des-desempregadas

Minha amiga Bruna está desempregada. Pelo menos é assim que andou se referindo a sua própria condição.
Bom, eu também. Mas eu prefiro dizer que estou trabalhando por conta própria, que não estou sendo explorada por uma empresa, que não sou uma engrenagem corporativa (engrenagem vou ser sempre, mas não corporativa) e, principalmente, que sou dona dos meus dias.
Não me vejo como desempregada. Afinal, estou trabalhando, e quem tá trabalhando é desempregada? Agora, lendo numa trip velha (não tão velha, oquei, mas não nova) uma longa matéria sobre trabalho, todas essas idéias voltam a pipocar na minha cabeça.
Carteira assinada é bicho em extinção. Carteira assinada, em alguns casos, é atestado de acomodação. Não em todos os casos, é claro.
Ter medo de perder pouco é a maior prova de mediocridade que eu posso dar.
Memo assim, tenho medo de perder quando tenho pouco, claro, eu sou gente, sou covarde e muitas vezes sou medíocre.
Ás vezes estar livre e dona da minha vida dá uma puta euforia, aquela impressão de que posso dominar o mundo. Ás vezes dá medo, dá uma sensação de abandono assustadora. É opção demais. Sabe quando você não consegue estacionar quando há muitas vagas, uma do lado da outra? Que acaba ficando na dúvida e colocando o carro no meio de duas, e tendo que dar ré, sair, escolher uma das vagas e ajeitar o carro? Pois é, se tivesse uma vaga só, não teríamos problema.
Mas de uma coisa não tenho dúvida (e certezas tenho bem poucas): as coisas estão mudando, e quem sacar isso primeiro vai ganhar uma mariola!
Na verdade, já saquei isso há muito tempo (quando saí da Globosat e passei a viver de frila). Ganhei algumas mariolas, mas não tantas quanto gostaria. Nem tantas quantas mereço.
Mesmo assim, continuo impressionada quando vejo pessoas me dizendo, como se fosse a maior novidade do mundo (ou o maior absurdo): “É, emprego tá difícil…” Fico até sem graça de explicar que não quero emprego (a menos que seja uma puta oportunidade, é claro), mas quero trabalho!

5 Responses to “des-desempregadas”

  1. Szundy Says:

    Para os cálculos estatíscos de IBGE desempregado é a pessoa que está procurando um emprego e não consegue.
    Se você não está procurando um emprego mas trabalha por conta própria é um profissional liberal (como médicos e advogados sempre foram) ou pode ser cool e se dizer um empresário ou empreendedor.
    Se você não está procurando um emprego mas também não trabalha então você é um desocupado.

    A chave da tranquilidade é o desapego. Todo medo vem do apego.
    Você se apega ao dinheiro então tem medo de ficar sem, o que te leva a se apegar a um trabalho de corno, em um lugar de cornos, com um estilo de vida de corno.
    Em termos mais radicais, você tem medo da morte pq se apega a vida. Justo. Esse papo todo é muito legal, mas é foda! Esse lance de desapego é coisa de monge mesmo.

  2. hiro Says:

    eu vou é vender mariola. se perder o emprego, pelo menos como o estoque.

  3. Inagaki Says:

    Bela reflexão. É muito foda isso: a gente acaba meio que se apegando à maldita estabilidade, aos malditos tíquetes, ao maldito plano de saúde e ao maldito pão nosso de cada dia, e acaba deixando que nossas asas se cubram de pó. Espero que a sua big mariola surja logo: vejo que você está fazendo por merecer.

  4. aldemi Says:

    Putz, medo de perder, medo de estar preso, sensação de liberdade, ansiedade por estar preso e, ao mesmo tempo, estar livre.
    Ah!!!, somos todos mesmos assim. Nós - os inconformáveis.
    um abraço,prazer em conhece-la e
    parabéns pela escrita, vc é boa, muita boa mesmo.

  5. Bruna Says:

    Ai, barbs, eu tb quero acreditar assim… E, pra falar a verdade verdadeira, perder esse job foi uma grande vantagem, porque agora eu posso procurar alguma coisa melhor sem ter que ficar considerando se devo ou não abrir mão de ticket restaurante+vale transporte+plano de saúde+ etc