Cinema!
Pessoas que namoram os receptáculos doos corações de seus amados é tema que já foi usado até pela autora mais apelativa do mundo, a Gloria Perez, em uma novela de 1992, “De Corpo e Alma”. Na época, achei uma babaquice sem tamanho o Tarcisio Meira namorar a Cristiana Oliveira só pq ela estava carregando o coração da namorada dele - que, se não me engano, era a Bruna Lombardi, que veio ao Brasil, gravou meia dúzia de cenas e voltou para a terra dela (?!), voltando só para um ou outro flash back safado.
Pois é, e 12 anos depois paguei 13 reais e peguei fila no cinema para ver a mesma história de novo, só que com atores melhores.
Tudo começou em 2001, quando vi “Amores Perros” e gostei. Por isso fui com toda boa vontade ver “21 Gramas”, do mesmo diretor e ultra elogiado por todo mundo.
Bom, na verdade trata-se de uma refilmagem no filme mexicano. Não é bem uma refilmagem, mas também não é outro filme. É uma semi-refilmagem (se isso não existe invento agora), mas sem as cores fortes da versão latina. Digo isso no sentido figurado, com atuações mais contidas, e no sentido literal também. A fotografia é lavada, as imagens quase que só têm azul, fica tudo meio frio. E uma montagem em pedacinhos, não-linear. Lembrou de “Amnésia”? Exatamente: o filme andava de trás para frente para que a gente conseguisse se sentir tão perdido quanto o próprio personagem. Ou seja, a montagem modernosa tinha um objetivo. Ness caso, a montagem não tem objetivo nenhum. E, como eu já disse: história contada em pedacinhos e que se encontra em um acidente de carro, já vi em “Amores Perros”.
Na hora em que eu pensava essas coisas, todas as pessoas no cinema ao meu redor começaram a engolir seus catarros. E a tossir. Eu me perguntava por que chatos tossem, enquanto via o filme não chegar a lugar algum. E não chegou. Ou chegou. À conclusão de que o mundo dá voltas e a gente não pode nunca cuspir para cima. E descobri mais uma coisa: que quando a crítica diz que um diretor está amadurecendo, tenho que levar a sério a possibilidade de ele estar perdendo o vigor e se transformando numa cópia hollywoodiana de si mesmo. Se diluindo. Pelo menos é isso que eu acho do Almdóvar, e agora do Iñarritu. Almodovar deixou de fazer filmes fortes, coloridos, latinos, para fazer coisas boas muito parecidas com coisas que outras pessoas fazem. Eu sou latina, caramba! E espero continuar latina! Mais zen e menos escandalosa, mas espero realmente nunca virar uma fotografia lavada que nem “21 Gramas”.
Janeiro 20th, 2004 at 5:32 pm
Pois eu sou uma latina escandalosa e cafona que achou que faltou alguma coisa em "Carne Trêmula" e em "Tudo Sobre Minha Mãe". Apesar de serem muito bons!
Janeiro 20th, 2004 at 5:26 pm
Caralho Baxt! que filme fraco do Almodóvar é fraco. Não confunda histeria com impacto.
Tudo Sobre Minha Mãe é foda e é o penúltimo filme dele. Olha a generalização.
Se o último foi fraco (o que discordo), não quer dizer que ele está "pasteurizado", né?
Juízo…