Uma ida ao Saara. Na verdade, mais uma, porque eu sempre acabo inventando alguma coisa e de vez em quando volto lá.
Em primeiro lugar: preciso de uma câmera digital. Com uma boa câmera, poderia ter feito um ensaio ducaramba. Com uma câmera mini, de bolso, poderia ter feito uma materinha simpática.
Bom, se alguém já viu Sábado, do Ugo Giorgetti sabe a que me refiro quando digo que adoro o Saara. Me refiro àquele gigantesco prazer de ir ao centro que só experimentam aqueles que não moram no centro. Mas diferente da personagem de Maria Padilha, eu gosto de ir lá de vez em quando.
Tipo hoje. A dois dias do natal, resolvi encarar horas de uma van glacial para chegar até o Saara. O nome, sugestivo, já tem o significado em si mesmo. Mas com muito mais gente e muito mais diversão (por mais que minha mãe não entenda onde eu vejo tanta diversão) do que o Sahara original, que tem um h no meio.
Como pode não ser divertido um lugar no qual, assim que você chega, descobre que pode comprar chaveiros com os bonecos do SOFT Park por 2,99? Na rua, milhões de pessoas, de todas as cores possíveis, usando estampas impossíveis. E eu em busca de um olho grego de vidro. Resolvi este ano que minha macumba de ano novo vai ser distribuir cordões com olhos gregos para todo mundo, assim protegeremos a casa inteira do mau olhado. Apesar de não gostar muito de propaganda que fala mal da concorrente, e de simpatia que pressupõe a antipatia do outro, achei que esteticamente os olhos gregos eram divertidos.
Olho grego, para quem ainda não ligou o nome à pessoa, é aquela bolinha branca com uma rodela (ou íris) azul no meio e uma bolinha preta (aka pupila) no centro desta. Imagine uma pessoa de olhos azuis. Agora imagine que arrancaram, inteirinho, o olho dessa pessoa. O que você está vendo, sem o sangue, é um olho grego.
Não é fácil encontrar um. Na loja em que estou acostumada a comprar artigos para montagem de bijuterias (é assim que se fala lá), a moça confundiu o dito cujo com olho-de-gato e me ofereceu uma coisa totalmente diferente. Avancei um pouco na Rua Senhor dos Passos e encontrei uma galeria de coisas para bijuterias, entre outros balangandãs. Achei o tal. Comprei vários, escolhendo entre os que estavam no potinho aqueles que não estavam ceguinhos nem com catarata (embaçados).
Voltei à loja original. No caminho, observei que, assim como no Barrashopping as pessoas são capazes de matar você para ter a sua vaga no estacionamento, aqui a luta é pelo seu lado da calçada. Não me pergunte por quê, mas as pessoas são capazes de jogar sacolas e os próprios corpos na sua direção, para passar. Mas não é só passar: é passar por aquele ponto em que você está passando. Voltei à loja, que tinha um arremedo de ar condicionado, muito bem vindo. Comprei correntinhas e umas miçangas com a cara da Hello Kitty (a Sanrio licencia até vibrador, mas aposto que eles ainda não descobriram o filão das miçangas da Rua Senhor dos Passos!). A idéia é fazer mais um colar com várias Hello Kittys coloridas para trazer vibrações kawaii para o ano novo. Parêntese: agora que eu aprendi o que significa kawaii, preparem-se para ouvir essa palavra aos baldes por aqui!. Fecha parêntese.
Uma senhora na fila do caixa me explicava que faz e vende bijuterias há mais de 20 anos, mas que nessa época do ano todo mundo que fazer também, para dar de presente, e como esse pessoal não sabe o que quer comprar, as lojas acabam ficando uma bagunça. Gente como eu, que estava na fila errada. Pô, aí. Foi mal.
Trinta segundos depois de estar de volta à rua, eu já suava novamente por todas as dobrinhas e não dobrinhas do meu corpo. Ao imaginar a cena, inclua aí o meu desodorante super-plus-saara -proof que fiz questão de usar antes de sair de casa. E de levar na bolsa, por via das dúvidas. Meus pés suavam e faziam meus sapatos escorregarem de forma que, se eu mantivesse o ritmo da caminhada o dia inteiro, a essa altura eles já seriam dois montinhos de carne viva. E só. Minha bela franja valentinesca recém-adquirida (fotos em breve) colava na minha testa, mas eu me recusava terminantemente a colocá-la para cima e perder meu glamour de quem cortou o cabelo há pouco tempo. Na verdade eu sabia que se fizesse isso, ela ia virar uma crista pior do que o topete do Dylan na primeira temporada de Barrados no Baile.
Na Rua Buenos Aires, polícia. Pelo que entendi, um homem em uma Brasília branca, com o filho dentro do carro, foi ameaçado por um velho que estava a pé e desceu-lhe a porrada (o dono da brasília, no velho). Aparentemente o fato de ele ter feito isso na frente da criança complicava a situação. É, os seres humanos precisam de mais união, começa o meu informante. Obrigada, amigo. Mudo de calçada e sigo rapidinho enquanto o policial coça a orelha com o cano da arma.
Quando chego em casa, minha mãe me avisa que olho grego era a coisa mais cafona do mundo quando ela tinha a minha idade. Paciência. Acho esteticamente legal e ela vai usar também, nem que seja por dentro da blusa.
Ah, mais uma coisa: meninas do RJTV, vocês não precisam se despencar até o Saara para descobrir duas informações essenciais para suas matérias de natal: segundo o balconista da loja que tinha os olhos gregos (a loja, não o balconista), eles estão trabalhando para burro, fechando a loja super tarde, mas vendendo bem pouco esse ano.
PS: A fantástica e genial Rádio Saara fica para outro post.
Janeiro 26th, 2005 at 10:54 pm
KJJK
Janeiro 15th, 2004 at 11:18 pm
Jã vivi esta novela atrãs de ollinhos gregos p; o meu trabalho,agora estou me despencando p; S.P. para encontrã-los, pois os daqui realmente est"ao cegos.
Dezembro 23rd, 2003 at 1:36 pm
O deserto do Saara só tem H em inglês, Baxt… tsc tsc tsc eheheheh
Dezembro 23rd, 2003 at 12:41 pm
Beleza, agora que você sabe o que é kawaii, por favor divida a informação com os seus leitores que não sabem, para que possamos continuar seus leitores, vista a promessa de inúmeras aparições dessa palavra num futuro próximo.
Loira de topete, me lembre Cameron Diaz em Quem vai ficar com Mary.