras, pensando o que os outros pensam, captando por uma anteninha invisível as mesmas idéias que todo mundo capta. Uma antena de FM que só pega as músicas de jabá, e sempre as mesmas. Que sente o que todo mundo sente e fala mais ou menos o que todo mundo fala e quer ser especial como todo mundo quer. Ser uma “mulher do meu tempo”, afinal, não é nada de mais.

Será que não tinha um jeito de eu ganhar dinheiro com essa capacidade? ;o)

PS: o programa vai passar de novo amanhã às 03:30h, 11:30h, 17:30h, sexta às 06:05h, sábado às 16:05h, quarta às 23h.

PS2: manga morcego foi do fundo do baú, hein? Só lembrei disso pq eu tinha um vestido todo estampado com a manga assim. Muito útil, se levantasse os dois braços ao mesmo tempo o vestido subia. Sorte que eu era criança naquela época.

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