Uma segunda feira na vida da mulher sem glamour.

Domingo, depois de ler várias páginas (digo várias mesmo, mais do que o ministério da saúde recomenda) da revista Nova, chego à seriíssima conclusão que meus pés estaõ ressecados. São aquelas reflexões essenciais que nos acometem depois de ler revistas femininas. Num puta calor, dormi com os pezinhos cheios de creme para deixar a pele mais macia e bonitinha - detalhes que nem eu mesma vou perceber depois.

Hoje acordo, piso no chinelo para não sair patinando por aí e quebrar a bacia, tomo café e minha mãe me pede para levá-la aaté a oficina, deixar o carro (ou dar uma carga de gás no ar condicionado, aquelas operações complexas que me recuso a entender, uma vez que me recuso a comprar um carro). É óbvio que o moço pediu para esperarmos. Mamãe, outra mulher sem glamour, tem a brilhante idéia: vamos até o Mundial comprar carne para o gato? (genial!)

- Mãe, eu não posso andar, estou escorregando no sapato.

Mas é claro que fui. Escorregando a cada passo, atravessando ruas bem devagar para não cair da sandalhinha e morrer, depois de ter escapado de uma fratura na bacia. Motoristas de ônibus tiravam finos de mim enquanto meu pé escapava pelo sapato e pisava na terra. Ficou uma beleza: cheio de areia e com as unhas sujas.

De volta para casa, lavei os pés (por que não fiz isso antes de sair? Porque estava com sono e não pensei direito). Agora já posso andar. Volto para apanhar as sandalhinhas
(entenda: Barbarinha, creminho e sandalinha na mesma história. Não podia dar certo). Soterrada de formigas. Pior do que um bolo de chocolate. Afinal, isso dá encher o pé de creme com cheiro de rosas e manteiga de karité e demais fofuras loccitânicas. Bem feito.

Bqarbara, vc não nasceu para mulher fresca. Vai lavar a sandália, tirar as formigas e não inventa mais!

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